Notas do Passado

9 Encontro antecipado


Narrado por Renesmee


Dobrei mais uma blusa e a coloquei sobre a prateleira, tentando manter a organização do closet. Tânia, a governanta da casa, me ajudava como sempre, dobrando algumas peças ao meu lado. Ela era eficiente e, além disso, uma companhia agradável.

— Então, senhorita, você ainda está namorando aquele rapaz da faculdade? — perguntou com naturalidade, enquanto ajeitava um vestido no cabide.

Me endireitei e soltei um suspiro, jogando o cabelo para trás.

— Terminei com Alec há alguns meses.

Tânia parou por um instante e, para minha surpresa, soltou um suspiro de alívio.

— Graças a Deus.

Arqueei uma sobrancelha e cruzei os braços, encarando-a com curiosidade.

— Você não gostava dele?

Ela me olhou de soslaio e continuou dobrando as roupas.

— Acho que ele não te tratava como você merece. Sempre me pareceu muito controlador.

Não respondi de imediato, apenas refleti sobre suas palavras. Alec sempre teve um jeito possessivo, e, no fundo, eu sabia que nosso relacionamento nunca foi realmente saudável. Mas ouvir isso de Tânia me fez perceber que não era apenas coisa da minha cabeça.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a voz do meu pai interrompeu nossa conversa.

— Renesmee, podemos conversar?

Me virei e vi Robert Sullivan parado à porta do closet, com uma expressão séria, mas ao mesmo tempo, tranquila.

Assenti e deixei as roupas de lado, seguindo até ele.

Tânia apenas nos observou, mas sua expressão deixava claro que estava curiosa sobre o que ele queria.

...


Segui meu pai até o escritório dele, sentindo o peso do silêncio que nos envolvia. Robert Sullivan nunca foi um homem paciente quando se tratava de mim, e eu sabia que essa conversa não terminaria bem.

Assim que entramos, ele fechou a porta e se sentou atrás da mesa, me observando com um olhar calculista. Cruzei os braços, esperando que ele começasse.

— E a faculdade? — perguntou com um tom casual demais para ser inocente.

Suspirei, já esperando por aquilo.

— Vou retornar no próximo ano.

Ele assentiu lentamente, como se processasse minha resposta.

— E até lá, pretende continuar tocando naquele bar?

Revirei os olhos e me sentei na cadeira à frente da mesa, recostando-me sem paciência.

— Pai, esse é o meu trabalho. Eu gosto do que faço.

O clima na sala ficou tenso imediatamente. Robert se inclinou para frente, apoiando os antebraços na mesa, seu olhar ficando mais duro.

— Você tem um futuro promissor, Renesmee. Não precisa se sujeitar a tocar piano em um bar qualquer.

Ri, mas sem humor.

— Ah, claro. Promissor como? Sendo um enfeite do marido que você escolher para mim?

O maxilar dele ficou rígido.

— Eu só quero o melhor para você.

Cruzei as pernas e o encarei com firmeza.

— O melhor para mim ou para os seus negócios?

Ele soltou um suspiro longo, esfregando as têmporas como se eu fosse uma grande dor de cabeça.

— Vamos fazer um acordo. Você pode continuar tocando naquele lugar, mas sob as minhas condições.

Me levantei de imediato, sentindo a raiva crescer.

— Não estou aberta a negociações, pai.

Robert me olhou com a calma calculista que sempre usava quando queria me manipular.

— Então aceite por sua mãe. Você sabe que ela não tem muito tempo.

Fechei os olhos por um instante, sentindo o peso da culpa me atingir. Ele sabia exatamente onde tocar para me enfraquecer.

— Quais são as condições? — perguntei com a voz mais baixa.

Ele sorriu de lado, satisfeito.

— Você pode escolher o homem com quem deseja se casar e deve retornar à faculdade no próximo semestre.

O impacto das palavras dele me atingiu como um golpe. Meus dedos se apertaram contra as laterais do corpo, e eu quis gritar, mas sabia que, naquele momento, minha mãe era minha prioridade.

Eu teria que jogar o jogo dele.

...


Saí do escritório de meu pai sentindo o peso de nossa conversa ainda em meus ombros. Ele caminhava ao meu lado com a expressão tranquila, como se não tivesse acabado de me manipular de maneira descarada.

Assim que entramos na sala, encontrei minha mãe, Chloe, sentada no sofá, envolta por uma manta fina. Ela levantou o olhar ao nos ver e sorriu com carinho.

— Fico feliz em ver que vocês finalmente estão se entendendo.

Suspirei e me aproximei, sentando ao lado dela. Sua mão pousou sobre a minha, aquecendo-a com aquele toque que sempre me fazia sentir segura. Mas, ao observá-la mais de perto, percebi que seu rosto estava mais pálido que o normal, e seus olhos, cansados.

— Você deveria descansar, mãe. — apertei sua mão levemente.

Ela sorriu, balançando a cabeça.

— Descansar para quê? Para deixar de aproveitar o tempo com minha filha?

Engoli em seco. O tempo. Era impossível não sentir o medo de perdê-la, mas forcei um sorriso para não demonstrar minha preocupação.

— Ainda assim, acho que deveria dormir um pouco. Eu posso ficar aqui com você.

Chloe passou a mão pelo meu cabelo, afastando uma mecha do meu rosto.

— Filha, estou bem. E você tem sua vida para viver. Não se preocupe tanto comigo.

Antes que eu pudesse insistir, meu celular tocou. Olhei para a tela e franzi a testa ao ver que era um número desconhecido.

— Não vai atender? — minha mãe perguntou com curiosidade.

— Vou, sim.

Deslizei o dedo pela tela e levei o celular ao ouvido.

— Alô?

Do outro lado da linha, uma voz grave e familiar respondeu:

— Boa tarde, Renesmee.

Meu corpo ficou tenso na mesma hora, e levei alguns segundos para reagir. Eu conhecia aquela voz. Muito bem.

— Jacob? — sussurrei, surpresa.

...


Baixei o celular lentamente, ainda surpresa com a ligação inesperada de Jacob. Eu não esperava que ele fosse me ligar antes de sábado.

Levantei o olhar e percebi que meus pais me observavam, claramente curiosos. Minha mãe, para piorar, sorriu de maneira divertida.

— Você está vermelha. — Chloe brincou, inclinando a cabeça. — Algum namoradinho?

— Mãe! — protestei, sentindo meu rosto esquentar ainda mais.

Meu pai, que checava o relógio, apenas bufou, impaciente.

— Tenho uma reunião e preciso me apressar. — Ele se aproximou de minha mãe e depositou um beijo carinhoso em sua testa. Em seguida, virou-se para mim e fez o mesmo gesto, mas, antes de se afastar, sussurrou em meu ouvido:

— Não esqueça nossa conversa.

Assenti em silêncio, observando-o sair apressado da sala.

Assim que a porta se fechou, minha mãe me chamou com um olhar cúmplice.

— Vem cá, querida.

Suspirei e me sentei ao lado dela no sofá. Chloe pegou minha mão com delicadeza e arqueou uma sobrancelha.

— Então, quem é o rapaz?

Revirei os olhos, desviando o olhar.

— Não tem rapaz nenhum. É só um amigo.

Ela riu baixinho.

— Um amigo que te deixou corada assim?

Cruzei os braços, tentando parecer indiferente.

— Foi só uma conversa.

Minha mãe me observou por alguns segundos antes de apertar levemente minha mão.

— Eu não quero te pressionar, Nessie, mas se quiser conversar sobre ele, estou aqui.

Balancei a cabeça, sorrindo de leve.

— Obrigada, mãe. Mas não há nada para contar.

Chloe sorriu, mas eu sabia que ela não acreditava em mim. E, para ser sincera, nem eu mesma tinha certeza do que estava acontecendo.

...


Olhando-me no espelho, fiz os últimos ajustes na maquiagem, garantindo que o batom vermelho combinava perfeitamente com o vestido que eu havia escolhido.

O tecido ajustado destacava minhas curvas com elegância, o comprimento abaixo dos joelhos trazendo um toque de sofisticação. O vermelho intenso contrastava com minha pele clara, e os saltos pretos de tiras finas alongavam minhas pernas.

Meu cabelo estava solto, com ondas naturais que desciam pelas costas, e a maquiagem era marcante na medida certa: olhos levemente esfumados, cílios volumosos e um iluminador sutil nas maçãs do rosto.

Peguei minha bolsa preta pequena, soltei um suspiro e dei uma última olhada no reflexo.

Foi quando meu celular vibrou sobre a penteadeira.

Peguei o aparelho e sorri ao ler a mensagem de Jacob.

— "Cheguei ao Palácio da Princesa em meu cavalo negro."

Revirei os olhos, rindo baixinho, e respondi rapidamente:

— "Estou descendo."

Deslizei o celular para dentro da bolsa e saí do quarto, descendo as escadas com cuidado. Agradeci mentalmente por minha mãe não estar na sala. Eu sabia que, se Chloe me visse assim, me encheria de perguntas.

Cruzei a porta da frente e caminhei pelo jardim iluminado da mansão. A brisa da noite era fresca, e os sons sutis das folhas se movendo criavam uma atmosfera tranquila.

Ao me aproximar do portão, meus olhos encontraram Jacob.

Ele estava encostado contra um carro preto impecável, segurando o celular distraidamente.

O veículo? Um Lamborghini Urus, preto fosco, um SUV de luxo que exalava poder. O contraste entre o homem e a máquina era algo digno de um filme.

Respirei fundo e passei pelo portão.

— Boa noite, Jacob. — Cumprimentei, parando à sua frente.

Ele levantou o olhar, e um sorriso lento e satisfeito se desenhou em seus lábios enquanto seus olhos me analisavam de cima a baixo.