Eu estou ficando louca, to desprezando Guilherme Aguiar. O que está acontecendo comigo? Sempre que falo com ele uma onda de sensação ruim me atinge, como se ele fosse um menino perigoso, como se ele fosse fazer algo de ruim comigo, fazendo eu se afastar dele.

Olhei para o relógio na parede e bati meu lápis no ritmo do ponteiro dos segundos. Finquei o cotovelo na mesa e apoiei o queixo no punho. Soltei um suspiro. A aula ainda ia durar 10 minuto, quero sair o mais rápido possível, para evita de me esbarrar com Guilherme pelos corredores.

O sinal tocou, imediatamente peguei minhas coisas levantei, caminhei apressadamente para porta quase deixando meu celular, o que salvou ele foi o fone que estava preso no pescoço.

— Espere — minha amiga me chamou.

— Não posso falar agora, desculpa, estou com pressa — coloquei os fones de ouvido, para não poder escutar mais ninguém, principalmente Guilherme.

O fato de eu estar ignorando as pessoas está me assustando, não sou assim, preciso pensar um pouco sobre minhas ações. Será Guilherme que está provocando isso?

— Um sorvete de morango, por favor! — estendi o dinheiro e a moça me entregou o sorvete sem muita demora. Caminhei até o parque e sentei na grama um pouco distante do barulho.

— Me evitando Grey? — uma voz familiar invadiu meus ouvidos, me fazendo sentir calafrios. Olhei para trás. “Você está me seguindo”, pensei.

— Oi Guilherme! — falei confiante.

— Tem algo a me explicar? Não fala comigo, não responde minhas mensagens... — Ele disse olhando no fundo do meus olhos, sua voz não parecia no tom normal, estava meio grossa ou pelo menos ia ficar.

— Eu não estou de evitando, preciso de um tempo para pensar. — desviei meu olhar do dele e comecei a fita o nada.

— Stephany se você não quer ficar comigo, não tem problema, mas saiba que vai se arrepender profundamente por isso — olhei para ele. É impressão minha ou fui ameaçada?

Ele se levantou, me deixando sozinha. Fiquei com medo do modo como ele falou, seu tom de voz tinha mudado, ele não era mais o menino que eu sou ou era apaixonada. Minha cabeça me diz, “que estou correndo um grande perigo”, mas meu pensamento rebate dizendo, “que esse perigo não me atingirá”.

Entrei em uma loja de CD’S, parti para a área de rockes clássicos, 10 minutos tentando procurar um CD do Nirvana e nada de encontrar.

— Olá, posso ajudar? — um menino alto, cabelos rebeldes em formato de “moicano” e voz rouca, está parado na minha frente esperando minha resposta.

— É...é... — Gaguejei, tentando encontrar as palavras certas para não passar vergonha. — SIM, eu preciso de ajuda, para encontrar um CD do Nirvana! — completei tão rápido, que nem percebi se oxigênio tinha feito falta naquele momento.

— Tem vários CD’s do Nirvana, se você pudesse exemplificar. — falou entre sorrisos. Seu sorriso era extremamente intimidador, pois possuía covinha de um lado das bochechas e um som maravilhoso que poderia ser musica para os meus ouvidos.

— Ata, desculpa — falei confiante, não podia deixar que esse menino me intimidasse.

— Não precisa pedir desculpas — ele passou a mão no cabelo, pois fios rebeldes insistiam em cair nos seus olhos — para começar você estar na área errada.

Ele pegou meu braço calmamente e me levou ao setor certo.

— Pronto, é aqui que você deve procurar. — fez um gesto de “vai lá, vossa majestade”.

— Já estou vendo o Cd daqui — em dois passos, eu peguei o CD da prateleira e virei de frente para o dono do sorriso sexy — Obrigada... — direcionei meu olhar para seu crachá, completando o que ia falar — Victor! — sai sem esperar ele responder.

Paguei o CD no cartão, guardei na bolsa e sai sem olhar para Victor.

Ás sete da noite, o céu já se tingira de um azul muito escuro. Por sorte minha mãe só chega do trabalho as oitos. Voltei para casa, o tempo tava começando a esfriar e eu não tinha proteção nenhuma. Ao chegar em casa eis minha grande surpresa.” Realmente, estou correndo perigo”, concordei com meus pensamentos.