Minha cabeça girava, tentando processar as palavras de minha mãe.

— O que você quer dizer com isso? — minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.

Chloe fechou os olhos por um instante e respirou fundo antes de continuar.

— Quando te adotamos, não foi por meio de um orfanato, como sempre te contamos. Uma mulher nos procurou... Ela disse que sua filha havia morrido no parto e que o bebê — você — precisava de uma nova família.

Meu coração batia tão forte que eu podia senti-lo na garganta.

— Essa mulher... era minha avó?

Minha mãe assentiu hesitante.

— Provavelmente, sim. Nunca soubemos ao certo. Mas ela parecia desesperada e garantiu que ninguém procuraria por você.

Meus olhos se arregalaram.

— E vocês simplesmente aceitaram essa história? Nunca se perguntaram se era verdade?

Ela desviou o olhar, parecendo envergonhada.

— Robert e eu queríamos um filho, e essa parecia a nossa chance.

A indignação tomou conta de mim.

— Vocês passaram por cima da justiça?

— Sim — ela admitiu, a voz trêmula. — Sua adoção não foi legal.

Meu peito subia e descia rapidamente.

— Vocês pagaram essa mulher?

Chloe hesitou, mas depois assentiu.

— Pagamos.

Me levantei de um salto.

— Meu Deus, mãe! Vocês sequer cogitaram que essa mulher pudesse estar mentindo? Que talvez eu tenha sido roubada dos meus pais biológicos?

Chloe me olhava com um misto de culpa e desespero.

— Eu sei, Nessie. Eu sei que foi errado. Robert ficaria furioso por eu te contar isso, mas... eu não posso morrer com essa culpa.

Meu peito ardia de raiva.

— Eu preciso sair daqui.

Agarrei minha bolsa e saí sem olhar para trás. Desci as escadas às pressas, ignorando os chamados de minha mãe. Saí da mansão como um furacão e entrei no meu carro, minhas mãos tremendo ao girar a chave na ignição.

Assim que fechei a porta, as lágrimas desabaram. Eu podia ter sido roubada. Meus pais verdadeiros podiam estar me procurando. E eu vivi minha vida inteira sem saber disso.

Meu celular vibrou, e vi a mensagem de Jacob piscando na tela. Sem pensar muito, digitei um nome.

"Te vejo no Madison Square Park."

Limpando o rosto rapidamente, liguei o carro e saí cantando pneus, deixando para trás a mansão que, de repente, já não parecia mais minha casa.


Dirigi por horas, sem um destino certo, apenas tentando escapar do peso esmagador da verdade. Meu peito doía como se tivesse sido partido ao meio. Tudo que eu conhecia, tudo que eu acreditava ser minha história, minha origem… podia ser uma mentira.

Quando finalmente parei o carro no Madison Square Park, percebi que Jacob ainda não havia chegado. Suspirei e saí do veículo, sentindo o ar fresco da noite contra minha pele. Caminhei até um dos bancos e me sentei, abraçando meus próprios braços como se pudesse me proteger do turbilhão de emoções que me assolava.

Meus olhos ardiam, mas não chorei. As lágrimas já haviam secado durante o trajeto. Eu me sentia vazia, perdida.

Se minha mãe biológica não tivesse morrido, como aquela mulher havia dito? Se, em algum lugar do mundo, houvesse uma mulher que chorava todas as noites por ter perdido sua filha?

Eu tinha pais. Pais que talvez nunca tenham me abandonado. E eu nunca soube disso. Nunca pude procurá-los.

Cada lembrança da minha infância agora parecia errada. Cada "eu te amo" de Robert e Chloe soava falso. Não porque eu duvidava dos sentimentos deles, mas porque tudo foi construído sobre uma mentira.

Fui arrancada de meus pensamentos por uma voz familiar.

— Nessie.

Levantei o olhar e encontrei Jacob parado ali, me observando com preocupação. Eu não disse nada. Apenas me levantei e o abracei com força, como se ele fosse a única coisa real em meio ao caos da minha mente.

Ele retribuiu o abraço sem hesitar, apertando-me contra seu peito largo e quente. O cheiro amadeirado dele me envolveu, trazendo um pequeno alívio para a tempestade dentro de mim.

— O que aconteceu? — ele perguntou em um tom baixo e cuidadoso.

Fechei os olhos, tentando encontrar palavras, mas tudo o que consegui fazer foi segurar ainda mais forte em sua camisa.

— Só… me abraça — sussurrei.

E Jacob me abraçou. Sem pressa, sem perguntas. Apenas ficou ali, segurando-me como se soubesse que, naquele momento, eu precisava disso mais do que qualquer palavra.


Narrado por Jacob


A luz da manhã entrou pelas frestas da cortina, trazendo-me de volta à realidade. Espreguicei-me na cama, sentindo o cansaço ainda presente no corpo. A noite com Renesmee havia sido intensa, não no sentido físico, mas emocional. Eu podia ver nos olhos dela que algo a perturbava profundamente.

Peguei meu celular no criado-mudo e vi uma nova mensagem na tela.

Sullivan: Espero que o encontro com minha filha tenha sido bom.

Soltei um suspiro pesado. Sullivan ainda tentava manter as aparências, mas eu sabia que, para ele, tudo começara como um jogo de interesses. O problema é que, para mim, não era mais sobre negócios. Eu estava envolvido. Eu estava apaixonado por Renesmee.

Deixei o celular de lado e fui para o banheiro. A água quente do chuveiro ajudou a aliviar um pouco a tensão dos meus músculos, mas minha mente ainda estava ocupada. Eu precisava falar com Sullivan. Se as coisas entre mim e Nessie continuassem avançando, ele precisaria saber que eu não era um peão em seu jogo.

Depois do banho, vesti-me rapidamente, pegando minha bolsa antes de sair do quarto. Ao chegar na cozinha, encontrei Lola sentada à mesa, tomando café com um olhar entediado.

— Perdeu a van de novo? — perguntei, já conhecendo minha filha bem o suficiente para saber a resposta.

Ela revirou os olhos e bufou. — O motorista saiu mais cedo hoje. Não é minha culpa.

Ri baixo e me servi de um café.

— Sei…

Lola me analisou com atenção, estreitando os olhos de forma suspeita.

— Então… Como foi o encontro? — perguntou, tentando parecer casual.

Levantei uma sobrancelha. — Desde quando você se interessa pela minha vida amorosa?

— Desde que percebi que você voltou tarde e parece meio aéreo — ela sorriu maliciosa. — Vem cá, essa mulher é sério?

Bebi um gole do café, mantendo meu olhar sobre ela.

— Ela se chama Renesmee. Você vai conhecê-la no fim de semana.

Os olhos de Lola se iluminaram.

— Sério? Isso quer dizer que é oficial?

— Significa que quero que vocês se conheçam — corrigi.

Ela sorriu ainda mais e balançou a cabeça.

— O nome dela é diferente… Renesmee. Parece nome de princesa ou algo assim.

Soltei uma risada baixa.

— É um nome único — concordei.

Ela pegou sua mochila e me lançou um olhar pidão.

— Já que eu perdi a van, pode me dar uma carona?

Suspirei, terminando meu café.

— Entra no carro antes que eu mude de ideia.

Ela vibrou animada, pegando seu lanche e correndo para a porta. Apenas balancei a cabeça, sorrindo de leve. Lola podia ser curiosa e insistente, mas sabia que ia gostar de Renesmee. Talvez até mais do que eu esperava.

Depois de deixar Lola na escola, segui direto para a empresa. O trânsito estava carregado, o que me deu tempo suficiente para pensar. Desde a noite passada, minha mente estava presa em Renesmee. Algo a estava incomodando, e eu queria que ela confiasse em mim o suficiente para compartilhar. Mas será que eu estava indo rápido demais?

Assim que entrei no prédio da Black Enterprises, minha assistente informou que Leah já estava me esperando na sala de reuniões. Respirei fundo e caminhei até lá. Leah era minha parceira nos negócios e uma das poucas pessoas em quem eu realmente confiava.

Quando entrei na sala, ela estava folheando alguns relatórios, mas levantou o olhar assim que me viu.

— Finalmente — disse, cruzando os braços. — Pensei que ia me deixar esperando o dia todo.

— O trânsito estava infernal — respondi, largando minha bolsa sobre a mesa e me sentando.

Ela deslizou um documento para mim.

— Os novos sócios querem marcar uma reunião presencial antes de finalizarmos o contrato. Querem garantias de que esse investimento vale a pena.

Peguei o documento e comecei a analisá-lo.

— Isso não deveria ser um problema. Já enviamos todas as projeções financeiras e o plano de crescimento da empresa. O que mais eles querem?

Leah deu de ombros.

— Segurança, talvez. Eles sabem que a Black Enterprises está expandindo rápido e não querem colocar dinheiro em algo que possa desmoronar amanhã.

Assenti, entendendo a preocupação deles.

Enquanto continuávamos a conversa, peguei meu celular e digitei uma mensagem para Renesmee.

"Bom dia, princesa. Que tal um almoço hoje? Escolha o lugar."

Esperei alguns segundos, mas nenhuma resposta veio. Franzi a testa, um pouco frustrado.

— Quem é a vítima? — Leah perguntou, observando minha expressão.

Desviei o olhar do celular.

— Como é?

Ela apontou para o aparelho.

— Você mandou uma mensagem e não recebeu resposta. Está com essa cara de quem foi deixado no vácuo.

Bufei, largando o celular sobre a mesa.

— Não é nada.

Leah arqueou uma sobrancelha, claramente se divertindo.

— Você está sufocando a moça.

Revirei os olhos.

— Não estou sufocando ninguém.

— Ah, claro. Aposto que já mandou mensagem antes mesmo de tomar café.

Fiquei em silêncio, e Leah riu.

— Você está caidinho por ela.

Não respondi. Apenas passei a mão pelo rosto e soltei um suspiro. Leah me conhecia bem demais para que eu tentasse negar.

— Olha, Jacob, eu não sou especialista em relacionamentos — ela disse, mais séria agora —, mas se ela não respondeu, talvez precise de espaço. Nem todo mundo gosta de pressão.

Assenti, ainda frustrado, mas considerando as palavras dela. Eu queria ver Renesmee, queria estar com ela. Mas, talvez, Leah estivesse certa. Talvez eu precisasse dar um passo para trás e deixá-la vir até mim.

Mas a verdade?

A ideia de me afastar de Renesmee era muito mais difícil do que eu esperava.