Not leave me here
35 Será que não me importo?
Notas iniciais
Pov Tris
Evelyn foi embora com mala e tudo. Estou com raiva dela, muita raiva. Acho que agora entendo a reação de Tobias. Mas não tinha porque ele dizer tantas coisa horríveis e agora que me detesta, eu nem sei como tentar falar com ele e tentar resolver nossa situação que está bem mal resolvida.
– Bea. Eu sinto muito por tudo, sinto por não ter ficado com você nos momentos que mais precisou — diz Andrew com os olhos cheios de culpa e de lágrimas — Eu te amo tanto minha filha, me sinto tão... culpado.
Abraço ele. Por um lado sei que não teve culpa, mas me dói bastante saber o que minha mãe fez, nunca esperaria isso dela.
– Foi por isso que ela disse aquilo na carta? Para eu te perdoar... — Ele concorda com a cabeça — Tudo bem pai. Só não me abandona, não me deixa aqui. Eu não tenho mais ninguém e isso é horrível. É horrível sentir que eu estou ficando cada vez mais sozinha
– Não minha bebezinha — diz acariciando meu rosto — Eu nunca vou te deixar, não importa o que aconteça. Não tem um dia que eu não penso em todos esses anos longes de você... foram tão horríveis!
– Eu te amo pai.
– Eu também te amo querida.
☆☆☆
Olho pela janela o lindo céu que se exibe lá fora. Hoje é o terceiro dia das férias de verão e eu não irei mais ao acampamento. Eu disse que tinha algumas coisas pra resolver mas Lynn e Christina por um milagre entenderam e não insistiram como de costume.
Meu pai está morando aqui comigo agora, mas ele trabalha quase o dia todo então fico parte do meu tempo sozinha.
Ouço batidas na porta e então ela se abre. Tori aparece com uma sacola enorme e um sorriso no rosto.
– Oie! — diz — Seu pai me pediu pra vir aqui te animar um pouco, ele está bem preocupado com você e o Eric também. Ele me disse que você estava bem caidinha nos últimos dias. Mas não precisa me contar, eu já sei toda a treta. Trouxe umas besteiras pra gente comer e comentar as bads.
– Ai Tori, você não existe — digo abrindo um breve sorriso e ela me joga algumas coisas. Começo comendo um salgadinho de nachos — Tá bem... difícil não pensar nele. Tobias deve estar sofrendo, deve estar precisando de mim... — dou de ombros — Ou não.
– Ele é um otário, isso sim.
– Sim. Me disse coisas horríveis, mas talvez isso tenha sido pela raiva que estava no momento, eu também não fui muito gentil e acontece isso, namoros não são tão perfeitos sempre e talvez se eu for falar com ele...
– Péssima ideia — diz com a boca cheia de donouts — Eu jamais faria isso, mas se você quer ir quebrar a cara novamente fica a vontade. Saiba que a cobra já fumou pro teu lado, não vai ser difícil fumar pela segunda vez.
– Eu prefiro quebra e a cara novamente do que ficar na dúvida. Eu vou falar com ele!
Tori balança a cabeça negativamente e eu fico pensando no que dizer pra ele, tenho que tomar cuidado com as palavras. Eu sei o quanto isso é horrível e preciso mostrar que mesmo com tudo isso eu o amo e que uma briga dessas não pode acabar com o nosso nós.
Tori ficou comigo até de noite e quando meu pai chegou ela saiu para ir trabalhar.
Ele ficou conversando comigo, me contando histórias que eu não me lembrava de quando era pequena e eu morri de rir. Depois que jantamos nossa comida preferida que é pizza, ele subiu para tomar banho.
Fiquei olhando pra cima e então tive a ideia de ir na casa dele. Troquei de roupa bem rápido e peguei apenas meu celular.
Desci as escadas sem fazer barulho, abri a porta lentamente e fechei com cuidado para sair sem meu pai saber, ele costuma ser muito ciumento e provavelmente não deixaria eu sair de noite pra ir na casa do Tobias. E eu também não quero conversar por redes sociais.
Quando me virei para pegar o elevador Tobias apareceu. Um sorriso surgiu no meu rosto e a vontade de beijar ele me consumiu. Meu coração acelerou e aquela chama que sempre aparece quando eu o vejo se ascendeu dentro de mim.
– Tobias? — digo sorrindo e seu olhar de desdém me machuca um pouco.
– Eu vim te entregar essa coisa aí — ele joga uma sacola nos meus braços com força e eu seguro. Tem roupas dentro, devo ter esquecido lá na casa dele.
– Você só veio... fazer isso? — indago.
– O que mais eu iria fazer aqui? — diz sem nem me olhar.
– Olha eu queria te dizer que... — digo delicada mas ele me interrompe.
– Olha Tris, da um tempo tá — diz friamente.
– Um tempo? Não! Eu vou te dar um tapa se você não acordar pra vida! Tobias pelo amor de Deus me escuta! — digo sem paciência.
– Não me importo com o que tem a dizer — ele dá de ombros — No começo você pode ter sido uma boa namorada, mas eu prefiro a Nita, ela não mentia pra mim. Muito pelo contrário, ela que me contou sobre você. Você não me interessa mais.
Meu sangue ferve e minha mão voa na cara dele.
– Escuta aqui Tobias, não me compara com aquela idiota — Ele me olha irritado com a mão em cima do lugar que bati — E se você acha mesmo que ela é tão boa assim, porque me escolheu? Porque não ficou com ela? Você não sabe o quanto eu estou arrependida, mas também não vou me humilhar pra você ou deixar que me menospreze! Vai pro inferno, não é só você que tem problemas na vida seu egoísta filho de uma... — Me calo antes de terminar.
– E que problemas você tem além de se mutilar? — pergunta com sarcasmo. Abro a boca ofendida.
– Você não faz ideia né? Talvez eu me importe demais com você Tobias, acho que...
– Se importa tanto que me escondeu coisas muito importantes pra mim. Será que se importa mesmo?
– Se eu não me importasse com você, Tobias, eu não estaria agora indo até a sua casa tentar me desculpar, tentar conversar com você e dizer o tanto que eu me importava a ponto de passar por cima do meu orgulho e ignorar tudo o que você disse ontem, tudo o que me machucou profundamente — digo calma enquanto ele encara seus sapatos — Será que sou eu que não me importo? — pergunto e então entro dentro de casa batendo a porta.
– Aconteceu alguma coisa? — diz meu pai secando o cabelo com a toalha e descendo as escadas.
– Aconteceu que amanhã mesmo eu vou procurar um trabalho pra ocupar minha cabeça com coisas mais importantes. Cansei, essa foi a gota d'água pai — ele me olha confuso e dou um sorriso.
– Você sabe que não precisa trabalhar né?
– Preciso de distração, isso que eu preciso. Não da pra ficar o verão todo aqui em casa pensando... — respiro fundo — Não dá.
– Eu diria pra você fazer uma viagem mas não quero ficar longe de você. Já basta ter que ficar os quatro anos de faculdade e os outros do passado.
– Fica tranquilo pai. Eu só preciso esquecer esse babaca e eu vou conseguir.
Ele me olha confuso e então vou até ele.
– Boa noite pai
– Boa noite filhote — ele me da um beijo na testa e então vou para o meu quarto.
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