Nova Realidade
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Evitei descer as escadas até que o meu pai chegasse, ele nem ao menos tinha percebido que eu sai, mas já me colocou à par das regras; que eu estava de castigo, não poderia mais sair e etc. Mas sabia que essa regra não se baseava em visitar Jacob.
Mesmo um quarto endo o porto seguro de qualquer pessoa, eu me sentia estranha lá. Algo me inquietava em todo aquele silencio, o quarto escuro iluminado apenas pela luz de fora, vindo da Lua, a brisa forte causando arrepios em minha pele. Acho que estava cada vez mais sensível ao frio.
Peguei uma roupa rapidamente e entrei no banheiro, sem perceber que trancava a portal, algo que nunca fazia. Era como se Edward fosse invadir o meu quarto a qualquer momento, e no estado de nada lucides dele — levando em conta que ele jogou uma árvore no meio da estrada — acreditava que isso não iria acabar bem.
Tirei a roupa enquanto a banheira enchia, e me olhei no espelho para avaliar os estragos do mês, enquanto vária garotas provavelmente faziam a mesma coisa procurando por celulites, estrias e gordurinhas localizadas, eu procurava por hematomas, incrivelmente, não encontrei nenhum.
Puxei o cabelo para trás para analisar o pescoço, não encontrando nada, isso me deu um alívio inexplicável. Talvez a minha última aventura com vampiros tivesse me deixado paranoica em relação a danos vampirescos.
Antes de soltar meu cabelo, reparei na ainda existente rachadura em minha testa, resultado de uma das aventuras com Jacob e nossas motos.
Sorri. Não tinha jeito, tudo me lembrava Jacob, se não o visse ainda nessa semana, eu iria pirar.
Fechei a torneira e entrei na água quente, fechando os olhos eu podia me sentir em Phoenix de novo, naquelas águas das piscinas que mais pareciam fontes termais no verão. Era incrível que mesmo adorando o calor eu fui me apaixonar por um cara de temperatura glacial.
Quando acabei o banho e já terminava de me vestir, ouvi um barulho atrás da porta, cada célula de meu corpo respondeu com um arrepio. Edward. Só poderia ser ele.
Abri a gaveta do gabinete no minuto seguinte e peguei a maior tesoura que encontrei. Sabia que aquilo não atravessaria nem a primeira pele dele, mas acreditava que se aparecesse totalmente descabelada com uma tesoura na mão, ele me deixaria em paz em nome de minha saúde mental.
Precisava ser rápida, ele não poderia me ver hesitar, tenho certeza de que se aproveitaria disso. Girei a tranca e abri aporta.
– Saia do meu quarto!
A minha coragem se esvaiu completamente quando vi um completo estranho no meu quarto, quase cedi ao impulso de largar a tesoura e voltar correndo para o banheiro.
– Por favor! — o estranho balançou as mãos para mim em forma de negação — Não me machuque, não quero provar as minhas habilidades de recuperação tão cedo.
Realmente acreditava que estava assustadora, de pijama, cabelos molhados e com uma tesoura na mão, mas não foi o medo dele de mim que me chamou atenção. Foi o fato de ele citar suas "habilidades de recuperação".
As lembranças de Jacob e o canivete que queria para se cortar, vieram com força total. Analisei o estranho, não parecia ter mais de quinze anos, mas tinha o mesmo visual de bermuda e sem camisa da matilha. Seria um lobisomem ou apenas um seguidor da moda?
– Quem é você? — perguntei, lobisomem ou não, eu não iria arredar por causa de um garoto de quinze anos.
– Jacob me mandou. Abaixa a tesoura?!
A menção de Jacob quase me fez abaixar a guarda, eu disse quase!
– Prove que Jacob mandou você! — me aproximei com a tesoura em riste no rosto ele.
– Eu pertenço à alcateia, eu juro, cheguei recentemente!
– Você é novo demais! — acusei.
– Céus, está bem, sou um maníaco tarado e vim aqui pegar as sua calcinhas.
Isso me fez parar enquanto sentia a rubor de vergonha e raiva subir à minha face.
– Você mexeu nas minhas calcinhas?
– Não mas confesso qualquer coisa se tirar essa tesoura de perto de mim.
Foi aí que percebi que estava agindo feito uma doida, tinha de dar créditos ao cara, afinal, eu não conhecia profundamente a faixa etária de um lobisomem.
– Jacob disse alguma coisa? — a saudade enfim falou mais alto do que a desconfiança.
O garoto tirou do bolso um pequeno pedaço de papel, tive quase o impulso de estapeá-lo por me trazer apenas um bilhete ao invés de uma carta completa, que era o que eu mais estava necessitada. Mas o garoto não tinha culpa, então apenas aceitei o bilhete.
Bella,
Se ainda estiver viva, pelo amor que você tem por seu pai, pare de enrolar e venha logo para La Push!
PS: Já retiramos a maldita árvore.
Quer saber? Não precisava de uma carta, pois aquele mero bilhete não precisava dizer mais nada.
Dei um beijo e um abraço no estranho, peguei outra roupa e parti para o banheiro me trocar. Afinal, já sabia que o meu castigo não envolvia deixar de visitar Jacob.
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