Notas iniciais
Esta cena se passa no capítulo 23 do livro Lua Nova; A VERDADE. Com minhas modificações.

Estava meio acordado quando senti braços gélidos que rodeavam meu corpo, mesmo meio inconsciente, eu me aconcheguei neles enquanto o aperto ficava mais possessivo. Quando finalmente tomei coragem para abrir os olhos, vi Edward me encarando, e lembrei de tudo.

O pesadelo em Volterra me fez querer me afastar mas Edward não deixou, segurando os meus braços me prensando na cama.

– Não e assuste, tudo acabou.

Suas palavras tinham a intenção de me fazer relaxar, mas dera o resultado oposto. Tudo acabou... Como você fez comigo Edward?

Estava louca para me afastar, sabia que Edward iria embora assim que tivesse a oportunidade, e não queria fortalecer as minhas lembranças com ele para sofrer tudo de novo, não depois do trabalho que eu e Jacob tivemos. Jacob... Ele deve estar preocupado.

Tentei me afastar de novo, mas Edward não parecia se importar com a minha vontade, pois ainda me manteve sob o seu forte aperto.

– Por favor... Não faz ideia do quanto eu preciso tocar em você.

E você não faz ideia do que isso me fará. Eu queria ter dito isso a ele, mas a minha língua estava travada.

– Bella, fale comigo. por favor!

Edward parecia realmente preocupado comigo, e eu não queria pensar nisso, não queria pensar que ele se importava, quando já tinha provado que não.

Então antes que Edward continuasse a brincar comigo, me forcei a falar.

– Eu... Estou bem.

Isso para mim era o suficiente a ser dito, era tudo o que ele precisava saber para ir embora, aí eu forçaria a minha mente a acreditar que foi um sonho — se já não o fosse.

Mas Edward não foi embora, continuou olhando para a minha face como se esperasse algo de mim. O que ele queria de mim?

– Edward, eu estou mesmo bem.

– Eu sei.

– Então... Por que ainda está aqui?

Minhas palavras não foram grosseiras, mas mesmo assim deu para ver que o feriram.

– Você quer que eu vá embora?

– Você não quer?

– Acredite, é a última coisa que quero.

Fiquei calada e virei o rosto de leve para não olhá-lo. Edward não estava ajudando falando aquelas coisas. Eu sabia o porquê dele estar ali, ele queria fazer um novo rompimento, um rompimento que não me faria pular de penhascos ou fazer qualquer coisa que arriscasse a minha vida. Um rompimento sem dor.

Eu teria de ser direta para acabar logo com isso.

– Edward, o que você quer?

Edward não pareceu notar a irritação contida em minha voz quando respondeu:

– E se eu dissesse que foi tudo um engano, que o que eu disse não era para ser dito?

Por que ele continuava brincando comigo? Diga logo de uma vez, Edward.

– Eu diria que você disse o que queria dizer, pois nada o obrigou.

– Está enganada.

– Em qual parte?

– Em tudo.

O tempo passava, eu não queria sentir ainda mais a presença do Edward, não sabia se o encarava para enfrentá-lo e ele ir logo embora ou se eu fugia de seu olhar, para não sofrer tanto.

Optei pela primeira opção, eu iria sofrer de qualquer jeito.

– Edward, eu não sei onde você quer chegar.

– Eu minto, Bella, e eu menti para você.

Escondi a dor o máximo possível para que ele não a visse nos meu olhos.

– Isso eu já reparei, você não teria ficado tanto tempo comigo sem mentir de qualquer forma.

Isso pareceu não apenas machucá-lo e enfurece-lo, mas também o deixar a beira da loucura.

– Eu nunca menti sobre isso, eu nunca menti sobre te amar...

Tampei os ouvidos com as mãos, isso provavelmente quebrou a minha postura de durona, para passar a covarde. Mas não queria ouvi-lo dizer que me amava, isso era demais.

Edward forçou as minhas mãos a se afastarem dos ouvidos, enquanto eu me debatia.

– Me escuta! Eu sei que deve me odiar, mas é verdade, eu te amo. Tudo que disse na floresta foi mentira.

Procurei me acalmar, respirando fundo, não adiantava lutar contra ele, ele era imensamente mais forte que eu. Talvez, apenas talvez, não doesse tanto.

– Bella, eu menti para te proteger.

– Fez um péssimo trabalho. — disse me lembrando de Victória.

– Não nego, eu não podia imaginar que Victória viria, e que você tivesse que confiar a sua segurança nas mãos de lobisomens.

Ele tinha proferido a palavra com tal asco, que me fez prestar atenção em cada palavra que ele dizia.

– Lobisomens, seres nojentos, irresponsáveis, imaturos, descontrolados, piores do que Victória...

– Já foi longe demais Edward.

Até eu me surpreendi quando disse isso, mas não era para menos, ele estava falando mal da alcateia, de Sam, Jared, Embry... Jacob. Também ele falava mal de Paul, mas este até que merecia o descontrolado.

– Você deve lembrar que os lobos me protegeram de Victória, me protegeram quando você não estava aqui.

– Eu sei... É por isso que eu lamento, eles poderiam ter te machucado.

– Como Jasper poderia?

Ok, eu sabia que tinha pegado pesado em colocar o Jasper no meio disso, mas... Ele chamou os lobos de descontrolados!

– Bella, por que os defende tanto?Por que se importa tanto com esses monstros?

Monstros? Agora foi demais.

– Escuta aqui, Edward. Só porque você se considera um monstro, não fale de quem não conhece.

Edward me olhou incrédulo.

– Eles matam vampiros, Bella, queriam matar a mim e a minha família.

Ele não iria me enrolar com isso, eu sabia toda a história.

– Eles salvam vidas, você apenas me salva.

– Foi por isso que foi até Volterra? — seus olhos estavam carregados de dor — Para retribui o favor?

– Foi, e também porque te amo — não adiantava negar. Eu vi seus olhos recheados de esperança quando disse essas palavras. — Mas agora não faz diferença — continuei enquanto deixava as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, só não sabia se era de tristeza ou de raiva — você vai embora.

Ele me abraçou.

– Não Bella, nunca mais vou te deixar, eu prometo.

– Promete? Edward, você nunca cumpre as sua promessas.

Edward estremeceu, ele sabia que eu falava a verdade.

– Você prometeu que sempre estaria comigo, prometeu que me protegeria, prometeu que eu nunca mais o veria.

– Minha palavra não vale mais nada, é isso que quer me dizer?

Eu o avaliei, apesar de tudo, Edward ainda me amava e era visível o quanto queria que ele sofria por não estarmos juntos, mas não era assim. Eu tinha de tirar a prova.

– Edward, você tinha pensado muito bem quando decidiu me deixar. Não pode dizer que foi uma decisão impensada, você sempre fraqueja quando o assunto é o nosso relacionamento — tremi, eu falava como se ainda houvesse um relacionamento, o rompimento teria de ser rápido — quantas vezes você você demonstrou que queria se afastar?

– Não é o que eu queria, era o que eu achava que era certo. Queria te proteger.

– Você sabe que a minha sorte me mantem em perigo independente do que estiver perto de mim. Amanhã Jasper pode me atacar de novo, ou uma o Tyler me atropelar...

– Ou você ser atacada por um lobisomem.

Ele estava começando ame irritar.

– Pare de falar deles, Edward.

– Por que os defende?

– Porque o meu melhor amigo é um lobisomem.

Edward ficou quieto com o que eu disse, ele sabia que Jacob era importante para mim. Edward passou as mãos pelo cabelo, ele estava nervoso.

– O que eu preciso fazer para que me perdoe?

Eu não queria ter que terminar com o Edward de novo, mas que garantia eu teria de que ele ficaria comigo? De que não me deixaria mais. Uma luz se acendeu em minha mente: os Volturi.

– Os Volturi virão atrás de mim, Edward.

Embora parecesse um pedido de socorro, eu só estava entrando no assunto. Queria que Edward me dissesse o que queria ouvir, uma palavra e eu mandaria este rompimento para o raio que o parta!

Mas não foi isso que aconteceu.

– Não vou deixar que toquem em você, te protegerei sempre, e temos muito tempo até que eles venham.

Não eram essas as palavras que eu queria ouvir.

– Você prometeu a ele que iria me transformar...

– Prometi, mas eles te matariam se não o fizesse.

Afundei em desespero, Edward provou mais uma vez que sua palavra não valia nada. Virei o meu rosto com os olhos fechados fortemente enquanto meu corpo se contraia sob as mãos de Edward. Fiz uma coisa que nunca pensei que faria.

– Vá embora.

Edward pareceu surpreso com o que disse, provavelmente ele achava que a conversa estava se encaminhando para um entendimento e não para um rompimento.

– Bella, o que houve? estávamos indo bem, estávamos nos entendendo.

– Vá embora!

Endward segurou o meu rosto e me forçou a olhá-lo.

– Por que...?

– Por que você não me quer.

Ele pareceu quase louco quando disse isso.

– Como não te quero? Não diga uma blasfêmia dessas nunca mais. Eu te quero mais que tudo.

– Não o suficiente para me querer pela eternidade.

A compreensão atingiu os olhos de Edward.

– Bella...

– Vá embora.

Edward só se afastou quando comecei a chorar. Me deu um beijo na testa e disse com os lábios no meu cabelo.

– Eu te amo, Bella, eu nunca menti sobre isso.

Quando ele finalmente saiu, eu sabia que ele iria voltar, voltaria milhares de vezes se possível, mas não sabia se o aceitaria com aquela condição. Chorei mais, mas com a certeza de que não me permitiria sofrer mais.

Notas finais
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