Nothing Hurts My World.
5 Goodbye.
Notas iniciais
- Matt, tá bem? – ouvi uma voz que me fazia arrepiar. Era Lisa.
- Oi Lisa. Nossa, acabei de acordar, você não vai me querer ver assim... – passei a mão na testa.
- Então. – ela sentou ao meu lado na cama. – Descobri que vou me mudar amanhã, e só vim aqui pra me despedir sabe, não sei mais quando vou ver vocês... Ainda é 11 da manhã, desculpa vir essa hora.
- Não, tudo bem, relaxa... Mas amanhã? Ele te deu a notícia ontem.
- É, mas de qualquer jeito, eu não quero ir... – ela começou a chorar, fiquei desesperado. – Eu só tenho uma amiga, que é a Mary. Não conheço ela há muitos anos, mas ela é especial demais pra mim, sempre está lá quando preciso. E se ela precisar de mim? O que vou fazer? Vou estar quase do outro lado do mundo pra quem sempre me ajudou.
Ela chorava e soluçava, baixinho. Então eu a abracei, quase chorando por vê-la daquele jeito. E o pior é que eu não podia fazer nada ali. Não naquele momento.
- Lisa, vai dar tudo certo. Se você não se acostumar lá, você convence seu pai pra voltar aqui. – disse eu, tentando secar suas lágrimas. – Você não é mais criança, ele vai deixar você voltar pra cá, tenho certeza.
- Obrigada Matt, de verdade. Você tem sido muito especial pra mim. – ela me abraçou e beijei sua testa, querendo vê-la melhor naquele momento.
Seu celular tocou.
- Pai? Ah tá, ok, já estou indo. – ela falou desanimada.
- Bom Matt, tenho que ir. Foi bom te conhecer e...
- Peraí, você tá se despedindo, não morrendo. – tentei fazê-la rir.
- Mas... Eu tenho que ir, é a vida. – ela correu pra porta.
Puxei-a pelo braço e disse:
- Vai embora sem nem me dar um beijo?
Ela olhou profundamente nos meus olhos e sorriu. Puxei-a pela cintura na tentativa de aproximá-la de mim, e a beijei. Foi um beijo calmo e intenso ao mesmo tempo, mais como de despedida.
O celular dela tocou novamente.
- Oi pai! – pude ouvir os gritos de seu pai no celular dela. – Ok, já to indo, caramba.
Ela olhou pra mim, me deu um beijo na bochecha e sorriu. Sorri de volta e ela foi embora. Não sei pra onde. Só sei que aquela garota me deixava feliz de algum jeito. Ela era tão animada, tão pra cima, tão alegre... Aquele jeito dela me contagiava.
Mary
Fui até o hotel onde Matt e Zacky estavam e Lisa foi se despedir de Matt. Eu não subi, não saberia minha reação ao ver Zacky e a dele ao me ver.
Fiquei esperando Lisa por uns 10 minutos, quando ela volta toda saltitante e sorridente.
- É impressão minha ou você tá feliz, tipo acima do normal?
- Não é impressão sua. – ela ficou calada por alguns segundos. – MARY EU BEIJEI O MATT! – ela pulava pela calçada.
- O QUE? – fiz uma cara feliz e de surpresa.
- SIM SIM SIM ok parei. – ela ficou quieta, e começou a rir muito.
- Que pena que vocês talvez não se vejam mais...
- Mary, nem me lembra disso... Nossa que vergonha, eu chorando na frente dele. Você sabe que odeio chorar na frente dos outros né.
- Eu sei.
- Bom, vamos lá no prédio encontrar meu pai. Já arrumei minhas coisas e acho que já vamos pegar o avião já. – ela disse, meio pra baixo. – E eu não sei o que vai ser de mim e do Matt. Nunca mais vamos nos ver, ele vai esquecer de mim e...
- Sua boba, vai ter show em Londres, que é onde você vai morar, não é?
- Vou...
- Então! Eu já comprei os ingressos pela internet, aí eu vou e você foge de casa pra ir e pronto.
- É, já fiz isso várias vezes sem meu pai perceber... O pior é que aqui eu sabia me virar sem ele, lá só sei o nome da rua que vou morar.
- Eu te levo, a gente pega um táxi, sei lá Lisa, mas você vai. – falei séria.
- Tá bom Mary, claro que eu vou.
Chegamos no prédio e o pai dela estava na porta, com as malas na mão.
- Vamos? – disse ele.
- Deixa eu ir na casa da Mary uns 10 minutinhos, pai?
- Ok, rapidinho.
Subimos e olhamos pra cara uma da outra, um pouco tristes.
Quando chegamos no meu apartamento, eu disse:
- É Lisa, nada dura pra sempre.
- Mary, muito obrigada por tudo que você já fez por mim. Quando meus pais se separaram, você me apoiou pra caramba, procurou saber como era, viu reportagens até, lembra? – ela riu e eu também. – E por tudo que você faz por mim até hoje. Sempre posso contar com você, sempre que tenho algum problema, ou quando estou meio triste... Eu venho aqui, a gente pede uma pizza e já fico feliz de novo. É sempre assim. Nesses últimos 3 anos, você tem sido a única pessoa que me entende e que realmente se importa comigo. – ela começou a chorar, e sequei suas lágrimas. – Eu te amo muito tá, não esquece.
Nos abraçamos intensamente. Eu sabia que demoraria a abraçar ela de novo.
- Lisa, eu sei que posso contar com você pra tudo também. Vai ser difícil ouvir música sozinha, comer pizza toda sexta sozinha, ir nos shows daqui sozinha... E eu só tenho mais uma grande amiga, que é minha irmã de 18 anos, mas você sabe que às vezes preciso mais de você do que dela. Eu realmente não sei o que seria de mim sem você nesses últimos anos. Obrigada por tudo, mesmo. – uma lágrima caiu do meu olho.
- Eu te amo.
- Também te amo, Lisa.
Ela saiu pela porta e fechei calmamente. Eu não poderia acreditar no que estava acontecendo. Mas eu sabia que uma hora ou outra, ela ia voltar.
Lisa
Meu pai saiu de casa 11h e só voltaria 12h. Aproveitei e acordei Mary correndo pra me despedir de Matt no hotel.
Foi estranho. Chorei na frente dele, e eu odiava chorar na frente das pessoas. E ele foi super legal comigo, me abraçou, me acolheu. Parecia que ele queria eu bem, mas queria estar comigo.
Devo confessar que eu queria muito um beijo de despedida dele, mas eu achei que o espantaria se eu tomasse essa atitude. Mas ele me surpreendeu, me deu um beijo calmo e ao mesmo tempo intenso. Ele beija muito bem, é. Eu acabei ficando com saudade disso também.
E já estou com saudades, confesso. E da Mary também, demais.
Lá no hotel, a Mary nem subiu pra não olhar na cara do Zacky. Ela queria dar tchau pro Jimmy, pro Brian e pro Johnny, mas sabia que ele estaria lá, então ficou ali na porta do hotel mesmo.
Voltamos pra minha casa e meu pai já estava lá. Subi com Mary pro apartamento dela e nos despedimos, foi difícil. Choramos um pouco, ainda não estávamos acreditando.
Desci e meu pai estava animado, não sei porque né.
- Não fica assim Lisa, você vai gostar de lá.
- Você acha mesmo que vou me acostumar em um lugar onde nunca vivi, não conheço nada? E vou deixar minha melhor amiga, minha irmã praticamente.
- Você vai falar com ela pela internet, filha.
- Você acha que é a mesma coisa? – olhei entediada pra ele.
Ele pediu um táxi que nos levou até o aeroporto.
Quando chegamos lá, ele fez tudo lá o que tinha que fazer pois eu não sabia, nunca tinha andado de avião.
Entramos no avião e alguém me ligou.
- LISAAAAA! – um bando de pessoas gritando.
- Quem é? – respondi, assustada.
- É o Matt, os caras aqui querem te desejar boa viagem, então.. BOA VIAGEM! – todos gritaram juntos e eu dava risada.
- Obrigada gente, quem sabe a gente não se vê lá...
- Claro, a Mary já comprou seu ingresso ela nos ligou agora pra falar, aí depois você vai no resto da tour com a gente! – disse Brian.
- Isso eu já tenho que planejar melhor, Brian... Mas no show eu vou sim.
- Então tá, nos vemos lá falou?
- Nos vemos..
- O Matt quer falar com você.
- Lisa?
- Oi Matt...
- Boa viagem, não esquece de mim tá?
- Tá bom! – falei rindo. – Agora tenho que ir, meu pai tá vindo e já vai subir aqui o troço.
- Boa viagem.
- Vou ficar com saudades. Tchau. – desliguei, mas fiquei feliz por eles terem me ligado. E ri muito de todos eles gritando juntos.
Meu pai chegou no avião e peguei meu notebook. Como não podia usar internet nem celular, fiquei só vendo algumas fotos minhas com a Mary. Na casa dela, na minha casa, nos lugares, comendo pizza, fazendo brigadeiro... Umas fotos bem doidas, e comecei a chorar. Como eu poderia deixar aquilo pra trás? E meu pai disse que não voltaríamos de jeito nenhum.
Longas 4 horas de viagem. Eu não parava de pensar em como falaria com o Matt depois, eu estava apaixonada por ele, eu odiava ficar assim. Eu ficava tão diferente, toda feliz e bobinha. E eu não poderia me apaixonar por ele, não sei porque.
Era ilusão. Ele era famoso e logo ia conhecer garotas mais gostosas e mais bonitas que eu, ia esquecer de mim logo logo.
Finalmente acabou a minha viagem torturante.
Eu e meu pai pegamos um táxi que nos levou pra casa. F
Falando na casa, por fora, ela era bonita. Aliás, até o bairro era bonito e bem alegre.
Entramos em casa e... Ah não, aquilo não estava acontecendo comigo. Meu pai sabia que eu nunca iria aceitar aquilo, já tínhamos conversado. Tentei ficar calma.
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