Novice
28 Hero
Altair concluiu uma coisa ao ficar naquele hospital, principalmente ao ter que esperar ao lado de Malik para poderem entrar e ver a Kenway caçula. Os hospitais sempre carregavam aquele cheiro forte de limpeza e corredores bem iluminadas, o que o deixava tonto pelo branco das paredes e o silêncio sempre cortado de enfermeiras passando com algum carrinho ou com seus sapatos ecoando por conta do silêncio. Era agonizante e irritante, colaborando com a dor de cabeça que achava ter passado.
Esperar sentado ali ao lado de Malik, a cabeça apoiada em seu braço e com os olhos fechados, tentando fazer em sua cabeça o tempo passar mais rápido, talvez acalmar o inferno que estava sua cabeça. Todos estavam tão ferrados, feridos e com marcas que não seriam esquecidas tão facilmente, se ele tivesse pedido para Mal e Kadar ficarem em sua casa, Mal estaria bem e não estaria tão prejudicado por brigar por ele, mas isso só o teria afastado de um passado que até Altair tentava esquecer.
— Às vezes me esqueço que você pensa demais... — Malik sussurrou, atraindo a atenção de Altair, puxando a mão dele e entrelaçando a sua — Não é sua culpa, nada do que está acontecendo é sua culpa... — Sussurrou e Altair queria acreditar naquilo, mesmo que o Al-Sayf mais velho estivesse insistindo de todas as formas.
— Como pode ter certeza disso? — Perguntou temeroso, mas não mudando de pensamento.
— Porque você pode ser desastrado e curioso, mas nunca uma pessoa má intencionada — Confessou, fazendo Altair dar uma breve risada e se afastar de Mal para olha-lo — Saiba que eu te amo... — Sussurrou antes de beijar ternamente Altair e esse se inclinar mais.
— Meu Deus, não faça a minha irmã segurar vela lá dentro, ela ainda pode tirar forçar que nem deve ter pra afastar vocês – Edward apareceu depois de sair da sala, falando realmente alto para ambos notarem sua presença.
Altair não afastou Malik de forma brusca como já fez uma vez, na verdade, foi ele quem olhou como um assassino para Edward por ter atrapalhado o momento, conseguindo de bônus trazer a dor de cabeça de Altair. Malik que respirou fundo e beijou o rosto de Altair, conseguindo o olhar um pouco indignado desse sumir.
Edward explicou que ficaria ali fora e também pediu para que não se incomodassem por Connor estar no quarto. Ao entrarem, a cama do quarto estava com alguns balões coloridos e por notarem Connor, Altair segurou um sorriso e condicionalmente uma risada ao ver pequenas flores enfeitarem o cabelo do outro. Ele sorria para a prima e quando notou a presença de Altair Malik, se afastou um pouco.
— Se estivermos atrapalhando algo... — Malik tentou soar mesmo nervoso do que estava, mas isso apenas trouxa uma breve risada de Connor.
— Ela só estava tentando me enfeitar, mas tive que fazer por ela — Explicou com um sorriso um tanto triste.
O movimentar da cama os fez olhar para a Kenway caçula. Altair nunca viu alguém internado, mas não iria exagerar com relação a situação. Aurora parecia tão mais pequena do que se lembrava, até semana passada ela tinha seus cachos soltos, esses que estavam presos e envolvidos por um pano colorido. Parecia sonolenta e cansada, ela lembrava alguém prestes a... Altair preferia não concluir esse pensamento.
— Vim visitar a menina problema — Malik falou num tom falho, se aproximando da cama — Como é a situação dela? — Perguntou, mas olhou para o movimentar da cama e viu a careta no rosto de Aurora — Eu sei que você está aqui, mas não quero gastar suas energias para me responder sim ou não — Falou num tom compreensivo e então o olhar dela foi para Altair, curiosa.
— Não olhe para mim, apenas desmaiei na escola e esse troglodita do seu melhor amigo brigou, de novo — Enfatizou a última palavra, ouvindo a breve risada nasal de Connor com o franzir de cenho de Aurora — Eu deveria ter trazido um balão... — Comentou para apagar o momento anterior.
— Troglodita? Sério, Altair? — Malik falou incrédulo, mas não conseguindo esconder o sorriso do rosto — Falou o senhor teimoso — Zombou e Altair rolou o olhar, mas parando ao ver Aurora tentar sorrir como podia com a cena.
— É sempre assim? — Connor perguntou um pouco perdido e Aurora confirmou devagar com a cabeça — Não sabia que faziam piada da própria situação, achava que apenas Aura fazia isso.
Altair sabia muito bem o tipo de humor negro da Kenway, tanto que esse foi afirmado por ela ao contar de si quando pequena. A conversa que se sustentou depois foi sobre o braço quebrado de Malik, esse que sorriu sem graça para a próxima careta da amiga e das várias perguntas recheadas de curiosidades de Connor, que até mesmo se lembrou de perguntar se Altair estava bem, perguntando até mesmo o que Altair tinha visto em Malik para namora-lo. Nem parecia que Connor tinha a idade que tinha.
Mesmo ficando tarde, Aurora cutucou o primo e esse pegou no sofá do quarto, mostrando ser uma coroa de flores e Malik já sorria sem graça quando ela o chamou para perto e colocou a coroa de flores em sua cabeça, mas não evitando dar um puxão de orelha no Al-Sayf e ignorando o resmungo dele, apontando o dedo na cara dele, faltando apenas falar e dar a bronca nele, finalizando com um tapa na parte em que o gesso não pegava.
Altair não sabia se parava ela ou se colocava a rir da cena, mas não precisou fazer nada quando ambos se abraçaram brevemente e Aurora demonstrou caretas de dor, voltando a se deitar. Aquele foi o sinal de que talvez seria melhor deixa-la em paz.
Ao saírem, Altair reconheceu uma mulher ao lado de Edward, a mesma mulher que Aurora apresentou como sua mãe, Jennifer Scott Kenway parecia cansada, mas se mantinha firme até mesmo diante do filho, sorrindo como se tudo fosse melhorar logo e isso fez novamente uma culpa surgir nos ombros de Altair, mas o encostar da mão de Malik fez seus pensamentos ruins se afastarem um pouco e a sua fala de pouco minutos soou em sua cabeça, parecia que Malik era como uma maneira dele não se sentir tão ruim e sujo.
A mãe de Aurora e Edward sorriu ao ver Altair e Malik ali, olhando para o estado dele bufando e rindo nasalmente, perguntando se eles já estavam indo mesmo e oferecendo uma carona, mas que a carona poderia demorar um pouco por ela querer entrar para ver a filha. Malik ia recusar, mas Altair tapou a boca dele antes mesmo de falar alguma coisa, aceitando a carona e pensando no estado dele e do namorado, pensando que não suportariam voltar para casa de ônibus e que tinha o perigo do pai de Malik.
— Então as flores foram para você... — Edward comentou, sorrindo — Até eu combinou um pouco, o olho meio roxo e vermelho com elas, dá até um toque especial com esse braço engessado — Brincou, rindo brevemente — Ela deu a famosa bronca dela? — Perguntou.
— Ela deu um tapa na parte que o gesso não pega e ainda sim doí — Malik resmungou — Ela vai voltar a fazer terapia? — Perguntou e o sorriso de Edward morreu, ficando um tanto sério.
— Ela se recusa, dando a desculpa que precisa mais de um psicólogo do que uma terapia — Explicou, cruzando os braços e ainda gesticulando com a mão — Às vezes ela passa do limite, tenta não se envolver e acaba piorando a situação dela mesma, lembra um certo nerd... — Virou o olhar para Altair.
— Lembra um certo novice mesmo — Malik falou, olhando de soslaio para Altair e sorrindo de canto.
Fazia um tempo que não o ouvia chamar daquele jeito, ainda mais, era algo que não gostaria de ser chamado por lembrar Abbas o chamando e ameaçando na escola pouco antes de Malik ficar ao lado de Altair. Poderia ser menos pior, mas a sensação não mudaria, tentaria pedir mais tarde para o Al-Sayf criar qualquer apelido para ela, poderia até mesmo o chamar de mosca de padaria por conta dos óculos que antes usava, mas novice era algo que queria longe de ser nomeado.
Não demorou para mãe de Edward e Aurora aparecer e ambos acompanharem ela até a recepção do hospital, devolvendo o crachá de visitante e seguindo até o carro, contando para ela onde moravam e seguindo um pouco do percurso em silêncio, mas que foi quebrado com ela sendo mais uma a perguntar do braço de Malik, rindo quando o outro contou que esteve em uma briga, não surpreendendo a senhora Kenway nem um pouco e até a fazendo rir.
Chegaram primeiro na casa de Altair e ele se despediu de Malik, beijando brevemente seus lábios e dando um tapa em seu ombro para fazer notar onde estavam, saindo do carro e acenando quando esse sumia ao fim da rua.
As luzes da sua casa estavam apagadas e Altair concluiu que seu pai não chegou do trabalho ainda, talvez chegasse tarde como outras vezes. Não o culpava pela ausência mais, conseguia ver o lado do pai e o deixou de ver como uma pessoa que não o queria por perto por um homem que se esforçava pelo filho. Se medicar, sentir a água quente do chuveiro e colocar uma roupa confortável foram coisas essenciais para Altair cair na cama e dormir como uma pedra, mas tendo o desprazer de acordar com seu pai o olhando preocupado e falando da ligação que teve da escola durante a tarde.
Ele poderia não tê-lo buscado, mas ele estava ali com a mesma caixa de remédios que Altair pegou para dor de cabeça. Umar estava tentando o seu melhor e isso deixava Altair feliz, saber que ele estava se importando.
A primeira recomendação que teve de seu pai assim que acordou cedo pela manhã era que não precisaria ir para a escola e Altair se recusava a faltar por conta daquilo, explicando que já estava melhor e não havia motivos para faltar, ele até estaria mais seguro na escola do que em casa, se ele voltasse a desmaiar, seria um alivio saber que ele acordaria numa maca da ala hospitalar.
Mas só de ver a preocupação de seu pai, se perguntou se seria uma boa ideia ir mesmo para a escola, teria as faltas, perda de matérias e ainda algumas provas, Altair se perguntava se seria mesmo uma boa ideia faltar, mas seria tão cansativo fazer depois.
Decidiu então faltar, vendo Umar se despedir dele e rindo com o sermão e quase implorando para que não fosse, restando apenas o barulho do carro saindo da garagem e o silêncio restando para acolher Altair em casa.
Ele não tinha nenhum console para passar o tempo e jogar, mas ele ainda tinha livros, alguns baixados de forma bem surdina e alguns físicos que ainda não foram terminados, era uma opção melhor do que navegar na internet e aproveitar joguinhos online. Tomando um breve café da manhã baseado em cereal com damasco seco e correndo para o seu quarto, pegando um livro e iniciando a leitura.
Durante a manhã e parte da tarde a dor de cabeça vinha e ia embora, fazendo Altair pegar o remédio mais amargo que tinha e se lamentar por meia hora por ter escolhido tal para acabar com a dor, mas com aquele gosto ruim, ficar com a cabeça latejando parecia uma boa opção. O efeito durou mais tempo, mas não voltou mais.
Apenas na hora do almoço quando ia ver se tinha algo na geladeira, seu celular tocou alertando uma ligação e respirou fundo ao ver que era Malik. E Altair não ligou e poderia estar preocupando o namorado. Namorado, essa palavra era tão interessante e estranha, mas por uma razão o deixava contende, mesmo com as dores que ambos teimavam em dividir.
— Você passou mal hoje? Está bem agora? — As perguntas de Malik vieram em disparada e era até notório o cansaço dele pelo celular
— Bom dia para você também, Malik — Falou com uma breve risada — É que certa pessoa ficou com medo de que eu desmaiasse na escola e se sentisse culpado por não me buscar ou fazer algo... — Explicou.
— Então vejo que está bem, seu pai é um homem sábio, ele tem o direito de ter razão — Contou, parecendo se mover e o barulho de fundo ficava um pouco algo, como se fosse alunos no pátio, talvez fosse o intervalo — Você iria vir mesmo que estivesse com febre — Brincou, dando uma risada e Altair também riu nasalmente.
— É o Alty? — Alguém berrou do lado de Malik — Alty! O Malik quer o seu corpo nu! — Com certeza era Ezio.
— Tem pessoas que não sabem calar a boca — Resmungou, Malik.
— Malik? — Altair o chamou — Eu quero o seu corpo nu — Falou com, humor e teve apenas o silêncio do Al-Sayf que era cortado pelo barulho do pátio — Claro que eu tive sonhos...
— Você teve aquele tipo de sonho comigo? — Perguntou, mas parecendo envergonhado e isso fez Altair ficar corado, se perguntando do porque fez aquilo — Teve outros depois de quando fizemos... Você sabe...
— Meus Deus! Vão para um quarto! — Ezio berrou no fundo novamente.
— Cale a boca! Parece que você nunca conversou assim com Leonardo! — Respondeu e Altair sentia que se estivesse ao lado deles, estaria passando vergonha diante de todos.
— Mal? Acho que você não precisa se estressar assim, podemos terminar essa conversa em um fim de semana — Sugeriu, Altair sentindo novamente o rosto esquentar ainda mais, tendo apenas o silêncio — Acho que é melhor eu desligar... — Murmurou.
— Conversaremos melhor sobre isso amanhã... — Malik falou.
Então Altair desligou a chamada e cobriu o rosto com tanta vergonha que estava sentindo, mesmo ambos tendo se tocado e sentindo seus corpos juntos, aquilo era ainda mais intimo, talvez fosse besteira, mas mesmo sendo alguém com hormônios enlouquecendo, ele realmente queria aquilo novamente.
Só por lembrar daquele dia seu corpo ficava quente, mas balançou a cabeça e preferiu comer algo logo, bebendo um copo d'água e fazendo o almoço e comendo, passando o restante do dia lendo e cochilando até que seu pai chegasse. Altair se tornou preguiçoso por um dia inteiro enquanto deveria estar na escola, que belo exemplo ele se tornou.
Só no dia seguinte quando apareceu na escola, Ezio o abordou com um olhar malicioso e uma risada estranha, mas parando com um puxar de orelha de Leonardo. Ele poderia ter rido com aquilo, mas sorriu sem graça ao ver Malik chegar, lembrando do dia anterior e apenas sentindo o rosto esquentar.
Durante a semana foi meio parado, Edward e Connor estavam faltando e as vezes chegavam na segunda ou terceira aula, Ezio comentou na quarta que seu pai chamou todos para conversarem, incluindo até mesmo Leo e Vieri no meio. Altair desconfiou o que seria, mas que no fim de semana seria tudo explico, nem mesmo Maria Auditore parecia tão receosa pelo que Ezio contou.
Na sexta feira, no fim das auals, foi estranho combinar com Malik sobre o que fariam, mas a vergonha foi espantada com o sussurro de que tudo ficaria bem de Mal e o beijo depositado na testa de Altair. Ele acreditaria que tudo ficaria bem, o que poderia dar de errado?
Mesmo tendo decidido que iria a pé, aceitou uma carona de Leonardo, respirando bem fundo ao ver Ezio e as perguntas de duplo sentido, como Leonardo aguentava isso? Talvez ele não aguentasse e sim gostasse disso em Ezio.
Ao chegarem na casa na casa de Altair, ele se despediu de ambos, andou até a porta, abrindo e adentrando, fechando em seguida. Altair largou a mochila na cozinha e andou pelo hall, mas parou congelou ao ouvir um barulho estranho vindo da sala, como o destravar de alguma coisa. Não deveria se preocupar com aquilo, deveria ser Kadar novamente que deve ter conseguido a chave da sua casa, por isso andou lentamente até a sala e prendeu a respiração ao notar no fundo da sala o abajur ligado, iluminando uma figura que não era o Al-Sayf caçula.
— Marhabaan, tifl* — O homem falou em um idioma diferente, mas Altair poderia jurar saber qual era, mas queria negar, queria correr — Isso é hora de chegar? Se eu fosse seu pai, estaria deveras preocupado — O sotaque se enlaçava no inglês desajeitado desse.
Parecia que havia uma trava em seu corpo, talvez o choque fosse maior que o medo, talvez esses tivessem se enlaçado de tal forma que o impedia de pensar direito, Altair apenas queria sair dali e correr de encontro com Malik.
— É assim que os americanos recebem visitas? — Perguntou um pouco alterado.
O clima pesado parecia sobrepor o peso da culpa de Altair, parecia querer derruba-lo, faze-lo chorar de medo e de raiva, por ser emboscado como uma rato. Seus pés recuaram ao vê-lo levantar do sofá, sua mão segurava e essa vez algo soar com um barulho, o destravar de algo e pela pouca luz do abajur, Altair viu a arma com um cano mais longo. Um silenciador.
— Sente-se — Apontava com a arma para o outro sofá e Altair ainda mantinha-se de pé — SENTE!
Fechando os olhos com força, quase tropeçou em seus pés ao sentar, engolindo em seco e apertando suas mãos contra o tecido de sua blusa. Branco, apenas vinha o branco em sua mente, não tinha como escapar.
— Se quer algo bem feito, faça você mesmo — Rosnou, andando pela sala devagar, sumindo no escuro por alguns segundos e com a luz acesa, voltou para o campo de visão de Altair — Existe um proverbio árabe que diz "a crueldade é a força dos covardes", eu discordo disso — Falou, sentando em frente a Altair.
A cor dos olhos dele eram os mesmos de Kadar, seus olhos eram os mesmos do Al-Sayf caçula e isso era assustador, lembrar da inocência dele e voltar a ver algo cruel e frio, mas o que o deixava desnorteado era notar o grau leve de semelhança com Malik em aparência, Faheem era um lado que Malik poderia ter se tornado.
— Os covardes sempre se escondem como ratos, da crueldade que eles teriam seria deixar o problema para outras pessoas sustentarem — Explicava, a malicia em seu sorriso só deixava Altair tenso — Hayat foi covarde, meu filho mais velho foi covarde e olhe só o que resultou — Apontou a arma para Altair — A crueldade deles está diante de mim, uma garotinho que mais parece um coelho assustado prestes a chorar — Zombou com uma risada.
Aquilo era humilhante e assustador, ele poderia estar descrevendo como Altair estava, mas era preocupante a arma na mão de Faheem. Mas uma coisa a mais passou por sua cabeça... Que seu pai chegasse tarde em casa, ele não merecia aquilo, mas parecia que nem mesmo pedir aquilo por pensamento adiantou, o barulho de carro estacionando fez uma lágrima solitária descer seu rosto. Seu pai não... Ele era sua única família. Ele não merece.
— Eu poderia voltar com você para a Síria, deixaria os rebeldes lidarem com um caso com o seu... — Refletiu, ignorando uma porta da casa ser aberta, a da garagem — Mas talvez eu só ganhasse reconhecimento e isso me atrapalhasse com Kadar... Mas por momento... — Antes que terminasse, ele levantou e puxou Altair para se levantar, o deixando de costas para Faheem — Vamos receber o seu querido pai.
Sua intensão não foi falar apenas para Altair ouvir, tanto que outro clique foi ouvido e Altair quis gritar para que ele fosse embora, mas não conseguiria, seria impedido e seria calado antes de tentar. Um tiro quase o deixou surdo, seguido de outro e Faheem apertou ainda mais Altair, resmungando algo em árabe. Ele poderia estar reclamando de algum erro e Altair apenas sentia o pânico lhe dominar, não conseguindo controlar mais as lágrimas.
— Se eu fosse você abaixava essa arma, o cara que você deixou na garagem não vai melhorar e nem ajuda-lo, então recomendo que abaixe a arma! — Umar falou, mas não aparecendo.
— Para que se posso matar o garoto e depois você sem deixar rastros? — Zombou com escarnio.
— Solte o garoto agora, eu liguei para a policia e logo essa casa vai estar cercada — Alertou.
— Policia? Acha que eles vão conseguir salva o seu filho? Até mesmo você é uma desgraça para a nossa nação, um guardinha de empresa privada — Zombou, segurando firmemente Altair e se movendo para o fundo da sala — Não consegue nem criar o próprio filho.
— E você maltratava sua mulher e filhos — Altair falou com o pouco de coragem que ainda tinha — Meu pai é um homem bom, diferente de voc— A coronhada da arma bateu com a sua cabeça e sua visão ficou turva.
— Estou avisando, solte o garoto — Ordenou com seriedade, mas parecia que a voz de Umar mais ecoava por conta da coronhada que recebeu.
— Porque você não vem e tenta? — O desafiou.
Valeria a sua própria vida, mas seu pai realmente não merecia se arriscar. O movimento brusco de tentar se debater só fez Faheem ficar furioso com Altair, aquilo poderia não ter dado certo, principalmente ao ter sido jogado no chão e sentir sua barriga doer com um chute, gemendo de dor e perdendo novamente a respiração com outro chute. Um tiro cortou novamente o silêncio e parecia que estar no chão era o pior lugar para se estar, ele mais atrapalhou do que ajudou.
Ainda com dor, percebeu o outro em pé e chutou a perna dele, o derrubando e fazendo os tiros acabarem, mas conseguindo olhar mesmo que atordoado o olhar de Faheem sobre si e a mira da arma apontada para si, foi como se tudo tivesse ficado em câmera lenta, mas o tiro veio, mas não da arma dele e sim de outro que atingiu seu braço.
— Você tem o direito de ficar quieto ou meu dedo pode deslizar e ser legitima defesa, filho da puta — Umar apareceu na sala, se aproximando de Faheem e pisando no braço dele — Posso ser preso hoje, mas quebrar a sua cara vai ser a melhor coisa que vou fazer na vida — Rosnou, tirando a arma da mão dele e se agachando, puxando o outro pelo colarinho e dando um soco em seu rosto — Isso é pelo meu filho, desgraçado.
Aquilo estava sendo demais, era como perder as forças e desmaiar no inicio da semana não fosse o suficiente.
— Altair? Filho!
Ainda bem que seu pai estava seguro.
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