Notas iniciais
Esse deu trabalho kkkkk desconsiderei fuso horário pq não sei como esse troço funciona XD

–LETÍCIA

Finalmente o dia da viagem. A partir do momento que chegarmos vou poder deixar de esconder os poderes (nunca escondi, mas de qualquer forma agora vai deixar de ser errado mostrá-los). Passei a noite tentando aprender alguma coisa nova. Eu estou muito ansiosa e a expectativa é grande, mal posso esperar para me testar ao máximo! Estratégia inicial: ver o que os alunos da minha idade e Classe podem fazer e se eu puder fazer melhor... Farei! Não quero ser esnobe nem nada assim, só quero ser melhor que todos e isso não é errado.

Ontem minha mãe e eu contamos toda essa loucura para o meu irmão, Evandro. Ele mal prestou atenção até a parte que falei “estudar em outro país”, Evandro ficou muito feliz e começou a me ajudar com as malas.

–Então na maior parte do ano o quarto é só meu?! –Perguntou ele.

–É... –Respondeu minha mãe.

–Vamos logo então, me ajudem a tirar as suas coisas daqui! –Pediu ele jogando todas as minhas roupas do armário em cima da cama.

Agora enquanto termino de me arrumar e guardar as últimas coisas na mala, Gui não para de falar sobre como está ansioso, e não para de mandar eu me apressar porque a carona deve chegar logo. De vez em quando ele jura que ouviu buzinas e desse as escadas correndo para abrir o portão, mas até agora ninguém chegou, e era só a imaginação dele.

–Já disse que eles vão chegar 7:30h e são 7:05 agora, me deixa cara! –Falei

–Eles falaram por volta das 7h, a qualquer momento eles podem chegar. –Respondeu ele

–Falaram por volta de 7:30.

–Que seja... Por que você vai de branco? –Perguntou ele. -Achei melhor ir com as cores da minha Classe pra achar os outros Heróis mais rápido. -Explicou ele apontando a camisa vermelha que usava.

–Eu não vou usar rosa, é Barbie demais. –Respondi. –E o branco é a segunda cor dos Metamorfos.

–Mas quando receber o uniforme vai ter que usar rosa. –Falou Gui segurando o riso.

–Duvido, eles vieram me buscar antes da hora porque eu tenho mais poder. Vai ser do meu jeito e fim de papo! –Respondi me sentindo o máximo.

–Iiiii, ta se achando, vai acabar expulsa...

–Que nada, eles têm que me segurar por lá. Se eu voltar pra casa vou continuar usando as transformações e trapaceando como nos velhos tempos. –Falei com total segurança.

–Ouviu isso?! –Perguntou Gui depois de alguns segundos maravilhosos de silêncio.

–O que? O som de buzina que só você escuta? –Debochei.

–Não, é de verdade dessa vez! –Gritou ele enquanto descia as escadas da minha casa.

Terminei tudo e comecei a descer com uma mochila e uma mala, depois quando virei no corredor fui atropelada e deixei a mala cair.

–Eita! Foi mal, a carona chegou. –Disse Guilherme, pegando a mala do chão.

–Você é maluco, por que tá correndo? Um minuto a mais ou a menos não vai fazer diferença! –Ralhei.

–Ah para de reclamar, vamos logo.

Revirei os olhos e o segui até o portão. Lá fora, a mãe do Gui e a minha conversavam com o pai da Lais alguma coisa sobre a escola e todo esse papo chato que os pais têm com outros pais. Deixei as malas ao lado do Doblô e voltei em casa para buscar o resto delas. Quando voltei Pojucan guardou meus pertences e eu entrei no carro. Todos os lugares estavam ocupados, no volante ele mesmo com Bia ao lado, os três lugares do meio foram ocupados por Renan, Kevin e Gui, e os dois últimos eu e Lais ocupamos.

–Vocês também foram chamados para Woodhand? –Perguntei para Renan e Kevin.

–Não não, a gente só vai até acompanhar vocês até o aeroporto. – Respondeu Kevin.

–Lais, cadê a Gabrielly? Ela foi sozinha? –Perguntei notando a falta de uma pessoa.

–Ah ela chegou a ir lá em casa, acabou desistindo em cima da hora. Sempre viveu junto com a avó e não quer se afastar dela.

–Caramba, que pena... –Lamentou Guilherme.

Pojucan deu a partida e nós comemoramos enquanto acenávamos para minha mãe e minha tia.

Conversamos muito sobre como seriam as aulas, acho que pela primeira vez nós (pelo menos eu) estávamos ansiosos para estudar. Bia foi bombardeada com as nossas dúvidas, na verdade acho que ela gosta de toda essa atenção.

–Bia, e como anda aquele seu projeto para ajudar os intercambistas a se enturmarem? – Perguntou Lais.

–Atrasado. Mas eu devo terminar até a segunda semana de aulas. –Respondeu a irmã.

–Que projeto? –Guilherme e eu perguntamos quase ao mesmo tempo.

–Ela ta montando um... –Lais começou e logo foi interrompida.

–Não fala! É uma surpresa pra vocês. Na verdade Lais não vai ganhar porque não precisa.

–O que você ta montando Bia? –Guilherme curioso como sempre...

–Surpresa, não posso te dizer. –Respondeu a Humana colocando os fones e saindo da conversa.

–Gente, agora até eu to curioso. –Admitiu Renan.

–Imagine a gente! –Disse Gui.

–Lais, o que ela ta montando? –Perguntou Kevin. –Eu e Renan podemos saber, a gente não vai mesmo.

–É Queixo, conta pra gente. –Apoiou Renan.

–Também acho que não tem problema. -Falei

–Eu não, vocês e o Gui são unha e carne, ele vai acabar descobrindo.

–Obrigado por confiar em nós. –Disse Renan se fingindo de ofendido.

O papo furado continuou até chegarmos ao aeroporto. Depois muito procurar vaga no estacionamento, finalmente encontramos uma. Todo mundo desceu do carro e começou a recolher suas próprias malas, Renan e Kevin ajudaram já que não viajariam e não tinham bagagem própria para carregar.

–Hey olha só! –Disse Guilherme apontando para uma mala grande, enquanto a segurava com só uma das mãos. -Parece mais leve do que quando a guardei no carro, que esquisito.

–Legal, então carrega as minhas coisas também. –Falei e joguei minha mochila nele, ela a agarrou com a mão livre e passou para a mesma mão que segura mala.

–Que legal! Acho que é a super força chegando. –Comemorou Lais.

–Não brinca! Que demais! –E depois de dizer isso ele começou a juntar várias malas e mochilas e empilhá-las nos braços.

–Ficou maluco? –Perguntou Bia. Abaixa isso, você não pode fazer nada disso aqui. Guarda pra Woodhand.

–Relaxa rapaz, vai ter muito tempo pra se exibir na escola, agora coloca essas malas no chão. –Pediu Pojucan.

–Ta ok, foi mal eu só fiquei animado. –Respondeu meu primo pondo tudo no chão com um sorriso de orelha a orelha.

–É né, tá fortão agora? Já vi que vai viver em detenção. –Disse Kevin rindo. –Todo bravinho igual siri na lata... -Todos gargalharam, até mesmo o Gui.

Entramos na fila de embarque, mostramos as passagens e os documentos.

–Gui você tinha que ver sua cara. –Falei. Foi tipo assim... –Usei os poderes e abri um sorriso medonhamente grande. Todos caíram na gargalhada outra vez.

–Gente, mais cuidado, vocês estão atraindo muita atenção rindo tão alto, alguém pode ver vocês usando os poderes. –Cochichou Bia, alto o suficiente para que só nós entendêssemos.

–Parece que é hora do embarque, boa viagem crianças! –Disse Pojucan enquanto dava um beijo na testa das filhas e apertava a mão do restante. –Vocês vem comigo. -Falou dirigindo-se a Kevin e Renan.

–Tchau galera! Gui me traz um presente legal hein, vou sentir saudades irmão! –Falou Kevin abraçando Guilherme. –Ah ai, cuidado cara, super força se manifestando lembra? –Perguntou e deu um soco no amigo.

–Vou ter mais cuidado. –Prometeu rindo, enquanto Kevin se despedia do resto de nós.

–Pessoal já to com saudades, não se esqueçam de mim. Lais e Gui vocês vão ser minha comadre e meu compadre se não me ligarem os dois vão levar um socão quando encontrarem comigo de novo! –Ameaçou Renan.

–Pode deixar compadre. –Lais disse enquanto o abraçava.

–Cara você ta muito longe de casar ainda, relaxa. –Gui falou rindo alto. –Não vou esquecer ninguém, já coloquei até lembrete do dia do aniversário de todos no celular.

–Você não presta. -Disse Renan rindo.

Todos nos despedimos, eu sem muita cerimônia até porque não sou tão próxima deles nem nada assim. Então finalmente começamos a embarcar. Lais se sentou ao lado da irmã, eu e Gui atrás delas. Logo que o avião decolou as aeromoças vieram trazer aqueles lanches de viagem.

–Vocês já viajaram de avião? –Perguntei aos outros.

–Eu já, todo ano quando vou ou volto da escola. –Respondeu Bia.

–Eu viajei pela primeira vez ano passado, de São Paulo pro Rio no fim das férias de julho. –Disse Gui

–É minha primeira vez. –Respondeu Lais sorrindo. É a sua também?

Fiz que sim com a cabeça enquanto aceitava um pacote de biscoitos e uma caixinha de suco que a aeromoça me oferecia. Enquanto abria o pacote de biscoitos Guilherme explodiu a caixa de suco dele, sujando um senhor careca que dormia na poltrona ao lado, a aeromoça, a mim e a si próprio.

–Ah, me desculpa? –Disse ele com cara de tacho olhando pra todos ao redor (o senhor continuava dormindo sem perceber nada).

–Aarrrg, vou tentar limpar isso. -Falei me levantando e indo em direção ao banheiro.

Aproveitei que estava sozinha e mudei a cor de uma mecha de cabelos para roxo. Depois de alguns poucos minutos voltei.

–Como você conseguiu explodir o suco? –Ouvi Lais perguntando para o Gui.

–Acho que esqueci da força extra. –Respondeu ele.

–A mancha não saiu completamente, mas consegui limpar um pouco. -Falei

–Se você estivesse de rosa a mancha seria quase invisível, mal aparece na minha camisa. –Ele alfinetou.

–Se você soubesse usar suas habilidades não haveria mancha nenhuma...

–Ah é? E se você... –Começou ele.

–Ah chega! Explodiu tá explodido, já era. –Interrompeu Bia.

–Não aguento mais ficar sem fazer nada, vou tentar dormir. –Disse Guilherme algum tempo depois colocando os fones de ouvido.

–É, vou tentar dormir também, ainda faltam horas. –Falei virando-me para a janela.

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Acordei quando o avião começava a aterrissar. Estava escuro, olhei o relógio e eram 19:15.

–Já chegamos! –Lais estava bem animada.

–Vamos ter o dobro de cuidado aqui, nada de brincadeira com os poderes. –Bia dava instruções aos sussurros. –Meu pai deixou dinheiro pro táxi.

–Certo. –Concordei.

Andamos com toda a bagagem com bastante dificuldade até onde o táxi, Guilherme rindo a toa do nosso esforço.

–Psiu, hey alguém quer uma mãozinha? –Perguntou ele.

–Aceito. –Passei uma das malas para ele.

Quando chegamos, Bia falou com o taxista e eu não entendi porque ela falava inglês com ele, mas acho que passava a ele o endereço da Academia Woodhand. O taxista guardou tudo na mala e abriu a porta para nós.

–Tudo certo, podem entrar. –Avisou Bia enquanto passava os dedos pelos cabelos.

Quando o táxi parou na frente da grade do portão, todos ficaram de queixo caído exceto a Bia, que já conhecia o lugar.

O portão era altíssimo, assim como o muro e por trás disso, uma mansão que mais parecia um castelo, toda iluminada.

Um senhor de cara amarrada veio nos receber no portão, Bia deu o nome de todos e ele nos deixou passar. Aproveitei e me virei para Gui e Lais com o sorriso medonho no rosto, mas eles estavam olhando tudo ao redor e não notaram. Na entrada da mansão tinha um rapaz de cabelo espetado sorrindo animado.

–Hi Bia! Hello beginners, I'm Carter Woodhand. What’s yours names? –Disse ele.

–Hi Carter, good to see you. –Respondeu Bia.

–Hi Carter, my name is Lais, I'm Bia's sister. –Disse Lais.

–Você ta entendendo alguma coisa? –Perguntei ao Gui.

–Nadica de nada, sou péssimo em inglês, tentei estudar um pouco antes de viajar, mas é tão chato que desisti depois de umas 2 horas. –Respondeu o Herói.

–Como vamos fazer pra assistir as aulas?! –Perguntei começando a ficar nervosa.

–To apostando no Google Tradutor.

–A gente não pode assistir aula com o celular na mão. –Falei.

–Então vamos zerar todas as provas. –Disse Guilherme. –Eu vou tentar uma coisa...

–O que você vai fazer?

–Cara, oi. Eu sou Guilherme e não falo sua língua. Você sabe falar a minha?

–Oh, I don’t understand what you say, I’m sorry… -Respondeu o rapaz.

–É, estamos ferrados Lê… -Lamentou-se Gui.

–Relaxa, eu estou resolvendo isso com ele, todo ano acontece probleminhas como esse. –Falou Bia. –Vocês farão as provas e essas coisas em português, mas as aulas serão em inglês mesmo já que os professores não falam nossa língua e a turma em peso fala inglês. Então não fiquem de bobeira, depois da aula em sala, colem com alguém da sua Classe e tentem tirar as dúvidas que ficaram.

–Uma notícia boa. –Falei.

–Agora vamos pros dormitórios, amanhã é o Primeiro Festival e isso sempre é legal! –Bia parecia animada pra isso seja lá o que for. –Temos o dia livre eu posso levar vocês pra passear pela escola antes do Festival.

–Tudo bem obrigada. –Agradeci.

–Vamos Lais você dorme no mesmo lugar que eu. O Carter vai levar vocês até os dormitórios, ele conhece tudo aqui. Boa noite, nos vemos amanhã.

–Let’s go, guys! –Chamou Carter, isso conseguimos entender.

–Vamos. –Respondemos.

–What are you? –Perguntou ele e como não respondemos e ficamos com cara de paisagem, ele deu um tapa na própria testa, apontou para camisa amarela debaixo do casaco e nela havia um chapéu marrom. Depois estendeu o braço na nossa frente e criou fogo na palma da mão.

–Uau, ele é um Feiticeiro, Lê! Acho que quer saber qual a nossa Classe.

–Entendi. –Depois de dizer isso, deixei o cabelo todo branco e ele entendeu o recado.

–Hmmm, Shapeshifter! And you? –Falou digirindo-se ao Gui.

–Eu? Herói! –Respondeu Guilherme estendendo a mão. E Quando o Carter segurou, ele apertou e estalou pelo menos três dedos do Feiticeiro enquanto ele fazia careta de dor.

–Hahaha Hero! –Disse o rapaz massageando a mão.

Depois de toda essa mímica ele nos conduziu até um corredor que era rosa demais pro meu gosto, percebi que passarei por ele todos os dias.

–You stay here, little girl. Good night! –Carter falou apontando para uma porta. -I know you are not 13 years old, but you going to stay in 13 feminine, ok?

–O “ok” eu entendi, o resto tento adivinhar. –Falei e Guilherme começou a rir, Carter acompanhou-o e riu também mesmo sem entender.

–Não sei por que ele é tão tagarela nenhum de nós entende nada. –Gui comentou ainda rindo.

–Nem eu. Boa noite meninos. –E entrei no dormitório.

Notas finais
Um muito obrigado para a Heroína de Ares Mariana Upneck por me ajudar com a parte do inglês lol devo precisar de mais ajuda daqui pra frente kkkkkk