Not Everything Is Over, Has An End.
5 Boy, I hear you in my dreams - Part two.
Notas iniciais
(Capítulo com POV da Sam, Carly e Freddie.)
Sam's POV.
Uma varanda revestida por tijolos, dando a casa um tom salmão tipico de Verona, o ar parecia mais romântico que normalmente se sentia. E eu? Estava nesta varanda, perfeitamente trajada em um vestido longo, o aveludado tingido de um vermelho quase vinho naquelas diversas camadas em sua saia me transformava em uma perfeita princesa da realeza. Caminhei lentamente até a ponta da mesma — dando-se para ouvir o barulho do salto em contato com o piso xadrez – e me debrucei por sobre o pilar da varanda. Senti o vento acariciar meu rosto, e fazer meus longos cachos loiros voarem livremente, fechei meus olhos por um breve momento aproveitando a brisa o máximo que conseguia.
— Você está linda. — Ouvi o dizer de alguém que se aproximava com cautela pela grama. Uma voz melodiosa, da qual eu conhecia muito bem. Abri meu olhos para fitá-lo, e não pude esconder um sorriso surpreso com o que via. Freddie trajado em uma farda azul-marinho, parecia um legítimo príncipe, só faltava o cavalo branco.
— Você está galanteador, Fredward. — Eu pronunciei no mesmo tom melodioso, e a forma em que falei seu nome, sem nenhum xingamento ou apelido entre as frases, me fizeram estranhar aquilo tudo. Mas mesmo que não tenha mais o controle das minhas falas, e que agora pareça uma princesa engomada, eu estava gostando da sensação, afinal, qualquer garota – por mais dura que seja – sempre sonha com seu momento de realeza.
Ele sorriu, se curvando em reverência.
— Não tanto quanto vós. — Pronunciou, alargando seu sorriso. — Irá fugir comigo, princesa?
Hã? Fugir? Eu não entendi o que ele quis dizer, mais dei de ombros, queria aproveitar aquele momento Romeu e Julieta o máximo que conseguisse.
— Sobe aqui. — Pedi.
Ele por sua vez me olhou com interrogação, já que não havia nenhuma escadaria do lado de fora para que pudésse subir, e se fôssemos realmente como Romeu e Julieta, jamais poderia entrar pela porta.
— Você sabe que eu não posso entrar e... — Ele mesmo se calou, e sorriu satisfeito como se tivesse achado finalmente a solução. E achou, se embrenhou nas raízes de uma planta que crescia na parede e dava o acesso fácil até uma ponta da varanda. Escalou rapidamente, como se fizesse esse tipo de macaquice há muito tempo. Já em segundos depois se pendurando na base da varanda e fitando minha face, que agora ardia e mostrava a contra gosto minhas bochechas rosadas.
— Fica ainda mais linda de perto. — E deslizou suas mãos macias na minha face. — Seu rosto... é como tocar o céu. — Pronunciou aproximando nossos lábios para o inicio de um doce beijo. […]
Freddie's POV.
Abri meus olhos devagar, não deveriam ser nem seis da manhã, estavam todos dormindo ainda, inclusive Sam. Ela sorria enquanto se remexia ao meu lado, fato que me fez perguntar com quem ou o quê ela estaria sonhando. Eu permaneci deitado, talvez devesse voltar a dormir. Fechei meus olhos brevemente, tentando pensar em algo diferente do que a loirinha que dormia comigo. Sim, tentativa completamente falha. Nem cinco minutos depois pude sentir uma respiração quente deslizando pelo meus lábios e se espalhando no ar, seguido por uma mão doce depositada em minhas bochechas, abri meus olhos brevemente para ter certeza de que era Sam ali, tive dúvidas se estava mesmo dormindo ou aproveitando-se da situação, mas bem, quem se importaria com isso agora não é? Fechei meus olhos novamente, deixando um sorriso satisfeito esboçar em meus lábios, este mesmo que agora esperava pelos lábios carnudos da loirinha.
— Nerd! — Abri meus olhos rapidamente, vendo-a me olhar furiosa, estapeando meu peitoral.
— Para, Sam. Para. — Implorei, gemendo de dor. Branquela demoníaca.
— Idiota, me larga, seu seu seu... — Tentava buscar sua face, mas os socos e tapas me obrigavam a estreitar os olhos, um modo de me proteger, caso contrário poderia ficar cego ou até coisa pior.
— Para você, Samantha. — Segurei-a pelos dois braços firmemente.
— Eu? Ah, você aproveita que eu estava sonhando com não importa o que e vai colocando esses lábios em mim. E depois quem tem que parar sou eu! — Ela disse, se sentando na cama e me observando de cima.
— Tá viajando, só pode. Foi VOCÊ que pediu para dormir comigo esta noite e foi VOCÊ que veio ao meu encontro para me beijar, loirinha. — Vociferei.
Ela rolou os olhos, e tenho certeza de que tentou buscar mais fatos para me incriminar.
— Eu pedi mais.. isso não importa. E-e por isso mesmo! Eu estava dormindo e em vez de me virar ou me acordar, você esperou pelo beijo, Freddoente.
— Ah, desculpa então, você tem que entender que é difícil... — Pronunciei, levantando meu rosto e me aproximando de sua face. — … resistir a você. — Falei por fim, segurando-a pelo queixo e depositando meus lábios nos seus. Eu pensei em recuar, pois eu sabia que ela iria me matar, fazer escândalo e depois quebrar meus dentes e se desse muita sorte, não quebraria meus dois braços. Mas eu não desistiria dessa vez, pois mesmo que só consiga tocar-lhe os lábios por um segundo, este, já vai valer a pena.
Porém, para minha maior surpresa ela não recuou, em vez disso, depositou suas mãos em minha face, se entregando ao beijo. Levantei meu corpo, me pondo sentado ao seu lado, esticando meus braços e tocando-lhe a cintura da loira, apertando-a de leve e trazendo-a para mais próximo de mim. Eu a senti suspirar, aliviada. Como se esperasse por este beijo o tanto quanto eu; Depositei a outra mão em sua nuca, entrelaçando meus dedos em suas claras madeixas, os lábios encaixados e entreabertos me deram espaço para que minha língua invadisse sua boca, buscando a dela, que veio de encontro a minha. Meu corpo estremeceu e meu coração palpitava como se fosse sair pela boca. Quando nos faltou fôlego, nos separamos, terminando o beijo com selinhos, retribuídos por ela. Por fim, encostei minha testa na dela e abri meus olhos lentamente para fitá-la. Eu tinha finalmente amansado a fera.
Sam's POV.
Eu juro que ia recuar, que ia quebrar os dois braços. Minha mente estava ciente e pronta para o ataque. Mas em vez disso... Meu coração bobo havia se entregado, e se eu pudésse ver este órgão maldito, tinha certeza de que jazia um sorriso de orelha-a-orelha. Abri meus olhos devagar, encontrando-o os olhos negros de Freddie que já me fitavam, tentei buscar palavras para pronunciar naquele momento, mas não consegui. Desisti então, me rendendo ao silêncio. Silêncio que desta vez não me incomodava, e não soava em nenhum momento constrangedor ou torturante.
— Pode me julgar culpado desta vez. — Ele brincou, abrindo um largo sorriso, semelhante ao do sonho que tive a minutos atrás.
— Sentença aceita, réu. — Entrei na brincadeira, erguendo a sobrancelha em um modo superior.
— E qual vai ser minha pena, excelência? — Retrucou, ainda sorrindo.
— Não me deixar nunca. — Disse por fim um pouco mais séria, já o moreno permaneceu sorrindo como um bobo. Um lindo bobo, por assim dizer.
— Cumprirei, senhorita. — Respondeu, voltando a deixar a sala dos Shay em silêncio novamente.
O clima fora interrompido pelo toque do meu celular, anunciando que Jeremy me ligava. Juro, que se já não tivesse acordada, quebraria ele ao meio.
— Fala.
— Te acordei? — Ele perguntou receoso, Ethan devia ter avisado do que sou capaz.
— Por pura sorte sua? Não. — Respondi e pude sentir um suspiro aliviado dele.
— Bem, você tem uma entrevista marcada pra hoje. — Ah a maldita entrevista anunciada ontem.
— É, eu vi na TV..
— Ah sim. Er, desculpa não te avisar antes, mas eu só soube agora pouco também, Ethan marcou assim que planejou sua vinda pra cá.
— Tudo bem, tudo bem.
— É, não é exatamente tudo bem. Eu tenho um encontro com a Carly hoje, e eu vou ter que desmarcar pra levar você... — Falou com uma voz infantil, como se implorasse para que eu fosse sozinha.
— Olha, eu até poderia ir, mas eu não lembro onde é o estúdio.
— Estúdio onde? — Freddie intrometeu.
— Onde eu tenho que fazer aquela entrevista sabe? Jeremy tem um encontro com a Carlotta e não vai poder me levar lá.
— Eu te levo. — Ele disse, esboçando um sorriso.
— Sério? — Indaguei.
— Ele leva, aaaa ótimo. Se comporta tchau. — E desligou, e tudo o que agora ouvi foram os tus do telefone.
— Caramba, ele desligou! — Exclamei boquiaberta.
— A não tem problema, eu disse que eu te levo certo? E eu vou te levar. — Ele disse, tirando o celular da minha mão e jogando em cima do colchão, perdendo-se por entre as cobertas.
— Valeu. — Agradeci.
Carly's POV
“Vamos acordar, são dez e meia, está 25 °C lá fora. E o dia está linnnnnnndo” Meu despertador se pronunciou, me fazendo despertar em alguns segundos. Me espreguicei, torcendo para que o dia estivesse realmente lindo lá fora, afinal, hoje eu tenho um encontro. Sorri para mim mesma, lembrando das cavalheirice de Jeremy. Estendi minha mão, procurando meu celular debaixo no travesseiro. No visor mostrava um novo SMS, de Jerry, claro. “Bom dia, minha linda. Preparada para hoje?” Eu sorri mais ainda ao lê-la e respondi de imediato: “Estou prontíssima, meu amor.” Larguei o PearPhone no mesmo lugar de origem e pus-me de pé, caminhando até a sala. Preciso verificar se ainda existem sobreviventes.
Cocei meus olhos ao ver a cena. Sam deitada no colo de Freddie enquanto ele, acariciava seu rosto. Os dois conversavam harmoniosamente, e o sorriso apaixonado no rosto de ambos era extremamente visível.
— Certo, estou no planeta errado. Vou voltar pra cama e quando eu acordar, espero voltar para a minha galáxia. — Falei, fazendo o casalzinho me olhar. Girei meu corpo, fazendo sinal de voltar para meu quarto.
— Você está na galáxia certa, Carlotta. — Sam falou me fitando, e eu pude notar o brilho em seus olhos. Brulho que eu nunca mais havia visto, desde que os dois terminaram.
— Acordamos na galáxia certa? Ou estamos em um sonho? — Foi Spencer quem indagou desta vez, arrastando-se até mim.
— Sam disse que não. — Eu o respondi.
Ele deu de ombros, coçando a cabeça.
— Vou ali no mercado comprar pão e bacon para a mocinha sonhadora ali, e já volto. — Falou e se arrastou até a porta, encostando na maçaneta fazendo movimento para abri-la.
— Você vai assim? — Indaguei e gargalhei.
— Assim como? — Perguntou confuso.
— Assim, Spencer! — Apontei para seu traje nada casual, ele vestia uma samba canção azul claro, com unicórnios fofinhos espalhados pelo tecido. Mas usava uma xadrez vermelha, com as mangas dobradas até o cotovelo.
— Caramba! Esqueci das calças né?
Todos tomaram café aqui em casa, mas logo depois Freddie e Sam foram embora, pelo motivo da entrevista da Sam. E bem, eu tinha que começar a me arrumar também.
Sam's POV
A imagem do espelho refletia uma Sam desta vez mais adulta e arrumada, uma eterna adolescente fantasiada de modelo perfeitinha. Passei o gloss sabor uva nos lábios, dando um brilho diferente na maquiagem leve que tinha feito. Deslizei as mãos pela minha roupa, iniciando na blusa branca até a saia florida de cintura alta, sorri para meu reflexo, eu realmente havia gostado do que via. Não que eu me sentisse uma Carly da vida, mas ter vinte anos te dá um impressão em relação a moda que eu não tinha aos dezesseis.
Sam, vamos? — Ouvi aquela voz dócil, um pouco enfraquecida por ouvi-la atrás da porta.
— Yeap, já estou indo. — Respirei fundo, chequei-me pela ultima vez e corri para a porta, pegando no caminho a minha bolsa em cima do sofá. Abrindo a porta em seguida.
— Uou, você está... — O notei percorrer seus orbes por todo o meu corpo, enquanto me contia a não me contorcer pela sensação constrangedora que seus olhos observadores haviam me passado. — ...linda. — Disse, fazendo o caminho de volta com seus olhos, até chegarem em meus olhos, me encarando de uma forma tão intima. — Não que você não seja linda naturalmente, por que acredite você é. Mas agora. Nem sei o que dizer. — Acrescenta, não tirando os olhos dos meus, o que me faz sentir uma imensa vontade de desviar, mas é como se fossem imãs, impossível de desconectar. Por isso, permaneci o encarando.
— Obrigada, Freddorento. — Tremi a voz no principio, mas consegui contornar meu nervosismo com um de meus apelidos — da lista destinada a Freddie -, eu acho.
— Então, vamos? Se não vai se atrasar e tals. — Disse e eu assenti, passando a chave pela porta, checando se estava trancada e saindo ao seu lado, em direção ao estacionamento.
Saí da BMW 320IA 2003 na cor branca, um carro recém negociado por Freddie, um de seus maiores orgulhos atualmente. O moreno fez o mesmo, acionando o alarme e envolvendo seu braço em volta de minha cintura, pensei em recuar, mas fui envolvida pelo seu calor e o formigamento que nosso toque proporcionava, e desisti. Logo que adentramos o estúdio, uma oriental muito bonitinha se aproximou, abrindo um sorriso larguíssimo ao notar que era eu.
— Samantha! Que bom que chegou. — Disse e tirou uma mecha de sua franja negra e escorrida, revesando os olhares entre mim e Freddie.
— É cheguei... — Infelizmente. A animação no mesmo tom de voz que usei, quase tão baixa que notei a japonesa se esforçar para entender. — Bem, este é... — Iniciei, tomando conta que precisava pelo menos forçar um pouco de educação.
— Freddie! Eu sei. Particularmente, eu era uma grande fã do iCarly. — Disse soltando uma risada engraçada e contagiante, que fez com que eu e Freddie acompanhássemos na risada. — E sabe, eu tinha certeza de que vocês iam namorar.
— Mas nós não... — Ia explicar que não estávamos juntos – ainda – e que éramos somente amigos no momento, mas desisti quando constatei os fatos. Afinal, a forma em que ele me envolvia não era nada 'amigável', por assim dizer. — Esquece. — Dou de ombros e vejo Freddie sorrir de uma forma convencida. Como se confirmasse nosso relacionamento.
— Certo, venham comigo. Freddie se quiser aparecer no programa, eu posso encaixar você na programação. — Ela disse, com passos apressados até a sala 142, que pode ser chamada de meu camarim agora.
— Não obrigada, vim aqui somente acompanhá-la. — Ele disse. — Ah, só não fala nada sobre nós. — Apontou para mim e depois para ele, respectivamente, dando ênfase no nós.
— Certo. — Eu esperava sinceramente que ela havia falado sério, não quero minhas particularidades no jornal das seis.
A entrevista foi normal, com uma apresentadora bombástica pronta para te deixar em saia justa, câmeras espalhadas pelo cenário para deixar você um tanto quanto constrangida, e ainda tive a ilustre participação de Mandy! Yeah, a maior fã do iCarly de todo o planeta. Só que agora ela parecia mais fofa, adulta e sem os Quack-Quack! Graças ao rei do bacon. Mas claro, com aquela essência Mandy de sempre, digo isso por que quase quebrou minha clavícula pulando em meu pescoço.
—Linda linda linda linda lindaaaaaaaaaaaa! — Era Ethan, no telefone. Justificando assim o escândalo e me obrigando a afastar meu ouvido do alto falante.
—Deus do céu, mas que borra é essa? Manera aí borboleta. — Disse, esperando que ele diminua o tom.
— Nhaw, desculpa, tesouro. Mas você foi lindamente perfeita no programa. Eu assisti, viu? — Ele disse, agora com o tom normalizado, exceto pela animação, que continuava a mesma.
— Me comportei né? — Eu disse, orgulhosa de mim.
— Sim, se comportou. Meu orgulho! — Pronunciou, vencendo do quesito orgulho também. — Então, pronta pra voltar?
Paralisei.
— Sam? — Insistiu.
— Voltar? — Cuspi a palavra. — Mas mas, eu nem fiz os ensaios.
— Eu sei, mas já marquei-os para logo. E assim que terminar, no dia seguinte, já voltará pra Londres, melámour.
—Não! — Protestei. — Quer dizer, não posso ficar aqui por mais tempo?
— Infelizmente não Sammy, eu sei que você reencontrou Carly e Freddie, mas você tem uma carreira. E eu vou te dizer, está aparecendo uma avalanche de propostas aqui e..
Murmurei um até logo e desliguei, sem vontade nenhuma de ouvir como a minha carreira vai finalmente avançar e como Ethan é responsável por isso, por me fazer brilhar.
— Era o.. — Freddie estalou os dedos, forçando seu cérebro a lembrar o nome. — Seu agente? — Desistiu, dizendo somente sua função.
Balanço a cabeça, balbuciando um sim. Não conseguindo por maneira nenhuma esconder minha tristeza, pelo menos de Freddie.
— Você vai ir quando? — Ele pergunta, e eu sinto a dor em sua voz.
— Logo. — Digo brevemente, tentando controlar o tom da minha voz, para o melhor possível. — Ethan vai marcar os ensaios, e depois, já volto. Como ele disse, minha carreira está avançando, eu preciso voltar ao trabalho logo. — Acrescento.
O vejo murchar, apontando o indicador para o carro, iria me levar para casa.
Freddie's POV.
A deixei no hotel e dirigi sem rumo, a princípio era para casa, mas agora eu não faço a mínima ideia aonde quero ir, minha cabeça funcionando na velocidade na luz. Eu não poderia deixá-la partir dessa vez, mas como posso pedir para que fique, se sua carreira está inteira em Londres.
— DROGA! — Soco o volante, deixando meus desespero se esvair em forma de raiva. Paro o carro em frente a uma casa azul bebê feita de madeira, a casa onde Gibby agora mora. Desço da BMW e caminho até sua porta, dando leve batidas na mesma.
— Já vai. — O ouço, levo minhas mãos ao bolso, esperando que abra a porta.
— Oi cara, quanto tempo. — Gibby abre a porta, e faz sinal com a cabeça para que eu entre.
— A Tasha está? — Indago, invadindo sua casa com o olhar, esperando que não esteja, acho super fofo eles juntos, mas eu quero meu amigo sozinho agora.
— Não não, tá na casa da mamãe... planejando as coisas pro casamento e tals. — Ele diz, e eu adentro o casebre.
O garoto sem camisa se joga no sofá, e eu faço o mesmo.
— Preciso dos teus conselhos, Gibby. — Inicio.
— Conselhos? Véi, cê sabe que não sou muito bom nisso. Mas farei de tudo pra te ajudar. — Diz, enfiando o indicador no buraco no acolchoado do sofá verde-musgo.
Eu suspiro, e depois conto tudo para ele. Me sinto até mais... leve, depois.
— Cara, você não pode forçá-la a ficar. Como não pode forçá-la a ter algo com você. Mas se vocês se gostam, ou se você pelo menos tem certeza de que você gosta...
— E a amo. — O interrompo para deixar claro.
— Certo certo. Se você tem certeza de que a ama não custa nada tentar e conversar com ela sobre isso. Por que amigo, se vocês se acertarem, essa parada de distância dá-se um jeito. O que não pode acontecer é deixar que ela vá assim dessa maneira, sem nem ao menos ter tentado.
Eu confirmo com a cabeça em casa frase que termina, preferindo o meu silêncio por enquanto que ele fala.
— Para de ser covarde, nerd. — Ele diz, dando um tapa em minha nuca.
— Você tá certo, eu vou até lá agora. — Me levanto e olho para o relógio, sentando novamente quando vejo o horário. — Caramba, olha a hora. Ela deve estar dormindo.
— Covarde...
— Mas.
— Covarde...
— Faço isso amanhã.
— Covarde...
— Cacilds Gibson, eu já entendi. Eu vou lá. — Me levanto, estufando o peito e passando uma coragem que eu sabia que não tinha, mas que teria de arrumar. Não importa da onde.
— Amém! — Ele comemora, rindo da minha pode patética.
Arrumo minha postura, me despeço e saio em direção ao carro.
— Ah, e diz pra Sam que estou com saudades. — Assinto, e aceno. — Eu acho. — O vejo pronunciar, e gargalho alto. É claro que sente, quem não sentiria?
Corro pelas ruas, em direção ao seu hotel, a paisagem lá fora se torna um borrão, e mesmo que tenha medo de velocidades extremas, por ela, vale tudo. Minutos depois já estou em frente ao hotel, respiro fundo, estacionando o mesmo. Quando dou por mim, já estou em seu andar. Dando passos largos em direção a sua porta. Não sei como entrar, e nem lembro como o porteiro me deixou passar às 1h30 da madrugada. Só sei que preciso entrar. Fico paralisado por alguns minutos em frente a porta, levo minha mão na maçaneta em um gesto rápido, antes de bater na porta, mas antes mesma que o faça, a porta se abre. Digo, eu a abri. Samantha cabeça-de-vento havia esquecido de trancá-la. Eu sorrio, adentrando o apartamento devagar e seguindo para seu quarto.
Ela dormia como um anjo, literalmente. O meio sorriso formado em seus lábios, a franja caída perfeitamente em seu rosto, seu corpo estava coberto pelo edredom branco. Me sentei na beirada na cada, deslizando meus dedos por suas bochechas. Fazendo-a sorrir ainda mais. Pensei em diversas formas de acordá-la e iniciar o assunto pendente. Mas nada de diferente me vinha a cabeça, até que... Isso!
Limpo a garganta, e aproximo meu rosto de seu ouvido.
— Do you hear me? I'm talking to you. Across the water, across the deep, blue ocean […] — Inicio cantando, uma voz suave e melodiosa que eu duvidava que tinha.
Sam's POV.
Freddie em meus sonhos, novamente. Como continuação daquele ultimo que tive, mas agora estávamos em um parque esverdeado e bem frequentado, casais segurando balões de coração, exceto por nós, que a única coisa que segurávamos era nossos próprios corações, forçando-o a permanecerem batendo no meio dos pulmões e não em nossas bocas. Quando tudo fica escuro, e quando ia perguntar o que havia acontecido um holofote se acendeu na direção do moreno, e ele então começou a cantar. A música era Lucky do Jason Mraz. Fazendo-me a ficar surpresa por sua voz perfeitamente afinada e dócil, como se anjos cantassem em meus ouvidos. Porém, a surpresa fora maior quando dei-me conta de que estava sonhando, e juro que já ia me xingar por não ouvir a música, porém, a própria não parou. Eu estava realmente acordada?
— Under the open sky oh my, baby I'm trying. — Abro meus olhos, fitando Freddie de verdade cantando pra mim ao meu lado. Como ele entrou ali? Enfim, esquece. Ele está cantando pra mim, para de ser idiota. O silêncio ecoa pelo quarto, e eu não sei se ele espera que eu continue o dueto ou se fale algo. Sem saber o que fazer, eu canto.
— Boy I hear you in my dreams, I feel you whisper across the sea, I keep you with me in my heart. You make it easier when life gets hard. — Noto seu olhar de surpresa ao ouvir minha voz, que mesmo sendo uma de 'acabei de acordar' não desafinou em nada. Soando perfeitamente em nossos ouvidos.
Sento na cama, e ele acompanha meu rosto enquanto se levanta.
— Lucky I'm in love with my best friend, lucky to have been where I have been. Lucky to be coming home again. — Cantamos em uníssono, um dueto perfeito que merecia um Grammy. — Oooohhhhoohhhhohhooohhooohhooohoooh.
— They don't know how long it takes, waiting for a love like this. Every time we say goodbye I wish we had one more kiss, I wait for you I promise you, I will. — Ele termina, e eu então entendo a letra da música quando a deixo ecoar em minha cabeça. Meu coração acelerado, sem entender o que ele quer. Mas sem saber o que dizer.
— Eu quero você, Samantha. — Ele responde meus pensamentos, a sintonia era tanta, que me fez perguntar para mim mesma se essa mesma sintonia não o deu acesso para meus pensamentos.
— Eu já sou sua, Freddie. — Digo sem exitar, esquecendo o medo, esquecendo tudo. Desejando que agora no mundo só exista eu e ele.
— Eu não quero que você vá, mas eu sei que você tem sua carreira lá, e eu entendo. Eu só não admito que esse amor seja interrompido pela segunda vez. Eu não sei me ver sem você, Sam. — Ele diz palavra por palavra rapidamente, mas sabendo que eu entenderia. — Seja minha oficialmente, e daremos um jeito na distância ou em qualquer outro obstáculo. Por que com você e por você eu viro um herói, genérico, mas viro. — Eu permaneço em silêncio, e ele continua. Soltando uma metralhadora de palavras. — Eu sei que não sou o melhor garoto, eu nem mesmo seu se o mereço, eu também sei que magoei você mas eu prometo que...
Meu dedo indicador se deposita em seus lábios, impedindo que pronuncie qualquer outra palavra.
— Cala a boca, mané. — Eu digo e tiro o indicador de seus lábios, substituindo-o pelos meus lábios. Sinto uma corrente elétrica passar pelo meu corpo, como se nos fundíssemos, como se fôssemos um só. Ele segurou em minha cintura, puxando-me para mais perto, eu envolvi meus braços envolta de seu pescoço. Desta vez minha língua invadiu seus lábios, buscando a dele e explorando-a o máximo que conseguia. Ambas se retorciam em uma perfeita coreografia, enquanto as mãos de Freddie deslizavam por minhas costas. O fôlego faltou, e eu parei o beijo com selinhos, e por fim, mordi seu lábios inferior, puxando-o e soltando-o lentamente. Eu senti se arrepiar, e então soube que minha tentativa de seduzi-lo e provocá-lo havia funcionado.
— Eu aceito.
Pronuncio depois que nossos lábios se afastam, então abro os olhos e o vejo sorrir, um mix de felicidade e alivio. Eu o retribuo, envolvida pelo clima do momento, como se estivesse dopada. Dopada pela droga mais viciante: Fredward Benson.
Notas finais
Nhwww, quero review hein? u_u haha
Beijo e até o próximo capítulo.
Fale com o autor