Nova Ordem

5 Capitulo Quatro


A sala era diferente de todos os outros lugares. Nenhuma das paredes era feitas de ferro, e nem a sala tinha cheiro de ferrugem. Bem ao contrario, tinha um cheiro doce. A sala era completamente iluminada pelas três janelas a minha gente. O chão era coberto por madeira e as paredes eram completamente tomadas por prateleiras e livros.

Sentei-me em um sofá e me pus a imaginar o que ir acontecer. A última vez em que estive sozinho com o Júlio foi há seis anos. Minha antiga professora de Matemática tinha me pego usando calculadora em uma prova e me mandou, pela primeira vez, a diretoria. Júlio prometeu não dizer aos meus pais o que eu tinha feito se eu lhe desse a calculadora. Depois desse dia eu nunca mais tive coragem de filar em uma prova.

Porta se abriu atrás de mim. Revelando uma figura alta, e inexplicavelmente, usando um termo preto. Ele era serio, como sempre aparentou ser, e seus olhos passavam um ar de mistério preocupação.

– Desculpe-me por fazê-lo esperar. – disse. Ele se aproximou lançando um sorriso pouco amigável. – Esta resolvendo outros assuntos.

Ele sentou-se em outro sofá a minha frente. E voltou a falar.

– Você sabe o quanto de carinho e zelo por essa comunidade que eu tenho, Victor?

– Eu consigo imaginar...

– Não! – ele me interrompe. – Você não faz a mínima ideia do quanto eu ludo, todos os dias e todas as noites, para fazer desse único lugar que nos restou um lugar bom. – Ele para ao perceber que aumento tom de voz. E volta a falar – Quando chegamos a esse lugar não existia nada. Não existia comida, não existia cama, não existia esperança. Para nenhum de nós. O Doutor criou esse lugar para nos salvar do que ele previu que ira acontecer. Isso não é nada mais nem nada menos que nossa própria arca. Nós somos os escolhidos para algo maior.

Ele já não estava mais sentado. Estava com as duas mãos apoiadas atrás do sofá.

– Do que o senhor esta falando? – pergunte. Extremamente confuso.

– De você Victor. Eu estou falando do que você representa para esta comunidade.

– Tudo isso porque eu não respeitei o toque de recolher? – perguntei. Ainda mais confuso. – Eu realmente não queria ter saído...

– Não tem nada haver com isso.

– Por que mandou essas guardas atrás de nós?

– Porque eles estão aqui para protegê-lo. Você é o escolhido.

Permaneci calado. Tentei digerir tudo o que eu tinha acabado de ouvir, mas nada fazia sentido para mim.

– Eu sei que parece estranho, mas eu vou explicar tudo para você. Tudo que você realmente precisa saber.

– Do que diabos você esta falando? – minha voz sai mis forte que o esperado.

– Antes de o mundo entrar em colapso existiu um homem que acreditava poder salvar a humanidade de algo terrível que iria acontecer. Claro, ninguém acreditou em nada que ele disse, mas isso não fez desistir. Durante anos ele dedicou sua vida a construir esse lugar. Abandou o trabalho, desistiu de tudo da sua vida, inclusive de sua família. Tudo para poder fazer este lugar. Ele sabia que algo estava acontecendo e que chegaria logo.

– Por que ninguém me diz o que realmente aconteceu lá fora?

– Porque não é por nós que você precisa descobrir. – ele voltou a se sentar no sofá. – Você tem sido observado durante anos. Antes mesmo de tudo acontecer.

– Por que eu sou tão especial assim para vocês? Eu não tenho uma historia de vida importante e que faça alguma diferença. Eu acabei de completar dezenove anos.

– E é por isso que estávamos esperando. – A voz de Júlio ganha um ânimo. E sua boca, um sorriso. – por todos esses anos estávamos esperando esse momento chegar. Esse é o momento da verdade.

Júlio vai ate a primeira janela e observa alguma coisa fixamente.

– Esse homem que todos nós idolatramos e devemos nossa vida nos deixou uma carta. Dizendo que aos dezenove anos o seu escolhido iria preparar o nosso caminho de volta ao mundo exterior.

– Esse cara dever ser um louco. – dei de ombros e encarei o chão.

– Muitos o chamaram de louco. Mas olha aonde sua loucura chegou. — ele se voltou para mim, mas inda permanecia ao lado da janela. – Eu sei que você e seus amigos encontraram o antigo laboratório do doutor. Inclusive um de seus cadernos de anotações.

– Você estava nos observando?

– Nós sem o observamos.

– Quem é esse doutor que vocês tanto idolatram?

– O seu nome era Jonas Sales. Você não deve ter lembranças dele, mas vocês já se encontraram antes.

– Quando?

– Quando ele foi. – Júlio se inclinou pra a frente, colocando suas mãos sobre os joelhos, e cravou seus olhos em mim. – Ele era seu pai.