Nova Nippon
2 Parte Um
"Sinto o som da marcha
Ouço a multidão
Vejo o vazio
Prevejo agonia."
Juliana Salvador
pensador.uol.com.br
1
São 6 horas da manha, toca um despertador dentro de um quarto bem aconchegante, pelo tom da cor rosa estar em quase todos os cantos, os ursinhos de pelúcia bem arrumadinhos em uma estante, pode se pensar ser o quarto de uma garota. Saindo lentamente debaixo das cobertas Akemi levando sua mão direita em direção do objeto, para fazer com que o mesmo parasse com a barulheira. Ainda meio desajeitada e bocejando Akemi vai se levantando pegando suas roupas começando a se vestir, com seus 15 anos de idade como toda garota dava sempre aquele "Q" a mais na hora de se arrumar para ir à escola. Ela penteava bem o cabelo, preto liso, combinação perfeita para sua pele clara sem manchas ou pintas, uma beleza rara nos seus 1 metro e 55 de altura. Muito popular entre os alunos, inteligente, meiga, não tinha quem não notasse Akemi, ela já teve muitas declarações de garotos tentando namorar com ela, mas todos rejeitados.
– Akemii — disse sua mãe aos pés da escada que ligava a porta do quarto da garota e dos outros quartos no segundo andar — anda logo minha filha você precisa toma café antes de ir pra estação.
Akemi estava praticamente pronta, já tinha escovado os dentes, penteado o cabelo, colocado o uniforme, faltava apenas os sapatos, porem por ser japonesa ela e sua família aderiam aos costumes de sua terra natal, não andavam de sapato dentro de casa, para sair a algum lugar pegavam na porta o calçado. Descendo assim as escadas com a mão apoiada no corrimão dando aquela deslizada ela vai até a cozinha e como de costume de todas as manhas sempre cantarolando, nada em especial apenas alguns sussurros, nem mesmo ela sabia o que estava cantando.
Depois de comer o seu café da manha, com omelete, arroz, peixe, legumes e entre outras coisas que acompanham um Asagohan ela estava pronta pra ir, sua mãe achava importante se alimentar bem logo na parte da manha, para ter energia tanto para o trabalho como também para os estudos.
– Pronto querida já coloquei aqui junto com suas coisas o seu bento (lanche) — sua mãe levantava sempre bem cedo para poder preparar tudo, Akemi passava o dia inteiro na escola preparatória e gastar dinheiro para comprar comidas industrializadas não agradavam muito a Sra. Matsumoto.
– humm... arigato Okaasan (obrigado mãe) — Em casa eles sempre tentavam manter o dialeto como no Japão, mesmo que só em pequenas frases.
Eles estavam morando no Brasil há uns 10 anos, seu pai recebeu uma proposta de trabalho no Rio Grande do Sul que era imperdível, depois dos acertos com o patrão arrumaram suas coisas e partiram. No começo foram poucos Japoneses que tinham vindo, foi nos últimos dois anos que teve um crescimento significativo na população, por causa disso muitos dos que estavam no Brasil antes aderiram falar português para facilitar a comunicação, nas compras, trabalho, estudo e assim por diante. A família Matsumoto como era muito tradicional, em casa eles cuidavam de manter esse costume, por mais que não era a mesma terra, ali agora era o novo Japão, empresas estavam vindo com tudo. Depois do vazamento que teve na usina em 2035, a contaminação foi tão grande que poucos lugares eram habitáveis no Japão e ainda com a superpopulação, melhor maneira era explorar novos horizontes, mas mesmo assim queriam que sua filha não esquecesse de onde ela veio para que um dia ela fizesse o mesmo com seus filhos.
– Bem estou indo agora — disse Akemi pegando suas coisas indo em direção a porta — Ate mais Otousan (pai).
– Itterasshai (até mais, em resposta quando alguém esta saindo) — Gritou o pai da cozinha com os olhos fitados nas folhas do jornal.
Akemi caminhava tranquilamente pelas ruas do bairro onde morava, não tinha pressa alguma, sua mãe fazia questão de garantir que ela não chegasse atrasada, então sempre ajustava o relógio da filha para acorda, se arrumar e tomar café com tempo de sobra para pegar o metrô. As ruas não eram muito largas, passavam dois carros, porém não era permitido estacionar na rua, caso contrário atrapalharia o tráfego. Varias coisas no bairro em que ela morava já estava bem mudado, igual a vilas lindas que tinha no Japão, arvores de cerejeiras, ruas calçadas ou asfaltadas, tudo bem sinalizado. Os modelos das casas eram bem parecidos um com o outro, se não fosse algumas terem cores diferentes poderiam até se confundir onde moravam.
Depois de uma caminhada de 30 minutos Akemi estava agora já dentro do vagão esperando as portas fecharem para partir, como ela sempre fazia, ela entrava e fica perto da porta do vagão pronta para descer. Na parte da manha era sempre mais movimentado o povo indo pro trabalho, então se ela não tomasse certo cuidado, com o numero de pessoas dentro do vagão ela poderia ate mesmo não conseguir descer na estação correta e poderia chegar atrasada pra aula.
O vagão estava mais lotado do que o de costume aquele dia, Akemi achou um pouco estranho pois o numero de pessoas que podiam entrar era bem rígido e calculado, caso ultrapassassem o limite, faziam ate mesmo alguns descerem. Sem nem mesmo notar um homem foi se aproximando por de traz da garota, ele era um pouco acima do peso, pelas roupas que usava poderia dizer que era um mecânico ou algo do tipo. Seu rosto parecia como uma bolacha, achatado e cheio de furinhos na pele, com a ajuda da sua barriga ele foi afastando um e outro ate se aproximar dela, a princípio ela nem imaginou nada, vagão lotado era normal uns ficarem se esbarrando no outro, ainda mais com o movimento. Akemi, porém sentiu algo diferente, aquele homem pós uma das mãos em uma das suas pernas, antes mesmo que ela virasse para contestar o que aquela pessoa estava fazendo, ele sussurrou ao seu ouvido "se você se virar, ou fazer qualquer movimento, pode ficar perigoso para você". Ela queria virar, mas ficou paralisada, aterrorizada, estava tremendo, não acreditou no que estava acontecendo, o homem começou a levantar sua mão por debaixo de sua saia (eram assim os uniformes, garotas usavam saia de pregas, uma camisa com gola triangular e o laço no pescoço, isso no verão). Mesmo caindo a "ficha" ela não conseguia reagir, estava assustada de mais pra isso, apenas exclamava em seu pensamento por ajuda, quem alguém, qualquer um a tirasse daquela situação, ela queria gritar, mas suas forças foram tomadas pelo medo, até mesmo sua voz, estava incapaz de fazer qualquer coisa.
Aquele homem sentia prazer com aquela situação, ele via e sentia o pavor que a garota estava passando, isso o instigava ainda mais. Com o vagão lotado dificilmente alguém veria o que ele estava fazendo, ele se atreveu ainda mais, aos poucos com a outra mão foi abrindo o zíper de sua calça, na mente dele ele iria abusar dela de todas as maneiras ali mesmo. Os olhos de Akemi estavam cheios de lagrimas que aos poucos escorreram pelo seu rosto, perdida no meio daquela frustração desesperadora ela pode ouvir um grito agonizante, ela sentiu que as mãos daquele homem não a tocavam mais e por um súbito impulso ela virou para traz.
A agitação dentro daquele vagão estava grande agora, um homem gritando de dor, com um dos braços torcidos para traz, um jovem estava o segurando, tanto seu braço como também o seu pescoço. Akemi pressionou de costas contra a porta do vagão, aquela imagem, "alguém ouviu meus pensamentos" pensou ela.
– aaaght — gritou o molestador, a dor era tanta — o que esta fazendo? Me solte.
– Não diga mais nenhuma palavra seu porco... ou eu quebro seu braço. — Disse o rapaz que o imobilizou.
Quanto mais aquele tarado se mexia, mais o seu braço doía em uma tentativa de ver quem era aquele que frustrou seu objetivo foi de imediato repelido por um olhar fulminante do jovem desconhecido. Sua alma foi penetrada por uma sensação horrível de morte, até então ele gritava e se esperneava para se livrar, agora estava mudo se sentindo acuado, "um monstro" pensou ele "alguém me tire daqui" pensou ainda. Aquela sensação quente e molhada escorrendo por suas pernas o fez perceber que se olhasse para traz novamente poderia ser o ultima imagem que ele teria na sua vida.
O guarda do vagão que até então estava mais afastado do local, percebendo a agitação dos passageiros veio se aproximando enquanto se espremia para passar por aquelas pessoas. A situação estava controlada, o jovem explicou o que viu ao guarda que levou algemado o molestador para na próxima parada entregá-lo a um órgão responsável.
– Você esta bem? — perguntou o jovem.
Akemi apenas assentiu com a cabeça e um leve gemido, ela ainda estava um pouco trêmula.
– Que bom.
O rapaz, mesmo tendo ajudado não sabia como lidar com o estado em que Akemi se encontrava, achou melhor em deixar-la sozinha, ele estava já dando as costas para voltar ao seu lugar quando sentiu os dedos finos e delicados da garota segurar a parte de traz do seu casaco. Por alguns instantes lembrou-se da ultima vez que alguém pegará em sua roupa daquele jeito, ele tinha apenas 10 anos de idade quando viu uma garotinha sendo espancada por outros garotos, o motivo? Até hoje ele não sabe, o que ele sabe é que não gostou de ver aquela cena. Quando ele chegou perto e começou a brigar com os 3 meninos que ao perceber que iram perder saíram correndo, em uma tentativa de pegar os garotos malvados pensou em correr atrás deles, mas foi impedido por aqueles dedinhos da pequena menininha que aos prantos não queria ficar sozinha e agora ali essa mesma cena estava acontecendo mais uma vez. Ele tinha quase certeza de que ouviu alguma coisa saindo dos lábios meigos e delicados da bela garota, mas não conseguiu entender o que era, num ato de gentileza resolveu se certificar.
– o que você disse?
– Fica — sussurrou Akemi com a voz tremula — por favor, não quero ficar sozinha — ela nem olhava no rosto dele, o medo ainda estava controlando o corpo dela — ao menos ate eu descer na próxima estação, fica.
– É claro, tudo bem, sem problema, esta tudo bem agora. — concordou o jovem ate então permanecendo desconhecido da linda garota.
Depois de alguns minutos as portas se abriram, chegando a estação, o povo foi logo descendo, muitos aos empurrões, assim também desceram Akemi e o rapaz, ela ainda de cabeça baixa, frustrada, envergonhada e o pior, humilhada, ela se sentia violada. Ela não via à hora de tomar uma ducha pra ver se a sensação daquela mão nojenta que a tocou saísse do seu corpo. Mesmo que agora estivesse tudo bem, mesmo que já havia soltado o casaco dele, ainda assim ela sabia que não esqueceria tão cedo, nunca fora tocada daquela maneira. Seu pai já havia ate mesmo pegado ela no colo, mas nunca com malicia, sempre como protetor, carinhoso, mas hoje sentiu repulsa, hoje ela pode ver que mesmo em um lugar tão seguro, em uma sociedade tão moderna ainda existiam homens como aquele.
– Bem estou indo, se cuida onnanoko-san (maneira meiga e gentil de se referir a uma garota em japonês). — disse o rapaz se afastando dela e se misturando a multidão.
Levantando agora o rosto, para ao menos saber como? Ou quem? Ele era, não teve sorte, passou o tempo todo no vagão de cabeça baixa não viu direito o rosto dele, talvez pelo susto? Muitas coisas estavam se passando na cabeça de Akemi, mas ela queria mesmo saber quem a ajudou. Ela lembrou vagamente da voz, em sua cabeça imaginou que era alguém de não muita idade, contudo achava que ao menos mais velho que ela.
Caminhando agora mais perto dos limites do prédio da escola preparatória, sem perceber seu pensamento não estava mais focado naquela experiência traumática, ela estava pensando "como não perguntei o nome dele?" e "Deveria ter marcado bem o seu rosto", seus pensamentos a torturavam. Muitos de seus colegas ou talvez conhecidos, passavam por ela, cumprimentavam, outros acenavam, mas ela nem percebia, estava tentando guardar o pouco que se lembrava da voz daquele rapaz. Por quê? Coisa de garota quem sabe. Já dentro das instalações da escola chegando à sala de aula foi direto para sua carteira, que ficava no centro da sala mais próximo a parede, ela ajeita suas coisas, senta e espera para aula começar.
– Akemii — esbravejou uma colega de classe.
– ah Julia. — disse Akemi não tão empolgada como a amiga esperava.
– Ai que isso, que cara é essa? — disse Julia com um leve movimento no pescoço como um gingado.
Julia era loira, ta ela pintava o cabelo de loiro, 1 metro e 60, curvas bem definidas no seu corpo, avantajada de busto, podia dizer que para uma garota de quase 16 anos não tinha corpo de uma moça comparada a suas colegas, maioria delas magrinhas como pequenas modelos, quase não se notava amadurecimento, já ela praticamente uma mulher.
– Aconteceu alguma coisa? — continuou Julia.
– Ah .. bem, na verdade — Akemi lembrou daquele susto mais cedo, mas ainda assim tinha vaga a lembrança do rapaz que a ajudou. Depois de uns minutos conseguiu explicar tudo a amiga, que ficou tremendamente assustada e preocupada com Akemi — E foi isso, mas já estou melhor.
– Ai que horror isso, mas olha..
– sentem-se — Vociferou o professor antes mesmo de Julia terminar de falar algo para a amiga pronto para começar a aula.
– Antes de tudo pessoal — continuou o professor — quero apresentar para vocês um novo aluno, — quando ele disse isso começou aquela leve agitação entre os alunos curiosos — Ele chegou ontem do litoral, ficou uns 2 anos afastado da escola, mas agora esta tentando retomar os estudos, então espero que sejam bons com ele.
Alguns alunos cochicharam um com os outros, as garotas torcendo para que fosse bonito e esportista. Akemi estava de rosto virado para o canto, vidrado na janela, não olhava para lugar nenhum apenas pensando.
– Por favor entre Scott — o professor falou olhando para porta da sala cuidando do novo aluno que entrará — se quiser pode se apresentar para a turma ou então só escolher um lugar e sentar.
O rapaz apenas continuou andando não disse uma só palavra, não disse seu nome completo, nenhum tipo de informação. Os olhos curiosos da turma estavam fitados nele, enquanto ele andava muitos pensavam diversas coisas a respeito do novo colega, "mas o que há com esse cara?" Pensou um, "ele nem é bonito" pensou uma garota perdendo o interesse. Realmente Scott não era um rapaz bonito, nem tão pouco do tipo atleta, porem ele tinha o que muitas mulheres diziam "jeito de homem", outras "macho" ou "de presença". Sim o que Scott tinha era presença, ele era alto 1,85 sua estatura, cabelos negros meio ondulados, pele clara, olhos escuros, seu olhar era penetrante, ninguém ali se atreveu a ficar encarando ele por muito tempo.
Enquanto a turma ficava ainda meio surpresa com o jeito do novo colega Akemi estava tentando criar a imagem do rapaz que a salvou no metrô, ela baixou a cabeça entre os braços que estavam cruzados sobre a mesa, tentando lá no seu intimo, no ponto mais longínquo de sua mente, criar a imagem do seu herói.
– hey Akemi — sussurrou Julia — você não vai nem olhar o novo rapaz que vai estudar com a gente?
– hun? Não, não tenho interesse nisso — murmurou ela ainda perdida no seu pensamento.
– Akemi você não ta perdendo nada, ate antipático ele parece ser — resmungou Dione, amigo de Akemi e Julia ele se sentava na carteira ao lado de Akemi. Magricelo e não muito alto, praticamente da mesma altura de Julia, Dione estava sempre junto com as duas garotas.
– Cala boca Dione — retrucou Julia — pra mim ele é bem atraente.
– podemos continuar com a aula? — com uma leve tossida o professor interrompeu a conversa entre eles.
Akemi voltou a se perder entre seus próprios braços debruçada sobre a mesa, hoje seus pensamentos não estavam bons para receber informações alem daquelas que ela estava tentando conseguir.
O sinal do intervalo tocou os alunos saíram, uns para comprar o lanche, outros encontrar amigos, papear. Akemi ficou encarregada de levar uns papeis e um caixote com livros ate a biblioteca, ela não imaginou que o professor ia fazê-la levar algo pesado como castigo por estar "dormindo" em plena aula, mas sem contestar ela levou. Caminhando com todo cuidado sentindo o peso daquela caixa ela ia, ela nunca pensou que a biblioteca ficava tão longe assim, em uma escola com capacidade para 2.350 alunos, ela nunca percebeu, mas era muito grande e pra infelicidade dela a sua sala era uma das mais longe da biblioteca.
Não agüentando mais o peso daquela caixa, perdendo o equilíbrio ela sentiu que iria cair, com um leve apoio, ela sentiu que alguém impediu a "catástrofe" imaginava ela.
– parece que precisa de ajuda.
– ah obrigada — Akemi sentia que aquela voz era familiar. Um rapaz pegou a caixa e deixou apenas uns papeis com Akemi, foram ambos ate a biblioteca, colocaram tudo aquilo perto do armário de serviço.
– mais uma vez muito obrigada — disse Akemi ofegante.
– Bem estou indo, se cuida onnanoko-san. — falou o rapaz já se retirando.
Akemi por um instante teve como que um estalo em sua mente, aquela frase, ela já tinha ouvido em algum lugar, como que com leves flashes vindos em sua mente da manha daquele mesmo dia. Agora estava claro para ela a imagem do rapaz que ela viu no metrô se formou por completo em sua cabeça. Ela imaginou será que era ele? Ele estava aqui na mesma escola que ela? Seu coração acelerou disparado, aquela emoção, ansiedade, nervosismo, ficou tudo misturados dentro de si. Saindo meio as presas olhou para um lado para o outro, no final do corredor perto da porta que dava para o térreo da escola ela viu de costas aquele que tinha a ajudado e que talvez pudesse ser o mesmo do vagão.
Akemi começou a correr, seus olhos estavam vidrados naquela porta que recém avia se fechado e do outro lado estava ele. Como ela reagiria? Nem mesmo ela sabia. Na verdade ela nem sabia se era mesmo quem ela estava pensando, poderia ser qualquer um que disse a mesma frase, mas ela agora tinha uma imagem em sua mente, conseguiu se lembra, ela sabia que se o visse novamente o reconheceria. Akemi nunca tinha corrido dentro da escola antes, os corredores pareciam enormes, afinal quantas salas tinham ali? Cem? Pensava a garota, ansiosa, ela nem pode agradecer direito, ela não sabia nem mesmo seu nome.
– hey Akemi — gritou uma professora em uma tentativa frustrada de impedir a garota para não correr pelos corredores.
Ela estava decidida e perto da porta ela iria descobrir, se o rapaz que a ajudou estava ou não ali "mas se for mesmo ele?" pensou ela, nervosa como nunca, sua mão estava estendida pronta para abrir a porta, mas parou por um tempo, respirou fundo, ajeitou seu cabelo, suas roupas, afinal estava correndo, tentou ao máximo se acalmar, mas isso seria impossível. Colocando então a mão na maçaneta da porta ela abriu, o vento que veio de fora mexeu em suas roupas e seu cabelo, fazendo que algumas mechas ficasse na frente de seus olhos, ela com um leve movimento de suas mão o ajeitou novamente e bem diante dela com o brilho do sol da tarde virando-se calmamente, com um sorriso discreto no rosto o rapaz a olhou.
– É você.
Fale com o autor