Not Planned.

11 First audition.


Notas iniciais
oi.

Eu estava nervosa. Minha aparência estava confiante, mas meu psicológico totalmente duvidoso. Não achei que iria me sair bem nervosa daquele jeito, e numa tentativa falha de me acalmar, piorei as coisas. Quando notei, já estava em cima do palco em frente a, no máximo, umas dez ou quinze pessoas.

- Então, nome? – disse a mulher, sentada na quarta fileira de cadeiras.

- Charlotte.

- Idade?

- Dezessete daqui a três dias.

- Ok, vai cantar, atuar ou o que?

- Eu queria cantar... Posso?

- Não estou com a sua boca, querida – disse ela, tentando aliviar a tensão. – Eu consegui perceber seu nervosismo. Se acalme, finja que está em seu quarto cantando, certo?

- Certo.

Terminei de cantar com as mãos suadas, com a respiração forte e com todos me aplaudindo, inclusive a professora. Me senti orgulhosa de mim mesma, mas não quis mostrar tal sentimento.

- Por mim, só falta você saber atuar pra estar dentro do grupo de educação artística... – disse ela, olhando pra sua plaqueta. – Charlotte.

- Me chame de Charlie, por favor.

Fiquei um tempo lá, conversando com a instrutora, até minha mãe me ligar dizendo que estava em frente a escola, me esperando.

Meu dia estava monótono, então, logo depois de chegar da escola, me joguei na cama e decidi tentar trocar mentions com Harry Styles. Com toda essa correria, eu quase me esqueci de que ele e Liam me seguiam e voltei a me sentir a menina mais realizada do universo.

“@CharlieJ: Você podiam trombar comigo outra vez, qualquer dia desse, não é? @Harry_Styles”

“@Harry_Styles: @CharlieJ É, bem que nós podíamos trombar de novo, não é? Sozinhos, dessa vez, sem Liam nenhum enchendo o saco, haha. Que tal?”

Nesse momento, eu me lembro de ter rido e quase explodido em direção aos céus, como um foguete, mas me controlei e só soltei um grito em tom baixo. Fui olhar minhas mentions pois tinha sentido o celular vibrar um milhão de vezes. Eram fãs. Não as culpo pela raiva, olha só o que Harry digitou! Mas ainda não rola nada, tipo, não faria sentido. Eu sou a fã e ele é o ídolo.

“@CharlieJ: @Harry_Styles opa! Estou disponível amanhã depois do colégio. Só volto depois das 4, pode dar uma passadinha aqui.”

Eu digitei, no intuito de provocar algumas pessoas que me xingavam histericamente e de brincar com Harry. Nunca achei que ele ia responder aquela mention, e meu dia estava feito.

Depois disso, fiz algumas lições de casa de Geografia. Eram tantas que acabei as terminando ás oito da noite, então jantei, tomei banho e dormi. Cedo, não?

Levantei no outro dia as cinco da matina, com Katy me jogando de um lado para o outro, na tentativa de me acordar.

- O que foi? – a perguntei, sonolenta. – Já é hora de levantar?

- Não – disse ela, baixinho. – Eu só queria dormir contigo... Não to me sentindo bem.

- Como assim?

- Tive um pesadelo e acordei com dores. – que estranho, eu tive isso na idade dela, quando papai ainda era vivo.

- Então deita aqui. – cedi um pouco de espaço. A ultima coisa que me lembro é dela se deitando ao meu lado antes de cair no sono.

Acordei no outro dia completa e totalmente faminta. Estava caçando comida por onde passava, quando lembrei que, em uma casa, existe algo chamado geladeira e que lá havia comida. Peguei o requeijão e um saco de bisnaguinhas, em cima da geladeira, fui pra mesa e comecei a devorar as mesmas.

Eu olhei pra minha tia e ela me fitava horrorizada, talvez com a rapidez que eu comia as bisnaguinhas, ou com o jeito que eu as abocanhava. Eu não achava nada estranho, afinal, estava com fome e não era atoa que estava acima do peso.

- Bom dia pra você também, tia. – eu disse, segurando uma risada.

- Como você consegue comer tão rápido?

- Força do hábito. Bom, vou me arrumar.

- Ok... – disse ela, ainda em um tom chocado.

Subi as escadas e me troquei rapidamente, sendo abordada por minha mãe no carro, um pouco depois.

- Filha, hoje eu e Connie vamos sair, você consegue cuidar da casa?

- Sim mãe. – notei que Katy não estava no carro só algum tempo depois, ela devia estar passando mal mesmo.

- Ok, então cuide de Katy, ela está passando mal mesmo. Se ela pedir doces, não dê. E nem chocolate quente, só piora tudo. – qual reparei, já tínhamos chegado a escola.

Saí do carro, frenética, dando tchau para a minha mãe e me direcionando para a mesma mesa em que me sentei ontem. Eu não me sentia mal por sentar sozinha, e sim aliviada. Mal entrei naquele colégio e já percebi que mais da metade das pessoas que estudam ali são hipócritas.

No meu iPod, já escutava musica no volume limite. Wide Awake, da Katy Perry. Eu me sentia tão firme e decidida quando escutava aquela musica. Na verdade, sempre me sentia bem ao escutar musicas da Katy.

O dia foi a mesma coisa. Monotonia em seu ápice, e eu mal esperava pra dar o sinal do último período pra que eu fosse pro teatro e depois pra casa, cuidar de Katy.

Dito e feito. Fui ao teatro depois do término da aula e ajudei, com mais alguns alunos, a professora com quem seria perfeito cantando e atuando. Não me pronunciei, fiquei quieta, afinal, não posso ir com sede ao pote.

- Todos subam no palco, nós vamos interpretar uma cena para ver quem são os novos integrantes do grupo teatral do colégio. – eu subi no palco junto com algumas pessoas ainda desconhecidas por mim e recebi um papel da professora. Creio que aquele era o script de cena que deveríamos interpretar. – Charlie, você é Julieta e Sean, você é Romeu. Charlotte, vá um pouco para trás, naquele xis.

Eu fui indo pra trás até perceber certo movimento se sentando nas cadeira no fundo do auditório, mas não parei pra prestar atenção em quem poderia ser. Parei no xis, como mandado.

- Ok, então, eu fico aqui, professora? – disse Sean, um pouco mais a frente.

- Sim, comecem quando eu mandar... – ela ficou quieta, e quando todo mundo estava quieto... – Comecem.

- Oh Romeu, Romeu! Por que és Romeu? – eu disse, completamente me deixando levar pela distração no fundo do auditório, sussurrando o mais alto que podia. Percebi que era mais de uma pessoa, mas não liguei e tentei me concentrar. Olhei para a professora, que também parecia irritada com o barulho mas atrás. – Renega teu pai e recusa teu nome...

- Com licença, Charlie. Quem está aí? – disse a professor, fazendo toda a baderna cessar. – Quem está aí, atrapalhando o ensaio, caramba? – ela resolveu gritar. Não se pôde ouvir mais nem um piu, e sim um grupo de meninos correndo. Devem ser aqueles meninos idiotas com quem encontrei mais cedo. Não liguei e nós continuamos a cena. Eu ia acabar indo tirar satisfações com esses meninos se eles continuassem de graça.

Notas finais
reviewssss?