Nova Ordem
6 Capitulo Cinco
2006
Eu costumava passar minhas noites assistindo desenho animado na televisão. Minha mãe sempre me deixava ver algum, antes de dormir, no seu quarto.
Naquela noite eu estava esperando meu pai chegar do trabalho para entrega-lo um desenho que eu tinha feito na escola sobre “minha família”.
Ele chegou perto da minha hora de dormir, mas por sorte minha mãe não tinha percebido e fiquei mais tempo acordado.
Eu estava prestes a descer o primeiro degrau quando, de repente, ouvi minha mãe chama-lo.
– Por que você faz isso? – ela falou alto.
– Não vamos começar isso novamente. – pediu ele. – Nos já discutimos sobre isso.
– E não parece ter adiantado de nada, Jonas! – ela agora estava gritando. – Quantas vezes eu preciso dizer que você tem uma esposa e um filho em casa que precisa de você? Quantas vezes eu disse que não podemos viver assim?
– Eu estou fazendo isso por vocês. – ele explica. – Eu estou pensando no futuro do nosso filho.
– Um futuro que só você acha que vai existir! Os seus amigos já estão começando a deixar de se importar com você. Acham que você esta enlouquecendo.
Um dos meus pais começou a andar, mas não iam longe. Os passos continuavam naquele mesmo lugar. Como se estivesse andando em círculos.
– O Victor precisa de você aqui com ele, não trancado em uma sala o dia inteiro. – minha mãe volta a falar.
– Eu prometo que vou me manter mais presente. – ele diz. Com uma voz mais suave. Onde ele esta agora?
– Em nosso quarto.
Assim que ouvi corri de volta ao quarto e me deitei na cama. Depois de alguns segundos pude ouvir alguém se aproximando do quarto. Era ele.
– Boa noite amigão. – ele bate na porta e entra. – Já passo da sua hora de dormir, não acha?
– A mamãe me deixou ficar mais um tempinho acordado.
– Ótimo. – ele se aproximou da cama. Sentando-se na beirada dela. – Eu sei que não é o seu aniversario, mas eu lhe trouxe um pequeno presente.
Ele colocou a mão esquerda no bolso e tirou um relógio de dentro. Ele era completamente dourado, da cor de uma legitima barra de ouro.
– Pode parecer feio para você, ou até mesmo velho. Mas é um relógio que já passou por toda a minha família.
– Obrigado. – disse. Me levantei, ficando de joelhos na cama, e me aproximei dele.
– Quer experimentar?
– Quero.
Ele pôs em mim, mas o relógio ficou grande demais.
– Eu sabia que não caberia em você agora. – disse em meio a risadas. – Você pode usa-lo quando for maior. Ele tem um significado muito importante para mim, então, eu peço a você, quando tiver certeza que ele cabe em você, você vai coloca-lo e nunca mais tirar. Entendeu?
Não respondi, mas fim que sim com a cabeça. Ele retribuiu com um abraço.
– Agora é hora de dormir. – disse. Me pegou pelo colo e me levou te meu quarto, que ficava ao lado do dele, me jogando na cama.
Me virei pra o lado, onde tinha uma cômoda, peguei o desenho que tinha feito na aula mais cedo e o entreguei.
– Eu fiz. – disse.
– Que lindo. – ele pegou da minha mão e o observou. – Eu tenho um lugar especial para coloca-lo.
Ele ajeitou meu cobertor e me deu um beijo na testa. Antes de sair do quarto, parou e me observou por um instante.
– Boa noite.
– Boa noite.
Ele desligou a luz e foi embora.
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