Nova Nippon

1 Prólogo


Brasil, Rio Grande do Sul, ano de 2045, cidade Porto: Nova Nippon. Depois da grande crise que houve no Brasil no ano de 2025 o país foi praticamente a falência, em uma tentativa para fortalecer o país os governantes fizeram um acordo com o Japão, praticamente venderam o Brasil, por causa disso o país virou, podemos assim dizer uma colônia japonesa. Com a super população no Japão, várias famílias se mudaram para o Brasil, o Estado mais populado foi o Rio Grande do Sul devido a sua farta riqueza em terra, alimentos e etc.

Hoje praticamente o Estado do Rio Grande do Sul 40% são Brasileiro e 60% são Japoneses. Muitos nomes de ruas e cidades foram alterados, a antiga Porto Alegre hoje é conhecida como Porto: Nova Nippon.

Como o Japão sempre foi um país de primeiro mundo o Rio Grande do Sul não ficou diferente, tem mais segurança, saúde, educação, tudo isso foi melhorado as leis realmente são cumpridas. Porém nem todas as coisas podem ser evitadas, mesmo em um lugar tão seguro assim pode acontecer um assassinato.

3 horas da manha Rua Yoshi Nakamura, 861 sirenes ligadas, ambulância, viaturas policiais, pessoas curiosas e eufóricas se espremendo para ver o que aconteceu, algumas luzes de flash saindo de celulares, curiosos querendo uma boa imagem. A poucos minutos estava acontecendo uma grande festa, DJ's, musica alta, paquera, bebedeira, jovens totalmente embalados pelo som e embriagados, alguns ate drogados. A fumaça que saia do palco para dar um efeito junto com as luzes da discoteca, se misturavam também ao cheiro de bebidas e fumo, todos se embalavam e dançavam.

Agora horas depois, não havia mais musica nem festa, tudo estava parado, uns já tinham ido para suas casas outros ali tentando saber o certo o que aconteceu.

– por favor pessoal para traz, não tem nada pra ver aqui — disse um dos policiais tentando conter aquela gente.

Naquele momento chega ao local o detetive Nicolas Celau, estatura mediana, cabelos negros, liso, barba mal feita, típico de um detetive veterano que já esta no ramo a algum tempo e a coisa que com menos se importa é com a aparência. Ele apresenta sua identificação a um dos guardas que imediatamente o deixa passar.

– Então o que temos aqui? — disse Nicolas.

– Por aqui Senhor. — Respondeu o policial.

Foram ate perto de um corpo coberto por uma lona que estava caído do lado da boate, aquele beco estava úmido, cheiro das ruas misturado ao cheiro de sangue, o chão estava um pouco molhado, água que caia dos ares condicionados do hotel ao lado, porem formava apenas algumas poças.

– Um rapaz saiu da festa, ele disse que foi para urinar, mas pelo pacote de maconha no bolso dele sabemos que não foi para isso, ele falou que viu ela no chão e ao chegar mais perto notou que ela estava morta e então ligou para nós. — o policial Ralf foi um dos primeiros a chegar no local então foi logo explicando a situação pro Detetive Nicolas.

– Entendo. Onde ele esta agora? — Nicolas perguntava com os olhos fixos no corpo encoberto.

– Esta ali na viatura, íamos levar ele pra delegacia e fazer mais perguntas.

– Podem levá-lo, mas não liberem ele ate que eu chegue — Nicolas esfregou a barba com uma das mão enquanto olhava ao redor — fora isso não tem mais nenhuma testemunha, alguém que possa ter visto alguma coisa?

– De acordo com as pessoas que perguntamos, esse rapaz é o mais próximo que temos de ser testemunha, parece que não havia mais ninguém no local ele foi o primeiro a chegar e ver o corpo.

– hum. Já chamaram o legista?

– sim o Dr. Alfeu já viu o corpo.

– ok, eu vou dar uma olhada você pode pedir pra que o levem.

O Detetive Nicolas se aproxima do corpo da moça retira um pouco da lona que cobria o corpo dela. A jovem parecia não tem muito mais de 15 anos, ele olha atentamente para algumas partes do corpo, olha para seu rosto, percebe que não há lesões de espancamento, o pescoço foi perfurado e a nuca da cabeça estourada. Cobriu a moça novamente e se levantou.

Ele pediu para que levassem o corpo e que dispensassem aquela gente. O pessoal do IML (instituto medico legal) colocaram o corpo da jovem dentro de um saco preto, em seguida a puseram num caixote de plástico assim então para dentro do carro do IML. Nicolas tira de dentro de seu paletó um maço de cigarros, acende um deles e começa a tragar, aos poucos ele vê a ação dos policiais para dispensar a multidão, acabou a festa para todos.

O detetive olha mais de canto enquanto muitos se dispersavam, um homem alto de cabeça raspada, pele morena, musculoso, a camiseta que usava indicava um dos seguranças da boate. Tirando por um instante o cigarro da boca soltando à fumaça que saia das suas narinas, Nicolas foi em direção daquele homem, queria fazer umas perguntas, geralmente em festas assim há sempre um dos seguranças na rua, talvez algum deles tenha visto alguma coisa. O homem negro e de braços cruzados parecia mais um muro, um armário, talvez nem mesmo uma faca poderia perfurar aqueles braços enormes.

Nicolas sabia muito bem que seguranças de boate não se importam com o que acontece fora, mas sim com o que acontece dentro. Ele lembrou que há muito tempo teve um caso em que uma boate pegou fogo e a fumaça começou a sufocar as pessoas e numa tentativa para sobreviver tentaram sair da festa, mas foram barrados pelos seguranças que acharam que as pessoas estavam se aproveitando para sair sem pagar as bebidas consumidas durante a noite. Por causa disso muitas pessoas morreram por não conseguirem sair, foi um dos casos que virou historia pelo número de gente morta naquele lugar. O que se passava na cabeça do detetive Nicolas era se talvez um deles pudesse ter visto alguma coisa, alguém.

– Ola senhores — Disse Nicolas mostrando sua carteira de detetive ao se aproximar dos 3 homens pertos da porta da boate — preciso fazer uma pergunta rápida a vocês, sei que estão cansados ainda mais com todo esse barulho, mas pretendo ser breve.

Eles apenas o olharam e acenaram com a cabeça como se não se importassem em responder a uma pergunta, qualquer coisa que eles pudessem dizer para tirar o foco de uma investigação futura que poderia vir sobre eles fariam questão de falar.

O detetive Nicolas realmente não se estendeu em suas perguntas, apenas queria saber se algum deles viu alguma coisa que pudesse ajuda no caso, mas como ele já imaginava que eles realmente não viram nada, pois o que acontece fora não faziam questão nem se quer de ver. Depois dessa pequena tentativa de colher alguma informação a mais a respeito do que tinha acontecido Nicolas estava conformado e ciente de que a resposta que ele procurava estava bem longe dali.