Novice
15 Take Me To Church
Notas iniciais
Sentia o mesmo pânico que Ezio, suas mãos suavam e Altair parecia prever de alguma maneira uma tragédia. O tão alegre e engraçado Ezio, o dono de piadas horríveis e sorriso que deixava Altair com inveja pelo mesmo ser tão sociável estava amedrontado e sem um farol para guia-lo, com o medo como se fosse um navio a colidir com um iceberg em meio a um frio agoniante.
Era como se uma pedra estivesse entalada na garganta de Altair, mas seria corajoso, pelo seu amigo. Buscou a mão de Ezio e apertou firmemente, tentando ser aquilo que o Auditore necessitava, ser o porto até o mesmo não sentir medo.
— Se você insiste — Vieri falou, prendendo o cabelo num coque baixo e abrindo a porta do carro.
Sem perder tempo, ambos entraram no carro esportivo luxuoso e ignorando os alunos que olhavam o carro com curiosidade óbvia. Altair vira pela janela do banco de trás Malik saindo e sendo acompanhado por Edward e Connor, acabou por não encontrando a caçula Kenway. Podia sentir a tensão de Ezio a sua frente, o punho concentrando sua raiva, talvez nervosismo ou ambos juntos, Altair não sabia o que esperar, nunca tinha passado por isso.
Não tinha passado pela reprovação pelas suas escolhas, nem quando seu pai soube realmente quando ele e Malik estavam começando a ficar juntos desde o dia anterior.
O problema era que os Auditore eram uma família tradicional italiana, os negócios eram conhecidos da mesma era reconhecidos na América e fora da Europa, não chegavam a ser alarmantes e extraordinários, mas eram notáveis. Mas para que tanto? Sacrificar a felicidade de um filho? A que ponto as famílias chegavam para tal.
Vez ou outra, as curvas que Vieri fazia pareciam quase arrancar os pneus fora e Altair tivera que se segurar com firmeza ou o cinto de segurança não faria sua função da qual foi designada, assustou-se que Ezio parecia feliz com a velocidade que o carro adquiria, dando para ver sua ansiedade assim que chegaram na "casa" dos Auditore, nem esperando o de'Pazzi estacionar o carro e sair correndo até a porta.
Com dificuldade, Altair o acompanhou e vi o molho de chave tremer em sua mão e lágrimas tímidas descerem sua face, acabou por pega-las por Ezio e procurar a chave correta, abrindo a porta e acompanhando Ezio, notando e estranhando a casa estar vazia.
Gritos eram ouvidos do segundo andar e algo quebrando se alastrou pelas paredes, com presa, ambos correram e adentraram corredores, empurrando os homens que guardavam a sala de reunião, Ezio xingando os dois caras que eram o dobro do seu tamanho e usando uma coragem que até Altair se assustou.
— Leonardo!
A cena no local fez Altair pensar que realmente em vida, ele não tinha visto de tudo. Leo estava no chão, seus cabelos loiros soltos e cobrindo sua face, seus braços que lhe mantinham firme para não ir de encontro com o chão. Ao ter ouvido o chamado de Ezio, levantou a cabeça e mostrou a face com o rosto avermelhado na bochecha e o olhar teimando em não deixar as lágrimas caírem.
Mario segurava o próprio irmão que parecia falar palavrões em italiano, e olhando mais a fundo a sala com enormes prateleiras de livros e iluminação fraca, Altair pode ver Federico parecendo estar próximo de Leo, como se antes de Ezio e Altair chegar, ele estivesse prestes a ajudar o loiro.
— Você! — Rosnou Giovanni, olhando furioso para Ezio — Como ousa esconder algo assim do seu pai? Fazendo o mesmo que seu irmão!
Altair sabia o que fazer, mas naquele momento tudo dependeria de Ezio. Apressadamente, Altair foi em direção onde Leonardo estava, o puxando para o canto onde Federico estava e tendo ajuda deste para sentar Leo numa cadeira.
— Não escondi nada do senhor, apenas omiti o que poderia estar passando comigo, seu filho — Rebateu, andando até o centro da sala e encarando Giovanni que logo se desvencilhou-se do irmão.
— Filho? Um filho egoísta que não pensa na família! O que vai ser da sua irmã? Não vai arranjar um namorado ou pedido de noivado porque os dois irmãos tem a vergonha de se relacionar com homens — Todo o tom de nojo e raiva era descontados, soltos da boca para fora.
— Giovanni, irmão... Ezio é seu filho, seja mais compreensível — Pediu, Mario.
— Filho? Eu não tenho filho nenhum além de Petruccio — Falou com escárnio e foi como um choque ouvir aquilo.
Altair pode ver o olhar de decepção de Federico e mesmo de costas, Ezio tremia com aquelas palavras, ele não esperava ouvi-las, nem ele e nem ninguém.
— Repita o que disse, Giovanni — A voz de Maria se fez presente e todos olharam para sua face séria — Vamos, repita o que disse — Adentrou a sala, vindo na direção onde Leo estava e lhe entregou um pano com gelo, fazendo um breve carinho em sua cabeça e virando-se para Giovanni — Quero ouvir da própria boca do mesmo homem que esteve ao meu lado no parto de Ezio, que disse que ele seria um grande homem e que nunca o deixaria. Quero ouvir do homem que eu amo que deixou de lado a existência do filho mais velho e que está fazendo o mesmo com o segundo! — Seu rosto avermelhava-se de raiva.
Enquanto proferiu tais palavras, ficou ao lado de Ezio, segurando firmemente sua mão tremula. Altair sorriu com isso, Maria era uma mulher batalhadora, uma guerreira que não deixaria seus filhos de lado.
— É minha culpa — Leo sussurrou e apenas Altair e Federico ouviram — Se eu não tivesse me apaixonado por Ezio isso não estaria acontecendo... Eu deveria estar sofrendo, não ele... — Lágrimas desciam seu rosto, marcando as que já secaram.
— Meu irmão nunca foi tão feliz, Leo — Federico falou — Giovanni! — Elevou a voz, atraindo a atenção do patriarca Auditore — Não estamos no século quinze.
— Não? Mas o nome da nossa família veio desse século, não me venha com as mesmas baboseiras que me disse quando o expulsei.
— Você o quê? — Maria perguntou incrédula — Você expulsou o meu filho de casa e me contou que ele tinha nos deixado? E pensar... — Perdia a voz, olhando rapidamente para trás e encontrando o olhar de Federico — E pensar que eu achava que poderia ser rebeldia...
— E é! Não existe amor assim, é apenas luxuria de um pecado.
— Não use palavras de um livro sagrado para sua ignorância! — Ezio proferiu, apertando a mão de sua mãe.
— Não ouse levantar o tom de voz para mim!
— Vai a farti fottere! — Falou em italiano e Giovanni avançou sobre o mesmo, nem se importando se maria estava ao lado e a empurrando.
Agarrando o colarinho da camisa de Ezio e o jogando para o lado, o fazendo ter uma queda que o poderia deixa-lo dolorido. Mario não pode segurar Giovanni a tempo e mesmo Altair levantando-se e já pensando em proteger o amigo, ele pode ver Ezio se arrastar pelo chão até a porta, tendo Giovanni andando até o mesmo e voltando a ergue-lo, o puxando pelo braço.
Altair perdeu a respiração quando seu pai e outro homem surgiram, tentando afastar Giovanni de Ezio e conseguindo com dificuldade separa-los.
Dificuldade maior foi retirar Giovanni da sala, tendo Mario em seu encalço para por juízo ou a razão no irmão.
Mesmo com dificuldades, Leonardo levantou-se e se guiou até Ezio, ajoelhando-se e chorando copiosamente, beijando com amor sua testa e transmitindo paz para o mesmo, o abraçando e envolvendo no abraço, sendo ambos envolvidos pelo abraço de Maria.
— Por favor, não deixe de ser minha mãe... Eu apenas amo um homem... — Falou, choroso — Eu não quero perde-la, mamma!
— Nunca, meu pequeno... Nunca — Beijou o topo de sua cabeça e a de Leonardo — Nunca...
Altair apenas assistia tudo, não notando seu pai ao seu lado e apenas podendo ver no olhos dele o como Umar estava comovido.
— Vamos para casa, filho — Apertou seu ombro, sorrindo fracamente, deixando com que apenas uma fina lágrima descesse seu rosto.
Altair nunca viu seu pai chorar, mostrar uma lágrima sequer, até o momento. Federico juntou-se a Vieri da qual acabou por chegar um pouco tarde na porta, ambos ajudando Ezio e Maria.
Estranhou a ajuda vindo de Vieri para os Auditore, mas pensou sobre as palavras de Giovanni e soube ali que Vieri não era mais considerado um de'Pazzi, não foi apenas Federico que pode ter sofrido a repreensão do próprio pai.
Rapidamente, Altair foi até Ezio, sorrindo fracamente para o mesmo e abraçando fortemente, se desculpando por não ter feito nada, mas a única resposta que obteve de Ezio foi um sorriso, um sorriso depois de toda a tempestade e um beijo no topo de sua cabeça por Maria, que lhe chamou de filho e olhou agradecida para Umar.
Apenas com a ideia de abandonar aquele recinto parecia uma ótima, mas deixar todos era uma tortura, por isso, Umar contou com um sorriso enorme e perguntando se todos não gostariam de jantar em sua casa. Claro que uma careta surgiu na face de Altair, ele que fazia a comida em casa e nunca que o mesmo tinha feito porções para tantas pessoas.
Não demorou muito e até Cláudia e Petruccio tinham sido chamados, sorrindo por poderem sair de casa no meio da semana e ainda irem para a casa de Altair e ele já podia prever ambos brincarem com sua cara na sua própria casa, mas não reclamou.
Ao final da tarde, parecia que sua casa nunca esteve tão animada, reclamou por Maria o ajudar na cozinha, falando que não era necessário, mas a senhora Auditore discordava e vez ou outra usava a colher de madeira para bater na mão de Federico, que tentava provar a comida antes da hora.
— Isso é bom, como você faz esse molho? — Perguntou, Altair.
— Nós italianos fazemos uma ótima macarronada e para isso, o molho deve ser divino — Falou, rindo da cara maravilhada de Altair — Já falei para tirar seus óculos, vai deixa-los engordurado e se isso não acontecer, podem cair dentro de alguma panela — Falou, tendo Altair lhe obedecendo — Ezio, espero que aprenda um dia com Altair, se seu irmão sabe cozinhar, você deveria ter conhecimento também — Falara para que o outro escutasse da sala, mas poderia ser impossível já que a gritaria dos outros brincando na sala era bem audível — Me sinto em Veneza novamente, até em Masyaf — Riu com a recordação e Altair franziu o cenho.
— Como assim Masyaf? A senhora já foi para Masyaf? — Indagou, não conseguindo esconder a clara curiosidade.
Masyaf era a terra natal de Malik e Kadar, o lugar onde eles tinham deixado e que por um acaso Maria falava com tanto carinho.
— Sim, já fui para lá uma vez — Respondeu, pegando a panela de macarrão e o tirando para o escorredor de massa, colocando a panela já vazia na pia — Por que a pergunta?
— É que meu amigo morava por lá — Não contaria os detalhes para Maria, ela não precisaria saber o detalhe do seu "amigo".
— Altair, essa carinha curiosa não me engana, esse amigo é Malik não é? — Perguntou com o olhar meio estranho.
— Como você sabe? Você conhece mesmo o Malik? — Indagou.
— Claro, eu conheci a mãe do pequeno Malik e Kadar quando viajei para Síria, os Auditore tinham seus negócios por lá e nosso encontro foi um tanto quanto peculiar — Falava enquanto mexia na macarronada e terminava seu preparo — Eu dei um soco na cara do marido dela — Falou como se fosse a coisa mais simples que já fez na vida.
— Você o quê? — Arregalou o olhar — Mas o que aconteceu?
— Não sei se é o melhor assunto para se falar — Ponderou, suspirando e apoiando-se na pia — Você e Malik estão junto, não é? — Perguntou e mesmo vermelho, Altair afirmou com a cabeça — Não diga a Hayat que fui eu a lhe falar isso, mas a cultura por lá é bem diferente da nossa, coisas que são repudiadas são normais por lá... — Engoliu forçadamente e fechou os olhos — O marido dela é um grandíssimo filho de uma puta...
— O que aconteceu a senhora Hayat? — Perguntou já preocupado, sabia que uma pessoa boa como a senhora Al-Sayf não merecia nenhum mau.
— Eu dei um murro no marido dela ao vê-lo tentar estuprar a própria mulher num beco — Contou, suas feições gélidas e voz carregada de raiva — Dou graças por Giovanni ter me ensinado o básico de defesa pessoal, mas dou mais graças ainda por ter treinado escondido do mesmo antes de ter Ezio, mas ter tido o prazer de socar a face do individuo foi tão boa, mas a sensação não durou muito, logo Hayat chorava falando que ele poderia não só castiga-la quando chegassem em casa como faria o mesmo com seus filhos.
A lembrança de Altair se acendeu quando recordou de quando Malik falou de Masyaf, lembrando bem quando fez a pergunta a Mal se ele sentia falta de casa e bem, a resposta já estava ali.
— E então eu ofereci uma chance dela fugir, mas havia um problema, mas mulheres na Síria e nos outros países não podiam viajar sem autorização do homem responsável por ela — Explicou — E então apelei para a mentira e meios de suborno, consegui com que ela fugisse do país e quando a mesma veio para América, foi registrada como refugiada e depois como plena cidadã americana — Contou — Lembro quando vi os filhos dela, eles me lembraram os meus pequenos, lembrou-me de Ezio que tinha quase a mesma idade de Malik.
Altair não sabia o porque, mas chorava, segurava o soluço do choro para si enquanto Maria olhava para o lado, indo até o fogão e desligando o fogo.
— Mesmo de partes diferentes do mundo, sofremos o mesmo que qualquer um, passamos pelas mesmas coisas e... Altair, eu simplesmente não podia deixar Hayat a mercê daquele monstro — Rosnou de raiva — Você é o parceiro de Malik, você o ama, certo? — Perguntou e Altair concordou — Não conte para eles que eu lhe disse isso, Malik odeia o pai e Kadar não lembra da existência do mesmo.
— O pai deles ainda está vivo, não é? — Perguntou, fungando e limpando os olhos com certa dificuldade.
— Está, mas não sei se ele se envolveu com o governo de lá ou com os rebeldes, pouco me importa o que aquele porco faça, mas ele nunca vai pisar na América para atormentar a ex-mulher e os filhos, mas se pisar, terei um exercito para impedi-lo de encostar um dedo em Hayat.
Altair não duvidava disso, pois até ele faria qualquer coisa para não ver o sorriso dos Al-Sayf se desmanchar.
Com o jantar pronto, a mesa de jantar não acabou sendo o suficiente para todos e assim alguns ficaram emburrados por ficarem na sala, coisa que qualquer outra família não discutiria. Antes de descer para poder jantar, Altair pegou o celular e enviou uma breve mensagem de texto para Malik.
|eu te amo, mas ainda é muito cedo para falar tão coisa?|
A resposta veio rápida.
|cedo ou não, também sinto o mesmo, novice|
|não me chame de novice|
|como quiser, Altair Ibn-La'Ahad|
|eu gosto muito de você, Malik Al-Sayf|
|não gosto apenas de você, amo você e não deixarei qu algo de ruim lhe aconteça|
Altair também não deixaria que algo acontecesse a Malik.
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