Notas do Passado

13 Madson Square Park



A reunião se arrastou mais do que eu gostaria, e minha paciência já estava no limite. Assim que finalizei os últimos detalhes com os sócios, minha secretária apareceu na porta.

— Senhor Black, a senhorita Jones está esperando na sua sala.

Eu mal tive tempo de reagir antes de perceber os olhares trocados entre Seth e Paul.

Paul foi o primeiro a abrir a boca, obviamente.

— Lívia Jones? — ele perguntou, com um sorriso malicioso. — Achei que estivesse ocupado demais com a sua ruiva misteriosa para se encontrar com outra mulher.

Revirei os olhos e peguei meus documentos.

— Meu assunto com Lívia é profissional.

Seth riu baixo.

— Profissional... Sei.

Paul não desistiu.

— Então quer dizer que você já desistiu da ruiva?

Parei na porta e o encarei por um segundo.

— Terminem os relatórios, e fiquem longe da minha vida pessoal.

Sem esperar resposta, saí da sala e fui direto para minha sala. Minha mente estava dividida entre o trabalho e a falta de resposta de Renesmee. O que quer que estivesse acontecendo com ela, eu queria ajudar. Mas agora, precisava lidar com outro tipo de problema.

Ao entrar na minha sala, vi Lívia de costas, observando a vista da cidade pela janela. Ela sempre teve uma postura elegante, dona de si.

Ela percebeu minha presença e girou o corpo devagar, um sorriso sugestivo nos lábios.

— Sentiu saudades, Jacob?

Cruzei os braços, observando Lívia com cautela.

— Achei que você não viria.

Ela inclinou a cabeça levemente, um sorriso brincando nos lábios.

— E eu estou surpresa que você tenha me procurado depois de tanto tempo.

— Precisamos conversar — fui direto ao ponto.

Lívia deu alguns passos à frente, como se estivesse saboreando o momento.

— Eu aceito. Mas com uma condição.

Franzi o cenho.

— Qual condição?

Ela parou diante de mim, os olhos brilhando com diversão.

— Um jantar.

Soltei um suspiro, já imaginando que ela tentaria algo assim.

— O assunto não é sobre nós, Lívia.

Ela riu baixo, passando os dedos pelos próprios cabelos.

— Eu sei disso, Jacob. Mas isso não significa que eu vá perder a oportunidade de jantar com você.

Antes que eu pudesse argumentar, ela pegou a bolsa e foi até a porta, lançando um último olhar provocativo.

— Te mando o horário e o local. Não se atrase.

Sem esperar resposta, saiu com a mesma confiança de sempre.

Fiquei alguns segundos em silêncio, apertando a ponte do nariz. Eu sabia exatamente onde ela queria chegar com isso.

E, sinceramente, não tinha tempo para jogos.

....

Tentei focar no trabalho, mas minha mente insistia em vagar para Renesmee. Sua ausência de resposta me incomodava mais do que eu queria admitir. Algo dentro de mim dizia que ela estava passando por algo difícil, e a ideia de não estar ao seu lado me frustrava.

Meu celular vibrou sobre a mesa e, sem pensar, peguei-o de imediato, esperando ser uma resposta dela. Mas não era.

Lola: Pai, posso dormir na casa da tia Claire hoje?

Suspirei e digitei rapidamente.

Jacob: Peça para a Claire me ligar.

Em segundos, a resposta veio.

Lola: Você não confia em mim?

Rolei os olhos e liguei para ela. Assim que atendeu, sua voz já veio em tom manhoso.

Pai, eu tenho 15 anos, não sou mais uma criança.

Lola, isso não tem nada a ver com confiança — respondi com paciência. — Se Claire me ligar e disser que está tudo bem, você pode dormir lá.

Do outro lado da linha, ela soltou um suspiro dramático.

— Tá bom, tá bom. Eu mando ela ligar.

— Ótima escolha.

Desliguei e deixei o celular sobre a mesa, pronto para voltar ao trabalho. Mas antes que eu pudesse sequer tocar em um documento, o aparelho vibrou novamente.

Peguei-o e, ao ver o nome de Renesmee na tela, senti um sorriso surgir automaticamente em meus lábios.

Renesmee: Te vejo na Madison Square Park.

Soltei um longo suspiro e encostei-me na cadeira, aliviado.

Finalmente.

.................

Estacionei o carro perto da entrada da Madison Square Park, um dos meus lugares favoritos na cidade. O parque era um refúgio em meio à agitação de Nova York, com suas árvores imponentes, gramados bem cuidados e bancos estrategicamente posicionados para quem quisesse observar a cidade passar. O icônico Flatiron Building se erguia ao fundo, sua arquitetura distinta contrastando com a serenidade do parque. Algumas pessoas caminhavam com seus cães, outras liam em silêncio ou simplesmente aproveitavam a brisa fresca da tarde.

Caminhei lentamente pelo caminho de pedra, meus olhos percorrendo os bancos até que finalmente a vi. Renesmee estava sentada com os cotovelos apoiados nos joelhos e o olhar perdido. Algo estava errado.

Aproximei-me com cautela e, quando estava perto o suficiente, sussurrei:

— Nessie.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela se levantou e me surpreendeu com um abraço apertado. Por instinto, envolvi seus ombros, segurando-a contra mim.

— O que aconteceu? — perguntei, sentindo seu corpo estremecer levemente.

— Só me abraça.

Sorri de leve e beijei o topo da cabeça dela, sentindo uma mistura de sentimentos crescer dentro de mim. Eu queria protegê-la, queria estar ali para ela, não importava o motivo.

Ficamos assim por longos segundos até que eu murmurei:

— Você pode confiar em mim, Nessie. Pode me falar qualquer coisa.

Ela suspirou contra meu peito antes de erguer o olhar para mim.

— Obrigada, Jacob. Mas… estou com alguns problemas familiares e, por enquanto, não quero falar sobre isso.

Assenti, respeitando seu espaço.

— Tudo bem. O que você quer fazer?

Ela hesitou por um momento antes de deslizar as mãos para meus ombros e responder:

— Só preciso de você.

Meus lábios se curvaram em um sorriso antes de eu deslizar os dedos pelo rosto dela, puxando-a suavemente para perto.

— Então sou todo seu.

E antes que qualquer um de nós pudesse pensar em mais nada, a beijei.

Os lábios de Renesmee eram macios e quentes contra os meus, e assim que nossos corpos se aproximaram, senti o coração acelerar. O beijo começou lento, exploratório, mas logo se tornou mais intenso. Minhas mãos deslizaram para sua cintura, trazendo-a para mais perto, enquanto seus dedos subiam pelo meu pescoço, se entrelaçando em meus cabelos. Havia algo de urgente naquele beijo, como se ela precisasse se perder naquele momento tanto quanto eu.

Quando nos afastamos, ainda ofegantes, ela me encarou com os olhos brilhando de algo que eu não conseguia decifrar completamente.

— Jake… posso ficar com você essa noite?

A pergunta me pegou de surpresa. Por um segundo, analisei seu rosto, tentando entender o que aquilo significava para ela.

— Tem certeza? — perguntei, minha voz mais baixa.

Ela assentiu, mordendo o lábio.

— Não quero ficar sozinha. Não hoje.

Não perguntei mais nada. Apenas acariciei seu rosto e sorri suavemente.

— Então, fica comigo.

Renesmee relaxou, e passamos a tarde inteira ali no parque. Sentados na grama, falamos sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Rimos, provocamos um ao outro, e, por alguns momentos, ela parecia esquecer o que quer que estivesse pesando em sua mente.

Eu não sabia exatamente o que a estava machucando, mas sabia que queria ser o porto seguro dela. E naquela noite, faria o possível para que ela se sentisse segura ao meu lado.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.