Nova Geração - Ano 1

22 Bem Me Quer - Mal Me Quer


Se o Natal tinha sido perfeito na casa da família Potter, a semana que se seguiu foi um completo desastre. Victorie estava num mau humor que a única que ainda tinha coragem de chegar perto dela era Roxanne. Ela não conseguia entender o porquê da sua família ter essa necessidade de se juntar nas férias. Ela tinha tido uma discussão com Teddy e não queria ficar nem no mesmo planeta que ele, muito menos na mesma casa. Mas apesar de ela não querer pensar nele tudo o que ela fazia era reviver a briga mentalmente todo o tempo.

Ela estava em seu quarto ajudando Rob a pegar as poucas coisas q tinha tirado da mala, ele iria para casa passar o resto das férias com os pais.

– Não preciso de ajuda, são só umas duas camisetas e escovas de dente. – protestou ele enquanto ela pegava uma das camisetas que ele tinha usado para dormir no chão.

– Eu sei. Eu quero ajudar, é meu jeito de agradecer por ter passado o natal comigo. – ela entregou a camiseta pra ele.

– Você sabe que eu não ligo. Afinal, eu não consigo outro lugar onde eu poderia ir. – ele sorriu.

– É... Mas mesmo assim. Você não tinha a obrigação. Ainda mais com ele te encarando o jantar todo.

– Quem? O Teddy? – ele riu – Eu já recebi olhares piores de caras bem maiores Vic, não se preocupe.

Ele fechou o zíper da mala e ela sentiu o coração apertar. Não queria que ele fosse. Como se pudesse ler sua mente ele a puxou e a abraçou forte.

– Nos vemos em uma semana.

Ela assentiu e o acompanhou até a porta, o taxi já estava lá esperando para leva-lo até em casa. Ela ficou na porta acenando até o taxi sumir de vista e então fechou a porta e deu de cara com Teddy, sentado na escada, a expressão seria e os cabelos verdes.

– Gostei do novo visual. – disse ela.

– Seu novo namorado? – disse ele ignorando o comentário.

– Como se isso fosse da sua conta. – ela desdenhou e então parou na frente da escada – Pode me dar licença?

Ele se levantou e desceu da escada, parou na frente dela apenas com centímetros separando-os. Olhou em seus olhos e se afastou, fazendo uma mesura como um cavalheiro dos anos 60.

– Obrigada. – ela respondeu rispidamente.

Subiu as escadas o mais rápido que se atreveu e foi até seu quarto. Encostou a porta e se jogou na cama. Cinco minutos depois a porta se abriu e fechou rapidamente. Quando olhou viu que ele tinha entrado em seu quarto e estava parado encostado na porta.

– Eu acabei de me dar conta de que não tive uma resposta, ele é seu novo namorado?

– Achei que eu tivesse deixado claro que isso não é da sua conta. – disse ela se sentando na cama.

– Desculpe. Eu só estava curioso para saber quem seria a próxima vitima. – ele deu de ombros.

– Vitima?! – ela se levantou.

– Sim, por que é isso que você faz. Você seduz com esse rosto angelical, mas no fundo você só esta se preparando para cortar o coração da pessoa em pedaços.

– Você é um babaca mesmo! A única vitima aqui fui eu! Você me encheu com aquelas palavras lindas pra no fim, sair curtindo por ai com qualquer rabo de saia que passe na sua frente!

– Ela é minha colega de trabalho!

– Então porque ela estava com a droga do seu telefone?! – ambos gritavam agora, em alto e bom tom.

– Ela não estava com ele! Ela só atendeu por que eu estava ocupado! – o cabelo dele tinha se tornado vermelho.

– Com o que? Ela?!!

– Victorie. – ele passou a mão pelos cabelos tentando de acalmar e eles clarearam para um alaranjado fraco – Eu não vou discutir com você sobre isso de novo. Se você não quer acreditar em mim, ótimo. – ele ergueu as mãos como quem se rende – Espero que vocês dois sejam felizes.

E ele saiu do quarto.

E foi isso, a mesma briga, pelo mesmo motivo. Mas ela continuava martelando aquilo na cabeça. Até mesmo enquanto conversava com Roxanne ela estava distraída.

– Vic? Você me ouviu? – Roxy balançava sua perna.

– Ãn? O que?

Roxy riu, pegou dois panfletos que ela tinha colocado em cima da cama onde as duas estavam sentadas uma de frente pra outra e chacoalhou na frente dela.

– Festa. Hoje à noite. Na cidade. – disse ela pausadamente.

– Eu não sou retardada Roxy. – ela agarrou os panfletos – Mas isso aqui é na White Fox, menores de 18 não entram.

– Sim, mas o Teddy disse que passava a gente.

– Teddy? – ela sentiu o estomago revirar.

– Sim, por quanto tempo você apagou? Ele esta trabalhando lá, como você deve saber, e me deu os convites pra eu levar quem eu quisesse. Eu quero levar você, mas como sei que isso poderia ser problemático pra você eu posso chamar outra pessoa se você preferir.

– O que? Por que seria problemático? Não! Não é, esta tudo bem entre nós dois. É claro que eu vou com você.

– Tem certeza? – perguntou Roxy preocupada.

– Tenho. Certeza absoluta.

– Tudo bem. Saímos daqui às oito.

Vic passara o dia todo decidindo que roupa usaria. Ela tinha esvaziado toda a sua mala e estava pensando seriamente em assaltar o guarda-roupa de sua tia Gina quando Roxy entrou no quarto dela toda produzida.

– Como estou? – o olhar dela correu o quarto – Victorie! São vinte pras oito e você não esta nem vestida?!

– Eu não consigo me decidir! – disse ela exausta se jogando na cama – A proposito, você esta linda.

Roxanne a ignorou e começou a remexer as roupas pelo quarto, até que achou um vestido preto tubinho com algumas lantejoulas também pretas e jogou em cima dela, logo em seguida ela arremessou um sapato de salto que Victorie adorava na cama e disse em seu tom autoritário:

– Vamos, comece a se arrumar, quero ver você passando maquiagem em cinco minutos.

Vic pegou a roupa escolhida e ergueu por cima do corpo para ver como ficava.

– Tem certeza? – ela perguntou insegura.

– Absoluta. Combine isso com a sua atitude arrasadora que eu tanto amo e você esta perfeita.

Vic sorriu e seguiu o conselho da amiga. Se trocou rapidamente e foi se maquiar, optou por uma maquiagem preta em volta dos olhos azuis e um batom discreto que só dava um leve brilho a boca e saiu do quarto orgulhosa de si mesma.

– Tempo recorde Vic. O taxi esta ai fora, vamos!

Chegando na frente da boate no centro de Londres Victorie começou a sentir o nervosismo novamente. Elas chegaram na portaria e mostraram os convites sob vários protestos de quem estava na fila. O segurança olhou de cima a baixo nas duas meninas e perguntou:

– Nome?

– Tiffany e Audrey. – respondeu Roxanne antes que Victorie abrisse a boca.

O segurança olhou a lista, riscou dois nomes e retirou a faixa de veludo, elas entraram e ao ficarem longe do alcance do segurança Vic perguntou:

– Tiffany e Audrey? Quem são essas?

– Não sei, foram os nomes que o Teddy me falou para dizer.

Vic preferiu não perguntar o que aconteceria se as verdadeiras Tiffany e Audrey aparecessem, e puxou a amiga para a pista de dança.

Elas ficaram lá por um bom tempo até Roxy reclamar de sede e Victorie se oferecer para ir até o bar. Chegando lá a barman – uma menina de cabelos repicados e vermelhos tingidos e vários piercings na orelha – corria para todos os lados entregando bebidas.

– O que vai querer bonitinha? – ela perguntou quando finalmente viu Victorie com o braço estendido.

– Duas cervejas. – disse ela.

– Sabe que precisa mostrar a identidade para pegar uma cerveja, certo? – disse a menina sorrindo.

– Esta bem, duas aguas. – disse Victorie sentindo o rosto ficar quente.

– Vamos fazer assim, eu te dou um de cada e finjo que foram duas aguas, o que acha? – ela ergueu a sobrancelha sorrindo.

Victorie sorriu e a menina de cabelos vermelhos se virou para atender um rapaz que tinha chamado do outro lado do balcão. Ela correu o olhar por trás do balcão e viu uma porta de serviço que provavelmente era por onde os funcionários entravam e saiam na cozinha. E então ela o viu. Alto com os usuais cabelos azuis e uma roupa de garçom ele passou pelas portas carregando uma badeja e sendo seguido por uma menina de cabelos na altura dos ombros, loiros oxigenados e raízes pretas aparentes com um piercing em cada lado do nariz – um de pedrinha e o outro argola – carregando uma bandeja igual. A menina – notou Vic – estava falando algo para ele e segurava o braço dele. Ele se virou para olha-la e Vic percebeu que ele parecia irritado. Ele olhou para a menina com raiva e puxou o braço da mão dela. Ela fez uma expressão que se assemelhava a uma criança fazendo birra e então colocou sua bandeja em cima do balcão e o puxou quase derrubando a que ele segurava e na ponta dos pés ela o beijou. Victorie não conseguindo se conter saiu da onde estava e foi até eles. Chegando bem perto ela gritou acima da musica:

– Posso saber o que esta acontecendo aqui?

Afastando-a bruscamente Teddy se virou com o rosto pálido.

– Victorie?! – as palavras saíram da boca dele com um engasgo.

– Então essa é a colegialzinha que você estava namorando fofinho? – perguntou a menina num tom de voz tão nojento que Victorie quis bater nela.

– Lola, cale a boca. – disse Teddy – Saia daqui antes que me deixe mais irritado.

– Lola? – perguntou Victorie sarcástica – Nada com o que me preocupar não é mesmo? – ela olhou para Teddy furiosa.

– O que você esta fazendo aqui Vic?

– Usando os convites que você deu a minha prima.

– Eu não achei que ela fosse... Quer dizer, não achei que você fosse querer...

– Vir? Achou que eu estava te evitando? Achou que teria a noite livre para ficar por ai se agarrando com qualquer coisa que passar na sua frente? – ela dirigiu o olhar a Lola enquanto dizia a ultima parte.

– Escute aqui pirralha... – a menina começou se aproximando de Victorie e ela notou que Lola era quase dez centímetros mais baixa do que ela.

– Lola, saia daqui. Agora. – rosnou Teddy.

A menina – que já estava começando a deixar Victorie muito irritada – bateu o pé no chão como uma criança mimada e se negou a sair. Teddy parecia estar fazendo muito esforço para não gritar com ela e Victorie pode notar as pontas do cabelo dele ficarem vermelhas e depois voltarem ao azul. Ele a agarrou pelo pulso e a puxou pela porta de serviços. Passaram por uma cozinha pequena e que com certeza violava varias normas da vigilância sanitária e saíram atrás da boate, num beco com um latão de lixo verde cercado de sacolas pretas, bitucas de cigarro, garrafas de cerveja e outras coisas.

– Vic, o que você quer? – ele perguntou assim que a porta se fechou.

– Nada! Eu estava no bar pedindo algo para beber quando vi você e aquela anã de jardim se atracarem no meio do expediente.

– Ela me agarrou. – ele protestou – E além disso, você terminou comigo, lembra?

– Sim, mas...

– E eu não me recordo de você ter entrado para um convento desde aquela noite. Na verdade, você foi até acompanhada para casa não foi? Qual era mesmo o nome dele? Bob...?

– Rob, mas eu...

– Isso mesmo. Rob. Quer dizer então que você pode esfregar seu novo namorado na minha cara, na reunião de família, e eu não posso beijar mais ninguém? Ah, faça-me o favor Victorie...

– Theodore Remus Lupin! – assim que ele parou de falar, surpreso, ela prosseguiu – Primeiro: você beija quem você quiser. Já esta bem crescidinho para que eu fique dando permissão. E segundo: eu não estou namorando o Rob!

– Não... Não esta? – ele pareceu olha-la de verdade pela primeira vez.

– Não. – ela sentiu um desejo estranho de dar risada.

– Então o que ele estava... Porque ele foi passar o natal com você?

– Porque, o vôo dos pais dele atrasou e ele não tinha nem para onde ir e nem com quem passar o natal. Eu, é claro, o convidei para passar com a gente. Não ia deixar com que ele passasse o natal sozinho.

– Por que você não me disse isso?

– Você não me perguntou. – ela deu de ombros.

– Mas eu perguntei se você estava namorando ele. – disse ele estreitando os olhos.

– Eu não gostei da sua atitude. Achei que você foi muito grosso, preferi não responder. – ela agora respondia a tudo com um ar de indiferença que divertiu Teddy.

Ela viu o cabelo dele ficar amarelo como um giz de cera e ele abriu seu sorriso sedutor que deixava as pernas de Victorie bambas. Ele se aproximou e logo estava a centímetros dela. Ela – evitando olhar nos olhos dele – encarava o queixo e boca dele, o que não ajudava muito na concentração. Ele colocou o dedo em seu queixo e a fez olhar para cima. O ar em seus pulmões parecia ter sumido, e tudo o que ela podia ver eram os olhos dele que se encontravam lilases.

– Admita que tudo isso foi pra me deixar com ciúmes.

– Por que eu iria querer te deixar com ciúmes? – era difícil se concentrar o suficiente para falar.

– Quer dizer que você não sente mais nada mesmo por mim? – ele estava tão perto e mesmo assim tão intocável que chegava a dar raiva.

– N-n-não. – ela duvidava que ele tivesse acreditado. Nem ela tinha acreditado.

– Tem certeza? – ele começou a passar levemente as pontas dos dedos no braço dela – Quer que eu pare? – ao dizer isso ele olhou diretamente nos olhos dela e ela viu que o roxo neles estava escurecendo para algo próximo ao magenta.

A essa altura ela não conseguia mais formar palavras. Entrelaçou os braços em volta do pescoço dele e o puxou para perto, beijando-o. A sensação de alivio e prazer que ela sentiu ao ser retribuída não podia ser descrita e ela o puxou para mais perto. Ela deu alguns passos para trás até sentir a parece fria de tijolos nas costas. Ele se encostou mais nela como se quisesse se fundir a ela e ela poderia muito bem ter permanecido ali, daquele jeito, pelo resto da vida se a porta dos fundos da boate não se abrisse de repente e uma menina de cabelos vermelhos repicados colocasse a cabeça para fora toda sorridente.

– Então é por isso que ela desistiu da cerveja. – disse a bartender sorrindo.

Notas finais
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