Depois do meu café da manhã nada leve, estava decidida a me encontrar com Jacob, não sabia como ele iria me receber, pois da última vez que nos vemos ele me implorou para que não fosse a Volterra, e eu não lhe dei ouvidos. De qualquer forma eu iria insistir, eu Jacob tínhamos uma ligação muito forte, que não foi quebrada pelo sobrenatural, não vou deixar que um mero desentendimento de "eu falei para você não ir" interferisse entre nós.

Tentei ligar para ele, mas Bill disse que ele estava "ocupado", Jacob estava sendo um infantil, mas ele não teria como deixar de me receber pessoalmente em sua casa, ele não faria a minha viagem valer nada.

Entrei em minha picape e dirigi rumo à La Push, pensei em Jacob e nos lobos, e lembrei se eles gostariam de saber que os vampiros são tão arcaicos que ainda viviam na Monarquia. Eu tinha contado tanto a eles sobre os Cullen, por que não falar dos Volturi também?

Estremeci ao lembrar da resposta, Jacob não ficaria nada contente ao saber do "acordo", aliás, nenhum dos lobos ficaria. Achei melhor guardar esse detalhe por enquanto, ou seja, esconder na cara dura, Jacob não precisava saber, sabia que ele seria capaz de ir até Volterra resolver isso.

Parei de repente o carro na estrada, tinha uma árvore caída, bloqueando toda a estrada.

Bati minha mão no volante, claro que a minha sorte não era grande coisa, mas uma árvore bloqueando o meu caminho? Isso nunca tinha acontecido!

Sai do carro para ver se tinha algum jeito de passar por outro caminho. O estranho é que tinha, pois não havia mais árvores entre a estrada além daquela caída. Por que uma única árvore estaria numa estrada entre serras?

- Bella — claro, tinha de ser um vampiro.

Me virei para eles, não acreditando que ele tinha feito isso. Impedir meu encontro com Jacob colocando uma árvore numa estrada de serras! Ele achava realmente que só eu iria notar?

- Por que fez isso, Edward?

Seu olhar tinha um filete dor, demorei para perceber era que ele sofria por eu não entendê-lo, mas eu o entendia, só não aceitava.

- Precisava falar com você.

- Claro — dei um sorriso sarcástico — e você escolheu justamente o momento em que estava indo encontrar com Jacob.

- Isso mesmo — ele não pareceu se incomodar com a minha falta de delicadeza, ele estava bem firme em sua posição.

- O que você quer, Edward? — fui direta.

Edward me olhou como se eu fosse uma inconsequente.

- Primeiramente impedir que você brinque com a sua vida.

- Exatamente, minha vida, se eu for "brincar" — fiz aspas com as mãos — com ela ou com lobisomens isso não é assunto seu.

- E em segundo — novamente ele não se abalou com o que eu disse — quero que você compreenda meu lado.

- Mas eu entendi o seu lado — disse enquanto me dirigia para a minha picape — você apenas quer curtir a sua humana enquanto pode.

As minhas palavras foram tão acusatórias que vi pela primeira vez, os olhos de Edward relampejarem de fúria.

- Pare com isso, Bella! Pare de tratar o meu amor como se fosse nada.

- É você que trata o meu amor como se não fosse nada — agora eram meus olhos a relampejarem da raiva, eu podia sentir.

- Nunca! — Edward segurou firmemente nos meu braços, foi quando eu percebi o quanto eu tinha me aproximado dele na hora da raiva — Eu simplesmente... Você não pode comparar o seu amor com o meu! — seus olhos continham mais desespero do que nunca.

- Claro, não é? — voltei ao meu sarcasmo — Por que eu sou só uma humana tola e estúpida.

- Cale-se, Bella — Edward me sacudiu em seus braços — Você não tem ideia da asneira que está falando? Você é tudo para mim!

- Realmente, não parece — Jacob não gostaria nada de me ver desafiando um vampiro assim, mas era Edward, e eu nunca tinha visto ele furioso. Olhei para Edward naquele momento "até agora" pensei.

- Bella, eu sei que me ama, mas esse amor não vale acabar com a sua alma.

- Isso é uma decisão minha — eu disse — eu estava disposta a me tornar vampira por você, suportar aquela dor do veneno por três dias, suportar a sede, tudo — meus olhos começaram a encher de água — até mesmo deixar meus amigos por você!

Ele sabia que quando eu disse "amigos", eu apenas me referia apenas a Jacob, pois sabia que ele não me aceitaria como vampira. E isso me doía muito.

- Eu sei — Edward afrouxou seu apeno em meu braço e se aproximou mais, quase colando nossos corpos — e essa é a maior prova de seu amor por mim. Acredito nela, e isso é o suficiente.

- Não, não é — me afastei o quanto ele permitiria — porque você não me deu prova nenhuma.

A fúria nos olhos dele retornou.

- Não duvide de meu amor.

- E como eu não iria duvidar? Se você que me manter ao seu lado até eu aguentar — me referi até quando eu morresse — o que aconteceria depois? Quando eu estivesse velha e acabada, quando eu morresse?

Edward olhou para mim enquanto balançava a cabeça sem desconectar nossos olhos.

- Eu não vou viver sem você.

Aquilo pareceu uma confirmação, ele me transformaria. Fiquei mais confiante e sorri.

- Dentão me transforme.

- Não vou viver sem você — repetiu.

Foi aí que eu entendi, Edward nunca me transformaria, ele voltaria para os Volturi assim que eu desse o meu último suspiro em vida.

Ergui os meus olhos para o céu, tentando segurar as lágrimas. Ele não me queria como vampira, assim como Jacob.

Mas havia uma diferença, eu podia permanecer humana com Jacob, mas só com Jacob.

- Diz a Jasper — comeei — que ele não precisa mais sofrer perto de mim, pois eu não vou voltar a sua casa.

Edward entendeu o recado, e não reagiu bem.

- Bella, a gente pode continuar juntos — eu sabia que se pudesse ele choraria — eu preciso de você.

- Você não precisou nos últimos meses — fui dura, mas era necessário — não vou ficar com você enquanto me trata como se eu não fosse nada.

- Você sabe que isso não é verdade! — ele gritou.

- É verdade, enquanto eu for humana é verdade, eu nunca serei uma igual para você, eu sempre serei a humanazinha que o vampiro se diverte, a humanazinha que a Rosalie despreza, a humanazinha que o Jasper vê como alimento, a humanazinha que não é boa o suficiente para você! — gritei a última parte, para mim aquilo tudo era verdade, eu nunca me senti bem na presença dos Cullen, não pelo fato de eles serem vampiros, mas por fazerem me lembrar que eu era humana.

- Bella — o rosto de Edward estava retorcido em remorço — nunca soube que se sentia assim...

- Sabe do que Laurent me chamou quando no vimos? — continuei — De bichinho de estimação dos Cullen.

Não percebi se o Edward raiva ou indignação, talvez um misto dos dois.

- Isso nunca foi verdade.

- Mas era como eu me sentia.

respirei fundo, pela primeira vez eu estava me abrindo de verdade com o Edward, e embora estivesse sendo um alívio interno para mim, ainda assim era algo difícil de se fazer.

- Quando você disse que eu não era boa o suficiente para você, eu acreditei. Acreditei principalmente porque era exatamente como eu me sentia, e você não fazia nada para querer mudar.

- Bella, Bella minha Bella — ele dizia o meu nome como uma súplica.

- Não posso ficar com você desse jeito, se eu já me sinto inferior quando eu sou apenas humana... Imagine quando eu for velha e humana?

Edward não disse mais nada, ele deveria ter percebido o tamanho da minha dor, me dirigi ao meu carro e quando coloquei o cinto, ele não estava mais lá. Quando olhei para frente, bati a mão no volante de novo, o desgraçado nem para tirar a árvore.