Era quarta feira e um dos piores dias de aula na opinião de Alvo. Eles tinham que começar e terminar o dia escutando o Sr. Binns falando sobre algum bruxo que viveu há séculos atrás que resolveu coçar as costas com a varinha e inventou um feitiço mortal ou coisa do tipo. Ele também tinham aula de Herbologia com o Prof. Longbottom – pai de Lizzie – e Alvo particularmente detestava cada segundo que passava dentro da estufa. Apenas um horário livre, almoço e então Poções com Prof. Slughorn que era outra matéria que Alvo simplesmente não conseguia gostar.

Alvo estava quase entrando em coma na primeira aula de Historia da Magia quando sentiu um cutucão de Rose em seu braço.

– O que foi? Não vê que eu estou muito concentrado em não fazer absolutamente nada.

– Eu sinceramente acho que você deveria anotar alguma coisa. Mas não foi por isso que te tirei do seu estado vegetativo.

– Então por que fez isso?

– Por que a sua mochila esta pulando.

– Ela esta o que?

Alvo olhou para os pés da mesa onde tinha jogado a mochila notou que ela estava mesmo, dando pequenos pulos como se algo quisesse sair. Ele abriu um pedaço do zíper e um focinho fino, branco de marrom com um nariz rosado e pequenos bigodinhos, saiu da mochila.

– Ah meu Merlim! O Gordon entrou na minha mochila!

– O que? Como o seu furão foi parar dentro da sua mochila?

– Eu não sei! Ele deve ter entrado durante a noite quando voltou da caça noturna dele. Com a quantidade de ratos que tem nas masmorras eu nem tenho que dar comida pra ele mais.

– Eca! Como vocês conseguem dormir em uma masmorra? – Alvo se preparou para responder, mas Rose o cortou – Não importa, eu quero saber como você vai devolvê-lo ao dormitório sendo que ainda temos mais uma aula até o horário livre.

– Eu não vou. Vou deixar ele aqui até a aula de Herbologia acabar.

– Ele vai morrer sufocado!

– Eu deixo esse pedaço do zíper aberto.

– Eu não gosto dessa ideia.

– É tudo o que posso fazer por esse xereta agora. – Alvo se inclinou e bateu de leve com o dedo no nariz do furão e ele voltou para dentro da mochila.

O resto da aula passou monótona como de costume, exceto pelo fato de que Alvo em vez de ficar vegetando a aula toda, teve que se preocupar em segurar sua mochila em segurança com ele para que ninguém notasse que algo vivo se mexia ali dentro.
Assim que a aula de Historia da Magia acabou, eles se dirigiram para a saída onde Alvo ficou parado com Rose esperando Scorpio, eles teriam Herbologia com a Corvinal agora e Rose iria para Feitiços com a Lufa Lufa.

– Eai Al, você apagou depois do “bom dia” ou quando ele disse “hoje vamos aprender sobre” ? – disse Scorpio ao sair da sala.

– Acho que foi no “bom dia”. – ambos começaram a rir.

– Muito engraçado. Depois não venham pedir as minhas anotações para estudarem.

– Nós nem sonharíamos! Você deve colocar coisas a mais do que o Prof. Binns diz. – Alvo sorriu travessamente ao ver Rose ficar vermelha de raiva.

– Otimo! Espero que você resolva seu problema do furão sozinho então. Boa sorte!

Ela se virou e saiu batendo os pés, os longos cabelos ruivos balançando atrás como uma cortina.

– Problema do furão? – Scorpio o olhou confuso.

– É, bem, o Gordon entrou na minha mochila sem eu ver, preciso fazer com que ele fique quieto aqui até o horário livre.

– Precisa fazer quem ficar quieto? – disse Violet quando finalmente saiu da sala.

– Meu furão. – sob o olhar confuso de Violet, Alvo checou o relógio no pulso – Vamos logo ou vamos nos atrasar, vocês sabem que aqueles corvinos nunca se atrasam pra nada!

Os outros dois concordaram e os três correram para as estufas, nos jardins do castelo.

Chegando lá, viram uns três alunos com vestes azuis que entravam por ultimo na estufa e se juntaram a eles ofegantes. Um deles era Lorcan que se virou para trás sorridente.

– Ei, pessoal! Como vão vocês? Eu achei que conhecia essa respiração pesada mesmo!

– Bem Lorcan. Estamos bem. – respondeu Scorpio recuperando o fôlego – será que podemos ir sentar agora? Antes que o Prof. Longbottom chegue.

– Eu acho uma boa ideia. – disse uma voz grave atrás deles.

Ao se virarem surpresos deram de cara com o Prof. Longbottom, que os encarava na porta com uma sobrancelha erguida. Ele parecia mais entretido do que bravo.
Os quatro sorriram como quem foi pego no flagra e foram se sentar, o professor balançou a cabeça com um leve sorriso e foi para sua mesa. A aula de Herbologia a partir daí foi tão entediante quanto todas as outras e ele e Scorpio olhavam como zumbis para as plantas a sua frente, enquanto Violet e Lysander – que estava sentado com o irmão logo a frente deles – conversavam animadamente sobre o que quer que fosse que o professor estava falando. Era estranho ver Violet realmente empolgada com alguma matéria, normalmente ela se esforçava para agir como se nada tivesse tanta importância assim. Era bom ver outro lado dela.
Alvo ficou tão aéreo durante a aula que não notou quando sua bolsa voltou a dar pulinhos e quando foi pegar o tinteiro para copiar algo que o Prof. Longbottom havia escrito no quadro ele não achou a mochila. Ele se agachou em baixo da mesa e começou a olhar para todos os lados.

– Sr. Potter? – chamou a voz do professor.

– Sim? – Alvo se ergueu apenas o suficiente para que seus olhos fossem vistos acima da borda da mesa.

– O senhor pode me dizer o que faz agachado em baixo da mesa?

– Ãn... Não. – vendo como parecera rude ele logo acrescentou – Senhor.

– Então devo insistir para que o senhor se levante e preste atenção na aula Sr. Potter.

– E eu devo insistir para ficar aqui. – disse Alvo tentando desesperadamente encontrar sua mochila antes que o professor a visse.

Ao se ver desafiado, o Prof. Longbottom pareceu inflar como um balão de ar quente, todo vermelho como se segurasse a respiração, Alvo desviou o olhar do rosto dele com medo de que ele fosse explodir e então ele viu. Sua mochila, quase nos fundos da sala, dando pulinhos em direção a uma planta carnívora totalmente desenvolvida. Alvo podia não saber muito de Herbologia, mas ele sabia que aquela planta não era boa coisa.
Ele se levantou e correu. Correu tão rápido que empurrou duas alunas da Corvinal para trás e elas caíram sentadas gritando ofensas para ele. A mochila estava a poucos metros da planta, ele tinha que pegá-la antes ou Gordon seria lanchinho de planta carnívora. Como ele explicaria para o seu pai que seu furão tinha sido comido por uma planta? Ele nunca mais o deixaria ter nem um misero peixe!

Alvo finalmente estava próximo da mochila e então ele pulou como um goleiro de quadribol, esticado para pegar a mochila e conseguiu pegar sua alça e puxá-la bem na hora que a planta carnívora fechou os dentes, mordendo o vazio e batendo a grande boca cheia de espinhos no chão.

– SR. POTTER! – ele ouviu a voz do Prof. Longbottom estridente.

Ele se levantou do chão com a mochila nas mãos com uma expressão de quem é pego no flagra.

– Professor eu posso explicar...

– Eu não quero saber. Já para a sala da diretora.

– O que? Mas eu estava só procurando minha...

– Você me desrespeitou, atrapalhou minha aula e agrediu duas colegas de sala. Sem mencionar o possível dano que você pode ter causado a uma espécie rara de planta que existe apenas em mais três lugares alem de Hogwarts.

– O senhor está preocupado com... A planta? – disse Violet incrédula.

– Aparentemente a Srta. Lancaster vai acompanhá-lo até a sala da diretora, Sr. Potter.

– Você só pode estar de brincadeira! – Violet olhou-o furiosa.

– Menos 20 pontos da Sonserina, para cada um.

– O QUE?!?! – Alvo gritou espantado – Mas isso são 40 pontos apenas por um mal entendido!

– Fico feliz de ver que o senhor ainda saber fazer contas. Agora, será que você e a Srta. Lancaster vão obedecer a minha ordem ou eu mesmo terei que parar minha aula para levá-los?

Alvo se calou, colocou a mochila nas costas e foi em direção à porta da estufa, lançou um ultimo olhar para os alunos atrás de si que o olhavam boquiabertos e saiu. Três passos depois Violet o alcançou e ambos foram em direção ao castelo em silencio.

Quando chegaram a frente da gárgula que levava a sala da diretora viram mais três alunos – dois sonserinos e um grifinorio – que deviam ser do quarto ano sentados com as costas na parede. Os cabelos de um sonserino parecia chamuscado assim como suas roupas, já o grifinorio estava ensopado dos pés a cabeça, o terceiro aluno, sonserino, estava coberto de fuligem, o rosto e as vestes pretas como carvão. Quando um deles notou Alvo encarando ele desviou o olhar rapidamente e empurrou Violet para se sentar o mais longe deles possível.

– É isso. Esse é o meu fim. – disse Violet apoiando as costas na parede e escorregando até o chão.

– Relaxa. Ela vai nos dar apenas um sermão. Se dermos sorte saímos antes do horário livre acabar.

– Seu pai deve ser super liberal.

– Não muito, mas ele já tem o James. Com certeza não se preocuparia com algo insignificante como isso.

– Bom, o meu vai me matar.

– Ei, eu duvido que a Diretora McGonagall vá escrever para os nossos pais por causa de uma coisa boba como essa. Além disso, é sua primeira vez aqui.

– Espero que você esteja certo. Se não eu definitivamente terei que implorar a diretora para me deixar ficar aqui nas férias de verão.

– Vai me dizer que seus pais nunca fizeram algo que os mandasse para a sala da diretora na época deles aqui?

– Bem, meu pai é corvino, então você pode imaginar a resposta. Já a minha mãe, que era sonserina, foi uma das alunas que entrou para a lista de honra aqui. Ela era simplesmente perfeita. Mas talvez ela não se importasse tanto em me ver na diretoria.

– Viu, ela pode convencer seu pai a não ser tão duro com você.

– É, poderia. Uma pena ela não estar mais aqui para fazer isso. – ao dizer isso Violet abaixou a cabeça, a cortina de cabelos negros cobriu seu rosto e Alvo sentiu um nó no estomago. Como pudera ser tão insensível?

– Ah, a sua mãe... Ela...

– Faleceu.

– Sinto muito. – ele disse. Ele queria pegar na mão dela e dizer que não precisava ficar triste.

Alvo odiava ver as pessoas chorando. Desde quando era pequeno, sempre que via alguém chorar ele se sentia incomodado. Sua mãe lhe contara que uma vez ele quase explodiu uma caixa de brinquedos que estava ao seu lado quando tinha três anos por que viu a mãe com lagrimas nos olhos depois de bater o dedo na porta. Alvo não precisava saber o porquê das pessoas estarem tristes e não ligava. Lagrimas o incomodavam e ele sempre fazia de tudo para evita-las.

– Não se preocupe. – ela levantou a cabeça e colocou o cabelo atrás da orelha, Alvo pode ver os olhos dela, verde escuros, mas estavam quase negros com as lagrimas que ela tentava desesperadamente segurar – Isso foi a sete anos. Meu pai nunca quis que eu ficasse sem uma figura feminina em casa eu acho, por que ele se casou quatro vezes nos últimos seis anos, ele definitivamente seguiu em frente. E eu também.

Alvo não sabia o que dizer, mas ele sabia que não acreditava nem um pouco quando Violet disse que seguiu em frente. Antes que pudesse se impedir ele passou o braço por trás dos ombros dela e a abraçou. Violet ficou dura como uma estátua, mas depois relaxou e o abraçou de volta.

– Ah que fofos os dois namoradinhos! – disse um dos meninos mais velhos que estavam lá – Ei, Romeuzinho, tem uma estátua virando por esse corredor com espaço atrás que eu posso te garantir, é ótimo.

Violet praticamente empurrou Alvo para trás e lançou um olhar tão furioso para os garotos que até ele sentiu arrepios. No mesmo instante depois a gárgula se mexeu e a escada surgiu, os três meninos se levantaram e começaram a subir, Alvo podia jurar que um deles parecia aliviado de sair do campo de visão de Violet.

– Nunca. Nunca na sua vida, conte sobre isso para ninguém. – Violet disse assim que a gárgula se fechou.

Ele assentiu e o silencio voltou a reinar entre eles.

Alvo podia jurar que tinham ficado quase uma hora lá em baixo esperando a gárgula se abrir para eles. Quando finalmente abriu, eles subiram ansiosos. Alvo viu que as mãos de Violet tremiam.

Ao chegar lá em cima, passaram pelos três garotos que tinham entrado antes deles, o grifinorio parecia bem mais seco. A porta se fechou e Alvo olhou para a diretora a sua frente. Engoliu em seco.

– Então, Sr. Potter. Essa já é o que? A segunda vez esse ano?

– Terceira. – corrigiu-a Alvo. Ao ver o olhar que ela lhe lançou, se arrependeu amargamente de tê-lo feito.

– Sorte a sua não ter sido mais sério ou eu seria obrigada a escrever para os seus pais, de novo.

– Por favor, diretora. Foi tudo um mal entendido! Me deixe explicar. – pediu Alvo. Violet estava em silencio absoluto desde que entrara na sala.

– Eu sei o que aconteceu Sr. Potter.

– Então a senhora sabe que o Longbottom estava totalmente fora de si...

– Prof. Longbottom. – a diretora o corrigiu.

– Isso. Ele exagerou! A Violet nem tinha que estar aqui, ela fez um comentário totalmente valido e ele não gostou! Ela é uma das melhores alunas dele e ele a mandou para cá por nada!

– Sr. Potter, eu estou ciente do ocorrido. O Prof. Longbottom pediu desculpas pela reação dele com a Srta. Lancaster, disse que não tinha necessidade e que ela não causou problemas.

– Serio?! – disseram Alvo e Violet ao mesmo tempo, surpresos.

– Sim. O Prof. Longbottom reconheceu que toda a atitude dele foi exagerada e pediu que você saísse daqui com nada mais do que uma advertência. Ele descontou o estresse pessoal em sala e isso não foi justo com vocês.

– Então... Podemos, você sabe, ir embora? – perguntou Alvo lembrando-se do furão na mochila que ele deixara lá em baixo.

– Sim. Vocês podem ir, mas tenha mais disciplina Sr. Potter. Não quero vê-lo aqui novamente.

– Sim, senhora. Eu prometo.

Alvo pegou Violet pelo pulso e a puxou correndo escada abaixo. Ao chegar ao corredor onde tinham esperado tanto tempo Alvo viu sua mochila saltitando como um coelho desgovernado em círculos. Ele pegou a alça e disse:

– Tenho que correr para deixar o Gordon no dormitório a tempo e voltar para o almoço.

– Não dá tempo Alvo. Já está no meio do almoço. Se não corrermos para o Salão Principal agora, ficamos sem comer.

– O que? – Alvo checou o relógio de pulso. Realmente já estava quase na hora de tirarem a comida e trocar pela sobremesa – Bem Gordon, parece que você vai ter que ficar ai dentro por mais um tempo. – ele disse para o buraquinho que ele deixara aberto no zíper. O focinho de Gordon saiu do buraquinho farejando o ar curioso.

Ele e Violet correram para o Salão Principal e engoliram toda a comida que puderam antes que fosse trocada pela sobremesa. Scorpio se juntou a eles dizendo que tinha ficado preocupado. Alvo explicou o que aconteceu na sala da diretora enquanto jogava pequenos pedaços de pão e carne para dentro da mochila.

– Você ainda está com ele?

– Bem, sim. Não tive tempo de ir até as masmorras depois que saímos da sala da diretora. Ficamos esperando lá tempo demais!

– E o que você vai fazer?

– Continuar carregando dele até a última aula e rezar para que ele não cause mais problemas.

Scorpio ergueu uma sobrancelha e olhou para a mochila.

– Não acho que ele saiba o que é “não causar problemas”.

Alvo deu de ombros e os três correram para a aula de Poções que teriam em seguida, com a Grifinoria.

Já estava no meio da aula de poções. Alvo, Scorpio, Violet, Rose, Lizzie e um garoto loiro magricela chamado Evan Creevey estavam em volta de um caldeirão borbulhante que Alvo ficara encarregado de mexer.

– Preste atenção Alvo, você não pode parar de mexer a poção, entendeu?

– Sim, Rose. Já é a quinta vez que você diz isso.

– Eu só quero ter certeza que você entendeu.

– Todos nós já entendemos que você é irritantemente nerd, Rose. – comentou Violet.

– Fique quieta sua patricinha arrogante! – disse Lizzie tomando as dores da amiga.

– Venha fazer menininha da faixa. Por que você usa tanto isso? Quer esconder o que? Algum tipo de deformidade que deixa a sua cabeça mais estranha do que já é?

– Ei! Querem parar vocês duas? Já estou no limite com vocês implicando uma com a outra. – disse Scorpio sério.

– Foi ela quem começou. – respondeu Violet cruzando os braços.

– Não interessa quem...

– Alvo! Você não vai falar nada? Não vai defender a sua prima dessa coisa que você chama de amiga? – exclamou Lizzie nervosa e interrompendo Scorpio.

– Ei, eu adoraria participar da conversa gente. Mas acontece que essa poção esta mais para massa de cimento e ela esta ficando cada vez mais difícil de mexer! – Alvo estava suando, os cabelos negros grudados na testa – Será que vocês podiam me ajudar?

– Droga! – disse Scorpio agarrando o cabo da colher que Alvo estava usando para mexer e puxando com ele.

Logo Lizzie agarrou o cabo também, Violet e o menino chamado Evan também estavam ajudando, Rose folheava o livro de poções atrás de algo que impedisse aquilo de acontecer.

– Vamos, Rose! Esta ficando cada vez mais difícil aqui! – exclamou Scorpio.

– Estou tentando!

– Tente mais rápido! – disse Evan entre dentes fazendo mais força do que todos os outros. Aquele menino era realmente pequeno para a idade.

– Eu disse que estou procurando!

– Talvez você devesse ficar aqui tentando mover a porcaria de uma colher em algo praticamente sólido enquanto nós ficamos sentados folheando um livro! – exclamou Violet acusadoramente.

– Ei não fale assim com ela! Ela está procurando algo para nos ajudar. – disse Lizzie.

– E se eu continuar falando assim com ela, o que você vai fazer menininha do papai?

– O que?!

– Ah, não se faça de desentendida. Eu sei muito bem que foi você quem mandou seu papaizinho mandar eu e o Alvo para a diretoria hoje.

– Você foi para a diretoria de novo? – disse Rose se distraindo por um segundo.

– Bem, sim, mas foi um acidente e eu não... – Alvo parou de falar porque naquele instante ele viu Gordon escapando de sua mochila e correndo em direção aos pés do Prof. Slughorn. Sem pensar, ele largou o cabo da colher e correu atrás do furão.

– Alvo, NÃO!! – gritaram os outros segurando a colher. No instante que ele soltou eles perderam a força e soltaram a colher, que começou a girar no sentido contrario até que a massa dura que tinha se formado começou a voltar para algo próximo do liquido, borbulhou e borbulhou até que finalmente explodiu.

A explosão foi tão grande que a gosma laranja que estava dentro do caldeirão atingiu cada canto da sala. Alvo olhou em volta com um Gordon laranja na mão e viu todos os seus amigos sujos e o Prof. Slughorn tinha tanta gosma em si mesmo que mal se podia ver de que cor eram suas roupas.
É claro que ele não pensou duas vezes antes de mandar os seis para a sala da diretora.

Não tinha fila dessa vez. Assim que os seis chegaram à gárgula ela se abriu, Alvo sabia que a diretora McGonagall estava à espera deles. Eles subiram.

– Quando eu disse que não queria mais vê-lo aqui, o senhor achou que fosse uma piada Sr. Potter?

– Não, senhora.

– Um desafio?

– Não senhora.

– Então você quer me explicar por que esta aqui menos de três horas depois de sair por aquela mesma porta?!

– Ãn...

– Foi um acidente diretora. – disse Rose tentando evitar que Alvo dissesse mais alguma estupidez.

– Sim, eu estou vendo. Um acidente que custará a todos vocês e aos alunos naquela sala uma semana na ala hospitalar com dores de cabeça fortíssimas! Isso se a dose não foi muito maior em vocês seis que estavam em volta do caldeirão.

– Uma semana com dor de cabeça?! – exclamou Violet – Mas essa semana nós temos quase uma dúzia de trabalhos para entregar!

– Sinto muito Srta. Lancaster, mas nós não temos como fazer um antídoto mais forte para a poção sem saber a quantia exata que vocês ingeriram. Seria muito perigoso. Vocês terão que tomar doses pequenas até que as dores passem.

– Ah meu Merlim! – murmurou Lizzie – Acho que a minha já esta começando. – Alvo pôde ver o rosto dela se contorcer de dor e depois o alivio passar por seu rosto – Passou!

– A dor irá vir e passar em instantes durante essa primeira noite, amanhã todos vocês sentirão com mais intensidade e frequência. Por isso ao saírem daqui vocês vão direto para a enfermaria. Vão ficar por lá até que melhorem. Eu escreverei aos seus pais informando do ocorrido.

– Você vai fazer o que?! – Violet engasgou e contorceu o rosto, mas Alvo duvidava que fossem as dores de cabeça.

– Desculpe Srta. Lancaster, mas eu tenho que informar aos responsáveis quando um aluno vai para a ala hospitalar.

– Ah não! – Violet levou a mão à cabeça e começou a despencar, Scorpio, que estava logo atrás dela, a pegou pelo braço e a segurou.

– Acho melhor dispensa-los logo. Essas dores vão tomar toda a energia de vocês.

Dito isso todos eles saíram da sala. Alvo notou que ainda segurava Gordon nas mãos, o coitadinho estava largado em sua mão e Alvo podia sentir sua respiração acelerada e leves resmungos vindos dele. Ele tinha sido atingido por uma quantia enorme da gosma laranja.

– Ótimo! O que eu faço com você agora?

– Você conseguiu projeto de duende! – disse Violet, a voz mais fraca devido à dor – Agora vou perder uma semana de trabalhos, minhas notas vão cair e ainda por cima vão mandar uma carta para o meu pai!

– E como isso é culpa minha? – perguntou Lizzie que também já tinha sido afetada pelas dores.

– Parem vocês duas! Agora! – gritou Rose que tinha uma mão massageando as têmporas – Estamos todos com dor, todos vamos perder uma semana inteira e todos os nossos pais vão receber cartas! Não é culpa de ninguém e eu estou cansada de vocês duas se atacando por nada! Mais uma briga e eu juro que colo a boca de vocês com uma azaração até o fim da semana! – as duas se calaram – Ótimo, agora vamos para a enfermaria antes que minha cabeça exploda.

Todos se colocaram a andar e Rose ficou ligeiramente para trás do grupo, Scorpio atrasou o passo para andar ao seu lado.

– Como esta a cabeça?

– Horrível. E a sua?

– Parece que tem zilhões de tambores no meu cérebro.

Rose riu. Scorpio chegou mais perto dela e cochichou:

– Você sabe que nós não aprendemos azaração nenhuma no primeiro ano não é? Você não tem como colar a boca delas.

– Eu sei disso, você sabe disso. – ela o olhou com olhos verdes grandes e travessos – Mas elas não sabem. Vamos deixar assim, o que acha?

– Ah, você tem uma mente perversa Srta. Weasley! – disse Scorpio rindo.

Notas finais
Ainda não comentou? COMENTE! *Ou mandarei Dementadores atrás de você!*