Not Over You

6 Capítulo 05 - Resisting.


Notas iniciais
Hey, amoras. Tudo certinho?
Primeiro: mil desculpas pela demora. Tipo, um mês? Desculpe mesmo.
Primeiro eu fiquei atolada em provas e trabalhos da escola, depois que eu entrei de férias...adivinhem? Uma dor de cabeça dos infernos resolveu me atormentar por tipo, uns quatro dias...então precisei escrever e estava sem inspiração nenhuma...mas eu consegui!!!
E eu gostei desse capítulo, sei lá, ficou legal pra mim.
E, por favor, vamos comentar leitores fantasmas. Cada dia mais leitores aparecem, mas não comentam. Cara, eu sou uma pessoa muito paciente, e modéstia parte, legal - mesmo meus amigos dizendo que sou chata -, mas eu não sou tão paciente assim. Sério, vamos comentar, não quero ser grossa!
Leitoras novas, sejam muito bem-vindas!
Enjoy :3

Domingo era o pior dia da semana, sem dúvidas. Nada para fazer, nenhum filme que preste na TV, e a preguiça de ficar duas horas na frente de uma televisão vendo praticamente a mesma coisa não ajudava nem um pouco.

Gabriel e Ethan tinham ido embora para tomar banho fazia uns quarenta minutos, mas saíram da casa de Claire jurando que não demorariam em voltar. Não que a presença deles me incomodasse, mas por que mesmo eles tinham que voltar? Claire e Matthew levantaram para almoçar o frango assado que Ethan fez e logo voltaram para a cama, resmungando algo sobre beberem menos vinho quando forem...não entendi.

Eu odiava ficar sem ter o que fazer. Odiava porque, por mais que eu lutasse com todas as minhas forças para evitar, meus pensamentos sempre se encaminhavam para Gabriel. E pior do que isso era ter algo recente para lembrar, pior do que isso era ter sentido suas mãos macias e quentes em mim outra vez, me acariciando, me torturando com as lembranças de nós dois.

E eu nunca conseguiria explicar pra mim mesma por que diabos aquele homem não saía da minha cabeça, por que ele tinha que fazer presença em meu corpo, alma e coração o tempo todo. Como se o tempo não tivesse afetado nem um pouco do amor louco que eu sempre senti, como se eu estivesse fadada a amá-lo para o resto da vida. E eu tentei esquecê-lo, eu não simplesmente cruzei os braços e aceitei sofrer por um amor tão doído quanto esse, eu lutei para esquecer. Mas foram quase seis anos de puro fracasso.

Sua mão em minha nuca noite passada, fazendo-me arrepiar, fazendo-me desejar e aceitar querer coisas doloridas novamente. Meu corpo se esquentava ao mesmo tempo em que congelava só de lembrar. Como era possível ele conseguir me fazer sentir vontade de jogar tudo para o alto com um simples toque?

Seus lábios molhados e calmos depositando beijos molhados em minha pálpebras e na ponta provavelmente gelada de meu nariz...aquilo só me fez querer ainda mais seus lábios colados aos meus e depois fazendo um caminho por todo o meu corpo, sem que se esquecessem de um centímetro sequer de pele minha .

Sonhei com Gabriel naquela noite. Mas foi diferente de todos os outros sonhos rotineiros que eu tivera com ele. Não estávamos brigando como sempre e acabando na cama logo depois, por isso eu não acordei afobada e morrendo de vontade de ligar para ele em plena três da manhã.

Nós estávamos em um chalé pequeno, mas muito aconchegante e quente. Era obviamente a época mais fria de Londres, mesmo que eu duvidasse intensamente que era lá que nós estávamos. Estava dormindo nos braços de Gabriel, embaixo de um edredom quente e grosso de lã. Gabriel estava sem camiseta e eu me perguntava se ele não sentia frio, já que eu estava coberta por blusas. Seus braços estavam envolta da minha cintura, seu nariz depositado levemente em meu pescoço, e ele respirava profunda e demoradamente. Nossas pernas estavam entrelaçadas umas com as outras e com o cobertor. Eu participei daquele sonho como telespectadora, era como se estivesse assistindo um filme onde eu era a protagonista junto com Gabriel.

E esse foi meu sonho. Eu assisti por horas Gabriel e eu dormindo abraçados, mesmo que me parecessem minutos, segundos talvez.

E então eu acordei. Acordei de bom humor, me sentindo meio renovada e infelizmente, sabendo que o motivo disso era o sonho ridículo e a forma delicada e carinhosa com que Gabriel me colocou na cama.

Sabe quando você é uma adolescente boba e o garoto por quem você é apaixonada te beija pela primeira vez em uma noite qualquer e no outro dia você acorda e leva menos do que cinco minutos para lembrar-se de tudo, e então o sorriso mais idiota do mundo está em seus lábios? Então, eu estava exatamente assim. O que era uma droga, porque eu teria que passar as próximas três horas dizendo na minha cabeça sem parar que era ilusão, que eu sofreria, que Gabriel não gostava de mim e que ele nunca mudaria.

Respirei fundo, ainda de olhos fechados e reuni coragem para levantar da cama.

Dei a volta na cama, para ir até o guarda-roupa pegar um casaco já que de manhã sempre era um pouco mais frio e eu ainda não tinha me acostumado com o frio de Londres outra vez, mas meu percurso foi brutalmente interrompido por um corpo deitado no chão, e que só foi avistado por mim depois que eu já havia tropeçado nele e ido de encontro com o chão.

Gemi de dor, passando a mão direita pela minha testa agora dolorida. Que grande merda. Ouvi um gemido rouco, e comecei a arregalar os olhos e parar de lamentar a dor na minha cabeça no momento em que senti uma mão grande e quente subir por minha perna esquerda e depois parar quase na minha coxa.

— Porra, Emma, o que tá fazendo com a bunda na minha barriga? — Ouvi Gabriel perguntar, falando um pouco baixo demais, mas de forma reprovadora. Como se a culpa fosse minha de estar no meu quarto, caída no chão por trombar em seu corpo.

Levantei o tronco e escorrei as pernas para o lado oposto, acabando ajoelhada ao lado de Gabriel. Pisquei os olhos algumas vezes, e finalmente consegui enxergá-lo. Seus cabelos estavam mais bagunçados do que o normal, e seu rosto apresentava uma careta mal-humorada, o que não era nada surpreendente. E ele estava só de calça jeans. Sem camisa. Tinha um travesseiro embaixo de sua cabeça e ele estava deitado sobre uma coberta grossa. Esse homem não sentia frio?

— O que você está fazendo aqui? — Perguntei, notando claramente que ele havia dormido ali.

Gabriel baixou os olhos para minha boca, e então mais para baixo, secando descaradamente o decote da blusinha que eu usava como a parte de cima de uma roupa de dormir, e então pousou os olhos em sua barriga nua. Olhei para o mesmo lugar, só então percebendo que foi onde eu me apoiei para sair de cima de seu corpo, e vendo que minhas mãos continuavam lá. As tirei no mesmo instante.

— Dá pra responder? — Perguntei grosseiramente, me levantando do chão e pulando sua barriga, para chegar até o guarda-roupa.

Peguei a primeira blusa de frio que avistei e a vesti, puxando o zíper até em cima, e tapando meu decote. Virei-me para encarar Gabriel, esperando uma resposta, mas o encontrei se olhando no espelho, passando a mão na área da costela.

— Vai ficar roxo — resmungou mal-humorado.

— Que merda você estava fazendo aqui?

— Cuidando de você, oras — ele respondeu, se virando para mim e depois revirou os olhos. — Ouvi você gritar uma ou duas vezes, e então vim checar — andou até a escrivaninha e pegou sua blusa que estava pendurada na cadeira, a vestindo devagar, deixando os músculos de sua barriga e peito contraídos enquanto a blusa descia devagar, finalmente vestindo-o —, mas você estava dormindo...pensei ser um pesadelo e resolvi ficar. — Que grande mentira.

Revirei os olhos diante de tanta invenção, mas resolvi não argumentar. Preferi não saber o real motivo para ele ter dormido no chão do meu quarto.

— Pode sair, por favor? — Pedi desconfortável, ao perceber o silêncio que se fez entre nós depois de sua péssima mentira e notar que ele estava olhando descaradamente para as minhas pernas nuas. — Tenho que me vestir.

— Eu tenho mesmo que sair? — Perguntou com um sorriso zombeteiro no rosto, tentando fazer piadinha com a minha cara.

Acenei positivamente com a cabeça e revirei os olhos ao notar que se dependesse dele sair do quarto para que eu me trocasse, eu ficaria vestida assim por um longo período de tempo. Andei até Gabriel, tentando não pensar na minha vontade de jogar ele na cama e ser dele novamente, e o empurrei até a porta, fechando-a em sua cara.

Meus pensamentos foram interrompidos pelo meu celular, que tocava e vibrava no braço do sofá incessantemente. Era Lucy. Atendi, me lembrando de que tinha combinado de ir com ela e mais alguns colegas de trabalho jantar em uma pizzaria naquela mesma noite.

— Hey, Lucy — cumprimentei assim que atendi a ligação.

— Hey, gata — ela falou galanteadora e eu ri.

Lucy era uma garota legal. Era apenas um ano mais nova que eu, estava fazendo faculdade de fotografia na Universidade de Londres, então estudava na parte da manhã e começava seu turno às uma e meia da tarde. E embora fosse a funcionária com quem eu passava menos tempo, era a que eu mais conversava. Ela era engraçada na maioria do tempo e a timidez não tinha espaço em sua personalidade.

— Não vou poder te buscar essa noite, então conversei com o Joey e ele disse que pode te buscar sem problemas...ele e o Charlie vão juntos — falou. — Tem problema?

— Não, claro que não. — Respondi normalmente.

— Desculpe mesmo, Emma, mas eu fiquei mais tempo atolada em um trabalho do que eu pensei que ficaria, então vou chegar, pelo menos, uns vinte minutos atrasada na pizzaria...não queria te atrasar também — explicou e eu sorri, mesmo que ela não pudesse ver.

— Fique tranquila, Lucy — disse. — Não tem problema nenhum, sério.

— Então está certo — respirou fundo. — Vou desligar, ainda tenho muita coisa pra fazer aqui... Não coma toda a pizza! Tchau.

E desligou.

Ri sozinha assim que ela desligou. Lucy, apesar de ser muito esforçada, era bem enrolada. Seu tempo era curto, ela só tinha os finais de semana para fazer trabalhos, porque seu turno no Café acabava às onze da noite, Joey me contou. E seus trabalhos tinham que ser ótimos, porque ela estava estudando com bolsa... era realmente uma garota inteligente. Só precisava se organizar melhor e eu poderia fazer alguma coisa pra ajudar.

Ouvi um gemido rouco e direcionei o olhar para a porta, vendo uma garota com olheiras nos olhos, o cabelo todo desgrenhado e uma cara de sono e ressaca completamente...engraçada. Claire estava realmente linda naquele dia.

— Vinho é uma droga — reclamou, andou até o outro sofá da sala e se jogou de barriga no mesmo, afundando o rosto nas almofadas.

— Mas você não pode dizer que sexo selvagem é uma droga, não é? — Brinquei. — Quase não dormi com seus gritos — menti descaradamente, segurando a risada.

Claire levantou a cabeça bruscamente, me encarando com uma expressão indecifrável, olhos arregalados e a boca escancarada. Comecei a rir e ela revirou os olhos, percebendo que eu estava tirando uma com sua cara.

— Que horas são? — Perguntou depois de ficar me olhando com cara de taxo até que eu parasse de rir.

Olhei a tela do celular.

— Uma e meia.

— Vamos ao shopping? — Perguntou manhosa. — Eu não conheço nenhuma loja de noivas e acho que já está na hora de começar a procurar um vestido.

— Claro — respondi. — Mas temos que estar aqui até às oito.

Claire acenou positivamente com a cabeça, levantou do sofá e saiu da sala, provavelmente para ir se arrumar. Eu estava apresentável, já que fui obrigada a me trocar de manhã porque Ethan e Gabriel estavam aqui. Meu cabelo nunca foi um problema, porque solto ou preso, em minha opinião, estava bom. Uma calça jeans, uma blusinha de manga verde musgo, um casaco marrom e uma sapatilha vermelha...estava até bom demais para um simples passeio ao shopping.



— Não sei — Claire começou, tirando minha atenção do joguinho que eu estava jogando no celular. — Tem vestidos extravagantes demais aqui — reclamou, passando o dedo pelo espartilho do trigésimo segundo vestido de noiva daquela loja. Sim, eu contei. — Quem se casa usando um chapéu? — Perguntou, fazendo careta e girando o chapeuzinho branco com o dedo.



— Vamos para outra loja, então — falei pacientemente, recebendo o olhar feito da vendedora que estava nos atendendo.

Dei os ombros e voltei a jogar.

— Você bem que poderia me ajudar com, sei lá, sua opinião?! — Reclamou, se virando para me encarar completamente.

Fechei o joguinho e guardei o celular na bolsa de Claire, me levantando da cadeira preta logo em seguida e dei três passos para chegar até ela.

— Desde o segundo vestido eu notei que nada nessa loja te agradaria — falei sinceramente. — Nem de alguma outra...você é bem exigente, Claire, por isso acho que deveria mandar fazer um vestido...o preço é quase o mesmo.

— Certo, mas será que ficaria pronto até o casamento? — Perguntou insegura, mordendo o lábio.

Acenei positivamente com a cabeça como resposta e puxei Claire pela mão para fora da loja, acenando sem jeito para a vendedora que havia nos atendido, vendo seus olhos bravos serem mascarados por um falso sorriso de "volte sempre". Não voltaríamos nunca mais.

— Acho que ela ficou com raiva da gente — Claire comentou enquanto andávamos depressa para bem longe da loja, grudadas como duas adolescentes que estão falando sobre o garoto bonito que olhou para elas; e segurando um sorriso debochado.

— Você acha? — Ri.

Claire e eu seguimos andando de braços entrelaçados até uma sorveteria, nos sentamos em uma mesinha alta de dois lugares e ambas pedimos milk-shake, mas enquanto o dela era de baunilha, o meu era de morango.

— Matt falou que queria fazer cinco festas de casamento — ela disse rindo, toda encantada, como sempre ficava quando falava de Matthew, mesmo depois de tantos anos. Sorri. — Era brincadeira, claro... Mas nós pensamos em uma viagem em julho, pra comemorar...porém não só ele e eu. Eu, ele, você, Ethan, Gabriel...

— Por mim tudo bem — respondi com um sorriso de canto. — É uma ideia legal.

Uma viagem com Gabriel para sabe-se lá onde era uma péssima ideia, e no segundo em que Claire terminou de falar, eu já sabia que não ir era a melhor coisa a se fazer. Mas tudo que estivesse ligado à minha melhor amiga, eu faria. Era praticamente uma viagem para comemorar antecipadamente seu casamento. E eu estava feliz por ela e por Matt, então claro que toparia. Pensar duas vezes era desnecessário.

— Viagem pra onde? — Perguntei realmente interessada.

Claire e Matthew têm ideias muito geniais e na maioria das vezes, me surpreendem.

— Estávamos pensando em um chalé perto de uma praia linda, com uma floresta enorme logo atrás, com trilha para uma cachoeira maravilhosa — seus olhos brilharam. — E bem longe de tudo, então parece bem relaxante pra mim.

— Parece que você já achou um lugar específico — comentei rindo e tomando um gole do meu milk-shake logo depois. Claire sorriu, acenando positivamente com a cabeça.



Claire e eu chegamos a sua casa quase oito horas da noite e eu corri para tomar banho, para não me atrasar e fazer os meninos esperarem por mim.



Fiquei me lembrando de ir até a loja com Claire durante o banho. As outras mulheres que estavam lá olhando vestidos sorriam de maneira tão encantadora e tinham um brilho tão intenso nos olhos. As que eu reparei, pelo menos, me pareciam assim.

Era tão nostálgico, irritante e decepcionante saber que eu nunca me sentiria assim. Quer dizer, eu jamais me casaria com um homem sem amor, e jamais me casaria com Gabriel. As possibilidades de casamento nessas circunstâncias são iguais à zero. Nunca amaria mais ninguém. Essa era a única coisa certa em minha cabeça.

Vesti uma calça jeans, uma blusa vermelha de manga comprida, e joguei um casaco preto por cima dela, calçando um par de botinhas pretas de cano médio. Uma coisa simples, apenas para comer uma pizza com os colegas em uma noite fria de domingo.

Ouvi a porta do quarto ser aberta enquanto estava de frente para o espelho, tentando prender minha franja para trás. Olhei de relance para a porta e vi Gabriel encostado nela, que agora já estava fechada novamente, com as mãos nos bolsos da frente da calça jeans preta, o cabelo molhado e despenteado e os pés descalços cruzados.

Tentei parecer normal, apesar daquela momentânea falta de ar e dor na hora de respirar fundo, e o coração acelerado, o frio na barriga e o arrepio do calcanhar até a nuca.

— Vai sair? — Perguntou.

Revirei os olhos. Isso era tão...Gabriel.

— Vou à pizzaria com alguns colegas — respondi, mesmo sabendo que aquilo não era da conta dele e que ele sequer deveria estar perguntando.

— Que pena, eu fiz torta de maçã e tacos — falou devagar.

Virei o rosto em sua direção, apertando os olhos e o odiando profundamente. Eu era apaixonada por tacos e por torta de maçã, mas era, principalmente, viciada nos tacos e na torta de maçã que Gabriel fazia. E o desgraçado sabia disso.

— Eu como quando voltar — respondi segurando um sorriso e voltando a encarar meu reflexo no espelho.

Minha franja escorregava dos meus dedos a cada cinco segundos e aquela presilha era pequena demais.

Bufei e ouvi a risadinha discreta de Gabriel. Virei o rosto para ele outra vez, a tempo de vê-lo se desencostar da porta e andar até onde eu estava. Ele parou a menos de quarenta centímetros de mim, inclinou seu corpo para cima do meu e esticou o braço até chegar à mesinha, e ficou me olhando no fundo dos olhos, bem próximo de mim.

Ele definitivamente era apaixonado por uma provocação.

Afastou-se de mim, e segurava uma presilha em sua mão esquerda. Sua mão direita pegou as pontas da minha franja, tocando meu queixo levemente, e ergueu a mecha, penteou com os próprios dedos e depois segurou-a em minha cabeça, passando a pequena presilha logo depois.

A franja parou.

— Obrigada — agradeci baixo, ouvindo minha voz sair indesejavelmente rouca.

— Disponha — deu um sorriso de canto.

— Preciso ir — falei rapidamente, assim que notei que estávamos nos olhando a tempo demais e que pelo meu próprio bem, eu precisava sair de perto dele o mais rápido possível.

Passei por Gabriel e quando estava prestes a segurar a maçaneta da porta, senti seus dedos longos e quentes deslizarem rapidamente por meu braço, até se fecharem em volta dele. Gabriel me puxou, fazendo-me ficar de frente para ele e me empurrou para a porta, me deixando prensada entre ele e ela.

— Eu não consigo esperar mais — ele falou baixo, subindo sua mão por meu colo, dando a volta pelo lado esquerdo do meu pescoço até chegar à nuca.

Fechou os olhos e aproximou mais seu rosto do meu, respirou fundo e chegou um pouco mais perto. Virei meu rosto imediatamente, sentindo o ar ir e vir desesperadora e freneticamente e meu coração bater de forma ensurdecedora.

— Eu preciso ir, já estão me esperando — falei firme, sentindo meus olhos estranhamente secos.

— Eu não me importo com isso — sussurrou, e então se aproximou mais, me fazendo sentir seus lábios tocarem minha mandíbula demorada e delicadamente. Sua mão esquerda soltou meu braço e foi para minha cintura, apertando-a de leve.

— Eu me importo — falei firme, sentindo uma parte dentro de mim se despedaçar. — Estou falando sério, Gabriel. Solte-me.

Coloquei minhas mãos em seus punhos e as tirei de mim, afastando-o logo em seguida. Ele não estava usando força naquele momento, ou eu jamais poderia ter feito isso. Segurei a maçaneta e a virei, abrindo a porta. Virei-me de costas e escancarei a porta.

— Não faça isso de novo — falei friamente, sem sequer olhar para Gabriel, e então saí andando sem olhar para trás, sem ao menos conseguir pensar alguma coisa.

Minha cabeça estava a mil, meus ossos ainda estavam rígidos, minhas pernas tremiam tanto que eu não sabia como havia conseguido andar para fora com tanta determinação. Minhas mãos também tremiam, meu corpo todo tremia. Pensamentos e mais pensamentos rodavam por minha cabeça. E se eu não tivesse conseguido resistir? E se eu não tivesse sido forte o suficiente?

Essa foi a primeira vez que eu resisti a Gabriel.

E eu sabia que, a partir dali, minha força seria colocada a prova.

O problema era que eu não era forte o suficiente para resistir por muito tempo.

Notas finais
Então, gostaram? Deixem comentários, me falem o que acharam, o que gostaram e o que acham que precisa melhor!
Espero pelos comentários fofos de vocês!
Mais uma vez, desculpa pela demora, prometo não demorar no próximo!
Bjs ;**