O caminho de volta foi tranquilo, mas carregado de um silêncio cheio de significados. Eu estava perdida em pensamentos, sentindo ainda o gosto do beijo de Jacob em meus lábios e a forma como seu toque despertava sensações novas e intensas dentro de mim.

Ao estacionar em frente à mansão, ele desligou o carro e virou-se para mim.

Ainda é cedo… — disse com um sorriso sugestivo. — Que tal conhecer meu apartamento?

Minha respiração vacilou. O convite era claro, e eu sabia exatamente o que aquilo significava. Jacob Black me atraía de uma forma avassaladora, e parte de mim queria dizer sim sem hesitar. Mas a outra parte, aquela que sempre manteve controle sobre minha vida, hesitou.

Eu nunca estive com um homem. Nunca havia me entregado a ninguém. Meu relacionamento com Alec nunca chegou a esse ponto, e agora, diante da possibilidade de dar esse passo com Jacob, uma onda de dúvidas me atingiu. Eu queria, mas estava pronta?

Eu… acho melhor ir para casa hoje. — Minha voz saiu baixa, e mesmo sem mencionar o verdadeiro motivo da minha recusa, Jacob pareceu compreender.

Ele não insistiu. Apenas assentiu, esboçando um pequeno sorriso, e saiu do carro para abrir a porta para mim. Quando parei diante dele, ele me puxou suavemente pela cintura, os olhos escuros mergulhando nos meus antes de capturar meus lábios em um beijo intenso.

Havia desejo ali, mas também havia algo mais… algo profundo, algo que me fazia sentir que Jacob não era apenas um homem qualquer. Ele poderia ser muito mais para mim.

Quando nos afastamos, ele deslizou os dedos pela minha bochecha e sussurrou:

Boa noite, Nessie.

Meu coração ainda estava acelerado quando me virei e entrei pelos portões da mansão. O lugar estava silencioso, apenas as luzes baixas iluminavam a entrada. Agradeci mentalmente por minha mãe não estar na sala.

Subi as escadas devagar, tentando não fazer barulho. Mas, ao passar pelo corredor, ouvi vozes vindas do quarto dos meus pais.

Parei.

Robert, eu não suporto mais carregar essa culpa… — A voz de minha mãe, carregada de angústia, alcançou meus ouvidos.

Franzi o cenho. O que ela queria dizer com isso?

Nós cometemos um crime ao adotá-la… — A voz de Chloe quebrou o ar, e meu corpo inteiro congelou.

Minha respiração ficou presa na garganta, e um frio percorreu minha espinha.

Crime? Do que ela estava falando?

Afastei-me da porta, sentindo meu peito subir e descer rapidamente. Meu coração batia forte, e a confusão nublava minha mente.

Sem querer ouvir mais nada, corri para o meu quarto, fechei a porta e me encostei nela, tentando processar o que acabara de ouvir.

Meus pais… minha família… estavam escondendo algo de mim.

E, pelo tom de minha mãe, não era algo pequeno.


A água quente escorria pelo meu corpo, mas não conseguia acalmar o turbilhão em minha mente. Desde que descobri que era adotada, passei a me perguntar os motivos que levaram minha mãe biológica a me abandonar. Será que ela não me quis? Será que eu fui um erro?

Mas agora… e se a verdade fosse outra?

E se ela nunca tivesse me abandonado?

E se, em algum lugar do mundo, existisse uma mulher procurando por mim?

A ideia me atingiu como um soco no estômago. Sempre tentei não pensar muito nisso, sempre me contentei com o amor que recebi de Chloe e Robert, mas depois do que ouvi hoje… um crime. Essa palavra ecoava na minha cabeça sem parar.

Fechei os olhos e deixei um longo suspiro escapar, sentindo a água escorrer pelo meu rosto. Minha vida sempre pareceu perfeita aos olhos dos outros, mas agora tudo parecia se despedaçar.

Quando saí do banho, me enxuguei lentamente, tentando afastar aqueles pensamentos. Vesti um short de seda e uma regata leve antes de me jogar na cama.

Peguei o celular e vi uma nova notificação.

Jacob Black: Boa noite, princesa.

Sorri levemente, sentindo um calor suave preencher meu peito. Jacob. Mesmo sem saber, ele estava sendo uma âncora para mim.

Renesmee: Boa noite, cowboy. — respondi, deixando o celular de lado.

Talvez fosse hora de buscar respostas.

Eu precisava saber a verdade

Minha noite foi um completo desastre. Virei de um lado para o outro na cama, mas o sono simplesmente não veio. As palavras da minha mãe ecoavam na minha mente como um mantra torturante. "Cometemos um crime ao adotá-la."

Eu precisava de respostas.

Na manhã seguinte, acordei com uma determinação que há muito tempo não sentia. Se minha vida tinha sido construída em mentiras, então era hora de descobrir a verdade por conta própria.

Desci as escadas e encontrei meus pais sentados à mesa do café da manhã. Chloe lia o jornal enquanto Robert revisava alguns documentos. Eles pareciam tão normais, tão tranquilos… Como se nada estivesse errado. Como se tudo estivesse perfeitamente no lugar.

— Bom dia, querida — minha mãe disse, erguendo os olhos para mim. — Você chegou tarde ontem? Não ouvi você entrar.

Peguei uma torrada e dei de ombros.

— Sim, cheguei um pouco tarde. Mas nada demais, só um jantar.

Robert levantou o olhar para mim com um sorriso discreto.

— Um jantar? Com o seu misterioso pretendente?

Revirei os olhos.

— Talvez você já o conheça.

Meu pai arqueou uma sobrancelha, mas antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa, levei o copo de suco aos lábios e mudei de assunto.

— Vocês chegaram a conhecer minha mãe biológica?

O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Meu coração acelerou ao ver a expressão tensa dos dois. Robert foi o primeiro a reagir, pousando os papéis na mesa e me encarando.

— Por que essa pergunta agora, Renesmee?

— Porque eu decidi saber a minha história. A minha origem.

Minha mãe tentou sorrir, mas seu olhar vacilou.

— Querida, não há muito o que saber…

— O nome do orfanato onde me adotaram — cortei, sem paciência para rodeios.

Os olhos de Chloe se arregalaram brevemente, e eu soube naquele instante que havia algo muito errado.

— Nessie, faz tanto tempo… — ela começou, tentando ganhar tempo.

— O orfanato não existe mais — Robert interrompeu, sua voz firme.

Meu olhar se fixou nele. Ele estava mentindo. Eu podia ver isso em cada detalhe de sua expressão. A tensão no maxilar, a maneira como seus dedos tamborilavam contra a mesa, o desvio sutil do olhar.

— Certo — falei, me recostando na cadeira. — Então eu mesma vou procurar minha mãe biológica.

Chloe soltou um suspiro curto e nervoso, e Robert fechou a expressão.

Eu havia tocado na ferida.

Agora só me restava continuar cavando até encontrar a verdade.

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Coloquei minha carteira dentro da bolsa, conferindo se estava com tudo que precisava. Meu coração estava inquieto, ansioso pelo que eu descobriria. Eu não fazia ideia de por onde começar, mas uma coisa era certa: eu não ficaria parada esperando que meus pais resolvessem me contar a verdade.


O som da porta se abrindo fez com que eu parasse por um instante. Minha mãe entrou no quarto, seu rosto carregando uma expressão de preocupação.

— Podemos conversar?

Assenti em silêncio, mas meu olhar logo se desviou para o celular que vibrou na escrivaninha. Uma mensagem de Jacob.

"Bom dia, princesa. Que tal um almoço hoje?"

Suspirei e bloqueei a tela sem responder. Minha mente estava ocupada demais para lidar com flertes no momento.

Chloe observou meu gesto e sorriu de canto.

— Esse rapaz parece estar interessado.

Revirei os olhos, impaciente.

— Você não veio até aqui para falar do meu suposto namorado.

Ela suspirou, parecendo cansada, e fechou a porta antes de se virar para mim novamente.

— Não, não vim. Mas precisamos conversar, Renesmee. Você quer respostas, e eu acho que está na hora de dizer a verdade.

Meu estômago se revirou.

— A verdade sobre a minha adoção?

Chloe assentiu e apontou para a cama.

— Sente-se.

Hesitei por um momento, mas cedi, sentando ao seu lado. Ela respirou fundo, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas.

E então, ela começou.

— A história que sempre te contamos não é exatamente verdadeira.

Engoli em seco.

— O que quer dizer com isso?

Ela fechou os olhos por um segundo, antes de me encarar diretamente.

— Você não foi adotada de um orfanato, Nessie.