Nova Perspectiva
2 Capítulo 2
— O que achou dele, amor? — Perguntou Alexandre, deitando-se ao lado da esposa. — Pra mim é uma surpresa ver que ele é um cara bacana, inteligente…
— A mãe dele era tão péssima assim? — Perguntou Olívia, sarcástica.
— Ela era soberba, tanto que decidiu ir para os Estados Unidos para poder dizer que superou o divórcio em outro país, e já que a irmã dela já morava lá ela aproveitou.
— Mas vocês se separaram por qual motivo? Acho que nunca conversamos isso em seis anos de relacionamento.
— Digamos que eu pisei na bola. — Olívia ergueu uma sobrancelha esperando que o marido fosse mais específico. — Na verdade, eu traí ela. Ela havia acabado de sofrer um aborto espontâneo e estava sensível. Na época, eu coloquei minhas necessidades de homem à frente do meu caráter, e comecei a sair com uns amigos depois do trabalho e todas as vezes eu transava com uma mulher diferente. — Olívia arregalou os olhos, surpresa.
— Por que você nunca me contou isso? — Questionou Olívia, um pouco desapontada.
— Porque eu tenho vergonha. Eu sinto vergonha do que eu fiz, e não faria isso jamais. Acabou que o irmão dela foi se encontrar com uma mulher no mesmo pub em que eu estava e me viu ficando com uma mulher, fotografou e mandou pra ela. Ela pediu o divórcio e conseguiu a guarda integral do Lucas, indo para os Estados Unidos com ele.
— Eu entendo ela. Me sinto um pouco decepcionada por saber que você já foi esse tipo de homem.
— Com razão. Mas eu mudei, amor. Eu jamais faria nada disso com você. — Alexandre pegou a mão da esposa e desferiu beijos nas costas e nas palmas.
Lucas estava deitado de barriga para cima observando o teto. Ainda estava extremamente triste pela morte da mãe, mas otimista com sua possível nova vida no Brasil. Pensava em ir atrás de trabalho para ocupar o tempo e depois fazer alguma faculdade, principalmente que envolvesse arte. Porém, algo estava lhe incomodando, que era o fato dele ter sentido atração pela esposa de seu pai. Era um sentimento esquisito, porque ao mesmo tempo que tentava reprimi-lo, sabia que ele estava latente em sua cabeça, e voltaria assim que ele voltasse a vê-la.
Nunca namorou ninguém nos Estados Unidos, principalmente porque achava as americanas extremamente feias, ao contrário do pouco que ele havia visto das Brasileiras, principalmente de sua madrasta.
Tinha certeza de que se não soubesse que ela era esposa de seu pai, arriscaria chegar nela, mesmo sendo uma mulher mais velha.
Olívia acordou no meio da noite e decidiu ir tomar um pouco de ar. Saber das informações reveladas por seu marido lhe havia deixado perturbada. Decidiu se sentar na varanda, onde cultivava algumas plantas. O local possuía um banco de concreto do antigo dono do imóvel, e ela gostava de sentar ali para refletir.
— Sem sono? — Perguntou Lucas, aparecendo de repente no local, fazendo com que a mulher levasse um susto.
— Um pouco. E você?
— A little bit. — Lucas sentou ao lado da madrasta. — Se quiser conversar, sou bom com conversas. — Olívia riu.
— E eu sou boa para escutar. Sou psicóloga.
— Sério? Eu fiz terapia uma vez.
— É muito invasivo perguntar o por quê?
— Não se for minha madrasta – E os dois deram uma risadinha – Eu já fui viciado em cocaína. — Era a segunda surpresa da noite de Olívia. O que mais ela descobriria?
— Ironicamente trabalho em uma clínica de reabilitação.
— Jura?! Não precisa se preocupar, porque não vou pedir para você me internar de graça – Ambos riram novamente – Já tô limpo há dois anos.
— Você começou bem jovem, não?
— Acho que é porque eu era revoltado. Meus pais eram separados e minha mãe trabalhava muito pra manter a gente lá, e eu me sentia muito sozinho. Então comecei andar com as pessoas erradas e deu nisso. E não, meu pai não sabe. Minha mãe nunca deixaria que ele soubesse.
— Foi uma barra enorme nas costas dela, não?
— Com certeza. Não duvido que tenha sido isso um dos fatores que desencadearam um câncer nela.
— Também não se culpe, porque não é a melhor coisa a se fazer. A vida anda para frente.
— Realmente. E você, além de psicóloga, qual sua história?
— Eu também sou divorciada, assim como seu pai. Fui casada por quatro anos com um rapaz, jovem, que me trocou por uma moça mais nova.
— Que lixo! Você merece mesmo alguém melhor, assim como meu pai aparenta ser.
— Ele é sim… — Depois do que havia ouvido, Olívia já não sabia mais. — E você? Namora alguém? Ou já namorou?
— Não… Eu nunca namorei. As americanas além de não serem muito atraentes eram desinteressantes e fúteis. — Olívia riu.
— Bem… espero que você mude de opinião aqui. Mas o que me surpreende é que você fala português muito bem, sem o menor sotaque.
— Eu sempre falava português com a minha mãe, e com minha tia, então nunca perdi a fluência. Também acho uma língua mais bonita.
— Eu também acho. — Um silêncio constrangedor se instalou entre os dois. Não porque não houvesse o que conversarem, mas porque ambos estavam cautelosos ao que podiam ousar perguntar um ao outro, já que a companhia estava sendo agradável.
— Como você conheceu meu pai?
— Em um casamento. Ele era amigo do noivo e eu da noiva, que inclusive se separam – ambos riram – E desde então estamos juntos.
— Bacana… espero um dia encontrar uma mulher que seja tão boa esposa quanto você. — Olívia passou a mão pelos fios negros, sem graça.
— Vai encontrar sim. Bem, vou entrar, porque se não vou desregular meu sono completamente e depois irei me ferrar, porque não vou ter sono para dormir amanhã à noite e vou trabalhar um caco na segunda-feira.
— Vai lá, Olívia.
Lucas adentrou a academia que havia sido indicada por sua madrasta. Pensou que a melhor forma de socializar seria se matriculando lá, porque assim conheceria pessoas novas e talvez amigos.
— Bom dia, gostaria de fazer aula muay thai. Vocês tem essa modalidade? — Uma moça negra com tranças que estava na recepção mexendo em algumas fixas levantou o olhar para fitar o rapaz.
— Temos. Inclusive sou a professora.
— Ah que legal! — O rapaz sorriu. — E eu já posso me matricular? Eu já praticava anteriormente no país onde eu residia.
— Você veio da onde?
— Nova Iorque.
— Nossa! — Respondeu a moça, surpresa. — Bem, temos aula de segunda à sexta, e aí você escolhe qual é o melhor horário.
— Posso vir todo dia?
— Claro! Eu me chamo Camile.
— Prazer, Lucas.
— Então, as aulas vão começam às 19 horas, e terminam as 20:30. Você pode voltar mais tarde nesse horário e aí eu fecho a matrícula. Tá bem?
— Tá ótimo! Obrigada, Camile. — Lucas saiu sorridente da academia, faria um esforço para fazer uma amizade com Camile, havia gostado dela e sentiu que ela era uma boa pessoa.
Olívia chegou do trabalho e surpreendeu-se ao encontrar seu marido e filha brincando no quintal.
— Como assim vocês já estão em casa? — Perguntou a mulher, trancando o portão.
— Já que souberam que o Lucas havia chegado, resolveram me dar uma semana de folga, e eu aproveitei e já busquei a Maria na creche.
— E cadê ele?
— Está no quarto. Acho que tá tentando se adaptar ao fuso horário. — Olívia passou pelo esposo e entrou em casa. Pensou em ir até o quarto do enteado, saber se ele estava bem, mas achou que talvez fosse ser terrivelmente invasiva, e desistiu. No entanto, caminhou até seu quarto, e assim que ia entrar, ouviu a porta do quarto dele se abrir, revelando a figura do rapaz sem camisa e com um aspecto cansado.
— Achei que estivesse dormindo.
— Estou com uma insônia terrível. Mas me matriculei no muay thai e vou começar hoje mesmo. Talvez o cansaço físico me faça dormir, quem sabe?
— É realmente muito bom que você comece fazer uma atividade, e estabeleça amizade.
— E seu dia, como foi? — Olívia se surpreendeu. Como seu marido era administrador de um restaurante famoso na cidade, e vivia estressado pela carga de trabalho, era ela quem perguntava sobre o dia dele, e nunca o contrário. Sorriu com o gesto de Lucas.
— Foi normal. Atendi três novos pacientes, o que me deixa triste, levando o contexto em que essas pessoas estão chegando lá. Depois fiz uma recreação com os internos, que envolveu música. Foi bem bacana mesmo. E provavelmente amanhã assinarei a alta de dois pacientes.
— Bom pra eles e péssimo pro dono da clínica.
— De certa forma sim. Eu vou tomar banho para aprontar o jantar. Se tiver algo que você queira comer, só me falar.
— Qualquer comida que não seja enlatada já é uma dádiva pra mim.
— Então tá. — De repente Alexandre apareceu no corredor dos quartos.
— Amor, acredita que ligaram agora do restaurante dizendo que o outro contador não está conseguindo fechar uma média exata e eu vou ter que voltar lá para ajudá-lo? Brincadeira, né?
— Não pode fazer isso de casa? — Perguntou Olívia
— Não, porque nunca se sabe se haverá algum tipo de vazamento de dados. Acredito que antes do jantar eu já estarei em casa. — Alexandre olhou para o relógio que estava em seu pulso – São cinco e quarenta agora, talvez às sete eu já tenha chegado. — Ele caminhou até a esposa, dando-lhe um selinho. — Filho, eu prometo que iremos jantar juntos, tá?
— Tudo bem, pai. Eu tenho aula de muay thai às 19.
— Melhor ainda, não precisarei correr. Tchau meu campeão.
— Tchau pai. — E saiu.
Olívia pegou sua roupa e foi para o banheiro tomar banho. Lucas, percebendo que a madrasta havia ido se banhar, sentiu curiosidade em saber como seria o corpo dela nu. Era inegável que estava se interessando por ela, ainda que não pudesse, mas achou que apenas espiar não seria tão horrível assim, desde que ela não percebesse.
A porta do banheiro possuía uma fechadura com um buraco, onde devia estar a chave, mas ele já havia visto que não havia nenhuma. Talvez porque como a casa era só do casal e de sua irmã pequena, não houve necessidade de tanta privacidade. Primeiro, foi até o quintal, e viu que sua irmã estava brincando entretida, então voltou e prostrou-se em frente a fechadura, envergando seu corpo para olhar dentro do banheiro. E lá estava Olívia, nua, com seu corpo magro e curvilíneo. Porém, era melhor do que ele já havia podido imaginar. Seus seios eram redondos, médios aureolas alaranjadas por causa de seu tom de pele. Lucas queria abrir aquela porta e fazer amor com aquela mulher, porque quando percebeu por si, estava excitado só de vê-la tomar banho. Mas, retomou rapidamente a consciência quando ela fechou a torneira e pegou uma toalha para se secar. Então ele se afastou da porta e foi para seu quarto. Não era justo o que ele estava fazendo, mas decidiu que precisava jogar para fora o que havia visto, e decidiu se masturbar. Ele evitou pensar em Olívia, mas era impossível, era ela quem lhe deixava excitado. Ignorou então todo o contexto e focou na mulher e no que gostaria de fazer com ela, e quando percebeu, havia terminado.
— MERDA! IMUNDO! — Lucas limpou a mão e sentou-se, tentando refletir o que havia feito. Era nojento estar sentindo aquele tipo de coisa pela esposa de pai, sua madrasta. Ele precisava conhecer logo alguma garota para deixar de lado aquele sentimento asqueroso.
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