Noturna - A Maldição dos Criadores
12 Império Genético
Notas iniciais
O prédio da Synol era totalmente espelhado, construído numa espiral perfeita, com todos os quadrados de espelhos escuros do mesmo tamanho. A arquitetura do lugar lembrava uma molécula de DNA, com vigas arredondadas de ferro — pintadas de vermelho — parecendo as bases nitrogenadas. Um letreiro holográfico serpenteava a construção, exibindo as mais novas conquistas da empresa; entre elas a nova modificação genética onde o envelhecimento era desacelerado e a nova correção biológica que deixava os humanos menos suscetíveis a doenças graves.
Milhares de pessoas transitavam na área externa do lugar. A maioria usava jalecos brancos com o nome Synol costurado no ombro direito, porém a letra Y era substituída por uma molécula de DNA incompleta. Havia, também, alguns turistas. Ao que parecia a empresa era bem famosa, mas Kass nunca, sequer, ouvira o nome Synol.
O motorista contornou o prédio com o aerocarro, seguindo para uma área de desembarque particular. Ela era vigiada por seguranças, trajados com seus ternos e calças sociais na cor azul marinha. Um deles inclinou a cabeça levemente para o lado, os lábios mexendo minimamente. Provavelmente estava usando um Comunicador Auricular, assim como os outros, para distribuírem informações entre eles.
Noturna começou a queimar no braço de Kassandra, mas a mesma já estava em alerta total antes da espada se manifestar. Seus instintos gritavam para que, de alguma forma, fugisse. Ela fitou Lyanna discretamente, encontrando na sua expressão confusa — sobrancelhas franzidas e olhos semicerrados — a confirmação de que aquela situação era incomum.
Quando o aerocarro parou num recuo próprio para desembarques, um dos seguranças começou a se aproximar. Ele afastou um pouco o terno na base da cintura, revelando um revólver prateado de plasma — com o líquido das cápsulas na cor laranja — num coldre preso no cinto.
Emboscada.
A princesa abriu a boca, pronta para dizer algo, porém Kassandra foi mais rápida ao colocar a mão no ombro dela, num alerta para permanecer quieta. Como uma experiente predadora, Kass analisou a área minuciosamente; contabilizou os sete seguranças visíveis e adicionou mais quatro ao notar locais elevados onde poderiam haver franco-atiradores. O lugar era isolado o suficiente para usar Noturna, então não teria problemas em enfrentar um grupo consideravelmente grande de homens armados.
— Vai ficar tudo bem. — murmurou para a princesa. Kass ergueu o olhar ao sentir alguém lhe observando. O medo estava estampado nos olhos escuros do motorista refletido no retrovisor. — Não deixe-a sair em hipótese alguma até tudo acabar. Tranque as portas quando eu sair.
— S-sim, senhorita. — gaguejou voltando a olhar para frente e apertar o volante numa tentativa visível de controlar seu nervosismo.
O segurança estendeu a mão para abrir a porta do passageiro do lado onde Kassandra estava sentada. Ele pegou a arma com a mão livre, colocando-a parcialmente nas costas e, então, abriu a porta num puxão rápido.
Mas não o suficiente.
Não houve tempo do segurança reagir. A garganta do homem fora acertada com força pelo punho de Kass, fazendo com que se engasgasse dolorosamente e caísse no chão. Noturna se materializou na mão de Kassandra e rapidamente cravou a espada no peito dele.
Kassandra fechou os olhos ao sentir uma onda de poder lhe atingir em cheio. Seu corpo tremia levemente, ansiando por mais e mais. Ela ergueu o olhar, vendo mais três seguranças se aproximarem com as armas apontadas na sua direção.
— Oh, merda! Atirem nela! — gritou o segurança mais próximo ao ver seu companheiro de equipe se tornando pó.
Um clarão se formou quando a rajada de tiros foi disparada na direção de Kassandra. Ela girou Noturna rapidamente, fazendo as cápsulas estourarem contra lâmina e o líquido incandescente escorrer por ela e rapidamente esfriando.
— Bom apetite, querida. — desejou Kassandra para a espada antes de avançar em direção dos seguranças.
Era uma dança mortal. Um desvio, um corte, uma alma consumida. Não havia equilíbrio naquele confronto, apenas um banquete para a filha amaldiçoada de Selletus e sua espada mortal. Os seguranças não tinham como pará-la, mesmo os franco-atiradores escondidos em pontos estratégicos.
Naquele momento não existia mais Kassandra ou Ellisse, apenas o demônio descontrolado querendo aplacar a sede. Seus olhos estavam negros, o pescoço tomado por veias negras protuberantes e suas presas maiores e aparentes. Os seguranças, depois da quinta morte, já imploravam por suas vidas. Não atiravam mais, apenas corriam desesperados para qualquer lugar longe daquela criatura mortal e aterrorizante.
Mas ela não pararia. Eliminaria todos aqueles que estavam naquela maldita emboscada. Caminhou na direção de um segurança que estava encolhido num recuo do prédio, arrastando Noturna e provocando um som arrepiante de metal contra o piso de mármore branco. Quando estava perto o suficiente, agachou na frente dele.
O segurança murmurava uma prece para os deuses, mas aquilo não comovia o demônio. Ela o agarrou pelo pescoço, levantando o homem facilmente. As ranhuras de Noturna pulsaram fortemente, implorando por mais aquela alma.
Insaciável.
— Kassandra! Kassandra, me escuta! — Lyanna gritou ao sair do carro. — Não precisa fazer isso! Eles se renderam e não podem mais nos ferir!
Ela balançou a cabeça, querendo afastar aquela voz tentadora da princesa de seus sentidos. Porra! Kassandra era uma antiga Julgadora, deusa em ascensão e não um animal de estimação controlado por uma humana qualquer.
— Por favor — implorou se aproximando cada vez mais. — Mostre a eles que você é diferente.
Bastou apenas um olhar para Lyanna conseguir desarmá-la de todas as formas. Kassandra soltou o segurança abruptamente se perdendo nos olhos verdes mais hipnotizantes que já vira. Estava preparada para aceitar as súplicas da princesa quando um cheiro familiar invadiu seus pulmões.
— Falei que ela era mais do que qualificada — uma voz levemente rouca comentou, chamando atenção de todos. – Mas nunca imaginei que a veria aceitar uma ordem. Ainda mais de uma humana.
Kassandra virou o rosto um pouco para a direita, encontrando os olhos castanhos amarelados lhe fitando e as cicatrizes repuxadas pelo sorriso que estava nos lábios do homem. Ela apertou o cabo de Noturna, recebendo uma leve chiada da espada reagindo a sua raiva.
Zanur Mitchell estava ao lado de uma mulher loira, de olhos azuis escuros e vestindo um jaleco vermelho que chegava aos joelhos. Mas o que chamava mais atenção eram os traços em sua face; era quase uma representação de Lyanna mais velha, com a diferença dos cabelos loiros e olhos azuis. A princesa era a junção perfeita dos pais.
— Você se tornou uma mulher bela e forte, Ellisse.
— Kassandra. — corrigiu num rosnado, dando um passo em sua direção. — Ellisse morreu há muito tempo, não que isso importe para você.
Os olhos de Zanur emitiram um rápido brilho, então ele deu um passo na direção da sobrinha, mas a princesa ficou entre os dois na intenção de bloquear a intensa troca de olhares.
— Cuidado com esse tom! Não sabe nem da metade dos sacrifícios que fiz por você, pirralha! – retrucou tentando passar pela princesa.
— Parem vocês dois! O que está acontecendo aqui, mãe? — perguntou olhando para a doutora por cima do ombro de Zanur.
A ex-rainha respirou fundo antes de se manifestar pela primeira vez.
— Acho melhor explicar tudo num lugar menos público. — Ela olhou para o segurança mais próximo que sobrevivera ao ataque. — Limpe essa bagunça e certifique-se de que o motorista não falará nada sobre o que aconteceu aqui; Dê uma boa quantia dinheiro se precisar.
— Como quiser, Doutora Asker. — murmurou o homem antes de começar suas tarefas.
— Agora vamos. Não tenho muito tempo livre e acredito que vocês também não.
A Doutora deu as costas para eles e entrou no prédio pela porta corta-fogo da saída de emergência com Zanur em seu encalço. Kassandra não fez nenhuma menção de seguir aqueles dois; estava pronta para dar meia-volta e sair daquele lugar quando sentiu uma mão tocar seu rosto.
— Ainda está comigo? — perguntou Lyanna, atraindo o olhar de Kass com facilidade.
Ela ficou encarando a princesa, sentindo toda sua raiva — inclusive a de Noturna — escoar como água pelo ralo. De alguma maneira, aquela humana a fazia ser diferente. Boa.
— Sempre.
Lyanna sorriu timidamente antes de assentir.
— Ótimo — ela olhou para trás na direção do carro. — Pode buscar Yass? Não quero deixá-lo sozinho com um completo estranho e que nos trouxe direto para uma emboscada.
— E que deixou você sair do carro. — completou Kassandra num resmungo.
— Não o culpe por isso. Ninguém resiste a um rostinho bonito; ainda mais suplicando da maneira que eu fiz com lágrimas nos olhos.
Kassandra cruzou os braços e arqueou as sobrancel0has.
— Devo ficar preocupada?
— Certamente. Ainda mais depois de ter aceitado a ordem de uma humana. – disse dando de ombros.
Ela ficou impressionada com a ousadia da princesa, observando-a se afastar e passar pela porta corta-fogo. Kassandra balançou a cabeça negativamente, concordando mentalmente o quão ferrada estava nas mãos daquela maldita humana.
…
O escritório da Doutora Asker era enorme e ficava no quadragésimo e último andar do prédio. Havia uma grande mesa de mármore com uma cadeira confortável em couro e uma vista panorâmica da Capital Emblemática Losva logo atrás. Uma maca de exames estava no extremo lado direito e uma pequena mesa com algumas ferramentas médicas dispostas como: estetoscópio, esfigmomanômetro e termômetro. Já no extremo lado esquerdo havia uma mesa extensa, também de mármore, com quatorze cadeiras de estofado marrom escuro onde Zanur e a mãe de Lyanna estavam acomodados.
A Doutora Asker era, claramente, uma daquelas pessoas onde o dinheiro não importava. Tudo naquele lugar, desde a construção do prédio até sua sala, era ricamente arquitetado para suprir mais do que as necessidades das pessoas que trabalhavam naquele lugar.
Uma robô humanoide se aproximou para receber o grupo. De longe qualquer um poderia confundi-la como humana, pois não havia nada, além da fala levemente metálica, que a denunciasse como robô.
— Sejam bem-vindos ao escritório particular da Doutora Asker! — disse animadamente. — Meu nome é Wonder e sou assistente de laboratório, mas ajudo a doutora a receber visitas também.
— Prazer em conhecê-la, Wonder! — respondeu Lya.
Kass olhou para o lado distraidamente e encontrou Yass com os olhos azuis acessos completamente vidrados na morena robótica. Ela apertou os lábios para não rir antes de se curvar na direção dele.
— Hey. É normal você ficar vazando óleo? — zombou num sussurro.
Yass rapidamente desviou a atenção para o chão ao seu redor e, ao encontrá-lo limpo, se voltou para Kassandra que sorria abertamente agora.
— Isso foi uma...piada? — questionou com visível dúvida.
— Certamente.
— Me acompanhem, por favor. Vou acomodá-las na mesa junto com a doutora e o Senhor Mitchell. — Wonder virou na direção de Yass. — Você fique aqui, lindinho. Vai ficar comigo durante toda a reunião para me ajudar com algumas coisas. — explicou dando uma piscadela para ele.
Kassandra abriu a boca, pronta para importunar o robô novamente, mas a princesa a puxou pelo braço até a mesa onde Zanur e a Doutora Asker estavam, deixando Yass para trás.
As meninas sentaram de frente para os dois, interrompendo qualquer tipo de conversa que estivessem tendo. A doutora sorriu ao ver sua filha sentando bem na sua frente, mas não aconteceu o mesmo quando Zanur encarou sua sobrinha. Kass tinha uma terrível carranca em sua face; encarava qualquer coisa menos o tio.
— Bom, acho que agora podemos conversar apropriadamente. — começou a doutora. – Devo dizer, Kassandra Zaskov, que é um prazer finalmente conhecê-la. Ouvi muito sobre suas incríveis habilidades, mas os relatos não chegaram nem perto do que vi.
— Obrigada, Senhora Asker.
— Por favor, me chame de Jean. Não há motivos para tanta formalidade. — falou sorrindo.
— Sem ofensas, Senhora, mas não quero criar intimidades com uma mulher que me colocou em uma emboscada e descartou seus homens como se fossem nada. — murmurou Kassandra cruzando os braços.
Zanur riu discretamente e encarou a doutora.
— Não descartei ninguém, Senhorita Zaskov. — Jean se recostou na cadeira. — Aqueles homens faziam parte de um grande projeto que estou desenvolvendo.
— Projeto de Suicidas? — indagou Lyanna.
— Eles eram robôs com cérebros de criminosos sentenciados a morte.
Kass arqueou as sobrancelhas.
— Impossível. Noturna absorveu as almas deles.
— Uma alma só descansa quanto todos os restos mortais de sua casca perecem, Senhorita Zaskov. Escrevi um livro explicando a ligação de alma com o corpo e graças a ele tive a aprovação do Governo da Losva para iniciar esse grandioso projeto.
Houve um momento de silêncio. As garotas tentavam absorver as palavras da doutora cada uma a sua maneira. Kassandra estava se sentindo estúpida e completamente enganada. Aqueles robôs, se assim poderiam ser chamados, eram praticamente humanos. Sentiu a resistência breve da pele deles enquanto Noturna os rasgava, além das decisões estratégicas de abordagem.
— Mas não foi por isso que convocamos essa pequena reunião — Zanur se pronunciou, parecendo incomodado com a demora atrelada ao silêncio.
— E qual seria o motivo, então? — perguntou Lya encarando o homem com as sobrancelhas arqueadas.
— Selletus.
Kassandra arregalou os olhos ao ouvir o nome e encarou seu tio com frieza. Suas mãos se fecharam em punho sobre a mesa. Noturna queimava seu braço, compartilhando da mesma raiva de sua portadora. Elas passaram algum tempo sem ouvir sobre aquele maldito nome; e desejavam ter continuado assim.
— O que tem ele? — A pergunta saiu mais como um rosnado, mas foi o melhor que Kassandra conseguira.
— Recebemos informações de fontes confiáveis de que ele está montando um exército poderoso para confrontar os deuses.
Ela revirou os olhos diante as palavras de Zanur.
— Sabe tão bem quanto eu que Selletus pode reunir um exército maior que Linearth e mesmo assim não adiantará! — bufou irritada com aquela situação.
— Sabe tão bem quanto eu que há uma forma. — retrucou.
Noturna parou de se manifestar imediatamente.
— Impossível. Ninguém, além de mim, pode controlar Noturna.
— As Bruxas de Gaddgus discordam.
Kassandra rosnou baixo em descontentamento.
— Bruxas de onde? — perguntou Lya alternando o olhar entre sua mãe e Zanur.
— Bruxas de Gaddgus, Alteza. São mulheres extremamente poderosas, exiladas da humanidade pelos próprios deuses por serem poderosas praticantes da magia negra. — Zanur respirou fundo antes de continuar. — Selletus costumava levar Ellisse para sessões de extração na ilha delas, para tentar tomar Noturna para ele.
A princesa encarou Kassandra, mas a mesma parecia longe — encarando o nada — diante daquela informação.
— Desde quando isso está acontecendo? — continuou a princesa.
— Não sabemos. Por isso estou infiltrado como segurança do Rei Anthony. Ele parece ter se aliado a causa de Selletus por um motivo.
— Governar Terhia. — Jean complementou.
— Nunca! — exclamou Lyanna visivelmente irritada. — Isso é loucura! Como Selletus está montando um exército e os deuses não interferem?!
— Isso cabe a nós, Servidores dos deuses, a tarefa de pará-los, alteza. Pedi para sua mãe realizar essa pequena reunião para conseguir entrar em contato com Ellisse. — Ele desviou o olhar para sua sobrinha. — Precisa nos ajudar. Só você e Noturna têm poder o suficiente para conseguir parar Selletus. A humanidade está correndo perigo; Linearth inteira está.
Kassandra se levantou da cadeira, o olhar baixo para não encarar mais aquele homem.
— Ellisse morreu há muito tempo — murmurou. — Vocês a deixaram para trás, sozinha com aquele monstro, e agora só apareceram para pedir ajuda?
— Ellie…
— Meu nome é Kassandra Zaskov, protetora da Princesa Lyanna Montoro Asker a herdeira de Terhia. Vou continuar cumprindo meu dever como tal e a você, Servidor dos deuses, desejo sorte para cumprir o seu, mas não me venha pedir ajuda depois de tudo!
Zanur se levantou da cadeira rapidamente. Suas sobrancelhas arqueadas, parecendo não acreditar nas palavras da sobrinha.
— Uma enorme guerra irá acontecer! E, cedo ou tarde, Selletus virá atrás de você!
— Então que venha! – Exclamou ao perder a paciência. Ela olhou na direção da princesa depois de alguns segundos. — Podemos ir?
Lya olhou brevemente para a mãe, recebendo um aceno positivo.
— Claro — A princesa olhou na direção de Zanur. — Foi um prazer conhecê-lo, Senhor Mitchell. Até logo, minha mãe. — Ela, então, olhou para o outro lado. — Vamos, Yass!
O robô estava segurando uma bandeja com quatro copos de cristal enquanto Wonder os enchia de água. Eles olharam na direção da princesa, então Yass deixou a bandeja encima da mesa redonda para atender ao chamado de Lyanna.
Kassandra não se despediu de ninguém, também não esperou por Lya enquanto seguia para o hall do elevador particular com o maxilar travado. Seu corpo estava infectado pela raiva, as palavras do seu tio torturando sua mente e sendo afastadas apenas quando o elevador chegou. Ela entrou, ficando de costas para as portas metálicas e ouvindo Lyanna entrar acompanhada por Yass. Encostou a cabeça na parede do fundo, tentando se controlar para não explodir ali mesmo.
Estava perdida em seus pensamentos quando sentiu braços delicados envolverem sua cintura. Kass fechou os olhos, gostando da sensação de sentir o corpo de Lya contra o seu; a respiração quente contra suas costas. Ela, naquele instante, esqueceu-se de tudo.
— Vai ficar tudo bem. Vou colocar o exército inteiro de Terhia para deter seu pai caso ele ouse tentar encostar um único dedo em você. — murmurou afundando ainda mais o rosto nas costas de Kassandra. — Independentemente da sua decisão, estarei do seu lado.
— Você tinha razão. — falou num tom baixo, ainda de olhos fechados.
— Sobre o que? — perguntou Lyanna se afastando minimamente.
Kass se virou para encarar a princesa, sentindo os braços soltarem sua cintura. Ela segurou o queixo de Lya para que seus olhos se encontrassem, então suspirou.
— Sobre me preocupar com seu poder de persuasão. Ainda não consigo entender como consegue me controlar tão facilmente. — confessou deixando um beijo na testa da princesa e vendo suas bochechas ficarem vermelhas.
A campainha do elevador tocou, indicando que tinha chegado ao andar térreo. Yass foi o primeiro a sair, enquanto Kassandra puxou o braço direito da princesa para entrelaçar com o seu e, assim, saírem do elevador. Algumas pessoas olharam na direção das duas. Lyanna não era apenas a princesa de um reino conhecido, mas, também, a herdeira do império Synol. Não era surpresa alguma que a reconhecessem ali.
O motorista aguardava ao lado do aerocarro, agora na área de embarque e desembarque localizada na frente do prédio. Ao avistar as meninas, ele rapidamente abriu a porta de trás do aerocarro; depois de embarcá-las, foi para o porta-malas acomodando o robô no compartimento apropriado. O homem não falou nada, apenas manobrou o veículo seguindo para o colégio Bhakans e se afastando do prédio da Synol.
…
O Pátio Principal do colégio estava agitado. Alguns funcionários contratados para a organização da festa corriam de um lado para o outro arrumando os últimos detalhes. Faltavam apenas três horas até o início do grande evento que era a Festa de Boas-Vindas. Dentre a decoração, estava um extenso corredor feito de pétalas multicoloridas que começava da fonte, localizada no centro do pátio, até o Templo de Lótus. Algumas tochas complementavam o corredor, dando um ar medieval no meio da tecnológica Losva.
Federais acompanhavam toda a montagem do espaço tanto interno, no Templo de Lótus, quanto externo. Cinco deles ficavam em pontos fixo onde havia acesso ao colégio, controlando a entrada e saída com revistas minuciosas. Além disso, eles orientavam aos alunos para que não ficassem no pátio para não atrapalhar a organização.
A Capital Emblemática Losva ficava cada vez mais agitada com a aproximação do início da festa. Todos estavam curiosos para conhecerem os mais novos rostos do colégio e parabenizar os veteranos que se formariam no final do ano para servirem os deuses.
Kassandra caminhava ao lado de Lya, observando a movimentação intensa do pátio quando viu a Líder Esportiva se aproximando rapidamente.
— Estão atrasadas. – disse abruptamente. – Faltam poucas horas para a festa e precisam se arrumar! Vai ser demais! – falou batendo palmas com animação.
— Mal posso esperar. – resmungou Kassandra.
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