Nothing Can Get You Down
15 Capítulo Catorze
Notas iniciais
Eu sei, eu sei! Demorei por demais e nenhuma de vocês merecem isso! Poderia usar milhões de desculpas para justificar a minha falta, porém elas não seriam suficientes. Me perdoem de coração!
Sem contar com muito lero-lero, agradeço por demais a Lu e a Renata pela disponibilidade de sofrerem antes e consertarem as minhas burrices. Meninas, sem você nada disso aqui iria para frente! Muchas Gracias.
Lembrando que o twitter ("arroba"linelins) e no formspring (formspringme"barra"linelinss) eu to sempre a disposição para tirar as dúvidas de vocês.
Boa leitura!
Eu me sentia sobrecarregada.
O pior é que essa sensação nada tinha a ver com a bebezinha crescendo a olhos vistos dentro de meu corpo. Pelo contrário; o peso extra e o leve inchaço em minha pernas no final do dia eram sinais que tudo transcorria perfeitamente bem comigo e com a minha filha. Não havia absolutamente nada que pudesse me preocupar quando se tratava da minha gravidez.
Porém, ao contrário de meu organismo se adaptando as mudanças durante a gestação, minha mente não conseguia aceitar a situação na qual eu convivia atualmente. Não compreendia como, em tão pouco tempo, toda a minha realidade pudesse entrar em um buraco negro que parecia não ter fim. Isso era algo que há pouco tempo atrás, só achava que fosse possível acontecer em livros ou no cinema. Era algo surreal; a palavra drama era algo que tinha se instalado em minha vida e não queria mais ir embora.
A cada novo dia eu tinha um motivo para me sentir ainda mais ferida. Se não bastasse a falta de apoio de meu marido em relação a essa nova criança, Richard parecia ter finalmente tomado partido contra o novo bebê. No inicio, até cheguei a pensar que poderia ser apenas ciúmes, birra infantil, no entanto, nos últimos dias meu filho se mostrava mais arredio e isolado, mal trocava uma ou duas palavras comigo. E isso era algo que me destruía por dentro.
Em relação a Edward, eu já havia perdido as esperanças de que nosso casamento pudesse voltar as boas graças. Era como conviver com o estranho sobre o mesmo teto, tendo o agravante de ser totalmente dependente dele, financeiramente falando. Não que faltasse algo; Richard e eu tínhamos tudo do bom e do melhor, como sempre. No entanto, era bastante humilhante gastar do tão adorado dinheiro dele com todas as coisas necessárias para o futuro neném. O sorriso de escárnio em seus lábios a cada fatura do cartão de crédito recheada de compras em lojas de bebês ou alguma nova compra no fundo no closet era algo que não saia com facilidade de minha memória.
Era doloroso admitir, mas ultimamente eu vinha cogitando a ideia da separação, apesar de meu coração irracional se apertar com a simples ideia de um fim como esse para nós dois. Eu vivia em um paradoxo, sem conseguir conviver mais no inferno que era a indiferença de Edward nos últimos meses, porém sem poder ignorar os anos de felicidade plena que eu tive ao lado dele.
E se não bastasse o lado emocional, havia também a questão de dinheiro. Necessitaria de alguém para me representar em um pedido de divórcio e sabia que isso iria me custar os olhos da cara, afinal, eu ainda era casada com um advogado. Seria o cúmulo do absurdo entrar com uma ação como essa e ainda lhe pedir que bancasse o meu representante. Era algo hipócrita demais para se fazer
Se uma coisa era certa em minha vida era que precisava com urgência de independência financeira. Porém não fazia a mínima ideia por onde começar a alcançar isso. Eu estava grávida de quase sete meses, com um filho pequeno a tiracolo e todas as experiências profissionais que eu tinha se resumiam a um estágio durante os últimos períodos que fiquei na faculdade e duas temporadas de verão como vendedora na Newton´s quando ainda morava em Forks. Com a atual crise financeira e um curriculum como esse, eu duvidava muito que conseguiria qualquer tipo de trabalho que pudesse sustentar a mim e a meus filhos.
Eu poderia contar com o apoio dos meus pais, pois tinha certeza Charlie e Renee me receberiam de braços abertos, entretanto, como é que eu poderia voltar para casa trazendo duas crianças comigo? Meus pais viviam de forma simples, onde minha mãe continuava dando aulas e meu pai estava gozando os primeiros meses da aposentadoria. Seria justo incomodá-los trazendo mais três pessoas para sustentarem depois de tantos anos batalhando para que pudessem finalmente descansar?
Sem contar que eu não poderia ir para o outro lado do país e deixar Edward afastado de Richard e tão pouco meu filho gostaria de conviver sem o pai. Meu marido poderia estar ausente, embora era inegável que ele era louco por nosso garoto e estava tão aflito quanto eu em relação a apatia dele. Era evidente perceber o quão preocupado Edward estava, apenas ao ver seus repetidos esforços para interagir com o filho. Há quase uma hora, os dois estavam no quintal, praticando aleatoriamente um pouco de baseball. Richie jogava a bola descuidadamente de volta para Edward e por mais eu notasse que ele tentava empolgar a criança, nosso filho não parecia retribuir nem um pouco a animação.
Recostei minha testa contra o vidro frio da janela e pensei em como tudo seria muito mais simples se Edward tivesse optado por ficar ao meu lado durante essa gravidez. Provavelmente ainda estaríamos apreensivos e inseguros – como eu mesma ainda me sentia algumas vezes – porém, tê-lo me apoiando não levaria nosso matrimônio a beira da ruína e nem haveria uma criança inocente vivendo nessa linha cruzada que era conviver com meu marido. Não existiria esse clima pesado que pairava sobre nossa casa, quando ele e eu estávamos sobre o mesmo ambiente e já teríamos aprendido muito mais a lidar com a garotinha que estava por vir daqui a quatorze semanas.
Ainda me assustava quando eu mesurava o tempo dessa forma; em poucos meses, eu seria mãe outra vez e me sentia mais do que despreparada para litigar a carga de cuidar de uma criança especial. Havia tanto a aprender, estudar e dedicar que, ás vezes, chegava-me a dar enxaqueca. Era como se alguém tivesse jogado uma bigorna de 100 quilos sobre os meus ombros e me mandassem carrega-la por vários quilômetros. Estava em um misto de cansaço, pavor e ansiedade devido a pouca quantidade de tempo que eu tinha pela frente, somado ao peso das decisões que eu teria que lidar o quanto antes.
Tomei uma respiração profunda e tentei não me deixar abater por tudo aquilo, afinal, isso não fazia bem para o bebê. A Dra. Shelton vinha acompanhando a significativa subida da minha pressão arterial durante as últimas consultas e não estava gostando muito disso. Provavelmente era consequência de toda a tensão que estava sofrendo ultimamente, uma vez que eu tinha bastante cuidado com minha alimentação e até procurava caminhar um pouco para me exercitar. Contudo, essas atitudes pareciam não surtir efeito e temia que desta forma, tudo acabasse evoluindo para um pré-eclâmpsia ou até algo pior.
O chute acentuado em minha barriga fez com que eu saltasse dos meus devaneios e abrisse um sorriso com aquilo. Minha garotinha ainda sem nome começou a se movimentar com mais frequência há alguns dias e isso me deixou exultando de felicidade. Sua agitação em meu ventre era o combustível que mantinha a chama da esperança acesa dentro do meu peito.
– Mamãe está lhe perturbando pensando em tanta coisa, não é? – murmurei para a protuberância arredondada em meu estômago, acariciando vagarosamente minha pele.
A criança pareceu compreender o que eu disse e me respondeu com um conjunto de chutinhos mais intensos. Segurei um pouco minha barriga por conta da pontada mais forte e ri da pequena dorzinha no pé da barriga que aquilo me causou – Ok, princesa, eu vou parar de lhe incomodar.
Desenrolei a toalha que estava em meus cabelos e penteei as mechas molhadas rapidamente antes de tirar o roupão e vestir um moletom folgado e uma velha camisa de flanela que apesar de puída, ainda me aquecia bem. Eram roupas absolutamente comuns, contudo, a última coisa que se passava em minha mente era vaidade. Eu me sentia gorda, feia e quase uma adolescente outra vez devido a quantidade de espinhas em minha pele.
Se não bastasse tudo isso, o desinteresse de meu marido por mim nas últimas semanas era a cereja no topo do bolo para a minha baixa estima. Nós não havíamos trocado um beijo sequer depois do aniversário de Richard, há quase dois meses atrás. Os quartos eram separados há muito tempo e o contato de nossas peles era algo absolutamente sutil e apenas quando necessário, quando como eu lhe entregava uma correspondência, por exemplo.
Apesar de sermos casados a tanto tempo, antes do bebê nós tínhamos uma vida sexual saudável e extremamente intensa. No passado, uma palavra, contato ou somente o olhar eram suficientes para que a paixão explodisse entre nós dois, no entanto, desde a crise essa parte do nosso relacionamento entrou no status de inexistente.
Em uma de minhas longas conversas com Alice pelo telefone, ela cogitou a possibilidade de Edward estar me traindo. Lógico que aquilo foi como um soco para mim; em 10 anos, ele nunca tinha me dado margem para sequer imaginar que ele pudesse ter uma amante, no entanto, nas atuais condições de nosso casamento, era inevitável não começar a pensar nesta possibilidade.
Por mais que estivesse com raiva dele, não podia negar que meu marido era atraente. Edward possuía um charme natural e um sorriso arrebatador quando queria. Como todo bom advogado, ele tinha confiança em si mesmo e postura firme, algo que com certeza atraia bastante o público do sexo feminino. Junte isso ao fato de ele ser rico e milhões de mulheres caiam aos pés deles. Anos atrás isso nunca me preocupou, entretanto, se aquilo estivesse de fato acontecendo, acho que não saberia sequer como agir diante dessa situação.
Reuniões aos finais de semana, hora extra até mais tarde, a não importância com a forçada abstinência sexual... tudo isso eram fatores de que Edward poderia sim estar me traindo, porém, eu era covarde demais para pesquisar mais a fundo. Não tinha coragem de bisbilhotar os bolsos de seus ternos, cheirar suas roupas antes de mandá-las para a lavanderia ou acessar a sua conta pessoal de e-mail. Acho que já estava fraca demais para receber mais esse golpe, caso descobrisse algo.
Ao me olhar no espelho, não pude deixar de me sentir péssima. Estava um lixo tanto físico quando emocionalmente e a única coisa que via no meu reflexo era alguém não digna da beleza de Edward. De repente, passou pela minha cabeça que eu nem sequer poderia culpá-lo caso ele tivesse mesmo uma amante.
Virei meu rosto o amplo espelho que havia no closet e saí dali o mais rápido que eu pude e com as costas das mãos enxuguei o canto dos meus olhos levemente marejados. Era uma estúpida por me sentir tão emocional desse jeito e amaldiçoei cada hormônio louco que havia dentro de mim, trabalhando para me deixar no mais alto grau de sensibilidade. Em momentos como esse, eu me perguntava se a minha situação era realmente crítica ou se tudo o que eu passava era exageradamente aflorado por conta da minha gravidez.
Sai do quarto e parti em direção a ampla escada que me levaria até o andar inferior. Enquanto descia, escutei o barulho vindo da tevê, o que me revelou que o jogo lá fora já tinha se encerrado. Diminui meus passos quando ouvi a voz de Edward perguntar para o nosso filho a medida em que mais um comercial natalino se escutava ao fundo.
- Então, garotão, já sabe o que vai pedir para o Papai Noel?
Pude ouvi-lo tomar um suspiro e aquela atitude me pareceu algo tão fora do comum para alguém de apenas sete anos – Eu não sei.
- Como assim não sabe? – Edward perguntou outra vez, exatamente quando comecei a vê-los sentados no sofá. – Quem sabe aquele skate que você quer tanto?
Observei seus ombrinhos subirem e descerem indiferentes e logo depois ele acrescentou. – Eu sei que não vou ganhar nada mesmo esse ano.
- E porque você diz isso, Richie? Você foi um garoto bem bonzinho esse ano.
- Mas eu briguei no colégio duas vezes.
Edward abriu um sorriso, algo que eu não via nele a muito tempo. – Bem, eu também brigava pra caramba quando tinha sua idade. Mas mesmo assim, Papai Noel não deixava de me mandar nem que fosse um boneco de brinquedo.
Desci o último degrau e fiquei observando os dois interagirem — Eu só queria uma coisa e acho que isso não é muito legal – ele retrucou, sem parar de fitar a televisão.
- E o que é que você quer, amigão?
Finalmente, ele olhou para Edward e respondeu – Eu queria que o bebê da mamãe morresse.
Foi como um choque: um golpe duro, inesperado e mentalmente fiquei agradecida por ainda estar segurando no corrimão. Era óbvio que desconfiava da rejeição de Richie em relação à irmã, contudo não esperava que fosse algo tão grande como isso. Meu filho era apenas uma criança para já ter pensamentos tão maldosos como estes e isso me fez tremer por dentro.
Não tive coragem de permanecer naquele local e ver qual seria a resposta asquerosa de Edward para meu menino e por isso passei direto pela cozinha até chegar às portas dos fundos. Na varanda, segurei com força as barras de madeira que contornavam todo o espaço e tomei respirações profundas, tentando não ficar com raiva de um menino que mal havia completado sete anos. Richie não era responsável por agir dessa forma; tudo o que se passava na mente dele nesse momento era devido ao que ele tinha presenciado nos últimos meses.
Fechei os olhos com força e tentei segurar a bile em meu estômago ao mesmo tempo em que me esforçava para não lembrar da pessoa que provavelmente disseminou essa ideia no pobre do meu filho.
A porta de trás se abriu e ouvi os passos dele vindo em minha direção. – Você esta bem? – perguntou enquanto todo o meu corpo se retesava com o seu toque em meu ombro.
- Não encoste em mim! – sibilei entre os dentes, apertando minhas mãos em punhos contra o mogno envernizado e buscando controlar o vulcão de ira dentro de mim que estava prestes a explodir.
- Olha Bella, eu não tive culpa! Eu nunca imaginei que ele pudesse dizer algo desse jeito ou...
- Não teve culpa? – Rebati, alterando meu tom com uma risada sem humor algum – No mínimo você deve ter enchido a cabeça do nosso filho com ideias absurdas sobre a irmã dele. Você é o culpado por ele dizer sequer cogitar uma ideia tão repugnante como essa.
- Eu tenho culpa? – ele inquiriu exasperado – Eu não falei nada com o Richie sobre isso! Nem sequer tocar no assunto eu toquei, já que essa criança para mim não existe!
- Pelo visto não é só essa criança que não existe para você, não é? Minhas opiniões, meus medos, meus sentimentos... Nosso casamento já não vale mais nada para você.
- Não seja hipócrita, Bella. Foi você que nos colocou nessa situação! Se desde o início você tivesse me escutado e desistido dessa porcaria de gravidez, hoje já poderíamos estar esperando uma nova criança completamente normal!
- Não ouse dizer que minha filha não é normal. A única pessoa doente aqui é você!
Ele riu sarcástico — Doente, eu? O fato de você ter seguido a diante com essa ideia maluca só prova que a única pessoa que precisa de tratamento é você!
- É, eu devo ter mesmo algum problema. — comentei, meu tom de voz mais ácido a cada palavra pronunciada. — Nenhuma outra mulher no mundo conseguiria viver com um homem como você.
- Ah, agora o problema sou eu? — ele rebateu, jogando as mãos para o ar — Você, influenciada por uma piranha estéril como a Rosalie, decide manter a porra de um bebê sem ter a mínima ideia do que fazer com ele. Depois, passa os últimos meses ignorando que ainda tem uma família, esquecendo de mim e do Richie, que só disse aquilo porque você não dá mais a mínima atenção para ele. Você não se importa mais com porcaria nenhuma que não seja relacionado a roupas, consultas e médicos para essa menina. Sua vida foi resumida simplesmente a essa... coisa.
- Olha aqui, Edward...
- Olha aqui você, Bella! — Ele gritou o que me fez recuar um passo para trás — Desde o início, nunca apoiei essa sua decisão, então não me venha agora dizer que eu sou o pior marido do mundo por não concordar com as suas loucuras. Se o Richie disse aquilo lá na sala há cinco minutos atrás, é reflexo do que você vem fazendo por nós dois nos últimos meses. Então, se existe alguém culpado por nosso relacionamento estar uma merda, essa pessoa é você!
Mesmo que seu discurso fosse afiado, não me deixei abater por suas palavras. Talvez com o tempo eu estivesse criando imunidade contra o veneno dele, sabendo agir com frieza e não me deixar levar pelas emoções como outras vezes. Ergui meu queixo, pois a última coisa que eu queria naquele momento era demonstrar fraqueza, mesmo que por dentro estivesse morrendo.
- Ok, Edward. Eu assumo que não estou sendo a melhor mãe do mundo para ele. Mas quem é você para julgar minhas obrigações como mãe? Nunca em todos esses anos que estamos juntos você passou tanto tempo enfurnado no trabalho. Quantas viagens você fez esse ano? Quantas noites você esteve aqui para colocá-lo para dormir? Quando foi a última vez que vocês brincaram juntos, como hoje? Você não tem um pingo de moral para questionar minha ausência na vida dele porque, pelo menos, eu sei o que ele está sentindo no fogo cruzado que é nossa vida a dois.
Como ele permaneceu calado com as minhas palavras, eu continuei — Definitivamente, nós deveríamos estar juntos desde o princípio, nada disso estaria acontecendo se você não fosse tão obtuso em suas decisões. Você não aceita ser contrariado e nem eu estou disposta a ser capacho de suas decisões. Eu ainda sou sua esposa e não uma escrava e não irei tolerar de forma alguma que trate a mim e a minha filha da forma que você vem fazendo.
- Sua filha. Você fala isso como se aí dentro estivesse o próximo Einstein, quando na verdade não passa de uma mongolóide.
O sangue fervia sob a minha pele, embora minha voz saiu extremamente tranquila enquanto eu acariciava a protuberância em meu ventre. — Garanto que ela é bem mais inteligente que o pai dela que parece extrapolar os limites da ignorância.
Eu me diverti internamente com a cara de choque dele, porém imediatamente recuperei o foco quando seus olhos queimaram com algo que parecia ser ódio. — Eu só espero que você não se arrependa de tudo o que está abdicando por sua filha, Isabella. — ele sibilou duramente antes de se virar e voltar pela porta da cozinha.
- Tenho certeza absoluta de que não irei. — respondi um pouco mais alto, para que ele me ouvisse mesmo de costas. Sentia as vibrações agitadas da bebê contra a minha palma e por mais que meus nervos estivessem em frangalhos, não pude deixar de abrir um sorriso de contentamento.
Esse era o primeiro de muitos e muitos argumentos que eu venceria em nome de minha menina.
[...]
Depois que voltei para dentro, Edward já não era mais visto em lugar algum da casa, coisa pela qual agradeci mentalmente. Encontrei Richie no canto da sala, jogando videogame e quando tentei conversar com ele sobre o que havia acontecido, ele foi extremamente grosseiro. Não pude controlar minha raiva acumulada no momento e acabei pondo-o de castigo, isolando-o no quarto sem qualquer segundo pensamento.
Para o jantar, esquentei as sobras de ontem e comi sem sentir realmente o gosto da comida, sorvendo mais por obrigação do que vontade para digerir qualquer coisa. Lembrava daquela velha expressão de que tinha que comer por dois e engolia mesmo a contragosto apenas pelo bem-estar de minha garotinha. Quando chamei Richie para a refeição, ele persistiu em sua teimosia, não querendo se alimentar e me ignorando por completo. Não quis adular ainda mais suas birras e decidi que quando estivesse com fome de verdade, ele mesmo procuraria algo para comer. Se ele tinha idade suficiente para falar uma frase tão dura como aquela, poderia muito bem começar a se virar sozinho quando quisesse se alimentar.
Já no final da noite, depois que eu tinha trancado a casa e disparado o alarme no andar inferior, me sentei na cama em meu quarto — agora sempre vazio, já que Edward e eu não dividíamos mais o mesmo leito — fazendo um de meus hobbiesfavoritos que era a leitura. Sempre odiei livros de autoajuda, porém não podia negar que as fontes que vinha consultando ultimamente, vinham me auxiliando por demais a que esperar com a chegada do bebê especial. Identificava-me por demais com relatos de outros pais, que tinham passado por uma situação como essa, no entanto tinham conseguido superar os obstáculos e hoje se orgulhavam de cada conquista que seus pequenos anjos alcançavam. Isso era uma fonte de inspiração para mim que absorvia cada um daqueles depoimentos e conselhos a fim de ajudar a mim mesma com os desafios que teria pela frente.
Estava tão envolvida na história de um casal que além de terem um filho portador da síndrome, haviam adotado mais uma menina excepcional que quase não pude ouvir as leves batidas na porta do meu quarto. Pedi calmamente para que entrasse a medida que desapoiava o livro de minha imensa barriga e me preparava mentalmente para mais uma provável discussão com Edward. Não sabia se seria capaz de lidar com outro estresse mental no mesmo dia, porém não me deixaria mais abater na frente dele, mesmo que isso me custasse mais uma dor de cabeça.
No entanto, para minha surpresa, uma confusão de cachos marrons espreitou pelo vão da porta. — Posso falar com você, mamãe?
Tentei lembrar que Richie não passava de uma criança; tão vítima de toda essa situação quanto a irmã que crescia protegida em meu ventre. Retirei os óculos de leitura do meu rosto e dei algumas batidinhas do meu lado, pedindo-lhe silenciosamente para que aproximasse, o que ele fez, de forma cabisbaixa o que partiu meu coração.
Assim que se sentou ao meu lado, não pude resisti em passar meu braço por seu corpinho já não mais tão rechonchudo como era antes. Meu filho havia dado uma boa esticada nesse meio tempo e eu me senti culpada por não me lembrar da última vez em que eu havia marcado sua altura, na "girafa-métrica" na parede do seu quarto. Tentei desamarrotar as rugas em seu pijama preferido enquanto ele se enroscava em meu corpo e começava a soluçar baixinho.
Meu coração se quebrou por aquilo, e apertei-o com mais firmeza contra o meu corpo ao mesmo tempo em que usava a outra mão livre para desenroscar os nozinhos de sua cabeleira selvagem.
- Shhh, docinho, não chore. – arrulhei, sentindo as primeiras lágrimas dele molhando a minha camisa. – Está tudo bem, filhote. Tudo vai ficar bem.
- D-d-descul-pa, mamãe.- Ele pediu, me fitando arrependido. As mesmas orbes verdes tão parecidas com as de Edward, o que de em certo ponto chegava a ser desconcertante, uma vez que achava que o pai dele nunca mais me olharia da mesma forma.
- Tudo bem, amor. Mamãe ficou muito magoada na hora, mas já passou. Eu sei que você não quis mesmo dizer aquilo, não foi?
Ele assentiu veementemente enquanto assentia e esfregava adoravelmente seu nariz. – Eu só tava com raiva dela, mas já pa-passou.
- E porque você estava com raiva de sua irmã? Ela ainda está aqui dentro da minha barriga, não pode ter feito algo que tenha lhe deixado chateado, certo?
Ele suspirou alto, parecendo muito mais velho do que realmente era e isso deixou-me sentindo um tanto culpada por ver meu menino amadurecendo tão cedo.. – Não fez, não... Mas é que você e o papai só começaram a brigar depois dela.
- Eu sei, Richie — comentei, coçando suas costas. – Mas todos os papais e mamães do mundo brigam, às vezes.
- Mas não o tempo todo. E toda vez depois que vocês ficam gritando, o papai vai embora de casa e eu num vejo ele por um tempão.
Senti-me extremamente envergonhada por fazer meu filho presenciar diversas vezes uma discussão entre nós dois. Era estúpido que gritássemos milhares de acusações um contra o outro, esquecendo que existia uma criança escutando aquilo tudo dentro da mesma casa. Tinha que aprender a me controlar melhor ou evitar qualquer tipo de proximidade com Edward daqui para a frente, já que sempre que nos encontrávamos estávamos sempre alfinetando um ao outro.
Talvez, também fosse hora de começar a lhe explicar que um divórcio entre Edward e eu seria o rumo mais provável do nosso relacionamento.
- Richie, filho. – comecei devagar, sem querer assustá-lo por completo com aquele assunto. – Você tem toda razão em dizer isso. Seu pai e eu não estamos nos dando muito bem ultimamente. E quando isso acontece, às vezes é melhor ficarmos longe um do outro, sabe? Para poder pensar melhor, parar de machucar...
- Vocês não vão se separar, né? – ele adivinhou, seu olhar praticamente suplicando para que eu não lhe confirmasse aquilo. – Por favor, mamãe, não separa dele! Eu prometo que vou ser bonzinho! Nem vou mais pedir pro bebê ir embora e nem brigar na escola. Mas, por favor, mãe, não deixa o papai ir embora de casa. Por favor, por favor...
Richie voltou a chorar alto em meu peito e eu mesma não pude controlar minhas lágrimas por ver o garoto mais importante do mundo para mim tão magoado e sofrido daquele jeito. Não era justo para nenhum de nós três a fase em que vivíamos. Richie merecia viver em um lar com felicidade, eu precisava de um pouco de calmaria pelo bem das minhas últimas semanas de gestação e a garotinha que crescia dentro de mim tinha que ser amada incondicionalmente por todos que a cercassem.
Quanto a Edward... eu esperava sinceramente que nós três estivéssemos em seus planos. Porém, a ausência dele naquele momento, enquanto nosso filho chorava copiosamente em meus braços, era comprovação que um final eminente dessa relação estava cada vez mais próximo.
Era uma questão de tempo saber quando isso iria finalmente acontecer.
[...]
- E então, querida, vocês pensam em vir para cá nesse Natal? Sabe, nós não vemos vocês desde junho! Fora que você sabe que Richie é praticamente meu neto e eu estou louca para ver o tamanho da sua barriga!
Sorri levemente enquanto equilibrava o telefone no meu ombro e procurava minhas chaves dentro da bolsa. Esme tinha um jeito tão maternal de ser que era impossível não se sentir confortada por suas palavras sempre doces. Desde muito pequena, sempre a considerei como uma segunda mãe, me dando cobertura em minhas travessuras e sempre fazendo montanhas de biscoitos para mim e para Alice durante nossas brincadeiras todas as tardes.
- Eu quero muito ir, Esme, de verdade. Só que ainda não sei quais são os planos de Edward para o feriado, então terei que conversar com ele primeiro sobre isso
Ouvi um bufo irritado vindo dela e não pude deixar de rir enquanto entrava em casa e afastava os flocos de neve que haviam ficado no meu casaco. — Eu não acredito que não vou te ver esse ano por causa de alguma birra estúpida de meu sobrinho! Renee e Charlie já sabem disso? Querida, falta apenas uma semana! Tem ideia de como será dificil conseguir um voo para cá a essa altura?
- Eu sei, Esme, mas darei um jeito. O Richie entrará no recesso de final de ano a partir de amanhã, e na mesma noite abordarei o Edward sobre o que faremos. Eu te ligo o quanto antes com uma resposta, ok?
- Tudo bem, querida. - ela respondeu, parecendo um pouco mais satisfeita. — Tem tantas coisas que eu quero falar para você, tanto para lhe dizer...
Franzi meu cenho, preocupada. — É algo importante? Eu estou sozinha em casa e se quiser, eu posso entrar no Skype. Você ainda lembra do que Alice lhe ensinou, certo? Como se conectar?
Ela soltou uma risadinha leve — Sim, sim, sim, Bella. Eu me lembro, porém, eu prefiro lhe dizer pessoalmente.
Dei de ombros, deixandoi minha curiosidade um pouco de lado. — Como você quiser, Esme. Te ligo amanhã, ok?
- Tudo bem, querida. Até logo.
- Tchau, Esme.
Desliguei meu aparelho e pousei minhas chaves e meu celular na mesinha do hall. Passei as mãos em meus cabelos. já sentindo a umidade da neve se derretendo entre os fios e me arrependi de não ter colocado um gorro em minha cabeça antes de sair e levar o Richie até o colégio. Há mais de dois dias, Chicago vinha sofrendo com uma frente fria bastante intensa e eu tinha a impressão de que se continuasse, ainda hoje anunciariam o snow-day.
Passei de frente a porta do escritório e fiquei surpresa ao ver a porta entreaberta do cômodo e ao me aproximar, escutei a voz abafava de Edward vindo de lá. Estranhei o fato de ele ainda estar em casa nesse horário, uma vez que quando acordei de manhã, não vi sinal de de seu carro na garagem. Diminui meus passos e fiquei ligeiramente escondida, a curiosidade tirando o melhor de mim para descobrir com quem ele tanto falava.
- Não, Lauren. Não irei mais fazer isso. Esse assunto se encerra por aqui e agora. — sibilou duramente, e eu poderia apostar que ele estaria segurando a ponte de seu nariz. — Eu mesmo tirarei as provas. Se Tanya Denali comentou com alguém sobre isso, irei descobrir mais cedo ou mais tarde.
Houve um silêncio e eu presumi que Lauren estava dizendo alguma coisa. Eu tentava lembrar se alguma vez havia escutado o nome dessa Tanya alguma vez antes, porém minha mente tinha quase certeza de que isso nunca havia acontecido. Quem seria ela? E porque diabos Edward a conhecia?
Escutei um murro na mesa e eu me sobressaltei com aquilo. — Esqueça essa ideia, Lauren! Bella em hipótese nenhuma pode saber disso, entendeu? — outro momento de silêncio enquanto meu coração palpitava forte em meu peito. — Não, não irá facilitar nenhum pouco as coisas. Se ela descobrir qualquer coisa relacionada a isso, nossos planos estão arruinados, ok?
A curiosidade me corroía enquanto escutava aquelas palavras, tentando colocar um significado para esse segredo. O que ele estava escondendo de mim? Já não bastava todas as coisas que ele omitia de mim desde que toda essa confusão em nossas vidas tinha se instalado? E quem diabos era Tanya? Uma nova funcionária? Uma amante acobertada por Lauren?
A ligação foi interrompida e resolvi deixar isso na vanguarda por algum tempo. Estava tão cansada de sempre brigar com Edward, que a última coisa que eu desejava agora era me decepcionar por mais uma coisa que ele ocultava de mim. Eu iria propor uma oferta de paz e, pelo menos durante esse feriado, iria fingir que não sabia de nada sobre isso. Respirei fundo e tentei parecer o mais imparcial possível ao abrir a porta do escritório e me fazer presente para ele.
- Tem um minuto? – perguntei despreocupadamente a medida que enfiava o meu rosto na sala. Tentei parecer indiferente quando ele me olhou e seu rosto se empalideceu ligeiramente, mas logo se recuperou.
- Ok. Faz tempo que você está aí? – ele perguntou, voltando a encarar a tela do monitor e digitar furiosamente alguma coisa.
- Não. – menti sem culpa alguma. – Só acabei de falar no telefone com sua tia.
- Aconteceu alguma coisa? – ele inquiriu, sem parar de franzir o cenho para o que lia.
Balancei minha cabeça em negação e torci para que ele pelo menos notasse o meu movimento de resposta. Mordi meu lábio inferior e retorci a ponta da minha bata enquanto me preparava para falar novamente, me sentindo como uma estúpida por estar tão insegura na frente dele. Será que nosso relacionamento já estava tão degastado desse jeito ao ponto de não confiar em falar seguramente com o homem com quem eu dividia minha própria vida?
Tomei coragem pelo fato de ele não continuar me olhando e comecei finalmente a falar. – Ela ligou para saber quais são nossos planos para o Natal. Você sabe como ela é em relação a quantos convidados terá na ceia e essas coisas...
Ele apenas meneou a cabeça, e eu me perguntei se ele tinha escutado qualquer coisa que eu havia dito. De repente, uma vontade imensa de fechar a porcaria do laptop e fazer com que ele prestasse atenção no que eu lhe dizia me bateu, porém tinha consciência de que precisava me controlar, se queria não entrar em mais uma discussão.
Forçando o meu melhor sorriso, eu voltei a falar. – E então?
- Então o que?
- Quais são nossos planos para o Natal? Você sabe, amanhã já é dia 21 de dezembro e o Richie entrará férias. Eu estava pensando se nós procurarmos um voo agora, talvez ainda teremos chances de conseguir um bom preço e...
- Eu não vou para canto nenhum, Isabella. – ele rebateu, me interrompendo abruptamente. – Tenho uma pilha de processos para analisar e várias questões importantes para resolver no escritório. A última coisa que eu posso fazer com meu tempo é viajar para o outro lado do país. — minha língua coçou para lhe perguntar se algum desses compromissos tinha a ver com a tal Tanya, contudo mascarei minha curiosidade e lhe fiz a pergunta mais simples que poderia fazer naquele momento.
– Por que?
Ele bufou irritado, finalmente voltando sua atenção para mim. – Diferente de você, Bella, eu tenho algo importante a fazer.
- Edward, por favor, é Natal. – quis passar uma voz leve, embora meu tom saiu obviamente desesperado. – Eu acho que seria bom para todos nós sairmos um pouco da cidade, ver nossos amigos. Talvez isso fosse importante até mesmo para nós dois. Sabe, não gosto de ficar o tempo todo brigando com você e...
Outra vez meu discurso foi interrompido, agora por uma risada sarcástica dele, o que me causou um arrepio que nada tinha relação com o frio fora de casa. Ele se levantou de sua poltrona a minha frente e começou a juntar alguns papéis a sua frente, pondo-os na maleta. – Você não gosta de ficar o tempo todo brigando? Por favor, Bella, não seja tão dissimulada.
- Como assim, dissimulada? – afirmei, ficando de pé e colocando minhas mãos espalmadas no tampo de vidro da mesa. — Eu falo sério quando digo que estou cansada de tantas brigas! Isso não faz bem para nenhum de nós. Você tem noção do quanto o Richie sofre vendo isso tudo entre a gente?
Ele continuou agindo como se eu não tivesse nada importante, — Tem ideia do quanto essas atitudes suas me machucam? – perguntei, não conseguindo evitar o tremor em minha voz.
- Ah, é. Desculpe. – ele grunhiu. – Eu me esqueci que o papel de vítima dessa história é você, e eu quem sou o marido cruel e ausente que não se importa nenhum pouco com a família dele.
- Bem é exatamente isso o que está acontecendo! Nunca antes Edward você se negaria a passar mais tempo conosco, como se... se existisse alguma coisa muito mais importante do que nós.
Ele vestiu o blazer de seu terno que estava pendurado na poltrona de forma irritada – Bem, Bella, eu faço isso porque eu tenho um trabalho. Trabalho esse que garante esse teto sobre sua cabeça.
Aquilo me zangou, porque ele mais do que ninguém deveria saber que eu não era esse tipo de mulher. – Escuta aqui, Edward, você sabe muito bem que eu nunca quis morar aqui. Foi ideia sua nos mudarmos para essa casa depois que os seus pais morreram. Preferia mil vezes ter algo bem mais simples se em troca tivesse o marido que eu conhecia.
- Engraçado você dizer isso, Bella — ele retrucou, abrindo a gaveta da escrivaninha e colocando algumas antigas faturas de cartão de crédito sobre o tampo. – Sabe o quanto você gastou nos últimos três meses em lojas de bebês? Quase seis mil dólares. Bem, não sou nenhum especialista nessas porcarias, mas me lembro muito bem de que para o enxoval do Richie não gastamos nem vinte por cento desse total até agora.
Senti minhas bochechas queimando de vergonha. Tinha noção que tinha me tornado um pouco consumista demais com coisas para minha filha, mas nunca imaginei que fosse um valor tão alto como aquele. Eu me orgulhava por administrar bem minhas finanças, porém havia extrapolado todos os limites nos artigos para a bebê. Um móbile, uma boneca, um vestidinho... Não sabia resistir e acabava comprando por impulso tudo o aquilo que achasse bonito, sem medir as consequências daquilo. O pior é que tudo era supérfluo, uma vez que nem sequer montado o quarto eu tinha adquirido ainda.
- Edward, eu posso explicar.
- Não preciso de explicação, Bella. – ele murmurou ainda me encarando — Mas sabe o que é mais engraçado nisso tudo? – como eu permaneci em silêncio, ele completou. – É que você gasta do meu dinheiro nisso. Justo eu que sempre fui contra essa criança. É um pouco revoltante saber que eu trabalho tanto para garantir essas coisas para uma garota que eu nunca quis.
Aquela frase doeu mais do que um tapa; nunca me senti tão humilhada. Pela primeira vez, Edward fez com que eu me sentisse exatamente como o pai dele me descrevera, assim quando lhe contamos da gravidez de Richie. Uma oportunista e interesseira. Naquele instante, senti que talvez para ele, o lixo lá fora tivesse mais valor do que nossa filha. Lágrimas encheram meus olhos, mas para não demonstrar nada na frente dele, fitei o chão, sem querer que ele presenciasse o quanto aquelas palavras haviam destruído meus sonhos de que um dia nós poderíamos ficar bem.
- Olha, Bella, eu não tenho tempo para isso agora.– ele murmurou, fechando sua maleta e dando a volta pela mesa. Parou a minha frente e ficou me observando por um bom tempo, antes de soltar um suspiro e fazer menção a tocar em meu rosto.
Porém, fui mais rápida em virar a cabeça e ficar encarando a parede. –Se quiser a noite nós podemos conversar com calma, ok? Eu tenho realmente que ir.
Permaneci em silêncio e ele não se demorou mais ali dentro do escritório. Assim que escutei a porta pesada de madeira sendo fechada levemente, o primeiro soluço irrompeu minha garganta, com tanta força e desespero que foi difícil até de respirar. Sem pensar muito mais, corri para o lugar onde ele estava, pegando o mesmo aparelho que ele tinha usado há tão pouco tempo atrás e discando os números que eu conhecia tão bem.
Senti minhas mãos tremendo enquanto passava uma delas sobre meu rosto enquanto a outra segurava o telefone até a ligação ser atendida. Quando escutei do outro lado da linha a voz forte, um misto de satisfação e desespero me consumiu e por um momento voltei a me sentir como uma menina desprotegida, desesperada por um pouco de carinho e conforto.
- Pai, sou eu, Bella.
– Olá, garota. – antes mesmo que ele acrescentar mais alguma coisa a saudação, eu já estava chorando sem controle – Bells, aconteceu alguma coisa? Onde está o Richie? Aconteceu alguma coisa com o bebê?
- Nós estamos bem. Mas eu p-preciso de um favor. — disse, minha voz falhando antes mesmo que pronunciasse a frase que mudaria minha vida completamente.
- O que você quiser, filha. Apenas me diga do que você precisa.
Reuni toda coragem que ainda me sobrava e finalmente decidir dar um basta naquela situação em minha vida, por mais que isso me destruísse por dentro – P-por favor, pai. Me leva de volta para casa, pai. Por favor!
Notas finais
Mas falando sério agora, se não for muito, queria muito umas reviews desse capítulo. Acho que ele foi o mais importante da estória até agora e mais do que preciso saber o que vocês tão achanado.
Ah, só mais uma coisinha! Muito obrigada a quem recomendou a fic! Voc~es não sabem o quanto isso significa para mim!
Vou deixar aqui uma promessa que tenho certeza de que irei cumprir: nos vemos dia 13/02. Estamos bem?
Beijos
Line
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