Nova Ordem

9 Capitulo Oito


A palavra "treinamento" foi levada muito a serio. Eu estava repetindo uma serie de abdominais no chão sujo da sala de jogos. Pam me deu um sinal de que eu poderia parar por mais alguns minutos. Olhei o relógio e vi que não tinha passado mais que onze minutos de treino. – Mas na minha contagem já fazia horas.

Eu estava pensando em me levantar para tomar um pouco de água, quando Pam me puxou de volta para o chão. Hora de fazer mais abdominais.

Em quase meia hora de treinamento eu já começava a entender o porquê de todos, com mais de vinte anos, terem o corpo perfeito e uma saúde de dar inveja.

Chris estava ao meu lado, fazendo os mesmos exercícios, só que aparentando estar muito mais disposto que eu.

Lembrei de quando estávamos no primeiro ano. Sempre fugíamos na aula de educação física e depois arrumávamos uma desculpa, alegando estarmos doente.

Mesmo quase sem forças, percebi que Pam não estava mais nos ajudando com suas palavras de incentivo, que se resumiam a palavrões e a dizer o quando nos ermos ruins. Ela estava ao lado de Júlio, que apareceu sem fazer nenhum barulho. Eles cochichavam algo, mas era impossível de ouvir, mesmo estando penas nós na sala.

– O.K. – disse Pam. – Para vocês acabou por hoje.

– Por hoje? – disse com dificuldade.

– Claro. Vocês ainda são novatos, o tempo de preparação ainda é curto. – disse ela, dando um tapinha de leve no meu ombro.

Chris me ajudou a levantar. Me levando a um conjunto de bancos no fim da sala. Minhas costas estavam gritando por uma cama.

– Obrigado. – falei. Ainda respirando com dificuldade. – Como você já se costumou com isso?

– E não. — disse ele, se sentando ao meu lado, mas não aparentando estar cansado. — Acho que esta no sangue sabe?

O pai de Christian morreu servindo ao exercito e o seu irmão também. Ele acha que o espirito está disposto a tudo veio de família, já que ele também iria quando tivesse idade certa.

Júlio se aproximava de mim. Seus passos leves indicavam que ele estava me observando. Ele parou a minha frente.

– Meu instinto dizia que você não iria se dar muito bem nos treinos. – ele ri. – Se isso ajuda, seu pai também era péssimo em exercícios.

– Você fala como se conhecem desde sempre. – Aos poucos eu conseguia voltar a pronunciar as palavras certas.

– Basicamente. – ele cruza os braços e me encarou. – Eu e seu pai nos conhecemos antes mesmo de você nascer.

– Ele nunca falou de você em casa.

– Não eramos como melhores amigos, mas tínhamos nossa amizade.

Eu respiro e tento arrumar uma forma da dor passar. Ele apenas me observa sem dizer nada.

– Você saiba desde o inicio? — pergunto. — Que ele pretendia fazer tudo isso?

– Seu pai confiava em poucas pessoas nesse mundo, e felizmente, eu era uma delas. — ele exita, mas continua continuar. — Eu sei você esta cheio de perguntas para fazer, eu também estria na sua situação.

– Você não faz ideia. — digo. — Quase não dormi pensando qual o proposito disso tudo.

– Então eu vou lhe dar um presente de aniversario que você não vai esquecer.

o encaro sem dizer nada. Ele continua.

– Quero vocês dois em minha sala daqui a vinte minutos. — ele se vira para mim. — Chegou a hora de você saber toda a verdade.