Nova Geração - Ano 1
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Ao contrario do que McGonagall pensava Alvo não acordou se sentindo melhor na manhã seguinte. Ele abriu os olhos ainda tentando se convencer que tinha sido apenas um sonho ruim, ou melhor, um pesadelo do qual ele acordaria a qualquer instante. Mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Ele acordou em sua cama com cores da Sonserina, no dormitório da Sonserina e ainda pertencendo a Sonserina.
Forçou-se a levantar da cama e deu uma olhada pelo dormitório. A maioria dos garotos ainda dormia e Alvo aproveitou aquele momento para se trocar em silencio – odiando cada peça de roupa verde que colocava – e quando chegou à gravata se lembrou de que ele ainda não sabia como fazer o nó, lembrou-se também que se estivesse na mesma casa que sua prima, não precisaria sair por ai com a gravata solta. Irritado colocou o suéter e enfiou a gravata no bolso interno de suas vestes e saiu a passos largos até a sala comunal. Haviam apenas poucas pessoas espalhadas pela sala lendo, escrevendo cartas ou só tentando pegar no sono de novo.
Ele resolveu que não poderia aguentar mais um segundo lá entro e saiu andando até a parede por onde entrou no dia anterior, ela se abriu automaticamente e quando ele passou voltou a fechar e a estatua de Slytherin resmungou “andando por ai a essa hora, eu mereço!” e Alvo o olhou de cara amarrada. Como se estar na Sonserina não fosse o suficiente, agora a estatua do fundador da casa ia resmungar com ele? Só podia ser brincadeira. Ele continuou a andar pelas masmorras com um calafrio subindo pela espinha, porque a sala comunal da Sonserina tinha que ser ali? Era assustador.
Por fim ele acabou chegando ao saguão e foi ao salão principal e o descobriu vazio, a não ser por alguns elfos domésticos limpando as mesas. Todos pararam para olha-lo. Aquela foi a situação mais estranha em que já esteve então resolveu sair dali o mais rápido que pode e acabou trombando com sua prima Victorie.
– Alvo! Mas que surpresa. – disse ela com sua voz melodiosa.
– Ah, oi. – sua voz saiu fraca devido ao tempo em que ele tinha ficado sem falar.
– Você esta bem? – ela franziu a testa.
– Ah, claro. – disse ele sentindo a irritação voltar – Tenho certeza que você nem deve saber do vexame que passei ontem.
– Você fala sobre a Seleção?
– Claro! Sobre o que mais eu falaria?!
– Aquilo foi bobagem, logo todos esquecem.
– Não. Eu vou sempre estar na Sonserina.
– E qual o problema? – ela o pegou pelo braço e o fez sentar na escadaria com ela.
– Eu deveria estar na Grifinoria! – ele respondeu sentando-se.
– E quem te disse isso? – disse ela como se ele estivesse falando algo errado sobre seu assunto favorito – O Chapéu não te colocou na Sonserina?
– Sim.
– Então é ai que deve estar.
– Pra você é fácil falar, esta numa casa da qual gosta.
– Nem sempre gostei. Você acha que eu não queria ter ido para a Grifinoria como todo mundo? Ter ficado junto com os outros primos? Tudo bem que na época em que eu entrei as únicas aqui eram Molly e Lucy – as filhas do tio Percy – com quem nem temos muito contato, e elas estão na Lufa Lufa, mas a Grifinoria ainda era a casa do meu pai. Minha mãe era da Beauxbatons então não fazia muita diferença. Mas todos na família eram da Grifinoria e ainda assim eu fui para a Corvinal. Se fiquei chateada? No começo. Eu pensava que todos na Corvinal eram nerds estressados. Acabei descobrindo que apenas metade deles é assim. – ela deu uma piscadinha para Alvo – Então a minha dica é a seguinte: tente ver o lado bom da sua casa.
– Não dá! Só saiu bruxo das trevas dessa casa.
– Então seu pai te contou? Ou você descobriu sozinho?
– Ele me contou. – disse Alvo lembrando-se da briga que teve com o pai pouco antes de irem para a estação.
– Que bom. O coitadinho do James chegou aqui sem saber de nada!
– É, pois é! Como se já não bastasse descobrir que meus pais vêm mentindo pra mim a vida inteira eu ainda vou para a pior casa da escola!
– Alvo pare de frescura garoto! – disse Victorie dando-lhe um tapa no rosto.
Ele a olhou perplexo. Ela o olhou de volta seriedade e disse:
– Você esta parecendo um bebe chorão! Só sabe reclamar! Acho que seus pais te mimaram de mais. Isso esta parecendo birra pra chamar atenção. Se você quer chamar a atenção, faça algo notável. Algo de que possa se orgulhar. Do contrario, cale a boca. – ela pegou-lhe o queixo com a mão direita apertando-o até ele fazer um biquinho ridículo – Se seus pais te esconderam alguma coisa, eles tinham um motivo. Se o Chapéu Seletor que seleciona alunos a centenas de anos em Hogwarts, enfeitiçado pelos maiores feiticeiros de todos os tempos, fundadores de Hogwarts, diz que você pertence a Sonserina, você pertence a Sonserina e fim de papo. Agora pare de me se lamentar, erga a cabeça e vá fazer amigos! Se continuar manhoso assim vai acabar sozinho em algun canto do castelo sem que ninguém sinta sua falta.
Ele não sabia o que responder. Escolheu permanecer em silencio com medo de outro tapa. Ela olhou em para o saguão agora com varias pessoas passando em direção ao salão principal.
– Esta na hora do café da manhã. Vá comer e pense no que te disse. Nem tudo é o fim do mundo.
Ela se levantou, ajeitou a saia e entrou no meio dos alunos que se encaminhavam para suas mesas para a primeira refeição do dia. Ele ficou ali na escada sentado por mais alguns segundos remoendo o que Victorie dissera, não era fácil digerir aquilo tudo de uma vez. Por fim se levantou e foi para o salão principal. Assim que entrou no salão viu como tinha mudado em poucos minutos. As mesas – antes vazias – estavam cheias de comida de todos os tipos e agora muitos alunos já estavam em suas mesas comendo. Alvo se perdeu olhando aquela cena, lembrando-se de quantas vezes sonhara com isso.
– Alvo!
Ele se virou e viu Rose vindo em sua direção com suas vestes vermelhas da Grifinoria combinando com os cabelos ruivos encaracolados.
– Oi Rose. – cumprimentou ele quando ela se aproximou o suficiente para ouvir.
– Olá! – ela parecia animada – Primeiro dia em Hogwarts, agora é oficial! – seu sorriso ia de orelha a orelha.
– É...
– Onde esta sua gravata? – disse ela ainda com um sorriso meio maníaco.
– Aqui. – ele tirou a gravata do bolso das vestes – Não sei coloca-la e você não estava lá para me ajudar.
– Bem, eu não vou estar lá para te ajudar mais – ela pegou a gravata da mão dele e passou por volta de seu pescoço – e você não pode apareceu no seu primeiro dia de aula com o uniforme incompleto. – ela terminou de fazer o nó.
– Eu sei... É só que... Isso é impossível! – disse ele apontando para a gravata em seu pescoço.
– Nada é impossível Alvo. – ela o olhou de cima a baixo e disse – Essas cores ficam bem em você, realçam o verde dos seus olhos.
– Que bom que você acha isso. Porque de resto nada mais nessa casa combina comigo.
– Eu não diria isso. Acho que você tem muito a ver com a Sonserina. Ambicioso, determinado, teimoso...
– Você não esta chateada de eu não estar na mesma casa que você?
– Não. – ele a olhou indignado e ela explicou – Nós vamos acabar tendo aulas juntos. E têm as aulas livres, refeições, jogos de Quadribol. Ainda vamos nos ver muito.
– Hm. – ele resmungou.
– Estou com fome! Vamos comer! – exclamou ela de repente.
Eles entraram no salão principal e ela lhe deu um beijo na bochecha e disse:
– Apenas tente, ok?
E então se retirou para a mesa da Grifinoria enquanto ele ia para a da Sonserina.
Era impressão dele ou ele era o único incomodado com a decisão do Chapéu Seletor? Aquilo não podia estar certo, mais alguém tinha que achar toda essa situação no mínimo estranha. Ele arranjou um lugar na mesa da Sonserina e começou a comer. O menino de olhar entediado, Fabian, o olhava de longe. Logo em seguida Scorpio e Violet sentaram-se ao seu lado.
– Não quero ser grosso, mas o que vocês querem? – disse ele olhando para eles.
– Comer. – disse Scorpio pegando um waffle.
– Não pode ser em outro lugar?
– Nós novatos temos que nos manter unidos. – disse Violet colocando cereal em uma tigela.
Ele resolveu deixar a conversa morrer ali e voltou comer. Uma pena que seu silencio não foi o suficiente.
– Então... – ela o olhou estreitando os olhos – Ouvi dizer que você não gosta muito da nossa casa.
Alvo olhou para Scorpio de testa franzida, só podia ter sido ele quem contara a ela.
– O Scorpio não me falou nada. – ela respondeu como se lesse sua mente – Nem precisava, todos só falam do seu gritinho histérico de ontem a noite.
– Otimo. – ele resmungou com infelicidade.
– Pra ser sincera – ela colocou uma colher de cereal e leite na boca e engoliu – acho que a casa não gosta muito de você também. Não tenho certeza se você tem o que é necessário para ser um Sonserino.
Aquilo feriu o orgulho de Alvo e ela parecia saber disso. Deu uma risada alegre e alta que fez com que todos olhassem por um segundo.
– Machuquei seu orgulho? Bem, talvez essa característica não falte em você. Mas não sei se você é cabeça-dura o suficiente para fazer parte dessa casa. Somos duros na queda sabe?
– Talvez orgulho não devesse contar, já que a maioria das pessoas tem essa característica. – observou Scorpio.
– Concordo Scor – disse a menina como se estivesse ponderando a ideia – mas o nosso amigo caladão aqui não tem muitos pontos a favor dele, então vamos dar um desconto.
– Eu realmente não preciso de vocês falando na minha cabeça agora. – disse Alvo irritado.
Nessa hora, as corujas com o correio entraram e uma coruja despejou uma carta na frente de Alvo. Ele a pegou e viu que o remetente era H. Potter, Godric’s Hollow, 777. Seu estomago deu uma pirueta, seu coração veio parar na garganta. O quanto mais aquele dia podia piorar? Era hora de descobrir.
Ao abrir a carta reconheceu a caligrafia desajeitada de seu pai: “Querido Alvo, eu e sua mãe estamos muito felizes por ter ocorrido tudo bem em sua viagem e queremos parabeniza-lo por entrar para a Sonserina. Eu sei que suas expectativas eram outras, mas aquele Chapéu sabe o que faz. Aceite como um rapaz maduro e talvez eu tenha um presente para você nas férias de natal. O que acha? Estou brincando, seu presente estará lá do mesmo jeito. Mas apesar de você estar frustrado – como eu sei que esta – tente, ok? Com amor, papai e mamãe.”
Depois de terminar a carta Alvo teve certeza que Rose andou escrevendo para seus pais. Mas o que o assustou mais era o fato de que seu pai parecia estar completamente feliz com a decisão do Chapéu. Parecia que nada estava errado. Mas estava! Não estava?
Ele baixou a carta para a mesa e Violet a pegou e leu – apesar dos protestos de Alvo.
– Viu? Até seu pai tem bom senso.
– É, ele te mandou uma carta. – disse Scorpio de cabeça baixa – O meu nem isso faz.
Alvo olhou para o garoto ao seu lado como se tivesse acabado de se dar conta que ele estava ali, mas na verdade o que surpreendia Alvo, é que ele nunca tinha parado pra pensar que os problemas dos outros poderiam ser maiores que uma simples Seleção.
– Ele só deve ter estado ocupado. – disse Alvo tentando consola-lo.
– Garotos, vocês acham seus pais ruins? Os meus são bruxos desde sempre e na única vez que tentei estudar numa escola trouxa eles me mandaram um berrador na minha segunda semana reclamando sobre minha nota na prova de Matemática. Vocês podem imaginar a confusão que foi para fazer com que os trouxas não saíssem gritando por ai.
– Matemática?! – exclamaram os dois garotos juntos.
– Mas é isso que estou querendo dizer! Quem em sã consciência quer aprender aquilo? E eu achava que Poções era complicado!
De repente, da mesa da Corvinal surge uma explosão e de uma parte da mesa explodiu comida para todos os lados. Todos olharam acusadoramente para dois meninos idênticos, loiros com olhos azuis sonhadores com as varinhas apontadas para o local negro no tampão da mesa onde ocorrera a explosão.
Alvo se virou para perguntar que eram aqueles dois e deu de cara com um Scorpio lambuzado de pudim de chocolate que havia caído em sua cabeça. Ele e Violet caíram na risada e Scorpio acabou rindo também. Aquela era a primeira risada de Alvo em dias e ele se sentiu bem com isso.
Talvez aquela casa não fosse tão ruim assim.
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