Notas do Passado

10 Minha salvação


Narrado por Renesmee


Jacob abriu a porta do carro para mim, demonstrando um cavalheirismo que eu não esperava. Entrei no veículo e, logo depois, ele assumiu o volante, guiando-nos pelas ruas iluminadas de Nova York. O trajeto foi tranquilo, e em poucos minutos chegamos ao restaurante.

O lugar escolhido por ele? "The Modern." Um dos restaurantes mais sofisticados de Manhattan, localizado dentro do MoMA. O ambiente era elegante, com paredes de vidro que proporcionavam uma vista incrível dos jardins do museu, além da decoração minimalista, com toques de arte moderna.

Um maître nos recepcionou assim que entramos e nos conduziu até uma mesa reservada perto da janela. A luz suave das luminárias criava um clima intimista, e a música ambiente, um jazz discreto, tornava o jantar ainda mais agradável.

Jacob puxou a cadeira para mim antes de se sentar.

— Muito cavalheiro da sua parte. — Comentei, arqueando a sobrancelha.

Ele sorriu de canto.

— Dizem que as primeiras impressões são importantes. Quero garantir que a minha seja boa.

Segurei o cardápio e o folheei sem pressa. Assim que fizemos nossos pedidos, Jacob recostou-se na cadeira e me observou atentamente, como se tentasse decifrar algo em mim.

— Então, Renesmee... Me fale um pouco sobre você.

Apoiei os cotovelos na mesa e entrelacei os dedos.

— O que quer saber?

— Comecemos pelo básico. Família, trabalho... O que faz da vida além de tocar no Lennox Lounge?

— Sou estudante de música. Tirei um tempo da faculdade, mas pretendo voltar no próximo ano.

Ele assentiu, interessado.

— E sua família?

Suspirei e encostei as costas na cadeira.

— Sou filha do grande CEO Sullivan.

Jacob ergueu as sobrancelhas, claramente surpreso.

— Sullivan? Robert Sullivan?

— Vejo que conhece.

Ele deu um pequeno sorriso.

— Digamos que já o encontrei em alguns eventos.

Cruzei os braços sobre a mesa, inclinando-me levemente.

— E qual a sua impressão dele?

Jacob segurou a taça de vinho que o garçom acabara de servir e girou o líquido dentro do copo antes de responder.

— Ele é um homem de negócios implacável. Respeitado, influente. Mas também... um homem difícil de lidar, imagino.

Soltei um riso baixo.

— Você não faz ideia.

Jacob apoiou os antebraços sobre a mesa, me observando com aquele olhar intenso que sempre me desconcertava.

— O que me intriga é... — Ele fez uma pausa, brincando com a borda da taça de vinho. — O que uma herdeira milionária faz morando no Brooklyn?

Meu sorriso vacilou por um segundo. Pensei na resposta, mas a verdade não era algo que eu queria compartilhar. Falar sobre meu casamento arranjado só traria mais perguntas, e eu não queria estragar a noite.

— Eu e meu pai temos alguns... impasses. — Escolhi minhas palavras com cuidado.

Jacob pareceu compreender. Ele apenas assentiu, sem pressionar.

— Entendo. Às vezes, manter distância é necessário.

Aproveitei para mudar o foco da conversa.

— E você? O que te leva todas as noites ao Lennox Lounge?

Jacob riu baixinho e se recostou na cadeira.

— No começo, apenas curiosidade. Queria um lugar para relaxar depois de um dia de trabalho... Mas aí, em meio ao jazz e à fumaça dos charutos, uma pianista encantadora roubou minha atenção.

Senti um calor súbito nas bochechas e desviei o olhar, fingindo ajeitar um dos talheres.

— Não sabia que tinha essa lábia toda. — Brinquei, tentando disfarçar o rubor.

Ele sorriu de canto, divertido com minha reação.

— Não é lábia. É a verdade.

O jantar seguiu de forma surpreendentemente agradável. Jacob tinha um jeito descontraído, sempre com um comentário espirituoso na ponta da língua. Ele conseguiu arrancar algumas gargalhadas genuínas de mim, algo que eu não percebia o quanto sentia falta até aquele momento.

O restaurante era sofisticado, com uma iluminação quente e suave que tornava tudo mais intimista. O aroma dos pratos finamente preparados misturava-se ao som discreto de um saxofone tocando ao fundo. Por algum motivo, aquele ambiente parecia se encaixar perfeitamente com a presença de Jacob Black.

Eu o observava enquanto ele falava, notando cada detalhe — o corte impecável de sua camisa, a forma como ele segurava a taça de vinho, os olhos profundos que pareciam sempre avaliar tudo ao seu redor com atenção. Era inegável: eu estava atraída por ele.

As palavras do meu pai voltaram à minha mente. Ele me dera a liberdade de escolher meu futuro marido. Casamento nunca fez parte dos meus planos, mas e se Jacob Black fosse a solução? Ele não era como os homens que meu pai tentava me impor. Era independente, seguro de si, e eu sabia que, ao lado dele, nunca seria apenas um enfeite.

Mas será que ele queria isso? Será que ele me queria?

— Parece distraída. — A voz de Jacob me tirou dos meus devaneios.

— Só estava pensando. — Respondi, girando distraidamente a taça entre os dedos.

— Em quê?

Mordi o lábio, ponderando se deveria dizer a verdade. Mas, ao invés disso, sorri de lado.

— Nada que importe agora.

Ele arqueou a sobrancelha, claramente curioso, mas não insistiu. Apenas ergueu sua taça em um brinde silencioso, e eu fiz o mesmo.

Naquela noite, uma ideia começou a tomar forma na minha mente. Talvez Jacob Black fosse mais do que apenas um jantar agradável. Talvez ele fosse a chave para minha liberdade.

Após o jantar, Jacob sugeriu que prolongássemos a noite. Eu, de imediato, aceitei, sem sequer hesitar. A noite estava fresca e calma, e ele me conduziu para um lugar especial, um local com uma vista deslumbrante de Nova York: o Brooklyn Bridge Park. De lá, a visão da cidade parecia ainda mais mágica, com as luzes refletindo nas águas escuras do East River, e a famosa ponte de Brooklyn iluminada como um colar de diamantes.

Caminhamos lado a lado, o som suave da cidade à distância sendo quase como uma música de fundo para nossa conversa. Ele fez perguntas sobre o que eu pensava da vida, sobre o futuro, mas algo em seu olhar, algo em seu jeito, me dizia que ele estava esperando por mais do que apenas respostas superficiais.

— Eu não sei bem o que está acontecendo aqui, Nessie... — Jacob disse, interrompendo o silêncio entre nós. Ele parecia pesar cada palavra.

Eu olhei para ele, sentindo meu coração acelerar.

— O que você quer dizer com isso?

Ele parou de caminhar, virando-se para mim com uma intensidade nos olhos que me fez dar um passo atrás, quase em um reflexo. Mas não era medo. Era algo mais, algo que eu não conseguia nomear ainda.

— Eu nunca pensei que seria assim. — Jacob deu um sorriso sincero, quase vulnerável. — Nunca imaginei que conhecer alguém pudesse fazer tanto sentido. Você... você tem algo que me atrai, Renesmee. Algo que eu não sei explicar. E, se for possível, gostaria de te conhecer ainda mais. Gostaria de estar mais perto de você.

Minha respiração ficou mais pesada, e o mundo ao nosso redor pareceu se reduzir àquele momento. Ele deu um passo mais perto, sua mão alcançando a minha, e o toque suave de seus dedos me fez estremecer.

— Jacob... — Foi tudo o que consegui dizer, minha voz baixa e carregada de emoções misturadas.

E então ele se inclinou, sua presença tão intensa que eu não consegui resistir. O beijo foi suave no início, como se ambos estivéssemos esperando pela permissão do outro para seguir adiante. Mas, logo, a necessidade tomou conta de mim. Eu o puxei mais para perto, e o beijo se aprofundou, um encontro de almas e corações que parecia predestinado.

Enquanto seus lábios tocavam os meus, senti uma onda de calor, e uma voz interior sussurrou: Esse é o caminho, Renesmee. Não desperdice essa chance.

Ele era a minha salvação. O destino havia, de algum modo, colocado Jacob Black em meu caminho, e eu sabia que não iria deixar essa oportunidade escapar. O beijo, tão cheio de sentimentos que eu não entendia completamente, foi uma confirmação do que meu coração já sabia: Jacob era a pessoa que eu precisava.