Nostalgia
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Fiquei ocupada demais tentando reunir os motivos que justificassem por que o Gui estava se sentindo culpado, mas tentarei "explica-lo" amanhã. Não sou boa em mentir, mas quando se trata de um sentimento, tudo muda completamente.
Na manhã seguinte mandei uma mensagem para Layla e Sadja(minhas melhores amigas), já que hoje é domingo podemos fazer alguma coisa, pensei. Desci as escadas, reparei que minha mãe não estava em casa provavelmente na academia. Fui para cozinha e preparei meu chocolate, com as mãos em volta da minha xícara, tentei afastar a culpa intensa que consumia minha cabeça, por causa do Gui. Tinha tomado um banho rápido só para despertar, vestido uma camiseta e um short um pouco acima da coxa, mas mal me lembrava se tinha tomado banho ontem ou pelo menos jantado. Escutei barulho de chave na porta e alguém entrando.
— Bom Dia ! — minha mãe deu um beijo na minha testa e colocou as sacolas de mercado em cima da mesa — o que está fazendo acordada essa hora da manhã?
— Bom Dia — retribui — não sei simplesmente acordei cedo! — mudei de canal, para algo mais prestável.
— Então... — minha mãe me encarou — tem algo a me dizer ?
— Não!Por quê ? Era para ter ?
— Não sei me diz você ? — ela me encarou.
— Eu não tenho nada para dizer !
— Então tá ! — o silêncio invadiu nossa casa, mas eu o quebrei.
— E só para te deixar informada vou sair com as meninas hoje — deixei a xícara em cima da mesa e subi as escadas de dois em dois degraus.
Minha mãe sabia que eu estava tentando levar meus pensamentos para longe. Fiquei um pouco incomodada com o modo grosseiro que acabei de respondê-la, especialmente por que nada tinha feito para receber tal tratamento. Mas não queria ficar naquele clima, pelo simples fato do assunto ser Guilherme Aguiar, eu posso estar enganada, mas ele estar deixando minha vida de cabeça para baixo.
— Fala, por que tanto queria sair de casa? — Sadja perguntou tomando um gole do seu Milk-shake de morango.
Sadja Calder é o tipo de amiga meiga e preocupada, quando pergunta uma coisa pessoal é porque ela quer te ajudar. Saami é baixa, morena, cabelo preto com luzes azuis, olhos castanhos claros para o verde e magra. Nesse momento ela está de casaco listrado, com mangas que vão até a mão, calça branca, all star, cabelo solto com a franja presa e uma bolsa de lado.
— O clima lá não está saudável, fui grossa com ela — tomei um gole do meu Milk-shake e continue a explicar — por causa do Guilherme. Não sei dês do dia em que conversei com ele, minha vida ta de cabeça para baixo.
— Deve ser por que você da muita moral para ele — Layla parou de beber seu Milk-Shake para dar sua opinião, mesmo que não seja produtiva.
Layla Vassarely é o tipo de amiga que fala na lata, preguiçosa em quase todos os momentos, lerda para tudo. Mas quando o lance é conselho ela realmente entende, porém se nenhum conselho der certo parte para agressão física(que muitas vezes eu concordo). Laay mede na altura do meu ombro, cabelo indefinido pelo simples fato de cada dia estar de uma cor diferente, olhos verdes, pele branca e magra. Nesse momento ela está de cropped, calça cintura alta rasgada, coturno preto e cabelo solto com uma maquiagem bem forte que destaca seus olhos. Laay não é o tipo de garota que gosta de carregar bolsa, só quando necessário.
— Ok Laay, eu posso ter dado um pouco de moral, mas quem fez tudo errado foi eu — respirei fundo — eu desliguei o telefone na cara dele, sem ao menos ele terminar de fala.
— Por que você fez isso? — Laay ria sem parar junto com Saami.
— Eu disse que não ia poder ir pro tal comemoração com ele, mas ele disse que não ia ter, por que a GALERA – fiz o movimento de aspas com o dedo — não ia poder ir. Eu pensava que era um encontro e não uma diversão entre os amigos dele e pessoas que não conheço.
— Pera... você disse que não ia poder ir ? Por quê ? — Saami levantou uma sobrancelha.
— Eu sei lá — depositei a cabeça nos meus braços cruzados em cima da mesa.
— Olha Stephany eu realmente não te entendo, ele é o menino que você baba dês do inicio do ano e agora fez essa burrice — disse Laay tomando o resto do seu Milk-Shake.
— Eu sei que fiz uma cagada, mas não precisam jogar na minha cara — tirei a cabeça dos meus braços — Algo aconteceu comigo na hora que falei com ele, como se eu fosse receber um prêmio por ter recusado a “sair“ com ele.
— Você ta é maluca menina — Saami disse olhando as horas no seu celular — agora vamos que preciso passar na saraiva.
No caminho para casa, permiti que meus pensamentos fizessem uma breve viagem a Gui. Saami está certa: eu to maluca. Na metade do caminho começou a cair uma chuva fina das poucas nuvens escuras que fechavam o sol. Cheguei em casa com algumas gotas de água no meu cabelo e na roupa, a porta estava destrancada o que facilitou me molhar menos, forcei um sorriso a minha mãe e subi as escadas largando minhas coisas em cima da cama e desmoronando em cima da cama.
5:40 da manhã, meu despertador gritava para eu acordar, sem muita noção de tempo, desliguei e levantei. Tomei uma chuveirada, vestir o uniforme e disfarcei minha cara de múmia com maquiagem. Desci as escadas com a mochila nas costas, que logo em seguida larguei no sofá e por fim sentei na mesa para poder tomar meu café da manhã.
— Bom Dia ! — Disse ainda com a voz rouca de sono.
— Bom Dia filha — minha mãe disse colocando meu misto em um prato e me entregando — percebi que faz dois dias que você não janta, devo me preocupar?
— Eu só estou muito cansada esses dias e acabo dormindo sem comer — argumentei — não precisa se preocupar.
— Então tá !
— Antes de eu ir pra escola quero que me tire uma duvida, quando meu pai volta de viagem? — perguntei levantando da cadeira e pegando minha mochila.
— Semana que vem — respondeu ela me entregando 10,00 reais para comprar lanche — boa escola minha filha! — sorri e guardei o dinheiro na mochila.
Quanto mais tentava me esquecer da resposta que dei para Guilherme, mais minha cabeça doía, do nada escuto uma voz de aproximando.
— STEPHANY ! STEPHANY ! — eu me virei para ver quem chamava meu nome e acredite me arrependi de ter virado.
— Há, oi Guilherme! — falei fingindo estar surpresa
— Então, acredito que tenha lido minha mensagem... — o sinal toca para podermos entrar nas salas.
— Olha Guilherme eu não sou o tipo de aluna que se atrasa, então... depois a gente conversa — sai sem ao menos olhar sua reação.
Eu estou ficando louca, to desprezando Guilherme Aguiar. O que está acontecendo comigo? Sempre que falo com ele uma onda de sensação ruim me atinge, como se ele fosse perigoso, como se ele fosse fazer algo de ruim comigo, fazendo eu se afastar dele.
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