Nova Ordem

11 Capitulo Dez


2012

As coisas em casa já não eram como antes. Meus pais brigavam constantemente e eu passava mais tempo na casa de Christian, meu melhor amigo, do que em minha própria casa.

Seus nunca reclamavam quando eu aparecia de surpresa ou quando eu pedia par dormir lá. – Talvez eles já soubessem da crise que estava acontecendo em casa e sentiam pena de mim.

Eu estava me arrumando para sair, uma festa organizada por um dos meus colegas de sala, quando meu pai apareceu na porta.

– Vai sair?

– Vou a uma festa. A mamãe deixou. – disse.

– Tudo bem. Você quer carona?

– Há... Claro. – concordei. E terminei de me arrumar.

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– Então. – Depois de quase dez minutos calados, desde que saímos de casa, ele fala. — Precisa carona de volta?

– Não. Eu vou dormir na casa do Christian.

– De novo? Os pais já, já começam a reclamar.

– Talvez eles devam sentir pena de mim, por isso me deixam dormir lá sempre que peço.

Ele me olhou, mas colocou o olhar de volta a rua.

– O que você quer dizer com isso?

– O que todo mundo já sabe. – me inclinei para trás. – Você e a mamãe sempre estão brigando. Ela passa quase todas as noites trancada no quarto chorando porque você prefere ficar preso em um laboratório do que com ela.

– De onde você tirou isso?

– Quase todos os pais dos meus colegas falam de vocês por trás, eles acham que eu não percebo.

Ele permaneceu calado por mais alguns minutos. Não me importei nem um pouco, já estava acostumado a não conversar com ele.

– Você sabe que não é verdade, não sabe?

– Eu não me importo. – disse dando de ombros. – Vocês são adultos. Sabem o que estão fazendo.

– Nem todos os adultos são assim.

Decidi encerar aquela conversa ali mesmo. Coloquei meus fones de ouvido e tentei pensar em outra coisa.

Depois de mais alguns minutos senti o carro parar. Eu tinha tirado um cochilo, mas já estava de pé novamente. Olhei pela janela quando percebi que eu não estava onde eu deveria estar.

– Onde nós estamos? Esse não é o caminho da...

– Eu preciso que você faça uma coisa para mim. – ele estava serio agora.

– O que o senhor está falando?

– Vamos. – ele disse saindo do carro. Eu o segui.

Estávamos indo em direção a uma enorme casa pintada de um amarelo queimado. As portas eram de madeira – o que deixava a casa mais bonita de longe.

Chegamos à frente e o meu pai tocou a campainha seguida mente. Sua respiração estava ofegante, como eu nunca o tinha visto antes.

– Pai! – gritei chamando sua atenção. – O que esta acontecendo?

Assim que terminei a porta se abriu. Era o diretor da minha escola, Júlio. O que mais me assustou foi velo usando uma roupa “normal”, diferente dos ternos que ele sempre usava na escola.

– O que estamos fazendo aqui? – perguntei mais uma vez.

Ele se virou para mim.

– Eu preciso que você vá com o Júlio para um lugar seguro.

– Do que o senhor está falando?

– Depois o Júlio vai explicar para você tudo que esta acontecendo, mas agora eu preciso que você vá com ele pra um lugar especial, O.K.?

Ele se virou para Júlio. – era difícil pensar nele como Júlio. -

– Chegou a hora. Vocês precisam ir. – ele disse ainda nervoso.

– Já estava tudo preparado. – o diretor disse. – Só estávamos esperando por você.

– Vocês precisam ir agora. Algumas pessoas já estão à caminha, então vocês precisam se apresar logo.

– Você não vem conosco?

– Eu preciso voltar em casa, mas eu vou assim que puder. Tem algumas coisas que ainda precisam ser preparadas.

– Estaremos esperando por você. Tome cuidado. – ele disse apertando a mão do meu pai.

– E você. – disse se virando para mim. – eu preciso que faça tudo que o Julian pedir. Fique com ele o tempo todo! – ele parou e me encarou. – Eu sei que você esta confuso, mas quando vocês chegaram, onde Júlio esta lhe levando, você vai ficar sabendo de tudo. Eu só preciso que você confie em mim, certo?

– Tudo bem. — eu disse.

Ele me deu um abraço de surpresa. Não deixei de perceber que os seu braços estavam tremendo e o seu corpo começava a suar. Seja lá o que estivesse acontecendo, era algo realmente importante. Decidi não questionar.

– Você sabe que mesmo do jeito que estamos eu e sua mãe te amamos muito. Nunca se esqueça disso.

Ele me abraça novamente e me solta.

– Agora vão, se apresem logo! Eu vejo vocês daqui a alguns minutos.

Então ele voltou para o carro, agora sem mim, e foi em bora. Essa foi a ultima vez em que o vi.