Narrado por Renesmee Sullivan


A primeira nota ecoa no pequeno bar, e o burburinho dos clientes diminui. Meus dedos deslizam suavemente pelas teclas do piano, e minha voz preenche o ambiente com os versos melancólicos de Chandelier.

"I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier..."

A música é intensa, quase desesperada, e eu me perco nela. Meus olhos estão fechados, mas sinto os olhares fixos em mim. Não é novidade—já estou acostumada com a atenção do público—mas há uma presença que se destaca entre todas. Ele está sempre aqui. Sempre na mesma mesa no canto, sozinho, com um copo de uísque na mão e um olhar que me observa de longe.

"I'm just holding on for tonight..."

A última nota se dissipa no ar, e o silêncio paira por um segundo antes que os aplausos preencham o espaço. Eu sorrio, tímida, e agradeço com um aceno discreto. Enquanto me levanto, avisto o garçom recolhendo as gorjetas no pote ao lado do piano. Entre as notas amassadas, há uma de cem dólares. Eu já sei de quem é.

Tomando coragem, me aproximo da mesa do estranho misterioso. Ele me observa, e agora que estou perto, percebo que seus olhos são ainda mais intensos—um castanho escuro profundo, cheios de algo que não sei nomear.

— Você tem o hábito de pagar tanto por uma música? — pergunto, cruzando os braços.

Ele ergue levemente a sobrancelha e sorri de lado.

— Só quando a música vale cada centavo.

Sinto minhas bochechas esquentarem. Eu deveria agradecer e sair, mas há algo nele que me faz querer continuar ali.

— Meu nome é Renesmee. Renesmee Sullivan.

Ele me observa por um instante antes de responder, como se saboreasse as palavras.

— Jacob. Jacob Black.

Seu nome soa bem, firme, como ele. Eu o estudo por mais um momento, intrigada. Ele não é como os outros clientes. Ele não vem para conversar, paquerar ou tentar me impressionar. Ele apenas... me observa.

— Obrigada pela gorjeta, Jacob Black. Mas você não precisa fazer isso.

Ele inclina a cabeça, analisando-me com um olhar curioso.

— Eu sei. Mas quero.

Meu coração dá um salto involuntário. Há algo nele que me faz querer saber mais, mesmo que uma parte de mim diga que esse homem pode ser um enigma perigoso.

— Bem, espero que volte amanhã — digo, sorrindo.

Ele ergue o copo num gesto sutil.

— Eu sempre volto.

E de alguma forma, eu sei que ele está dizendo a verdade.


Notas finais
Sei que estou devendo muitas atualizações, estou me organizando pois voltei a trabalhar. Se tiver leitoras vou postar essa história também.