Not Everything Is Over, Has An End.
4 Boy, I hear you in my dreams - Part one.
Notas iniciais
Desci degrau por degrau, algo que se tratando de mim era raro, já que sempre fui espoleta. É que bem... Meu corpo ainda tremia como uma vara verde e o medo de cair, eu admito que me incomodava.
— Noooooossa, finalmente, achei que tinha caído na privada. — Carly zoou em uma tentativa falha de quebrar o gelo, já que ela estava ciente que havia estragado o maior climão entre mim e Freddie.
Ri sem humor, rolando os olhos.
— Engraçadinha né? A rainha do humor. — Ironizei sarcasticamente.
— Vam cá comer, vem. — Freddie se pronunciou usando um timbre meloso, — que até mesmo o Spencer noiado percebeu — e deu leve batidinhas no banco ao seu lado, indicando para que eu sentasse.
Neguei com a cabeça.
— Não, obrigada. Tô sem fome.
— Samantha Puckett sem fome? O APOCALIPSE CHEGOU! — É, talvez Carly tinha realmente razão. Samantha sem fome era o fim do mundo, mas eu não tinha culpa, essas malditas borboletas não me deixam pensar em comida só em Freddie, Freddie e Freddie. Também admito que fugi da presença dele, não sei o porquê, eu acho que preciso reaprender a respirar sem um motivo maior. Me dirigi até o sofá, me atirando no mesmo, pude ouvir alguns comentários dos três como: "Ela não tá doente não?", eu claro, ignorei-os. Liguei a TV e passava um programa qualquer que mal prestei atenção, quer dizer, só parei para realmente assisti-lo quando eu ouvi meu nome ter sido citado pela apresentadora, que dizia mais ou menos isso:
— Adivinhem que está devolta a cidade? Sim, Samantha Puckett. A garotinha que antes apresentava um WebShow conhecido como iCarly cresceu e hoje é uma modelo bastante conhecida em Londres, e então voltou para fazer um trabalho, nada muito demorado, mas o suficiente para conseguirmos uma entrevista com ela! É isso aí, amanhã ela virá aqui. Então não percam o programa, bye bye.
Errr, eu tenho uma entrevista?
— Sam você tem uma entrevista amanhã? — Perguntaram em coro, ficando em pé ao lado do sofá, já que o mesmo estava ocupado pelo meu corpo.
— Tenho? Não sei. — Disse confusa.
— Deve ter né, ela não anunciaria por nada. — Freddie disse, e eu dei de ombros. Depois ligava para o Jeremy, e claro meteria a boca nele, mas agora não estou afim de me estressa com o namoradinho da Carlotta.
Bem, o resto da noite fora um tanto quanto normal, quer dizer, o normal de quatro anos atrás, rimos, brincamos e eu depois que consegui acalmar, comi até explodir os tacos de macarrão que havia sobrado.
— Por que você tá fugindo de mim, Sam? — Freddie indagou, aproveitando o breve momento em que Carly e Spencer haviam se afastado.
— Eu? C-Claro que não, nerd. Dá onde tirou essa ideia? — Gaguejei, mentindo sobre os fatos. A verdade era que eu realmente fugi dele a noite toda, e mesmo que eu tenha tentado o máximo para parecer 'normal', era hiper perceptível que algo não estava normal.
— Desde o fracasso do nosso quase beijo e você ter demorado anos lá em cima, e depois que desceu simplesmente mudou da agua pro vinho. Simples assim. — Ele explodiu, e suspirou por fim. Eu conseguia sentir a angústia e a dúvida em seus olhos, e admito que isso doía mais que os golpes da minha meia com manteiga.
— Eu não mudei, é impressão sua, Freddoritos. — Menti pela segunda vez, forçando um sorriso qualquer.
Logo Carly voltou, cheio de roupas de cama, seguido por Spencer com um colchão de solteiro.
— Você que sabe, Samantha. — Ele falou em um quase sussurro, e virou-se para Carly. — Então, quem vai dormir nesse colchão?
— Eu pensei na sua gentileza, e que você cederia para Sam. — Ela disse, piscando pra mim.
— Eu durmo no sofá, pode ficar com o colchão, Freddegulho. — Eu disse, dando de ombros.
— Tudo bem, né. — Carly por fim disse, e jogou tudo no chão, para que arrumássemos. — Se virem. Eu to indo dormir. — E foi em direção a seu quarto.
— Bem, eu vou indo também galerinha. — Spencer se aproximou, beijando o topo da minha cabeça e de Freddie, saindo para seu quarto logo depois. — Ah, e não se matem! — Pediu na porta do quarto, adentrando o mesmo depois do recado dado.
E então tudo se tornou silêncio, eu arrumei minhas coisas em silêncio e Freddie as dele, o único som que saíra de nossos lábios fora um seco 'Boa noite' de ambas as partes.
O relógio marcava 3h42, e eu não havia conseguido pregar o olho por nem um minuto. O que me restou somente pensar sobre isso tudo. Por que sinceramente eu estaria fugindo dele? Caramba eu o amo. E se ele realmente tivesse dito algo com sentido? Afinal, e se a vida quisésse nos dar uma segunda chance? Ora, talvez mesmo a minha vinda a Seattle tenha se tornado algo a mais que profissional. O que eu faço? Eu quero me arriscar, eu quero abraçá-lo agora, quero dizer o quanto eu sou louca por ele, mas eu tenho o meu maldito orgulho, e algo pior, o medo. Rolei meus olhos para onde Freddie dormia. Tão angelicalmente aconchegado por entre aquelas cobertas.
— Deve estar tão bom ali. — Comentei para mim mesma em voz alta, o que me fez tapar meus lábios depois, já que não era para ter saído do pensamento. Suspirei, me levantando e caminhando vagarosamente até a ponta do colchão. — Freddie? — Chamei.
Ele rapidamente abriu os olhos e me fitou, o que me fez ter sérias dúvidas de que ele estava realmente dormindo.
— Que foi, Sam? — Perguntou.
— Eu, eu... É, que. — Gaguejei não conseguindo falar nada que preste. — O que eu quero dizer é, eu posso dormir aí com você? É que o sofá tá desconfortável, eu devo ter crescido demais e...
— Vem. — Me interrompeu, dando uma risadinha e abrindo um espaço entre o edredom para que eu entrasse. Eu sorri, me deitando ao seu lado um pouco receosa. — Não vou te morder não. — Ele riu novamente, envolvendo seus braços por minha cintura e me puxando para mais perto, encaixando nossos corpos perfeitamente, como se fossem feitos milimetricamente para ficarem ali, juntos. Freddie e eu sempre fomos como peças de um quebra-cabeça totalmente embaralhado, e que por mais que tentamos nos encaixar nunca funcionou, até que chegamos em uma precipitada conclusão de que não éramos do mesmo quebra-cabeça, mas o que realmente acontecia era que sempre fomos encaixados de uma forma errada, pois quando descobria-se a forma certa, nos tornávamos tão únicos, como se fossemos um só.
— Eu sei. E Freddie? — Falei calmamente, enquanto sentia o calor do seu corpo se transferir para o meu.
— Fala.
— Me desculpa por hoje, eu só queria saber novamente como é viver longe de você.
— Tudo bem...
— E sabe, não é nada bom. — Pude sentir ele sorrir e o ar que saiu de suas narinas percorreram minha nuca, fazendo arrepiar cada centímetro do meu corpo.
— Viver sem você também não é bom, é torturante, é triste e tão vazio. — Ele concluiu, depositando um beijo em minha face. — Vou te fazer carinho até você dormir, tá?
Freddie's POV.
Depois que pronunciei, ela assentiu. E eu fiquei ali, afagando seus longos cabelos dourados até que tive certeza de que havia adormecido. Esse momento, nossos corpos, seu cheiro... era como em um sonho, aliás, eu estou mesmo acordado?
— Você é tão linda dormindo, minha menina. — Dei ênfase em 'minha', queria ter a sensação de tê-la por completo novamente, mesmo que seja em uma simples frase da qual, ela mesma não pudesse ouvir. Então eu fiquei observando-a até que eu mesmo pegasse no sono, que por sinal, fora o melhor sono de toda a minha vida.
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