Nove Meses
2 "-Eu to com medo, Bonita."
Notas iniciais
–Valentina… onde você está?
–No banheiro.
–O que foi… o que você tem?
–Nada Mi amor… estou lavando as mãos.
–Pode vir até minha sala?
–Já estou indo.
Valentina caminhou pelos corredores, logo estaria por ali zanzando com uma barriga enorme! Ela riu sozinha. Estava feliz, de verdade!
–Oi...
Ele se levantou e se encostou a sua mesa olhando para ela profundamente.
“Vai ficar ainda mais linda!”
Ela olhou para os lados… o que ele estava fazendo, olhando para ela daquela maneira?
Um sorriso brilhante surgiu em seus lábios, e ela gostou daquilo, parecia tão diferente quando sorria.
Após o casamento ele se tornou um homem extremamente organizado, responsável e algumas vezes sério.
Ela só o via sorrindo quando estavam longe do trabalho, aí ele parecia o mesmo José Miguel de sempre. Mas ela gostava disso, sabia que ele agia daquela maneira para protegê-la, e proteger a família que ele sabia que algum dia construiriam juntos!
Ela se sentou na cadeira e ficou olhando para seu rosto bonito.
–Vou reunir todos que moram conosco, depois todos os nossos amigos e depois todos os supervisores da fábrica para dar a notícia, está de acordo?
–Huhum … — Ela começou a rir do nada.
–Que foi?
–Isso vai ser engraçado e ainda nem me acostumei!
–É, nem eu! – Ele estava sério.
–Você não ficou feliz, mi cielo? – Sua Voz falhou e por um momento chegou a sentir medo da resposta dele.
Ele segurou suas mãos e a colocou de pé, deu um beijo em sua testa e logo depois deu um beijo em cada uma de suas mãos. Parou, olhou a aliança muito brilhante que ela carregava há quase três anos no dedo anelar da mão esquerda e depositou um beijo no anel, a abraçou e a beijou delicadamente, como se ela fosse uma boneca de vidro que pudesse quebrar a qualquer momento.
–Por favor, nunca deixe nem mesmo passar pela sua cabeça que não estou feliz! Eu te amo e um filho nosso é tudo o que eu queria, eu… só preciso me acostumar!
...........
Valentina estava na sala de espera e balançava suas pernas, bastante nervosa.
A todo o momento, olhava para o relógio.
O dia anterior tinha se tornado um marco em sua vida. Nunca vira seus familiares e amigos tão felizes.
Sentiu falta de Benita e de Sr. Frederico.
Como queria que sua Nana estivesse com ela naquele momento e sabia que assim como ela gostaria que Benita estivesse ali, José Miguel também gostaria que o pai estivesse com ele naquele momento!
De novo, o relógio.
–Cadê você, homem?
Alguns minutos se passaram e ela foi chamada.
Tinha acabado de sentar quando ouviu uma batida na porta.
–Doutor… o marido dela quer saber se pode entrar!
Marido ! Ainda lhe causava coisas no estômago quando alguém se referia a José Miguel como seu marido.
Sofreram tanto, lutaram tanto para que o amor deles conseguisse triunfar, que mesmo após quase três anos de matrimônio, ainda era gostoso ouvir que ele era seu marido!
–Claro… mande-o entrar.
José Miguel estava sem jeito e estendeu a mão ao médico dela, era estranho ir ao ginecologista com ela, ele sempre se sentia assim. Depois se sentou ao seu lado, passando um braço sobre sua cadeira.
–Bem… doutor Sergio… meu ciclo está atrasado, fiz um teste de farmácia e deu positivo.
–Esses testes são noventa e nove por cento confiáveis. Vamos fazer mais alguns testes laboratoriais, como sangue, urina… saber como estão suas condições gerais de saúde.
–Tudo bem.
–Temos que verificar o tipo sanguíneo… o fator RH é importante. Caso o seu e o do seu marido sejam diferentes, serão necessários outros exames a fim de constatar se os anticorpos que você está produzindo afetarão o sangue do seu bebê. Os exames ficarão prontos depois de amanhã. Deite – se ali, por favor.
A consulta não foi muito demorada, a gravidez foi constatada e logo eles estavam indo em direção ao estacionamento.
–Você demorou, José Miguel!
–Peguei um táxi que quase me enlouqueceu! Desculpe...
Ela deu as chaves a ele e entraram no carro.
Antes de dar a partida ele se virou para ela.
–Está zangada?
–Claro que não.
–Sabe que isso não faria bem ao bebê, não é?
Meu Deus, será que ele ia ser como aqueles homens exageradamente preocupados? Isso não! Ia adorar ser bem cuidada, mas sem exageros.
–Não estou zangada… a não ser que queira me deixar…
Ele deu a partida no carro e foram para casa.
…........
Ele estava na cozinha quando ela se sentou na banqueta do balcão.
Valentina estava usando uma camiseta dele e seus chinelos roxos.
Ela viu ele se movimentar de um lado para o outro. Alguma coisa estava fumegante e ela sentiu o aroma de temperos. Estava bom.
–Mi cielo …
Sem perceber a presença dela, ele se assustou, levantando a cabeça imediatamente.
Ela começou a rir da cara de espanto dele.
–Estava distraído.
–Pensando em que?
Ele tampou a panela e se virou para ela.
–Algumas coisas.
Ele era um homem maravilhoso, um amante excelente, mas um péssimo mentiroso.
–Amor…
Ela estava nervosa … de novo, pela segunda vez naquele dia … e não era bom !
Valentina balançou a cabeça, se prometendo ter toda a paciência do mundo com ele.
–Venha cá… — Ela se virou de lado e esticou os braços para ele, que obedeceu.
–Olha … — sua mão deslizou sobre os cabelos dele e parou em seu rosto que estava começando a ficar peludo, a pedido dela, que pediu para ele fazer um lindo cavanhaque.
–Eu preciso saber o que está acontecendo com você!
–Eu to com medo, Bonita.
–Medo de que?
–Medo de não conseguir ser um bom pai, medo de falhar...
–Mi cielo, você é um homem maravilhoso, um filho maravilhoso e um marido maravilhoso. Eu tenho certeza de que será um pai maravilhoso e estaremos juntos nessa, está bem?
_Eu te amo Bonita….
_Eu amo você... Também!
….......
A água do chuveiro estava uma delícia, de repente sentiu duas mãos a agarrando deliciosamente.
–Quer companhia?
–Sabe que sim…
Ela adorava tomar banho antes de dormir, tinha aquele hábito e ele estava adquirindo também.
–Você está bem?
–Vai ficar me perguntando a todo o momento, mesmo?
–Eu me preocupo com você!
–Eu sei… mas… eu estou bem, pode acreditar!
Um beijo profundo debaixo do chuveiro, depois outro, e outro, mãos que se acariciavam, o desejo batendo forte e logo a necessidade de consumação.
Eles mal se enxugaram e José Miguel a levou para a cama, se deitou ao lado dela e beijou sua barriga ainda lisa.
Seus beijos subiram pelo corpo nu e quase úmido dela. Valentina sorriu quando seus lábios se encontraram. Em sincronia, suas mãos trabalhavam em carícias suaves e deliciosas, até que ela pediu para que ele a preenchesse. Estava torturante suportar a necessidade que ela tinha dele.
–Amor… eu quero sentir você… dentro de mim!
Ele guiou seu membro para sua entrada e ela viu o desejo explícito em seus olhos intensamente negros.
Toda a ação marcava a presença da delicadeza, em todos os momentos ele a tratou com cuidado, tão suavemente que era como se ela tivesse sendo invadida pela primeira vez.
José Miguel era um homem grande e seus gestos pareciam estudados para que ela pudesse se sentir o mais confortável possível.
Deus, como ela amava aquele homem… cada dia mais…!
–Eu te amo tanto Valentina!
Enquanto ele se mexia em sincronia com os movimentos dela, as mãos delicadas sabiam e desciam por suas costas largas.
Ela viu quando, antes de um beijo completamente molhado, ele inclinou a cabeça e sorriu, encaixando sua boca na dela com perfeição.
Era madrugada quando ele se levantou para pegar o pijama delicado de flores miúdas da gaveta do armário e entregou a ela, depois vestiu uma cueca confortável de microfibra, deslizou por trás dela e dormiram agarrados.
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