Nove Meses
3 "-Me animar ? Eu … morreria …"
Notas iniciais
–Vocês, o quê ?
Valentina e José Miguel estavam de pé, ele com um braço em volta da cintura dela. no meio da sala deles, bem a vontade.
Horácio tinha um pedaço de pizza na boca e outro despencando em sua camisa branca.
–Ai Gaby, fico muito feliz em saber que finalmente resolveram oficializar a união de vocês. – Gaby e Horácio precisaram passar alguns dias no México e não puderam participar da reunião que eles haviam promovido para comunicar a notícia da gravidez de Valentina.
–Ah Valentina, eu precisava terminar alguns projetos antes, você sabe. – Valentina balançou a cabeça demonstrando que conhecia os motivos da amiga.
–É, mas não são só vocês que estão com novidades! – Disse José Miguel, depositando um beijo de leve nos lábios da esposa.
Pelos exames, ela estava perfeitamente bem, não fosse pelos enjoos que estavam cada vez mais frequentes, diria que nem parecia estar grávida.
–Sério? – Perguntou Horácio, curioso.
–Eu estou grávida de quatro semanas!
Horácio quase caiu da cadeira e Gaby deu um pequeno grito.
–Grávida?
–Isso Horácio… ela está grávida! – Respondeu José Miguel, com um sorriso cômico no rosto.
–Meu Deus!
Horário conseguiu ficar de pé e quase levantou seu amigo do chão com um abraço apertado.
Todos eles se juntaram em um grande abraço.
–Gente… eu estou assim, completamente passada. Você tem passado bem? Quer dizer… é certeza?
–Sim acabamos de receber os resultados definitivos.
Valentina pousou sua mão no rosto de José Miguel, em um delicado carinho.
Flash Back ON
Assim que ele leu os resultados com seus próprios olhos, uma nova emoção tomou conta dele. Estavam dentro do carro e ele não resistiu em lhe dar um beijo tão profundo que a fez perder o ar.
–Hei... não acho que o banco de um carro seja confortável o bastante.
Ela viu ele corar feito um garoto.
Flash Back OFF
–Temos que comemorar isso... Onde está a champagne?
– A Valentina não vai beber… de jeito nenhum!
Todos olharam para ele, assustados!
–É apenas um gole, José Miguel… deixe de ser intransigente.
–Bonita… — Ele pediu socorro a ela com os olhos desesperados.
–Não vou beber, Mi Cielo… não se preocupe... Podem brindar à vontade!
–E se ficar com desejo de beber um gole?
–Que ridículo, Gaby… você não acredita nisso! É… uma lenda… inventada para … enganar os homens!
Houve um coro de risadas enquanto eles foram buscar a bebida espumante e taças para todos.
–Você não vai mesmo sentir vontade de beber nem mesmo um gole?
–Claro que não, Mi vida… ficou maluco?
Aquele jeito adorável de olhar para ela estava ali, a felicitando. Ela tinha que admitir o quão doce ele era.
Eles voltaram para a sala.
–E então um brinde ao bebê! Ele vai ser muito bem vindo!
Todos levantaram suas taças, enquanto Valentina levantou um copo de suco.
–----------------------------------
– Valentina?
Gaby entrou no banheiro e a viu lavando o rosto, estava se sentindo péssima com aquela sensação de aperto em seu estômago.
–Isso vai passar… quando estiver entrando no terceiro mês.
–Que noticia animadora!
Ela parecia mesmo bastante mal.
–Tem sentido mais alguma coisa?
–Apenas esses enjoos insuportáveis…
–E depois?
–Depois é como se nem estivesse grávida.
–Olha… vou te dizer… tenho uma amiga que me confessou uma vez que quando estava grávida... não podia nem olhar para o marido, tinha náuseas até com o perfume que ele usava … e olha que era muito bom, porque eu mesma já saí com eles várias vezes e ele sempre estava muito perfumado! Passou quase dois meses sem querer que ele a tocasse!
Ela se imaginou naquela situação e ficou pensando como José Miguel reagiria. Ele ainda era uma incógnita.
–E como ele se sentiu?
–Péssimo… vivia dizendo que ela não o amava, que assim que o bebê nascesse ela o chutaria …
Elas riram.
–É… ele acertou.
–Sério???
–Mas não foi por causa do bebê! Ele tinha outros planos para ele que incluíam algumas outras “donzelas”, como costumava chamá-la.
–O reino de um príncipe só!
–E muitas outras princesas…
–-----------------------
Enquanto seguiam para casa, ela tocou no braço dele, estava curiosa para saber.
–Mi cielo… a Gaby me disse que ela tinha uma amiga que não podia nem mesmo olhar para o marido quando engravidou, ficaram meses sem se tocar.
Ele abriu a boca surpreso. Não sabia como era conviver com uma mulher grávida, e se ela estivesse querendo apenas fazer rodeios para lhe dizer a mesma coisa?
–Você… também…
–Não! Estou apenas querendo saber o que você faria…
–Talvez tentasse entender… mas não sei se conseguiria!
Ela começou a rir.
–O que foi?
–Qual seria a primeira coisa que pensaria?
–Não quero falar sobre isso, Bonita! A não ser que esteja tentando fazer rodeios…
–Eu já disse que não é o meu caso… é sempre tão teimoso?
Prestando atenção nas ruas movimentadas ele respondeu calmamente.
–Iria achar que… não me amava mais!
–Isso nunca vai acontecer… não se anime!
–Me animar? Eu… morreria…
Ela ficou encarando seu perfil bonito, foi a resposta mais linda que poderia ter recebido.
–-------------
Ela estava batendo o pé, esperando o elevador, segurando a mão dele, alguns segundos mais e ela bufou.
Ele só ficou ali, prestando atenção nela e em todos os seus gestos.
Valentina o puxou, indo em direção às escadas.
–O que está fazendo?
–Vamos pelas escadas…
–O quê? Nem pensar!
–Mas… José Miguel…
–Não tem “mas”, Valentina! Você não vai descer essas escadas malucas deste prédio, qual o problema de esperar o elevador? Nem estamos atrasados!
Eles haviam passado no prédio onde Sr. Ernesto trabalhava para pegarem uns documentos da fábrica.
Sua boca torceu para um canto, enquanto ele a encarava, bastante descontente.
–Você não vai ficar me tratando como se estivesse doente!
–E não vou…. não está doente… está grávida e é o meu filho que está carregando.
–E o que tem de mais ir pelas escadas?
–E o que tem de mais esperar o elevador?
Ela bateu um dos pés novamente, ainda mais impaciente.
–Bonita… por favor… não precisa ficar nervosa!
–Não estou nervosa!
A porta se abriu e eles entraram.
Ao saírem viram algumas crianças brincando com os botões e descobriram a demora.
Ele lançou um olhar de reprovação aos garotos.
Do nada, ela começou a rir!
Grávidas tinham humor inconstante? Em um momento ela parecia nervosa, em outro ria feito uma criança. Ele balançou a cabeça.
–O que foi?
–E se nosso filho for um desses pestinhas… que vai adorar brincar com o elevador?
Ela o viu arregalar os olhos e a olhar como se tivesse lhe feito a pior pergunta do mundo!
–Não vai responder?
–Ele não vai fazer isso!
–E como sabe?
–Apenas sei… nós não vamos deixá–lo sozinho deste tamanho, olha esses garotos, nem sabem andar direito… cadê a mãe dessas crianças?
–Ai meu Deus!!!
Ela ergueu os olhos para o céu, enquanto ele segurava a porta do carro para ela entrar.
–--------------------------------------
–Como foi seu dia?
–Bem…
–Alguma novidade?
–Não, só o de sempre.
–Hum... que bom.
Ela percebeu que ele queria lhe falar alguma coisa, conhecia aquele olhar!
–O que está acontecendo?
–Nada! – Ele falou rápido demais.
–José Miguel, o que está acontecendo?
–Nada, só te fiz uma pergunta.
–Você… falou com o Greg?
Greg era um funcionário da fábrica que quase teve um enfarte quando a viu subindo na cadeira na sala dela para pegar umas pastas no alto.
–Por que? — Grissom parecia fazer um esforço enorme para disfarçar.
–Falou ou não falou?
Ela sabia que ele jamais mentiria para ela.
–Sim. — Ele confessou.
–Aquele filho de uma mãe!
–Ele só está preocupado com você e, está certo em me avisar! O que é que você tem na cabeça, Valentina?
–Você está me tratando como se eu fosse uma inválida.
José Miguel olhou para ela e deixou o assunto morrer, não queria discutir, com certeza sairia queimado e… ela podia ficar ainda mais nervosa.
E não ia fazia bem ao seu filho!
–----------------------
–Valentina…
Ela estava de lado, encolhida, deixando um espaço enorme entre eles.
–O que foi?
–Eu só quero que tome cuidado... Bonita!
Ela não respondeu.
De repente, ela sentiu uma mão passar por cima dela e depositar uma caixa bem pequena bem à frente de seus olhos, no travesseiro.
Ela olhou curiosa.
–O que é isso?
–Abra… por favor.
Uma coisinha minúscula, colorida, que não passava de três dedos de medida, surgiu.
–Mi vida…
Era um pequeno sapatinho de couro, em tons suaves, unissex.
Os olhos dela umedeceram e ela se virou para abraçá–lo.
–É lindo… Mi cielo…
O parzinho cabia na palma de sua mão e ainda sobrava espaço.
–Quando foi que comprou isso?
–Hoje mais cedo. em uma loja, próxima a loja do Horácio!
Ela balançou a cabeça, olhando para a pecinha delicada.
–Imaginou o tamanho dos pezinhos?
–Huhum… eu achei que… iria gostar!
Ela passou a mão em sua barriga ainda sem nenhuma evidência aparente de gravidez e sorriu.
–Olha filho… seu primeiro presente… foi o papai quem deu!
Quando olhou de volta para ele, seus olhos também estavam úmidos, e ela se esqueceu de tudo quando seus lábios se encontraram com paixão.
Fale com o autor