Not Everything Is Over, Has An End.
1 Surprise! Wherever i go?
Notas iniciais
Peguei o DVD e coloquei-o no aparelho, assim que o leitor fez a leitura do conteúdo mostrou-se na televisão de 42 polegadas uma foto, três pessoas: Eu, Carly e Freddie. Estávamos sorrindo para a câmera, enquanto eu fazia um chifre no Freduardo – que saudade de chamá-lo assim. Faz tanto tempo que não os vejo, quatro anos para ser exata. Desde que me mudei. Mas voltando ao DVD... No meio da tela havia o título: Último programa do iCarly – Por: Freddie. Sim, era o vídeo do nosso último programa feito, quando souberam que iria me mudar, preferiram terminar o iCarly, apesar de eu ter insistido muito para que eles continuasse, afinal, o programa ainda era um sucesso.
Flashback on.
- Não Samantha. Sem você. Sem iCarly. – Discuta Carly comigo, de braços cruzados.
- Shay, o programa é um sucesso. Você não pode abandonar isso só por que eu vou me mudar. Aliás, ele nem tem meu nome. Não vou fazer falta. – Insisti, não queria apelar e nem trazer à tona daquela discussão do nome do Website. Eu só queria convencê-los de que com ou sem mim, teriam que continuar.
- iCarly não tem o nome do Freddie e imagina o que seria do programa sem ele? – Indagou, me encarando. Pela primeira vez senti as palavras da minha melhor amiga, se tornarem irreversíveis. Logo ela, um doce de pessoa. – É a mesma coisa com você, amiga.
- Carly. – Implorei, eu não queria me sentir assim, mas o peso na consciência de que o fim do programa aconteceria por minha culpa, era inevitável.
- Está decidido. – Arqueou as sobrancelhas. É, realmente estava decidido mesmo.
- Carly está certa. As coisas sem você, não são as mesmas. iCarly sem Sam Puckett não tem o mínimo sentido. – Eu havia ouvido aquilo mesmo? Era perceptível dor em sua voz, a mesma dor que eu sentia. Minha vontade era abraça-los agora mesmo e implorar para que eu pudesse ficar. E chorar, chorar, chorar.. até ficar seca. Mas eu sou Samantha sem-coração, tenho que me manter forte. Pelo menos por fora.
- Tudo bem, não vou mais discutir isso. – Disse por fim, abaixando o olhar. Em seguida sentindo quatro braços me envolverem em um abraço.
- Nós amamos você. – Foi Carly quem pronunciou, e eu não precisei dizer mais nada, para que eles soubessem que eu os amava também.
Flashback of.
Respirei fundo, me livrando da lembrança daquele dia. E em seguida, apertando o play. Na tela apareceu aquela introdução de sempre: “Oi, eu sou a Carly; E eu a Sam; E você está assistindo o iCarly!”, o decorrer do programa fora normal, com nossas brincadeiras, palhaçadas, eu sempre procurando pretextos de zoar o Freddie. Mas foi no fim que tudo mudou, e ver aquilo fez meus olhos arderem e uma nostálgica saudade aparecer. Os minutos finais do programa foram assim:
- E bem, agora temos uma notícia não tão legal para dar a vocês, fãs do iCarly. – Iniciou Carly, e aquilo me fez sentir um aperto tão grande e meus olhos arderam, era a hora de se despedir.
Freddie colocara a câmera no tripé, e veio ao nosso encontro, junto dele vieram Gibby e Spencer.
- Então, é com muita tristeza que informamos o fim do iCarly. – Prosseguiu Spencer, também com a mesma dor e peso na voz que todos usavam.
- Sam vai se mudar, por motivos pessoais, e não tem sentindo um programa sem um membro. É como se perdesse a essência. — Ele disse e olhou para mim.
Sei que é meio irônico, mas a menina sem-sentimentos agora estava desestruturada. E fui a primeira de todos a derramar lágrimas o que me fez me odiar. Tanto esforço para demonstrar força e no final, eu só era uma garotinha querendo colo.
- Eu peço desculpas por isso. E eu amo vocês, e me dói.. tanto. – Tentava dizer entre os soluços, nessa hora, Carly e Spencer já choravam. Já Gibby só estava com os olhos marejados e Freddie, bem, ele segurava o choro e por ora, limpava lágrimas teimosas que insistiam em cair.
- Amamos fazer o programa, amamos vivenciar isso toda semana. Mas é como dizem, nada é para sempre. – Freddie finalmente falou agora já se esquecendo das lágrimas que rolavam em seu rosto.
Não precisavam dizer mais nada, todos estavam acabados. Freddie foi até o computador, e pôs um vídeo com os melhores momentos de iCarly, e a tela ficou preta. Tinha chego o fim. Eu ainda me lembro de que depois disso, Gibby esperneou como um louco, Spencer, Carly, Freddie e eu choramos como loucos abraçados por uns quinze minutos. E por fim, eu me despedi, já que precisava ir para o aeroporto, meu pai me esperava. E o inicio de uma vida sem Carly e Freddie também.
E é esta vida que vivo hoje, sou conhecida como Sammy — nada de Sam ou Samantha – e me tornei uma modelo de um quase sucesso, desde que vim embora para meu pai, ele e Melanie me obrigaram a participar de uma seletiva, que no caso ganhei. Sei lá, eu pensei que não passaria de uma coisa momentânea, mas fora se estendendo e hoje, sou a modelo principal de uma marca de roupas famosa. A porra é que, eles exigem muito de mim. E eu me sinto como um passarinho preso na gaiola, prestes a levar uma fundada. E eu achando que depois dos dezoito, eu finalmente seria ‘livre’. Hahahaha, boa piada Puckett. Foi exatamente o que ouvi do Ethan, meu produtor. Ele tinha razão, liberdade é para os fracos... e saudade também.
“I know, you see...” Meu telefone tocou, aquele toque da música tema do programa, a que eu tanto gostava. Atendi:
- Quié? – Mesmo já tendo vinte anos e com toda certeza havia amadurecido bastante, mas nada que tirasse aquele jeitinho Sam de ser.
A pessoa da outra linha pigarreou como se esperasse que repetisse a ‘saudação’ para algo mais formal e educado. Mas logo desistiu, e prosseguiu: — Boa tarde, Sammy. – Era a voz de Ethan, revirei os olhos.
- Fala cara. – Continuei.
- Então, amanhã terás que viajar, portanto arrume suas coisas.
- Viajar? Porra, Ethan. Tô afim não.
- Você não tem escolha, já está marcado. Tem uma sessão de fotos aonde vamos, e bem, depois se você se comportar direitinho, eu até deixo você aproveitar a cidade. – Disse em um tom brincalhão, o que me fez ficar confusa. Desde quando eu quero sair para aproveitar a cidade? Sou uma sedentária de carteira assinada. E além do mais, odeio pessoas.
- Aonde vamos? – Indaguei, arqueando as sobrancelhas, queria muito que ele visse minha cara ameaçadora, pena estarmos conversando por telefone.
- Surpresa. – E desligou. Ahá, então era isso? Ele me liga, diz que vamos viajar e desliga na minha cara sem eu ao menos saber aonde vou? Eu espero que seja um lugar decente, por que depois a surpresinha será minha... Vou levá-lo ao inferno. Desgraça. [...]
- Deve ser Paris ou Itália. Quando eu entrei, a agencia também me fez uma surpresinha. Foi bastante legal. – Bastante legal vai ser a hora em que eu der na cara dela. Não sei que grande coisa tem em Paris, e na Itália... Bem, tem as pizzas. Mas a butterfly – mais conhecida como Ethan Morris – jamais me deixaria comer.
- Ah, se mata. – Falei e fui para meu quarto arrumar as coisas. É, eu ainda morava com papai e Melanie. Eu sei que você deve estar pensado que a minha vida é um fracasso, mas acredite, poderia estar pior. Pelo menos eu acho que sim.
Nem cinco e meia eu já estava de pé. NÃO, não foi de livre espontânea vontade. É claro que Ethan fora de madrugada na minha casa para em acordar, tipo assim umas 4h30. Sorte de ele ter trazido um cachecol para esconder as marcas de unhadas no pescoço.
- Odeio você, sabia? – Ele dizia enquanto esfregava o pescoço.
- Eu sei. Mas sou seu tesourinho, sem mim você só é uma lagarta sonhadora.
- É, você tem razão. E é somente por isso que não te denuncio.
- Como se denunciar fosse algo muito assustador pra mim, você já viu minha ficha na polícia? – gargalhei, lembrando-me de tudo o que já fiz. Eu era uma garotinha bastante encrenqueira. Bem, pelo menos agora eu sou uma mulher encrenqueira.
Ethan ignorou meu último comentário, somente fez sinal com a cabeça para que seguíssemos para o taxi, que ia a caminho do aeroporto.
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