Nothing Hurts My World.
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Notas iniciais
- Pai, quem é essa? – disse eu, séria.
- É sua madrasta, filha! Ela se chama Elizabeth, mas pode chamá-la de Beth. – falou meu pai, achando que eu ia gostar da notícia.
- Oi Beth. – falei, tentando ser simpática e estendendo minha mão.
- Olá querida, espero que se dê bem comigo. E essa é minha filha. – uma menina loirinha e super fofa desceu as escadas.
- Oi linda. – falei tentando ser animada. Eu sempre tentava ser legal com crianças
- Oi, você é a Lisa?
- Sou eu sim.
- Lisa, o seu quarto é o último do corredor lá em cima, você vai dividir ele com a Lily.
Fiquei nervosa. Por mais que a garota fosse “legal”, eu não gostava de dividir nada meu. E se ela mexesse nos meus pôsteres? No meu violão? No meu notebook? Nos meus CDs e DVDs?
- Dividir? – falei, irônica.
- Sim filha, não tinha outro quarto pra você.
- Ah. – falei e fiquei pensando.
Subi e já colei alguns pôsteres do AC/DC e do Metallica.
Liguei meu notebook e fui no site do Avenged que a Mary era dona e tal. Vi a foto deles e praticamente só vi o Matt. Aquele sorriso, aqueles olhos, aquelas covinhas...
A Lily entrou no quarto então.
- Oi Lily. – falei tentando ser simpática. Afinal, eu iria conviver com ela por algum tempo.
- Você é estranha, com essas roupas pretas e essa maquiagem, parece um zumbi. – ela ficou me encarando.
- Algum problema com isso? – fiquei séria. Eu sabia ser chata com crianças, quando eu queria.
- Essas coisas feias na parede, vai ficar assim mesmo? Eu vou arrancar e.. – quando ela ia puxar, revidei.
- NÃO VAI FAZER NADA! – gritei segurando fortemente as mãos dela. – Essa metade do quarto é minha, e a outra é sua.
- Vou contar tudo pra minha mãe! – ela fez cara de choro e soltei as mãos dela.
- Quantos anos você tem?
- Tenho dez, por quê?
- Na sua idade eu já me virava, não precisava chorar pra minha mãe vir me livrar dos meus problemas. Vê se aprende tá?
- Chata.
- Igualmente, queridinha.
Ela olhou brava pra mim e dei risada. Quer dizer que além de uma madrasta, ganhei uma peste que tinha que dividir o quarto comigo? Só sei que aquela menina não ia com a minha cara, não sei por quê.
Meu celular tocou. O toque era Seek and Destroy, então era a Mary. Fiquei animada.
- Mary? – atendi, surpresa.
- Lisa meu amor!
- To feliz por ter ligado! É amanhã hein?
- O Matt disse que vai te ligar pra combinar, ele me mandou uma mensagem. E eu vou na sua casa onze horas da manhã tá?
- Ai Mary, não acredito! – fiquei muito feliz.
- Já sabe seu endereço?
- Sei mais ou menos, depois te mando por mensagem.
- Tá bom, eu pego um táxi do aeroporto e vou pra sua casa. Manda agora, não esquece!
- Tá bom Li, deixa eu terminar de arrumar as coisas. Tchau, até amanhã minha feia!
- Tchau minha gorda. – dei risada, ela odiava que eu a chamasse assim.
- Chata.
Mandei a mensagem com o endereço pra ela.
Meu celular tocou de novo. Aí começou “seize the day or die regretting the time you lost…” era o Matt. Minhas pernas tremeram.
- Alô?
- Lisa?
- Matt! Tudo bem
- Tudo sim, eaí?
- Fora ter que agüentar uma peste e uma madrasta, tudo sim.
- Como?
- É, eu ganhei uma madrasta, olha que legal. E junto veio uma pirralha chata pra caralho de 10 anos que quer arrancar tudo do meu quarto, que tenho que dividir com ela.
- Pô, boa sorte, imagino como é. Não tenho paciência com crianças. – disse ele, rindo.
- Eu até tenho, mas com criança chata...
Ouvi alguém abrindo a porta mas nem liguei pra ver quem era, eu estava ali boiando falando com o Matt, delirando praticamente.
- Então.. O show é amanhã, como vai fazer pra ir?
- Falo pro meu pai que vou na lanchonete que tem aqui na frente e pego um táxi que tem aqui perto. Vou pra lá com a Mary, ela vem aqui amanhã e vai me falar onde é. A gente fala pro meu pai que vai pro shopping depois e pronto, meu pai não vai desconfiar.
- Vai conseguir vir mesmo? – disse ele com uma voz alegre.
- Claro, eu não ia deixar vocês na mão né.
- Mas nem vai tentar ir pra turnê com a gente?
- Eu arrumo umas roupas, minhas coisas e pronto. Depois ligo pro meu pai, ele vai ter que aceitar né.
- Tem certeza? Não quero que seu pai brigue com a gente né.
- Que preocupação é essa, Matt? – falei, rindo.
- Poxa ia ficar feio né Lisa!
- Relaxa. Ele me trouxe duas surpresas não tão boas e vai ter que aceitar.
- Então amanhã a gente se vê?
- Nos vemos. – eu sorri mas aquilo não adiantou naquele momento, já que eu estava falando com ele no telefone.
- Boa sorte aí com a pirralha. – disse ele, rindo.
- É eu vou precisar viu!
- Boa noite minha linda.
- Boa noite. – eu disse sorrindo.
Matt
Liguei pra Lisa e ela me contou que tinha uma madrasta e uma pirralha enchendo o saco dela. Coitada, eu tinha idéia de como era.
Ouvi a voz dela e aquilo me deixou mais aliviado de alguma forma.
Quando fui dar boa noite pra ela, eu disse “boa noite minha linda”. Eu me senti um idiota. Porque eu falei aquilo? Mas eu pude ouvir que ela ficou feliz ao ouvir aquilo.
Desliguei o celular e fiquei ali, boiando, imaginando como seria encontrar a Lisa de novo.
Eu e os caras iríamos voar pra Londres em minutos, quando ouço alguém me chamando.
“Matt, Matt, Matt...”
- MATT ACORDA CARA!
- Pô Brian… — passei a mão na cabeça. – Eu liguei pra Lisa, ela vai no show amanhã.
- Agora sei porque tá todo bobinho.
- Bobinho? – olhei indignado pra ele.
- É cara. Enfim, vamos pra lá, levanta dessa cama. – ele me puxou pelos braços. – Ânimo. Vamos voar por 4 horas, cara.
Peguei minhas malas e fui pra recepção do hotel. Depois fomos de táxi até o aeroporto e eu não conseguia parar de pensar na Lisa e em como ela me fazia bem. Eu precisava ver ela logo.
Lisa
- Então você vai fugir de casa? — disse a monstrinha loira.
- Lily, vai pra sua metade do quarto e me deixa em paz.
- Vou contar tudo pro seu pai agora.
Ela foi saindo do quarto e eu fiquei na porta, séria.
- Não vai me dar nada em troca?
- Fala o que você quer.
- Você vai me dar uma Barbie colecionável de quatrocentos reais.
- HAHAHAHAHAHA ai garota, faz me rir! Não pago quatrocentos reais em nada pra mim, imagina pra você. – cruzei os braços e a encarei, ironicamente.
- Tá bom, então seu pai vai saber que você vai fugir pra ir na lanchonete com sua amiga que vai estar aqui.
Eu achei que ela tinha ouvido tudo, mas ela achou que eu iria fugir pra lanchonete. Eu ri muito né.
- Pode ir lá!
- Posso mesmo? – olhou ela, duvidando.
- Pode.
Ela ficou pensando e se deitou pra dormir. Fiquei rindo porque né.
Desliguei meu notebook e fiquei anciosa pelo dia seguinte. Já era meia-noite e a Mary ia chegar de manhã, onze horas. Eu iria estar dormindo mas ok.
Deitei pra dormir e fiquei ouvindo meus cds do Avenged bem baixinho no meu celular. Quando tocou Second Heartbeat, me lembrei do show e como foi conhecer o Matt.
Caí no sono.
Dez horas da manhã e alguém me cutuca, coisa que eu simplesmente odiava. Acordei e gritei:
- QUEM É A ESSA HORA CARALHO?
Meu pai olhou pra mim bem sério.
- Ah pai é você. – vi que Lily estava no fundo do quarto me olhando e gelei.
- Preciso conversar com você.
- Às 10 da madrugada? – olhei pro relógio. – Jura?
- Sim. Você não me disse nada sobre...
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