Not leave me here
34 Exagero?
Notas iniciais
Pov Tris
Fui pra casa bem rápido mas logo peguei meu carro e voltei pra casa dele. Eu estava nas nuvens e não via a hora de poder ficar com Tobias de de novo. A minha primeira vez foi perfeita, foi com o meu primeiro amor, valeu muito a pena.
Dou bom dia ao porteiro e então subo pelo elevador. Jogo meu cabelo de lado enquanto me olho no espelho e então depois de alguns minutos as portas abrem e vou caminhando até o apartamento de Tobias.
Chego na porta mas logo percebo que a ela está um pouco aberta então tomo a liberdade de entrar.
– Tobias? — chamo pelo seu nome. Observo a sala que está uma bagunça, coisas quebradas e esparramada pelo chão. Fico assustada, alguma coisa aconteceu.
– Mentirosa! — Ouço a voz grossa e fria dele e me viro de costas, vejo seu rosto vermelho. Não entendo o porque disso e então arqueiro uma sobrancelha. Deve ser mais alguma brincadeira dele, Tobias sempre faz palhaçadas.
Me aproximo para beija-lo e então ele me afasta segurando meus pulsos, seus olhos severos me machucam mais do que suas mãos.
– Tobias... o que está fazendo? — pergunto calma mas preocupada. Ele abaixa os olhos para meus antebraços e então meu coração gela. Tobias puxa a manga da minha blusa de manga longa pra cima e revela as cicatrizes da minha mutilação que já não estão mais tão fortes porém são visíveis quando observadas de perto. Ele balança a cabeça negativamente e então solta meus braços com força.
– Eu ia te contar Tobias... É que eu...
– É que você é uma mentirosa! — ele grita e eu sinto vontade de chorar como uma garotinha quando leva bronca do pai, me sinto vulnerável — Você me escondeu que se mutilava! — ele se aproxima apontando o dedo no meu rosto — Você não me disse que minha mãe esta viva! E você sempre soube! — Vou me afastando dele que se aproxima cada vez mais zangado.
– Tobias para! — grito e empurro ele que dá um passo para trás e olha para o lado sorrindo sarcástico. Droga, ele descobriu tudo.
– Você me enganou — ele aponta pra mim.
– Eu não podia te contar Tobias, você tem que entender...
– Não! Não tenho que entender nada, a única coisa que eu tenho que entender é que você me enganou esse tempo todo Tris!
– Eu não tinha direito de te falar isso, ela pediu que...
– Você era minha namorada, você tinha que me contar!
– Era? — pergunto baixinho já com os olhos cheios de lágrima.
– Perdi meu tempo achando que você era diferente, que valia a pena, mas me enganei — ele fala baixo e então eu me calo.
– Então a gente vai terminar por causa disso? Tobias isso não tem lógica! — me aproximo dele e coloco as mãos em seu rosto — Tobias a gente tem uma história, a gente se ama. É ridículo terminar assim.
– É ridículo porque não é com você — saio de aperto dele quando começa a gritar, odeio quando gritam comigo.
– Não. Para, esses argumentos estão horríveis Tobias! Eu não me mutilei porque me deu vontade, eu tive motivos sérios! Eu nunca quis esconder de você sobre a sua mãe mas não cabia a mim te contar isso! Me perdoa Tobias — suplico Mas ele ignora.
– Eu quero ficar sozinho — diz friamente — Vai embora.
– Eu não vou embora! — bato o pé.
– Você vai sim! — ele pega meu braço com força — Eu não quero te ver, olhar pra você e lembrar o tanto que fui Trouxa! Você vai embora agora mesmo — diz irritado.
– Me solta — puxo meu braço de suas mãos — Você é um idiota, um imbecil filhinho de papai! — grito e ele me encara com mais raiva ainda — Tudo que eu fiz nunca foi na intenção de te machucar, porque...
– Porque você — ele me interrompe mas não permito.
– Cala a boca que eu que vou falar agora! — digo com voz de choro — Eu nunca quis te magoar, sempre quis ser a namorada perfeita pra você porque eu sempre achei que você era demais pra mim. E se você quer culpar alguém por isso? Culpa o safado do seu pai! A culpa é dele, ele te enganou a vida toda!
– Cala sua boca! Quem você pensa que é pra falar mal do meu pai na casa dele!? Você não é ninguém e eu não sei mais se eu quero continuar a namorar uma pessoa mentirosa como você que ainda por cima se mutila por nada — ele cospe tudo na minha cara.
– Cala boca Tobias! Você não sabe o porque disso e nem se dá o trabalho de perguntar! Você não... — respiro fundo e seguro as lágrimas — Mas vem cá, é só por isso mesmo que você não quer mais namorar comigo? Seus argumentos não me convenceram — ele não responde — Vai ver você já conseguiu o que queria de mim e agora se cansou — pego minha bolsa e abro a porta da casa — Vai pra porra Tobias — digo revoltada e bato a porta.
Desço de escadas o mais rápido que consigo, quase caio várias vezes tropeçando nos degraus. Meus olhos estão embaçados de lágrima e eu não enxergo direito.
Saio atordoada do prédio, sei que falei coisas que não deveriam ser ditas, mas também ouvi coisa que jamais gostaria de ter ouvido. É claro que ele me usou, não tem porque alguém querer terminar por isso! É ridículo.
Começo a correr pela rua sem rumo até que eu não sei mais onde estou. Me sento na calçada da rua e ali mesmo abaixo minha cabeça e choro tudo que quero chorar, não me incomodo com as outras pessoas. Perdi mais uma pessoa que eu amo, tá na cara que o Tobias não vai mais nem querer olhar pra mim.
Encaro a rua soluçando e reconheço o lugar, estou na rua de baixo da escola. Abraço minha bolsa e me levanto, começo a caminha até minha casa chorando como uma criancinha.
Subo pelas escadas de novo, paro em alguns andares pra sentar no chão e respirar um pouco e depois continuo minha jornada até chegar no décimo terceiro. Caminho como uma alma penada até o apartamento e abro a porta sem fazer barulho.
– Ela está ótima. Não tem porque se preocupar, eu estou cuidando bem da sua filha — ouço Evelyn e então caminho devagar até a cozinha, com quem ela está falando?
– Espero. Bem, eu vou indo não quero que...
– Pai? — digo atônita ao vê-lo de costas escorado na mesa da cozinha. Ele se vira e fica pasmo ao me ver.
– Filha? — diz quase gaguejando. Eu não consigo acreditar. É ele, é o meu pai.
Eu não sei como reagir, se devo ficar feliz por vê-lo novamente ou enfurecida por ter me abandonado então desabo no choro novamente. Me sinto a pessoa mais frágil do mundo, perdi mais uma pessoa que eu amo e agora, depois de anos vejo meu pai novamente.
Evelyn corre pra perto de mim e ele também.
– Tris, o que foi? — pergunta preocupada tirando meu cabelo do rosto.
– Ele já sabe de tudo. Tobias descobriu e agora ele me odeia porque você me fez esconder isso dele! — grito chorando e Evelyn me solta. Ela coloca a mão na boca e começa a andar de um lado para o outro. Andrew se aproxima.
– Beatrice... Eu...
– Você me abandonou! Vai embora, você me abandonou e você tem culpa de tudo de mal que aconteceu, desde que você me deixou tudo deu errado — choro ainda mais e então ele me abraça. Tento tirar ele de perto de mim mas ele é meu pai, ele é tudo que eu tenho agora e mesmo que tenha feito o que fez eu amo ele então deixo que me acolha em seus braços.
– Você me deixou – choro com a cabeça deitada em seu ombro e ele passa a mão pelos meus cabelos me acalmando.
– Me perdoa, eu nunca quis te deixar filha... Eu nunca quis que isso tivesse acontecido e eu preciso te contar tudo que aconteceu. Filha me escuta — ele segura meu rosto com as mãos e olha em meus olhos — Eu te amo e nunca quis te deixar. Mas sua mãe... Sua mãe inventou uma história absurda de que você não era minha filha, que ela queria terminar comigo e então eu fui embora. Eu não queria aceitar toda aquela ideia então eu fraquejei, fugi daquilo tudo... Eu... — ele respira fundo.
– Você não é meu pai? — pergunto entre soluços.
– Sim eu sou. É claro que eu sou. Mas naquele tempo ela não queria mais ficar comigo e então, então ela fez de tudo para que eu a deixasse e eu a deixei. A sua irmã que morreu, não era minha filha. Quando soube da morte dela, uma carta chegou na minha casa e era dela. Dizia que era tudo mentira, que você precisava de mim e como eu não queria chegar de repente eu pedi que Evelyn viesse pra cá e cuidasse de você por um tempo, mas eu sempre estive por perto... Essa casa é sua, o carro foi eu quem te dei... — meu coração acelera e cada palavra entra na minha cabeça como uma pancada. Não quero manchar as memórias boas que tenho da mulher culta que era minha mãe, eu não posso acreditar que fez isso com nossa família.
– Você sabia de tudo isso e não me contou! — digo pra Evelyn — Você mentiu pra mim, agora sei como ele se sente!
– Tris não é bem assim... — Ela tenta se defender.
– Não? Você sempre soube que minha mãe mentia pra mim, que meu pai estava aqui e você não me contou.
– Olha Tris. Não eu tenho um grande problema aqui pra resolver, eu nunca quis esconder mas não seria eu a te contar que sua mãe era uma grande mentirosa! Você deveria saber como eu me sinto.
– Não fala assim dela! — grito
– E ela não é? Tudo bem. Eu vou embora, já que você está com um aparente ódio de mim e eu também tenho mais o que fazer — diz calma porém tensa — me desculpa Bea...
– Meu namoro foi pro espaço e a culpa é toda sua! — grito.
Evelyn me olha com pena mas logo sobe para seu quarto e eu me jogo no sofá e penso no caos que se tornou minha vida, mais uma vez. Eu já deveria estar acostumada, sofri boa parte da minha vida mesmo.
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