Not Strong Enough
28 Capítulo Vinte e Sete
Notas iniciais
Gente, não deu pra postar MESMO. Tive mais problemas do que pudesse resolver essa semana, e esse capítulo estava uma grande merda pra escrever, tanto que por vezes eu lia um parágrafo e o refazia. Novamente e novamente... Mas não precisam saber disso.
Ahhh, e no capítulo anterior, o Cameron diz "Avisa a Anne". Gente, eu troquei os nomes. Era Lucy, porque a Anne estava no carro com a Lea e etc. Tava meio aérea.
Obrigada MESMO Oompa Loompa por ter me avisado. *-* Essa autora que vos fala é desligada demais pra notar. Kkkk'.
Espero que gostem. E vejo vocês nas notas finais. :D
Capítulo Vinte e Sete
Abri os olhos, lenta e dolorosamente, e assim que a minha retina encontrou-se com a luz, obriguei-me à imediatamente selar as pálpebras. Voltei a abrir os olhos, piscando várias e várias vezes até conseguir me acostumar com a claridade e a brancura de um teto manchado.
Minha cabeça latejou, com uma dor afiada se alastrando desde minhas têmporas até o centro do crânio, substituindo o sangue por um rio de lava que escorria por minhas veias.
Olhei em volta, notando o piso branco manchado e os poucos móveis estéreis, a velha televisão sustentada por uma haste de metal e uma pequena mesinha ao lado da desconfortável cama em que estava deitada. Mais ao final do quarto, via-se um pequeno sofá já puído e uma porta escondida que acreditava se tratar de um banheiro.
Mas então, como um lapso de realidade, o pensamento de onde estava veio em um míssil atravessando minha mente e cortando meus devaneios: eu estava em um quarto de hospital.
– Mas que porra...? – Perguntei em voz alta, para o nada, ou pensei tê-lo feito, pois minha voz não passou de um débil sussurro rouco que saiu em um som estranho por minha garganta, enquanto a frase morria aos poucos. Franzi o cenho.
Confusão... Confusão... Confusão...
Com um profundo sentimento de pânico crescente dentro de mim, tentei levantar-me de súbito, porém uma dor infernal que se espalhava por cada célula de meu corpo me refreou, fazendo-me soltar um ofego abafado enquanto na verdade queria gritar. Meu corpo estava pesado e dolorido, como se um automóvel de grande porte o tivesse esmagado em uma tortura estranha.
Mas talvez algo parecido tivesse acontecido, como um acidente.
E a realidade me abateu como se tivesse acabado ganhar um soco na boca do estômago, deixando-me momentaneamente sem ar: a música que minha amigas cantavam, os faróis altos, a buzina, os gritos... Os gritos, como um coro de anjos infernais. Então, apenas o breu.
Desespero... Desespero... Desespero...
Soltei o ar com dificuldade, que só agora notara que prendia; abraçando o corpo com os próprios braços, ignorando a dor torturante que se alastrava por meus membros, deixando que lágrimas grossas corressem por meus olhos, molhando minhas bochechas e manchando o fino cobertor que até então me cobria.
O desespero, o pânico, a solidão, a confusão... Eu estava em choque. Sem saber o que fazer, com quem falar, ou qualquer outra coisa. Eu me sentia perdida e apavorada, querendo voltar no tempo quando tudo era mais simples e pudesse ter os braços reconfortantes de um amigo em torno de mim.
E então notei que por muito tempo havia prendido as lágrimas. As brigas com meus pais, meu término com Cameron... Eu não havia derramado uma única lágrima, em nenhum momento, porém agora não conseguia mais segurar. Eu não tinha mais forças para isso.
Chorei, copiosamente, com os ombros sacudindo e minhas lágrimas borrando minha visão, deixando-me à mercê daqueles sentimentos aterradores que por tanto tempo tentaram me controlar. Toda a fúria, a paixão, o amor, a dor, os sonhos perdidos, o medo... Tudo emergiu a superfície de uma vez só. E então, como se para ajudar em meu estado já deplorável, a preocupação com minhas amigas aflorarou, fazendo com que todos os meus nervos entrassem em estado de alerta máximo.
Medo... Medo... Medo...
Era apenas isso que eu sentia: um medo incandescente que ressurgia em meio às cinzas para me assombrar.
Em um surto de coragem, levantei-me da cama, utilizando a cabeceira desta para apoiar-me enquanto arriscava alguns passos em meio à dor de meus músculos dormentes. Tropecei uma, duas, três vezes até chegar à porta do quarto, apoiando-me no batente enquanto chamava fracamente por uma enfermeira.
Talvez meu estado não fosse de real fraqueza, mas minha mente, nela ao menos, encontrava-me exausta demais para sequer conseguir pensar em levantar minha voz acima de um sussurro debilitado.
Uma enfermeira, de jaleco branco e um crachá que não me preocupei em ler, parou à minha frente, encarando-me com os olhos bondosos e um sorriso compadecido.
– Algum problema, querida? – A mulher indagou, com a voz rascante de um fumante, assoprando seu hálito quente contra meu rosto.
Contorci meu rosto em uma careta, sentindo meu estômago dar voltas e embrulhar pelo hálito fétido da mulher. Segurei-me para não mandar-lhe lavar a boca com enxaguante.
– Eu... eu preciso saber de duas garotas. Uma se chama Anne, tem o cabelo castanho escuro e olhos da mesma cor, estatura mediana... E a outra, Trisha, com o cabelo loiro cacheado bem comprido, olhos ambarinos... As duas têm dezoito anos e sofreram um... – Engoli em seco, sentindo minha garganta subitamente esfolada e quente, dolorida ao engolir minha própria saliva. – Elas sofreram um acidente de carro que eu... – Engoli em seco novamente, sentindo meus próprios olhos pedirem em uma prece muda por socorro. Apertei os olhos com força. – Que eu estava junto.
A enfermeira fumante analisou-me minuciosamente, logo em seguida caminhando muda até o centro do quarto e lendo despreocupadamente algo em uma prancheta que havia sido presa à cama. Então, seu olhar se tornou preocupado, e eu quase podia dizer... receoso.
– Eu irei chamar o seu médico. – E antes que eu pudesse abrir minha boca para pronunciar qualquer mera palavra que fosse, a enfermeira fumante havia saído às pressas do quarto, desaparecendo em mais um corredor estéril, quase correndo enquanto trocava as pernas gorduchas.
Receio... Receio... Receio...
Preocupada, voltei para a cama desconfortável, sentando-me sobre o fino colchão enquanto tentava esconder uma mínima ruga que se formava entre minhas sobrancelhas.
Eu definitivamente não me preocupava por mim, pois sabia que de alguma forma conseguiria forças para lutar por mim mesma, eu tinha que conseguir; mas se por um acaso fugaz minhas amigas estivessem feridas, minhas melhores amigas, eu não saberia o que fazer.
Eu simplesmente não teria mais base. Sem Cameron, sem Trisha, sem Anne, sem nada que me ligasse ao que eu fui... Ao que realmente fui. A garotinha alegre que amava brincar com seu melhor amigo e incomodar as garotas de sua própria classe...
A porta se abriu em um clique suave, logo sendo fechada delicadamente. Um homem de meia-idade entrou, com as feições doces e um “quê” de tranquilidade estampados na face, mas por algum motivo, isto apenas me deixava cada vez mais inquieta.
Ele olhou-me apiedado, com o sorriso murchando lentamente enquanto o semblante se transformava de tranquilo para minimamente preocupado.
E eu soube, como uma explosão nuclear interna, que naquele momento estava totalmente fodida.
Notas finais
Bem, nem sei o que dizer aqui. Tô com sono pra caralho e estou indo dormir neste exato momento, então boa madrugada, gente! Ao menos para mim...
Até o próximo capítulo. :D
Fale com o autor