Nova Realidade
3 Você mudou
Acordei meio zonza, me espreguicei e olhei para a janela para ter uma base do horário, rapidamente as lembranças da noite anterior vieram com força total, me sentei rapidamente com o choque.
Eu dispensei o Edward...
Nunca pensei que seria capaz de tanto.
Abracei o meu próprio corpo na falta de alguém para me abraçar. Você quis assim, minha mente me acusou.
Balancei a minha cabeça com força, foi melhor assim, eu e Edward teríamos que nos separar mais cedo ou mais tarde pelo simples fato de ele não querer me transformar, e jamais conseguiria ficar ao lado dele vendo-o sempre jovem e bonito enquanto eu fico velha e feia. O mundo já comentava demais o fato de eu ser simples e sem graça perto dele.
Me levantei de vez, vendo que minha decisão já estava tomada e que não iria voltar atrás, se Edward verdadeiramente me quisesse, teria de me aceitar pela eternidade, e não até a minha mortalidade permitir.
Me dirigi ao espelho, minha face de morta já tinha saído há uns tempos, agora ela estava mais corada e até os meus olhos tinham um leve brilho, isso tudo desde que que comecei a sair com Jacob.
Jacob, me esqueci completamente dele, ele deve achar que eu estou morta, que meu sangue foi distribuído em garrafas de vinho para vampiros.
Depois de teria de ligar para ele avisando que eu "sobrevivi", ele não iria gostar nada da história de Aro me querer vampira, mas como nem Edward me queria transformada, então não teria muito com o que se preocupar.
Depois de fazer minha higiene matinal e trocar de roupa, desci para cozinha enquanto pensava no quanto a alcateia iria gostar de ouvir as minhas histórias sobre Volterra. Chegando na cozinha, comecei a tirar algumas coisas da geladeira para o meu desejum. Quando me virei com o último ingrediente na mão, havia um visitante sentado elegantemente à mesa, com as mãos entrelaçadas numa postura séria.
- O que você quer Alice? — perguntei indiferente, enquanto quebrava os ovos. Já tinha uma ideia do porque ela veio.
- Você costumava ser mais educada.
- Você também, porque não bateu na porta?
- Não estou com vontade de brincar de humana educada — sua voz ácida pareceu dizer claramente que já não me considerava uma "igual" apesar de nunca formos — por que não aceitou Edward de volta?
Parei de cortar o tomate do meu omelete, eu já esperava por essa pergunta, mas ela veio de forma mais acusatória do que eu imaginava que viria.
- Acho que você sabe o porquê — continuei cortando o tomate sem olhá-la, quando terminei parti para a cebola. Se chorasse, colocaria a culpa na cebola.
- Não, eu não sei.
- Ok — deixei a cebola de lado e me virei para encarar Alice — ele não quer me transformar.
Os olhos de Alice pareceram vacilar por um instante, mas a sua postura não.
- Eu já espera por isso.
- Mas eu não! — falei irritada, pegando novamente a faca e me virando para continuar a cortar a cebola — Não depois de Volterra, de Edward ter quase morrido, de ele ter pensado que eu estava morta! — meus olhos começaram a penicar, culpa da cebola, culpa da cebola.
Desisti de cortar a cebola, e me virei para acabar logo com aquela situação.
- Você faz ideia de como foi acordar no meio da noite, encontrar com Edward me abraçando, e depois de ele me dizer palavras bonitas e me fazer acreditar que tudo seria diferente... Ele simplesmente dissesse que nunca me transformaria? Que tudo continuaria igual ao que era antes?
- Qual é o problema com o que tinha antes?
- O que descobri que tinha sempre — abaixei minha cabeça pegando fôlego para continuar — instabilidade.
- Você só pode estar brincando! — Alice se levantou tão rápido da cadeira que ela balançou — Você está dizendo que sempre houve instabilidade no seu relacionamento com o meu irmão.
- Exatamente — ergui o queixo — ele nunca se entregará por completo a esta relação, ele mente, quebra promessas, volta atrás em suas decisões. Não me sinto segura com ele, não emocionalmente.
- Você está sendo dura demais com ele.
- O QUE VOCÊ QUER QUE EU FAÇA? — quando vi já estava gritando. Até Alice se assustou, pois não esperava uma reação dessas minha — Todo o momento... Toda a hora, cada minuto eu irei ter medo de ele me deixar, vou ter medo até da minha sorte em me encontrar com um vampiro descontrolado e Edward se sentir culpado de novo.
Eu parei de falar quando percebi que tinha chamado o Jasper de vampiro descontrolado, e na frente de Alice.
Alice não me xingou como achei que faria, nem ao menos ficou zangada, ela apenas me olhou me analisando como se ela estivesse decepcionada.
- Você mudou.
- O que? — eu achei não ter entendido direito.
- Os lobos te mudaram.
Pronto, outra querendo botar a culpa na alcateia, será que também poriam a culpa do mau humor de Rosalie neles? É, acho que poriam sim.
- Você está louca! — não acredito que chamei a Alice de louca, está bem, ela era, mas ela não precisava saber — Ninguém me mudou, eu não mudei continuo a mesma.
- Bella, você desmanchou com o Edward.
- Ele desmanchou comigo — corrigi — eu só aceitei.
- Você gritou comigo.
- Você estava me acusando.
- Você chamou Jasper de descontrolado.
- Mas ele é — ok, aí já foi maldade demais.
- Você está fazendo omelete com queijo no café da manhã.
Fiquei chocada com as suas últimas palavras, olhei para o meu omelete, tinha realmente colocado queijo e nem percebi.
- Nunca vi você optar por mais de uma tigela de cereal com leite no café da manhã, você come pouco.
Tudo bem, talvez o almoço gigante dos lobos tenha aumentado o meu apetite, apenas talvez.
- Legal, diz essa pro Edward — disse ironicamente — aí ela fica mais tranquilo em não me transformar, pois se eu me alimento assim como humana, imagina como vampira.
- Ainda por cima ficou sarcástica — Alice estava com a pior das expressões de frustração, eu podia jurar que ela estava com dor de cabeça — você mudou demais, sei que o Edward é teimoso, mas você não vai colocar a culpa da sua mudança no meu irmão.
- Claro, culpe os lobos, fica sempre mais fácil assim para vocês, não é? — acho que nunca usei tanto sarcasmo na minha vida.
- Só pensa, Bella, se isso que você quer ser.
- Humana? Não, o Edward já decidiu por mim — não aguentando mais a minha ironia, Alice finalmente decidiu sair, sem se despedir.
Olhei para o meu vasto café da manhã. É, talvez eu esteja mudando um pouco.
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