Nova Geração - Ano 1
23 Voltando àv Hogwarts
Alvo tinha acabado de desfazer as malas que tinha levado para casa no Natal no dormitório da Sonserina quando Scorpio entrou no quarto esbravejando, foi até a cama ao lado da sua, pegou um cachecol com as cores da casa e luvas e estava para sair do quarto quando parou.
– Está absurdamente frio lá fora. Se agasalhem bem. – e saiu do quarto sem olhar para ninguém em especial no quarto.
Alvo olhou em volta, tinham mais dois garotos no quarto e eles olhavam confusos para a porta tanto quanto Alvo. Ele deu um pequeno sorriso e pegou suas vestes, cachecol e saiu do quarto.
Era engraçado como todos pareciam mais alegres após o feriado, até alguns dos antissociais ricos e mesquinhos da Sonserina pareciam mais amigáveis. Talvez aquilo não durasse muito, mas era bom ver que eles sabiam sorrir sem parecerem maldosos. Alvo decidiu ir dar uma volta pelo castelo e quando chegou no hall de entrada se lembrou de uma promessa que tinha feito a si mesmo. Ele tinha que ir agradecer ao grandalhão pela decoração. O único problema era que ele não fazia ideia de onde encontra-lo. Talvez ele nem estivesse no castelo ainda.
Alvo saiu do castelo para ver se veria alguém conhecido. Não teve muito sucesso nisso. A neve cobria o chão como um grande cobertor de vários centímetros de profundidade e devido ao vento que açoitava os galhos secos das arvores pouquíssimas pessoas estavam nos jardins.
Observando a paisagem branca e o lago congelado aderindo a tons de azul e cinza ele pensou ter visto uma figura bem maior que a de um homem comum perto da pequena cabana na orla da floresta. Ele se dirigiu para lá esfregando as mãos sem luvas e enfiando-as nos bolsos. Scorpio estava certo, estava congelante ali fora. Alvo não demoraria mais do que o necessário. O vento bagunçava seus cabelos e faziam com que as mechas mais longas atingissem os olhos, enquanto tentava por a touca sem que ela saísse voando de sua mão ele escutou risadas por cima do barulho do vento, olhando em volta enquanto ajeitava o gorro verde ele avistou três garotos obviamente mais velhos do que ele que se dirigiam ao castelo. Um deles o olhou e ele sentiu um calafrio. Era Fabian. E ele começou a ir em sua direção imediatamente. Alvo olhou em volta e se deu conta de que era o único por ali, não tinha mais ninguém em volta e Fabian estava acompanhado de seus fiéis acéfalos Marcus e Brutus.
Quando Fabian se aproximou os dois brutamontes se separaram dele e cercaram Alvo, o deixando no meio de uma rodinha que parecia mortal aos olhos dele.
– Ora, ora. Se não é nosso querido amigo Alvo. O pirralho que se atreveu a me enfrentar.
– Qual é Fabian, você não precisa fazer isso toda vez que me ver!
– Fazer o que? Eu só vim aqui dar Boas Festas atrasadas a você. Não se preocupe, não me magoou o fato de você ter esquecido de mim. – Fabian forçou uma expressão chorosa pouco convincente.
– Eu estou com pressa, então Boas Festas a você também, espero que seu feriado tenha sido bom! Preciso ir.
Alvo se apressou em direção ao castelo, mas um dos brutamontes – difícil saber qual – o agarrou e jogou de volta dentro do circulo. Quase caindo na neve Alvo se sentiu patético, mas fez o possível para se manter ereto.
– Indo tão cedo? — Fabian sorria malignamente.
– Pois é, tenho que me encontrar com algumas pessoas. Se eu não aparecer logo ficarão preocupadas. – ele esperava que Fabian acreditasse nisso.
– Desculpe faze-lo se atrasar então. – ele fez um sinal com a cabeça e um dos gêmeos de afastou para que ele passasse.
Esperançoso, Alvo saiu do circulo em direção ao castelo. Ele estava a poucos metros de distancia quando ouviu Fabian dizer:
– Quer dizer, o meu feriado foi bom. Bem melhor que o do Malfoy. Ouvi dizer que o pai dele o fez se vestir como uma garotinha por estar perdidamente apaixonado pelos Potter. Mais especificamente aquele ali. Talvez eu deva comprar uma sainha rosa para combinar e fazer ele usar na frente de toda a escola.
Quando Alvo olhou para trás Fabian o olhava de um jeito provocativo, como se o desafiasse a discordar. Alvo não se conteve e voltou na direção de Fabian.
– Pare de implicar com a gente ok? Você é um garoto patético que vive de rebaixar os outros ao seu nível para preencher essa sua vidinha vazia e miserável! Todos sabem que nem o seu pai te suporta, mas não precisa descontar isso nos outros!
Alvo com certeza esperava uma reação de Fabian, mas como ele sempre escolhia a violência como saída, ele não esperava ser atingido por um feitiço de levitação e acabar dando um passeio giratório pelos jardins de Hogwarts.
– Seu sujeitinho insolente! Nunca mais se atreva a falar comigo assim entendeu? Ou vou quebrar todos os ossos do seu corpo e transforma-los em borracha!
Fabian o fazia girar e girar e girar até que Alvo começou a se sentir enjoado. Escutou uma voz grave chamando a atenção de Fabian, mas não conseguiu enxergar nada além de um borrão. Fabian o largou e saiu correndo fazendo com que ele caísse quatro metros no ar. O lado bom? A neve estava alta e macia. O lado ruim? Seu estomago parecia querer sair pelos olhos e ele estava morrendo de frio. Ainda com a cabeça girando ele viu uma figura grande e peluda se aproximar dele e ergue-lo do chão. Seria possível que um urso tivesse entrado em Hogwarts? As proteções funcionavam contra animais?
Alvo foi carregado e de repente sentiu o frio e o vento deixa-lo para sentir um calor aconchegante. Ele foi colocado numa cadeira que caberia pelo menos mais três pessoas sentadas com ele e a figura grande colocou um cobertor ao redor dele. Alguns minutos depois quando sua visão parou de girar e seu estomago parou de ameaçar expelir todo o jantar da noite passada ele se arriscou olhar em volta.
Ele estava dentro de uma pequena cabana, uma lareira estava acesa onde o que parecia um bule de chá tamanho família parecia estar chiando e um homem enorme com barbas e cabelos negros desgrenhados com pequenos olhos bondosos de besouro o olhava ansioso.
– Ei! Você é o Hagrid, certo? — disse Alvo reconhecendo o gigante.
– Sim, sou eu! Fico feliz que se lembre de mim! – ele abriu um sorriso tão grande que poderia ter engolido Alvo, magricela como era.
– Eu estava mesmo te procurando.
– É mesmo? E por quê?
– Queria agradecer pela decoração de Natal. Você deve escutar isso sempre, mas eu achei incrível e pensei que devia dizer isso.
– Não escuto não, mas muito obrigado! – o grandalhão sorriu novamente – Quer um pouco de chá, você esta congelando.
– Eu gostaria de beber um pouco. – disse Alvo agradecido por estar voltando a sentir a ponta dos dedos.
Hagrid o serviu uma xicara de chá do tamanho de um balde de praia. E Alvo teve que se esforçar para segurar a xicara, quando viu que não conseguiria agarrou com as duas mãos como se fosse uma tigela e bebeu o chá. Estava realmente muito bom.
– Então, o que estava acontecendo lá fora? Com você e aquele outro garoto? — perguntou Hagrid, os olhos de besouro fixos no garoto.
– Nada. Serio! – ele se apressou em dizer quando viu o olhar de descrença que Hagrid o lançou.
– Bem, quando não estiver acontecendo nada entre você e aquele garoto outra vez, você deveria contar a diretora.
– Ah não! Eu já fui pra sala dela o suficiente esse ano. Não. estou bem assim. Sei lidar com o Fabian muito bem.
– Pelo jeito você é um encrenqueiro como o seu pai, ãn? – Hagrid caiu na risada.
– Ei! Eu não sou encrenqueiro. A encrenca que sempre da um jeito de me achar. – Alvo resmungou cruzando os braços.
– Era o que ele costumava dizer! – Hagrid ria tão alto que Alvo ficou preocupado que a pequena cabana viesse abaixo.
O resto da tarde passou assim. Calmo e cheio de risadas na simples e confortável cabana perto da floresta.
...
– Você tem certeza que isso é seguro? – Dom perguntou apreensivo enquanto ficava de guarda no corredor.
– Mas é claro! – disse James – Quando foi que eu menti pra você?
Dominic o olhou sarcástico e James deu um sorrisinho culpado.
– Vocês dois querem um minuto sozinhos? – resmungou Fred – Estamos demorando tempo demais aqui! Daqui a pouco é hora do almoço e toda essa comida vai embora. Só teremos outra chance no jantar e ai já vai estar em cima da hora!
– Calma, calma! Eu acho que é por... Aqui!
James fez cocegas no quadro de uma cesta de frutas e uma maçaneta apareceu. Ele fez uma mesura como um cavalheiro do anos 50 e disse:
– Senhores. Depois de vocês.
Dominic e Fred entraram na cozinha do castelo boquiabertos. Os elfos la dentro pareciam extremamente surpresos pela presença deles mas o choque logo passou e todos eles correram para oferecer alguma comida a eles. Os variados cheiros deixaram o estomago de James roncando.
– Vamos rapazes. Peguem o que puderem e coloquem nas mochilas.
Os três garotos pegaram o máximo de comida que puderam e com a ajuda dos elfos carregaram tudo para as duas mochilas que tinham levado. Quando finalmente pegaram tudo na lista de James eles fecharam as mochilas e agradeceram aos elfos que pareciam realizados em ajudar a carregar tanta comida.
– Bom trabalho com essas mochilas enfeitiçadas Dom. Muito bom mesmo. – disse Fred admirado com a leveza das mochilas apesar de tudo o que tinham dentro.
James tirou O Mapa do bolso e conferiu se a barra estava limpa. Assim que os dois nomes desapareceram pelo fim do corredor em direção ao hall de entrada eles saíram da cozinha.
– Essa vai ser a melhor festa pós-natal de todas! – disse James enquanto eles corriam de volta a torre da Grifinoria.
...
– E então meus avós começaram a discutir com o meu pai por que ele me mandava para um internato e não me queria por perto e minha mãe teve que intervir. Foi uma verdadeira confusão! Eu achei que os vizinhos fossem chamar a policia. E... Vic? Você esta me ouvindo?
– Ãn? O que?
– Eu estava te contando do meu feriado e então você assumiu esse olhar de peixe morto.
– Ah, desculpe Rob, não ando dormindo bem. Continue.
– Tudo bem. Nem foi tão engraçado assim depois que a primeira torta voou na cara do meu pai.
Victorie forçou uma risada. A cabeça dela andava tão cheia que ela imaginava que em algum momento ela ia explodir. Ela estava tão aliviada de finalmente estar longe de casa que quando chegou a Hogwarts na noite anterior dispensou o jantar de Boas Vindas e foi direto pra cama. E hoje passara a maior parte da manhã evitando as pessoas. Infelizmente ela não foi bem sucedida quando o almoço chegou. Seu estomago implorava por alguma comida e ela foi obrigada a ir para o Salão Principal. Assim que pisou lá foi abordada pelo seu doce, gentil e inconveniente amigo, Rob. Ele estava todo feliz e animado para contar como o Natal dele tinha sido e de como a filha dos vizinhos estava toda interessada nele e apesar de sua cabeça latejar loucamente ela se esforçou para ouvir, afinal ele merecia isso, mas ela não estava fazendo um bom trabalho.
Por isso Victorie quase gritou de alivio quando Roxanne apareceu para resgata-la.
– Ei, Rob! Como foi o feriado? Espero que tenha dado tudo certo. Escuta, eu preciso mesmo falar com a Vic, será que você podia no dar licença um minutinho? – Roxanne nem esperou uma resposta. Ela já puxava Victorie pelo braço para fora do salão.
Ela a puxou por um corredor e a colocou sentada num banco bruscamente.
– Ai. – reclamou Victorie.
– Você esta bem? Parecia que você estava prestes a vomitar em cima do Rob.
– Serio? Ah, coitado! – ela olhou em direção ao Salão Principal.
– Ei, ei. Depois você pede desculpas. Aquele menino gosta tanto da sua atenção que não deve nem ter notado. Maseu sei que tem alguma coisa errada com você. Nem maquiagem você esta usando Vic! O que aconteceu?
– Eu... Estou com a cabeça cheia. Só isso.
– Victorie... Você não precisa mentir pra mim lembra? Sou sua melhor amiga. E sua família. Vamos, me conte.
– É só que... O meu pai ele... – Victorie encheu os olhos de lagrimas e parou de falar.
– Ah meu Merlim! Vic, o que aconteceu? – Roxanne se aproximou dela e a abraçou.
– Ele esta piorando Roxy! O arranhão, a cada ano vai ficando pior e no mês passado ele quase machucou a minha mãe! E ninguém no St. Mungus sabe como resolver isso. – agora Victorie soluçava – Eles nem iam me contar! Você acredita? Não iam me contar nada se eu não tivesse escutado uma conversa por acaso.
– Vic! Acalme-se! É exatamente por isso que eles não queriam te contar. Você não precisa se preocupar com isso, não há nada que você possa fazer a não ser continuar sendo a menina maravilhosa que você é. Espere e se acalme. Tudo vai ficar bem. Você vai ver.
– Mas a minha mãe esta lá sozinha. E o Louis! Ele é só uma criança!
– O seu pai nunca machucaria eles Vic. Não importa o quão ruim ele esteja.
– Mas um lobisomem sim!
Roxanne abraçou a amiga e deixou que ela chorasse.
– O seu pai ainda não é um lobisomem, Vic.
As duas ficaram lá por horas até que Victorie finalmente parasse de chorar.
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