Not Strong Enough

27 Capítulo Vinte e Seis


Notas iniciais
Desculpe a demora, sério! Mas é que tive uns probleminhas aqui e não deu pra postar antes. :S
E Oompa Loompa, desculpa mesmo por não ter postado antes. :/
Bem, um capítulo surpresa com o POV do Cameron! Que não era para ter sido surpresa porque era pra eu ter avisado no capítulo anterior só que, bem... eu me esqueci. :)
Espero que gostem! Nos vemos nas notas finais.

Capítulo Vinte e Seis

POV’s Cameron

Dedilhei algumas notas no violão, com aquela mesma melodia já conhecida enquanto minha mente trabalhava a toda velocidade pensando em mil e uma combinações para os versos já rabiscados no papel.

Parei um pouco, simplesmente saboreando os acordes se esvaindo com o ar, e então, com destreza, rabisquei “You look in my eyes, I’m stripped of my pride” no papel.

E então, como uma obra de meu interior masoquista, os olhos de Leana invadiram minha mente, como um surto de consciência, em duas ametistas cinzentas com um brilho simplesmente único. E os seu sorriso contrariado, quando sorria mesmo não querendo; as sobrancelhas arqueadas naquela tão familiar expressão de censura forjada; o olhar tímido quando eu a tocava e seus lábios a pressionarem os meus... Coisas que eu não tinha mais, e me condenava como motivo.

E então, como se para melhorar meu dia, aquela ansiedade crua invadiu meu peito, tal ansiedade que eu sentia desde o momento que acordei, antes mesmo de o sol se levantar, e até agora simplesmente não sumia, fazendo-me ficar furiosamente inquieto enquanto forçava minha mente a trabalhar para se concentrar. Porém eu não me concentrava de verdade.

Meus olhos pousaram sobre o parapeito da janela, e rapidamente caíram sobre a lua que preenchia cheia o espaço vazio entre as nuvens escurecidas.

Como se algo estalasse em minha mente, lembrei-me da noite anterior, onde fui praticamente obrigado por Meredith, que tão logo quanto viu Trisha — que por algum motivo desconhecido estava aqui, e não em Paris -, discutiu com ela, rebatendo que “Trisha e suas amiguinhas” eram as verdadeiras “vadias de quinto nível”. Imediatamente liguei à Leana a frase, e se eu não tivesse ficado atônito demais com o tapa acertado no rosto de Meredith, teria dito alguma coisa.

Sentia-me tolo por ter pensado que Meredith tivesse mudado depois de tantos anos que não nos víamos, que ela tivesse amadurecido e realmente se transformado em alguém melhor. Realmente, um tolo.

Balançando a cabeça em uma negação surda, voltei a dedilhar o violão, com as notas reverberando nas paredes, porém, irrompendo a realidade que eu próprio me submeti, a porta se abriu em um rompante, fazendo com a nota que pretendia tocar saísse com o tom engasgado.

Com o olhar, fuzilei a pessoa que invadira meu momento de paz, dando de cara com Thomaz me lançando um olhar indecifrável.

Thomaz, ignorando o olhar que dirigia a ele, simplesmente jogou-se na minha cama, cruzando os braços atrás da cabeça enquanto encarava-me sentado no chão do quarto, com o violão no colo.

– Sabe quais as novas? – Indagou ele, com um quase sorriso debochado.

– Não, mas sei que você vai me dizer. E de preferência rápido que eu tenho que terminar essa música para entregar amanhã – murmurei desinteressado, voltando a dedilhar o violão.

– Garoto esperto. – Thomaz jogou uma almofada em mim. – Bem, fiquei sabendo pela minha namorada...

Rolei os olhos, soltando uma risadinha sacana em seguida.

Thomaz me ignorou.

– Como eu ia dizendo – ele aumentou a voz -, fiquei sabendo pela minha namorada que Leana e outras duas garotas estão indo para Las Vegas.

A menção a uma viagem fez meu estômago revirar, enquanto aquela mesma ansiedade voltava a assolar meu corpo, novamente naquele mesmo sentimento desesperador que sentira o dia todo como se mãos invisíveis estraçalharem meu coração.

E eu tinha um pressentimento ruim sobre isso.

– E...? – Mantenho-me indiferente, como se a informação fosse irrelevante.

Outra almofada acertou-me com força, porém desta vez, revidei, jogando-a novamente em Thomaz. Ele a pegou rindo.

– Ah, não se faça Cameron! Eu sei que você está morrendo para saber o que elas foram fazer lá. Quem sabe a Leana não foi para Las Vegas para uma cerimônia escondida com aquele cara que você tem ciúmes... Matt... Matthew... É algo parecido – ele comentou sorrindo divertido, como se fosse hilário me provocar.

Ao menos era melhor do que quando ele tratava-me como se fosse uma bomba relógio. Ou quase.

Revirei os olhos, pegando a primeira almofada jogada e a acertando com força em Thomaz, que apenas riu de mim.

– Vá embora, Thomaz. Eu tenho mais o que fazer do que escutar você me enchendo – resmunguei.

Thomaz gargalhou, levantando-se da minha cama enquanto levantava as mãos como se si rendesse.

– Eu sei que você me ama, meu caro amigo. Assim como ama a Leana. Bem, não do mesmo jeito, graças a Deus! Mas o que eu quero dizer... corra atrás dela, okay? Você fica com um humor melhor quando estão namorando – Thomaz gracejou, escancarando a porta do quarto pronto para sair.

– Pode deixar – murmurei parcamente, tomando o violão no colo enquanto Thomaz saía pelo corredor comemorando por eu ter finalmente escutado um conselho dele, ao menos uma vez na vida.

Dedilhei algumas notas avulsas no violão, e então, subitamente sabia o que estava sentindo. E como me expressar.

Subtamente, rabisquei no papel “And my soul surrenders and you bring my heart to its knees” e logo na linha abaixo “And it’s killin’ when you’re away, I wanna leave and I wanna stay”.

Bem, ao menos este era um início.

...~{[...]}~...

Um barulho irritantemente estridente soou de repente, e trôpego, levantei da cama, enrolando os pés na coberta enquanto ia em direção ao interruptor de luz. O quarto clareou de súbito, fazendo-me instintivamente fechar os olhos.

Embriagado pelo sono, caminhei até o criado mudo e peguei meu celular, vendo imediatamente o nome Sheyla na tela. O que a minha mãe poderia querer falar comigo no meio da madrugada?!

– Mãe? – Indaguei prontamente ao atender, porém tudo o que recebi foi o barulho de soluços.

Franzi o cenho, enquanto mil e um pensamentos atravessavam minha mente como foguetes e a preocupação assolava meu peito.

– Mãe? O que aconteceu? Por que você está chorando? – Perguntei rapidamente, incitando-a a falar.

– O... o... car-rro... um acidnt-te e... Oh! Cameron! – Dizia ela entre soluços.

– Não estou entendendo. Que carro? Que acidente?

Minha mente deu voltas, enquanto meu peito subia e descia com peso. Não podia ser...

– A Leana! – E o choro intensificou-se. – Um motorista bêbado bateu no carro em que ela viajava. Ela está em um hospital aqui perto, mas não sabemos nada sobre o estado que... – Sheyla começou a falar cada vez mais rápido, intercalando as palavras com soluços, porém era como se um zumbido preenchesse meus ouvidos e não deixassem nada ser entendido: eu simplesmente não escutava mais nada.

Como se por vida própria, meus dedos se desprenderam do celular, e tão logo o vi cair ao chão, com o barulho seco soando mais alto do que deveria, como um sinal de blasfêmia.

A respiração travou nos pulmões, e minha mente simplesmente estava vazia.

Eu...

Em um rompante, juntei o telefone do chão e peguei um casaco que estava jogado em cima da cama, e então, rapidamente, joguei as chaves do carro no bolso. Eu corri, o mais rápido que pude, passando pelo corredor e tentando não tropeçar enquanto descia as escadas, falando com a chorosa Sheyla ao telefone enquanto meus pensamentos zumbiam.

– Cameron...? – Indagou uma voz confusamente sonolenta logo atrás de mim, e quando virei-me para ver quem era, logo notei se tratar de Thomaz.

– A Leana. O carro que ela estava sofreu um acidente. Avisa a Lucy. Eu estou... indo. Eu preciso encontrá-la. – Senti meu olhar se tornar desesperado, enquanto travava uma batalha já perdida com as lágrimas que queriam escapar por meus dutos lacrimais.

E então, ignorando os protestos de Thomaz em minhas costas, simplesmente saí correndo, entrando de modo desvairado em meu Jeep e ligando o motor, enquanto tudo desaparecia na medida em que acelerava.

Na minha mente, um único pensamento se prendia: “Que ela esteja bem”.


Notas finais
Então...? Mereço reviews? Ou ainda querem me matar por não ter revelado nada do estado da Leana? Hihi.
Bem, o que eu tinha pra dizer? Sei lá.
O próximo capítulo talvez saia amanhã, se eu terminar de ler Crime e Castigo e não estiver depressiva demais porque tenho amigas que são umas vacas e só sabem me deixar na mão quando combinamos de ir em qualquer lugar. Qualquer coisa, o capítulo deve sair lá pelo início da semana.
Bem, nos vemos no próximo. :D