Ao contrario do que imaginava Alvo não só gritou mentalmente como em alto bom tom para todos no Salão Principal “Não” logo após o Chapéu Seletor anunciar que ele iria para a Sonserina.

Todos no Salão olhavam para ele, principalmente os da Sonserina, que o encaravam com tanto ódio nos olhos que fez Alvo ter medo de sair do altar. O Chapéu ainda em sua cabeça disse um ultimo conselho antes que o Professor Longbottom o retirasse.

– Não tente lutar contra isso. Faço isso a muito mais tempo do que imagina e você não é o primeiro a discordar de minha decisão, seu próprio pai duvidou de minha escolha de coloca-lo na Grifinoria em seu segundo ano. O que nos diferencia é que apesar de você ter muitas duvidas, eu não tenho nenhuma. Seu lugar é na Sonserina. “Não são as nossas habilidades que mostram quem realmente somos, são as nossas escolhas” foi o que um sábio diretor disse uma vez. Coincidentemente, você carrega o nome dele. Então, não o desonre.

E então o Chapéu foi retirado de sua cabeça e o Professor Longbottom se colocou na sua frente.

– Você esta bem? – disse ele com seu rosto redondo e simpático, porem sério, olhando para ele.

– Não. – disse Alvo, abalado de mais para mentir – Minha casa, esta errada! O Chapéu errou, eu não sou um Sonserino! Não sou! Minha família é da Grifinoria, meu pai é da Grifinoria! Meu pai! O que ele vai dizer? – ele começava a entrar em pânico.

– Alvo, eu... – o Professor foi interrompido pela voz de uma mulher.

O Professor o fez levantar do banco e o levou para uma sala atrás do altar, ficou com ele lá até que a Diretora Minerva McGonagall entrou e o encarou com seu olhar severo.

– A semelhança com seu pai é incrível. Se não fosse a ausência da cicatriz eu apostaria que Potter conseguiu posse de um vira-tempo em seu primeiro ano.

Alvo não soube o que responder. A mulher mais velha e o Prof. Longbottom o examinavam por inteiro, o silencio se prolongou até que Alvo se sentiu desconfortável.

– Hm... Porque me trouxeram aqui? – ele se sentiu forçado a perguntar.

– Para dar um pouco de privacidade a você, enquanto se acalma. – respondeu a Diretora.

– Não tem como a senhora fazer o Chapéu Seletor mudar de ideia? – ele notou como seu pedido era estupido assim que o disse – Quer dizer... Ele errou!

– Duvido muito que esse tenha sido o caso.

– Mas minha família toda é da Grifinoria!

– A casa não é decidida pela família Alvo. – disse o professor Longbottom serio.

– Mas pode influenciar! – ele alegou desesperado.

– Pode sim. – concordou a diretora – mas se o Chapéu diz que você é da Sonserina, sinto que não há nada a fazer. Você é um Sonserino.

– Não. Não. Não. Não. Não. Não. – ele ficava repetindo.

Prof. Longbottom trocou um olhar com a diretora e se retirou da sala. Ao abrir a porta que dava para o movimentado Salão Principal o som de pessoas comendo e rindo e o cheiro do banquete fez com que Alvo notasse seu estomago vazio, que roncou audivelmente.

– Vejo que esta com fome – disse a diretora com um leve sorriso materno no rosto – por que não se junta aos seus colegas e come um pouco?

– Mas em que mesa? – a esperança de Alvo continuava viva.

– Na da Sonserina, é claro.

– Mas... – ele tentou argumentar novamente, mas a diretora o interrompeu.

– Alvo, escute o que vou te falar. Não tem volta. Sua casa é a Sonserina e você terá que se comportar nela, do contrario será expulso. Alem do mais, a Sonserina não é tão ruim assim, pessoas boas saem dela, tente conhecer seus colegas, você pode se surpreender.

– Me diga uma pessoa boa da Sonserina! E não me venha com essa ladainha de Merlim! Ele era um grande bruxo sim, mas era tão ambicioso que conseguiu que sua família fosse morta por isso! E depois, como se não fosse o suficiente foi atrás de instruir um príncipe trouxa que nada sabia de magia! E Salazar Slytherin? Um rico esnobe e invejoso que foi o primeiro a deixar Hogwarts! E devido a minha recente descoberta, o bruxo das trevas que tentou matar o meu pai também era dessa casa!

– Fico impressionada com seu conhecimento sobre a casa que você diz não pertencer. – disse a diretora erguendo uma sobrancelha.

– Não conseguia dormir direito desde que recebi a carta... – disse Alvo envergonhado – peguei um livro da minha tia Hermione para ler... Era a historia das casas de Hogwarts, na verdade, era a historia de Hogwarts.

– Hogwarts, uma Historia. – disse a mulher com um sorriso nostálgico no rosto.

– Sim, era esse mesmo. – ele abaixou a cabeça e olhou para seus pés enquanto falava – Mas como eu disse ninguém bom sai da Sonserina.

– Você esta errado Alvo. Um dos homens em que seu pai o batizou em homenagem, era da Sonserina e contra as expectativas de todos, no final, foi um bruxo excelente. E honrado também.

– Parece que eu carrego muitos nomes dos quais não chego à altura. – ele disse rancoroso – Potter, Alvo, Severo...

– Nunca mais repita isso! Você esta apenas começando a sua vida como bruxo, e eu vejo o mesmo potencial em você que vi em seu pai anos atrás! Se você carrega tantos nomes importantes é porque seu pai sabia que você seria grande algum dia. E esses nomes não estão ai para você se comparar a eles, estão ai para inspira-lo.

– Brilhante! – disse ele com sarcasmo.

– Escute aqui mocinho – disse ela forçando-o a olha-la – nunca se diminua. As pessoas só podem diminuir o seu valor se você deixar. Portanto não lhes de esse gostinho. Você vai ser um grande bruxo porque é capaz de ser um, não porque foi para a Grifinoria ou para a Sonserina.

Ele ficou em silencio. Não conseguia se convencer a aceitar isso, mas seu estomago roncava e ele só queria que aquele dia acabasse então apenas assentiu.

– Ótimo! Agora vá se reunir na mesa da sua casa, coma e depois siga seu monitor até o seu Salão Comunal. Espero que pela manhã você já esteja melhor.

Ele assentiu mais uma vez e ela abriu a porta da sala. Eles saíram para o Salão Principal e Alvo sentiu todos os olhos se virando na sua direção. Abaixou a cabeça e foi em direção à mesa da Sonserina. Sentou-se num espaço vazio do banco e começou a comer.

Ao dirigir um olhar para a mesa notou que alguns alunos mais velhos já tinha se retirado da mesa. Já outros alunos como: monitores, monitores chefe, jogadores do time de quadribol, entre outros, o encaravam com certo ódio nos olhos. Já o resto dos alunos, como os do primeiro ano e uns que pouco ligavam se estava na Sonserina ou em qualquer outra casa se dividiam entre olhares de pena e curiosidade.

Alvo mordeu um pedaço de frango que de repente ficou grande de mais para engolir, um menino de cabelos loiros e olhos azuis entediados que parecia ter a idade de seu irmão aproximou-se e encarou um menino que estava sentado ao lado de Alvo, o menino parou de comer e saiu da mesa enquanto o loiro sentava-se ao seu lado junto com dois garotos que pareciam ser do sexto ano se não fossem seus rostos de bebe presos naqueles corpos do tamanho de armários.

– Sabe, eu nunca vi alguém conseguir ser odiado por toda a sua casa no primeiro segundo dentro dela.

– Eu realmente não quero falar sobre isso. – resmungou Alvo remexendo na comida em seu prato.

– Relaxa amiguinho, isso passa. Quer dizer, se você andar com as pessoas certas.

– Como assim?

– Meu nome é Fabian Vann Houlten. Estes inúteis aqui são Goyle 1 e Goyle 2 – disse ele apontando para os grandalhões com cara de bebe.

– Goyle 1 e Goyle 2? – perguntou Alvo confuso.

– Marcus e Brutus se preferir, mas eu nunca sei diferenciar quem é quem já que são os gêmeos mais feios que já vi. Eu mesmo tenho irmãos que são gêmeos e esses dois patifes ai nem chegam aos pés deles. Enfim, seu nome é Alvo certo?

– Alvo Potter. – disse ele estendendo a mão ao garoto que não fez menção de retribuir o cumprimento.

– Hm... Interessante esse seu nome, parente daquele metido do James?

– Ele é meu irmão. – disse Alvo começando a sentir raiva do menino na sua frente. Como ele ousava falar do irmão dele daquele jeito?

– Irmãos? Serio? – ele mediu Alvo com aqueles olhos entediados – Bem, não vou julgar a arvore toda por uma única fruta ruim não é mesmo?

Alvo passava a sentir cada vez mais desprezo por aquele menino.

– Eu gostaria de saber... – o menino olhou para os dois grandões ao lado dele e continuou – se você gostaria de andar com a gente. O que acha?

– Não estou interessado. – respondeu Alvo de prontidão.

– Olha – o garoto fez uma pausa como se achasse que Alvo tivesse falado um absurdo – eu sei que você é novo aqui, não entende como as coisas funcionam e eu entendo isso, de verdade! Então antes que você cometa um erro enorme, eu vou te dar um tempo para pensar ok? – ele falava como se Alvo tivesse cinco anos.

– Eu não preciso pensar. A minha resposta é não. – Alvo estava ficando irritado.

– Ei – ele deu uma risada convencida que irritou Alvo mais ainda – não diga algo que possa se arrepender depois! Pense melhor. Eu te procuro depois. – e o menino se levantou e saiu andando em direção ao saguão com os dois brutamontes atrás dele como dois cachorrinhos.

– Até parece. – resmungou Alvo para si mesmo.

Ele não conseguiu terminar de comer, largou o prato de lado e ficou encarando a mesa da Grifinoria, onde Rose ria enquanto conversava com Elizabeth. O coração de Alvo se apertou. Rose o viu olhando e acenou para ele com um olhar tristonho – se ela estava triste imagina o que ele estava sentindo! – ele não acenou de volta, sua vida já estava ruim o suficiente e ele não ia fingir que estava tudo bem.

Ele ficou remexendo os grãos de arroz até ouvir a voz de um garoto mais velho – que se parecia muito com uma versão rato de academia de Fabian – gritando “alunos do primeiro ano, aqui”.

Ele quase cogitou a hipótese de ficar ali no banco, mas ficou com medo do que o garoto – que parecia ser o monitor – pudesse fazer se tivesse metade do temperamento de Fabian. Então se levantou do banco sentindo seu corpo pesado como chumbo, engraçado como ele não tinha notado o quanto estava cansado. Seguiu até o grupo que se formava em volta do monitor.

– Meu nome é Lucas. Sou o monitor da Sonserina, por favor, todos os alunos do primeiro ano me sigam.

Ele saiu em direção ao saguão e Alvo seguiu junto ao grupo de novatos que andavam apressados atrás dele. O garoto – Lucas – desceu em direção as masmorras e depois de andarem pelo o que pareceu a Alvo uma eternidade chegaram até uma estatua do busto de Salazar Slytherin e o monitor disse:

– Basilisco.

A estatua se moveu e a abertura na parede surgiu como a do beco diagonal. A primeira coisa que veio na cabeça de Alvo foi “A entrada fica no busto de Salazar Slytherin? Sutil!”. E assim que o grupo de novatos entrou na sala comunal atrás do garoto loiro bombado Alvo ficou pasmo. A sala comunal da Sonserina era como a sala de estar de uma mansão. Tinha sofás pretos por todos os lados, algumas poltronas perto das duas lareiras em mármore preto, mesinhas de centro entre dois ou três sofás, algumas mesinhas de madeira escura com uma cadeira de cada lado nos cantos da sala, a decoração era toda feira em preto, verde ou prata/cinza, desde as cortinas ao carpete.

Havia alguns alunos na sala comunal ainda e Alvo logo viu Fabian e os dois brutamontes Brutus e Marcus sentados em um dos sofás perto da lareira que ficava em oposição à porta. Ele tentou se esconder no meio do grupo e esbarrou em alguém, ao olhar para o lado reparou que era Violet, a menina com quem conversara no trem quando Scorpio trouxera sua prima inconsciente. Pensar em Rose o fez se perguntar como era a sala comunal da Grifinoria e se sua prima estaria mais feliz lá. De certa forma as cores escuras da sala da Sonserina o deprimiam. Ele só queria se deitar e esquecer aquele dia.

– Os dormitórios ficam naquele corredor, — disse o monitor apontando para uma entrada em arco no canto direito da sala que dava para um corredor que ia para ambos os lados – o das meninas à esquerda e o dos meninos à direita. Suas coisas já estão em seus devidos lugares. Alguma pergunta? – o tom que o garoto usou ao dizer aquilo indicava que quem se atrevesse a perguntar algo iria se arrepender.

Então todos os novatos seguiram em direção aos dormitórios apressados. Alvo olhou para trás e viu o monitor seguindo em direção ao sofá onde Fabian estava e sentando-se ao lado dele. Surpreendentemente aquilo fez com que ele se lembrasse de James e do quanto queria estar na mesma casa que ele. Virou o rosto e segurou as lagrimas, não queria que ninguém o visse chorando. Já tinha sido constrangedor de mais todo o episodio da Seleção, se chorasse agora, teria que implorar para seu pai tira-lo da escola.

Entrou pela porta a direita e se deparou com varias portas de madeira escura com números, entrou pela porta que marcava 1º e se surpreendeu novamente.

O dormitório era – em falta de palavra melhor – luxuoso. Camas de espaldar alto que não eram nem de solteiro nem de casal dispostas em um circulo. Roupas de cama pretas com detalhes em prata e as cortinas de seda verdes davam um ar misterioso ao lugar. Tanto as camas como as mesinhas de cabeceira eram de madeira escura. Alvo avistou seu malão aos pés da terceira cama a partir da direita e foi para lá. Viu vestes verdes com o brasão da Sonserina na sua mesa de cabeceira e sentiu seu estomago revirar.

– Ótimo. – resmungou.

– Não sei por que você esta tão chateado. – disse Scorpio que coincidentemente estava na cama ao lado – a Sonserina é uma casa muito boa.

– Talvez pra você. Eu não pertenço a esse lugar. – respondeu Alvo com raiva.

– Bom, não diga isso aos outros – ele deu uma olhada nos outros garotos que arrumavam suas coisas – muitos já não gostaram da sua reação quando o Chapéu anunciou sua casa.

– Que se danem eles! – Alvo já estava de saco cheio daquela conversa – Que se dane essa casa! Essas cores! Eu sou da Grifinoria!

Infelizmente Alvo tinha dito aquilo alto de mais. Todos no dormitório o encararam. Ele terminou de colocar seu pijama e se enfiou debaixo das cobertas pretas da sua cama, cobriu a cabeça com elas para que não tivesse que olhar para os outros garotos no dormitório. A vantagem de se ter roupas de cama pretas? Mesmo com as luzes acesas fica escuto debaixo delas. Mas apesar das varias tentativas Alvo só conseguira pegar no sono quando todos foram deitar e os cochichos pararam. E então ele adormeceu com a pergunta que o atormentava desde a hora em que o Chapéu gritara Sonserina.

Como ele fora parar ali?

Notas finais
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