Novice
10 Be There
Notas iniciais
Poderia ser pior, não, já estava sendo e Altair não saberia ao certo se sua boca era santa para que desastres como aquele acontecessem ou o universo se interessara por sua vida tão sem graça que uma mudança a mais mudaria talvez todos os eixos de rotina que estavam bagunçados.
Mesmo depois de ouvir de Kadar quem era a pessoa que o magoou e o porque Malik ser tão pavio curto com relação a outras pessoas perto do irmão mais novo, Altair pode ver um lado estranho que não reconhecia no Al-Sayf.
Quando terminara de se arrumar no quarto e limpar a cara no banheiro, gritou assustado ao se olhar no espelho, chamando a atenção de todos na casa e possivelmente até dos vizinhos da rua, tendo para sua surpresa a porta do banheiro aberta com tudo.
— O que aconteceu? — Malik parecia avoado e com a cara assustada, segurando uma frigideira em mãos e encarando Altair que tentava tirar algo do olho — Altair?
— Meu olho... — Murmurou e Malik franzia o cenho sem entender completamente nada — Eu esqueci de tirar a lente de contado ontem a noite...
— Só isso?
A face de raiva de Altair ao tentar tirar a lente de contado deixou Malik quieto depois da risada. O olho do novice estava vermelho e lacrimejado, segurando pelo que parecia um choro e Malik só pode suspirar, deixando frigideira de lado.
— Você é um desastre ambulante — Concluiu ao se aproximar totalmente de Altair, tirando as mãos do mesmo que estavam no rosto e de alguma forma e destreza tentar tirar a fina lente de contado do outro — Ainda me pergunto como sobrevive a escola.
— Também faço esse tipo de pergunta o tempo todo — Riu amargo, mas se aquietando quando pode notar Malik tão próximo de si, dentro de um banheiro e sem ninguém por perto — Vai demorar?
— Só abra o outro, já tirei esse aqui — Pediu e Altair o fez, ficando tenso ao ouvir passos vindo do corredor e se lamentar por dentro
— Não é nada interessante... Eu só gritei...
— Digno de uma opera, agora pare de se mexer novice — Mandou.
A visão meio turva e os olhos lagrimejantes não o impediram Altair de ver Malik, os detalhes de seu rosto e como ele poderia ser concentrado em algo quando queria ou podia, como no dia anterior, mas ali ele poderia simplesmente ter falado algo para que Altair desse um jeito sozinho, mas não o fez, estava ali ajudando o nerd.
— Por que você me chama de novice sendo que sabe meu nome? — Indagou, respirando um pouco tremulo com a distancia entre ambos — Apenas Abbas me chama assim e isso meio que é estranho... — Falara ao coçando os olhos, mas não obtendo resposta — Malik? — Estranhara o silêncio e abrira os olhos, notando que o Al-Sayf não estava mais por lá — Idiota...
Era óbvio que Malik não ficaria ali por muito tempo, como Kadar já tinha dito, o mesmo tinha de trabalhar e Altair apenas o atrasou, talvez não fosse uma parte idiota do mesmo ao tê-lo deixado falando sozinho.
Altair começara a se sentir um incomodo quando pode se retirar do banheiro, se arrumando no quarto e se assustando quando o quarto de Kadar já estava arrumado, olhando de soslaio para trás para o de Malik que estava com a porta aberta, vendo pela cama a grande bagunça que o mesmo fazia quando dormia.
Já trajando costumeiras roupas e organizando seus livros escolares na mochila, trazendo a mochila consigo até o outro andar para poder ir embora também. Descendo as escadas e deixando sua mochila na entrada da cozinha e aproveitando e sentido o cheira de comida pronta
— Altair? — A reação de Hayat ao vê-lo arrumado não era uma das melhores, esperava não ter de encarar a face de decepcionada que a mesma teria — Você já vai? Não vai querer ficar um pouco mais? Malik lhe fez algo errado quando tinha subido para lhe ajudar?
— O quê? Não, não foi nada disso.. Eu... — Embaralhava-se com sua palavras e de tentar digerir todas as perguntas, as processando com dificuldade e todas pareciam ter a mensagem sublinhar de que Malik tinha feito algo consigo — É que eu deveria ir embora, não quero ser um incomodo — Explicou.
— Malik fez algo — Parecendo mais uma confirmação do que uma pergunta, engolindo em seco ao ver a face da dona de casa ficar avermelhada.
— Senhora Hayat, seu filho não me fez nada, me tratou bem desde que eu cheguei — Contou e se negou a recordar da queda resultante em que o Al-Sayf ficou em cima de si.
A cada palavra dita, as feições da senhora Hayat tornaram mais suaves e só então Altair notou o olhar surpreso de Kadar sobre a mãe e o outro, como se algo impossível tivesse acontecido. Mesmo com insistência, Altair acabou por aceitar um pouco do café da manhã, estranhando a ausência de Malik no ressinto, voltando o olhar para a porta da cozinha como se tal coisa fosse fazer com que o Al-Sayf mais velho aparecesse.
O resto da manhã passou de forma rápida, com a senhora Hayat insistindo para que ele ficasse ou que esperasse até Malik voltar, mas Altair não pensou duas vezes antes de recusar com educação ao ter o nome do outro envolvido.
O caminho para casa fora tranquilo e a chegada no ressinto familiar causara estranheza, o espaço de toda a casa fazia Altair estranha se tal era sua residência.
Com um suspiro cansado, deixou o hall de entrada e andou lentamente até a sala, deixando a mochila próxima ao braço do sofá e deitando-se no que já era familiar.
O rosto de Malik com sua expressão distante não lhe saíra da memória quando tinha falado de sua terra natal, de que tivera de sair do lugar de onde tinha crescido e passado sua infância. O que também não saia de sua cabeça era a imagem do rosto de Malik com um sorriso, tão contagiante e característico dele, uma coisa que chegava a ser estranha de se notar do Al-Sayf.
O sábado passara de maneira rápida por ter se distraído com a parte manuscrita do trabalho, de arrumar a bagunça que Abbas fizera em seu quarto quando tinha ido até a casa de Malik, organizando seu psicológico para o que seu pai Umar comentaria com as palavras que Altair tinha dito antes do Al-Sayf mais velho ter chegado.
O que diabos deu nele para falar, mesmo que sendo mentira, que Malik era o seu namorado? Claro, precisava não transparecer pânico, para não deixar Abbas com um sorriso vitorioso no rosto como sempre o tinha.
A noite de sábado parecia um tédio Altair continuasse a assistir a televisão ou ficar olhando de soslaio para a tela do aparelho celular, quem iria em alguma hipótese lhe enviar uma mensagem? Riu consigo mesmo e na sua esperança de que algo lhe tirasse do tédio que não notou a porta de casa foi aberta, muito menos que na posição em que se encontrava, jogado e relaxado no sofá da sala facilitava uma queda para o chão.
Sem opções, Altair tomara o controle da televisão em mãos e trocara de canal, deixando em um seriado de terror qualquer enquanto refletia sobre o grande nada.
— Altair! — Pulando num susto do sofá, sua cara doendo por ter encontrado o chão e seu coração palpitando loucamente.
Uma risada cortava a sala e com uma faca zangada e uma raiva que não queria conter, se levantou para poder notar a pessoa que acabou por assusta-lo.
— Ezio Auditore! Seu... — Rosnou.
— A sua cara — Ria, lágrimas saiam dos seus olhos e Altair o olhava indignado — Devia ter visto a sua cara, deu para ver do reflexo da tv...
— O que você está fazendo na minha casa? Isso é invasão! — Falou — Se Leo ficar sabendo que você invade a casa dos outros... — Ameaçou.
— Desde quando é invasão quando eu tenho a chave e o seu pai está do lado de fora? — Parava aos poucos de rir, encarando um Altair muito furioso — 'Tá, seu pai estava trabalhando para o meu pai e meu tio Mario, e como Federico sumiu de casa, Claudia está numa festa do pijama com uma amiga, Petrucccio dorme como uma pedra e como eu não posso ligar para Leonardo, você foi a minha única oportunidade de sair do tédio — Explicando de forma rápida e gesticulando as mãos, Altair jurava que o mesmo parecia um doutor maluco da caixa azul que ele tinha visto a minutos atrás num seriado de televisão.
— Cale a boca, Ezio — E no mesmo instante que ordenou, Ezio calou-se de imediato — Você entra na minha casa sem eu perceber, me assusta e ainda quer que eu espante o seu tédio? — Indagou e Ezio concordou rapidamente — Mereço... Agora, sai da minha casa — Andando até o Auditore, o empurrava, ou pelo menos tentava, para fora do cômodo e em direção a porta, mas não obtendo sucesso e parecendo empurrar uma parede.
— Que gracinha, você esta tentando me empurrar — Riu e Altair resmungava, o xingando — Não é atoa que Malik gosta de você, Alty.
Aquilo era brincadeira ou Ezio falara isso só para Altair não ter tempo de reagir e pegar uma vaso e tacar na cabeça dele? A melhor alternativa era levar aquilo na brincadeira, mesmo não sendo sua cara.
— Muito engraçado...
— É sério — Sorriu e Altair não notava nenhum tom de brincadeira — Ele gosta de você como amigo, o que é estranho, vocês só estão conversando por uma semana — Deu de ombros e Altair franzia o cenho — Se amem que nem eu faço com o Leo, quem liga se vocês se acabaram de se conhecer?
— Não existem palavras para comentar o quão louco você é... — Endireitando-se, olhava descrente para o outro — Malik Al-Sayf é perigoso e poderia ser um bully substituto do Abbas.
— Malik é uma pessoa com problemas assim como qualquer um e que não é apenas pelo tapa que você deu nele ontem que isso vá mudar alguma conclusão que você tirou na sua linda cabecinha de nerd — A seriedade de Ezio acabou por surpreender Altair, o deixando de boca aberta com o que o mesmo disse — Olha, falo isso porque sei boa parte do que Malik sofreu, pode não ser legal vê-lo brigar com outros idiotas e ainda bem que eu não sou um deles, mas de uma chance, vai que ele acabe sendo melhor do que você esperava? — Piscou e com um sorriso nem malandro e nem malicioso, ficou ao lado de Altair e o puxou em direção a porta de casa — Agora, vamos que seu pai está esperando lá fora no novo carro dele e não fique acanhado, minha mãe e Petruccio amam você.
— Como assim carro novo? — Indagou, deixando de lado todas as perguntas em relação ao que Ezio tinha falando, se focando em outro assunto para não deixar Ezio com suspeitas a mais — Se afasta de mim — Rosnou, mas mesmo ambos sendo do mesmo tamanho, Ezio era mais forte e não deixou com que Altair se afastasse.
— Também te amo — Mesmo que o outro tentasse se afastar, Ezio beijou o topo da cabeça de Altair — Como um irmão que eu queria ter junto a minha família — Declarou.
— Vocês italianos são sempre dramáticos... — Suspirou, desistindo de se debater e rolando o olhar — Não vou passar a noite fora de casa novamente.
— A é? Onde esteve então? — Aquele era o Ezio Auditore que ele conhecia e estava demorando para o mesmo se portar de maneira da qual Altair estava acostumado.
— Dormi na casa de alguém que não é da sua conta, agora vamos antes que eu mude de ideia — Declarou.
O frio incomodou o corpo com pouco pano de Altair, nem o seu blusão do superman conseguia aquece-lo e estacionado na rua estava um carro da qual Altair nem imaginava que iria ver em frente a sua casa.
— Consegue acreditar? — Umar sorria de uma forma que contagiou o filho e em poucos segundos Altair o abraçou — Nosso próprio carro...
— 'Tá, consigo acreditar mesmo negando por ser bom demais — Sorria — E você tinha de trazer um Auditore para comemorar? — Indagou, afastando-se do abraço e encarando Ezio.
— Você estaria sozinho e como ele também estava e vocês são amigos, diferente do Abbas, acho que ambos podem se dar bem sem brigar.
— Já brigamos — Comentou, Ezio — Vá pegar seus óculos, Alty.
— Não me chame assim — Mesmo tentando manter a postura autoritária, acabou por dar uma breve risada junto a Ezio — E você descobriu realmente que eu e o babaca do Abbas não nos entendemos? — Franzia o cenho, vendo a vergonha no rosto de Umar.
— Não, mas você estava louco para sair de casa por causa do mesmo — Contou e interrompeu Altair de falar — Se fosse uma mulher ao meu lado e sua madrasta, você teria ido morar com aquele tal de Malik — Deu de ombros, suspirando.
— Pai! Não conte isso na frente do Ezio — Cobria o rosto com a mão, sua face ficando aquecida e a vergonha tomando conta de si.
Ao ter espantando a vergonha, olhou para Ezio que nem sorria ou parecia desconfiado, apenas parecia... Ele mesmo?
— Mas eu só passei em casa para ver se você realmente estava e se você gostaria de ficar um pouco comigo na casa dos Auditore, Ezio insistiu achando que seria um atentado contigo e que o tédio o mataria silenciosamente — Contou e Altair só pode rir.
Apressando-se e adentrando novamente sua casa, Altair refletia a presença do segundo mais velho dos Auditore, sobre o que Kadar tinha lhe contado sobre Federico e o caso de Malik pelo visto não gostar que alguém se aproxime do casula com segundas intenções, passava pela sua cabeça o que ambos tiveram de verdade e se fora intencional Federico machucar Kadar.
Trocando apenas de calça e colocando um tênis velho, pegara os óculos sobre o criado-mudo e o celular na sala antes de sair, podendo voltar para o lado de fora e adentrar o carro novo.
No banco de trás e com a testa apoiada na janela, sorria com a tagarelice de Ezio e as historias do mesmo de quando tinha ficado na Itália com sua família, quando morou lá e das várias confusões em que se metia. Era a cara do mesmo e o vendo crescido e tendo morado por pouco tempo ao lado do mesmo, não era de se esperar coisa diferente, seria até estranho o mesmo não ser tão elétrico.
Não era exatamente uma casa e sim um castelo, de acordo com a imaginação fértil de Altair, "casa" dos Auditore parecia maior quando era pequeno. Ao sair do carro e ser quase que arrastado, Altair podia ouvir Umar rindo e se envergonhou ao ver a Maria recebe-los com um breve olá e impedi-lo de continuar sendo levado como um saco de batatas até a sala.
— Per dio, um dia desses você ainda vai se machucar, Alty — O apelido vindo de uma figura materna causava uma reação diferente do que com seus amigos — Não acordem Petruccio e Ezio, filho — O olhar penetrante de Maria fez com que ambos gelassem — Espero que converse com seu pai a respeito de Leonardo.
— Papai já tem de lidar com Federico, não quero terminar de explodir aquela cachola dele — Deu de ombros, voltando a puxar Altair para o seu quarto.
Novamente Federico era mencionado e a curiosidade de Altair só aumentava, o que Federico tinha feito realmente?
— Ezio? — Chamando a atenção do italiano, Altair encarava o mesmo antes de poder entrar no absurdo que ele chamava de quarto — Mesmo não sendo da minha conta, queria perguntar do porque seu irmão sumiu... Sabe — Olhando para os lados para não deixar o outro desconfiado, para observar se alguém iria parecer e flagrar o que poderia indagar — É estranho não ter a presença dele...
— Só conto se você me contar o que você e o Malik fizeram. Curtiram? —Sorria largamente e Altair lembrou da queda, A queda.
— Claro, fizemos sexo selvagem a noite toda que eu nem sei como posso estar andando — Rolou o olhar — Eu tenho cara de quem faz esse tipo de coisa com um colega de sala a qual eu comecei a conversar não faz nem uma semana?
— Os nerds são os mais selvagens, Leonardo é um exemplo — Falou, rindo da face vermelha de Altair — Mas voltando ao assunto, Fed está é fugindo de uma responsabilidade — Explicou.
— Grande novidade.
— Ela se baseia em se afastar de uma pessoa chamada Vieri de’ Pazzi.
— O quê? — Seu olhar se arregalou — Os Pazzi? Por quê? Vocês e os Pazzi não se batem — indagou, abaixando o tom de sua voz.
— Eles não se odeiam como o resto da família, Fed e Vieri estão junto, digamos que namorando — Deu de ombros e o queixo de Altair caiu.
Aquilo só poderia ser uma piada, mas pela cara de Ezio, aquilo estava longe de ser mentira.
— Não... Aquele Vieri que adorava provocar você e atormentava todos os garotos da rua onde eu moro? Não... Só pode ser uma piada, Ezio — Riu forçadamente, mas parando de imediato ao ver a face séria de Ezio, ou seja, a face que ele quase nunca mostra — Se ele e seu irmão estão juntos... O que é algo estranho de se falara e imaginar... É por isso que você falou aquilo para sua mãe? — Indagou.
— Leo não precisa ser subornado por meu pai para se afastar de mim, não quero coloca-lo em algo que pode prejudicar a nossa relação — Falou em um tom baixo.
— Sabe que não deve explicações, sabe, é a sua vida — pousara sua mão no ombro do mesmo, apertando em sinal de conforto.
— Se Federico está em pé de guerra com meu pai e namorando um homem, eu sou a segunda opção em manter o negócio da minha família nos eixos, em manter o nome Auditore como está a gerações... Meu pai não pode descobrir que eu amo um homem.
O olhar amedrontado de Ezio fez Altair pensar realmente no que o mesmo tinha dito antes de chegarem até a casa do outro, não era justo algo como o italiano tinha partir por caprichos familiares.
— Sinto medo da reação dele... Para ele eu sempre fui o "pegador", o que poderia conseguir uma mulher ao meu lado e rapidamente ter a minha família construída... Mas com Fed namorando e fugindo do que chama de pesadelo... Todos os holofotes se viram para mim... — Altair podia notar as mãos tremulas de Ezio e num impulso o puxou para um abraço, vendo como aos poucos a imagem que ele tinha do amigo desmoronava e pouco, chorara em seu ombro — Eu tenho medo do que pode acontecer...
— Você vai conseguir ser forte... — O reconfortou — Como sempre foi diante de todos, diante dos seus amigos e mesmo que alguns desaprovem, saiba que eu sou um dos que irão ficar ao seu lado... Eu e meu pai nunca negaremos que você venha até nós quando mais precisar... — Afastando-se do abraço, o outro concordara e sorria fracamente.
— Sabe o que pode me deixar um pouco feliz? — Secara os olhos com as costas da mão.
— O que lhe deixaria feliz, Ezio? — Indagou.
— Você falar sobre o que você sente em relação ao Malik, uma troca... — Deu de ombros e Altair suspirou.
— Um dia eu lhe conto com mais calma, processei muita informação hoje.
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