Nosso Nome Na Lista.

18 Capítulo 18 - Neyde.


Notas iniciais
DEZENOVE REVIEWS DE NOVO???? *--* Cara, vocês são show de bola (eu sei, ninguém mais fala assim, só tiozinho) quando querem! Curti vocês no capítulo passado ^ ^ Agradeço aos reviews de: > Cleozinha > Cece > Laladhu > JulietaBlackwood > Tomato > Annie Jackson > Lizz > Autunm > AkumaKun > likeavirgn > Delicate > Small Long Hair > Alala Chan > allinegmar > Mine > Nixe > garota rock > Red Queen > GiovannA > Prin > Xelly > giuliapavan > mrs stilinski > Jacky Fray OBRIGADA POR COMENTAREM!! E desculpem a demora para postar. Essa semana estava impossível e eu estava atolada em trabalhos... Só agora as coisas desafogaram um pouco u.u Só tenho mais três trabalhos para terminar e umas fotos para ajeitar!! =3 Bem, curtam o cap minha gente!! BISOU

Capítulo 18 – Neyde.

“Você é tão fácil de amar, Letty” ele havia dito minutos antes. E, agora, ele estava com os seus lábios prensando os meus com delicadeza, antes de inclinar a cabeça e me fazer entreabrir a minha boca. Seu gosto me invade, trazido pelo seu hálito quente. Ele tem gosto de menta e álcool. Uma combinação refrescante e cheia de “quero-mais”.

Sua língua desliza para dentro da minha boca. Movendo-se tão vagarosamente, que eu fico impaciente e sinto a necessidade de agarrar alguma coisa, no caso, foi a barra da sua camisa. Penso que talvez seja a sua lentidão que cause o formigamento e o calor pelo meu corpo, e me parece bem melhor do que cogitar que sinto isso por estar sendo Quentin a me beijar. Como Duncan nunca me beijou assim (de vagar, paciente) é normal que eu não saiba a resposta.

Ele desliza sua mão para a minha nuca e sua língua encosta na minha. Aveludada e doce, um arrepio percorre a minha espinha com o contato, enquanto seu outro braço me puxa para mais perto, subitamente rodeando minha cintura. Solto um suspiro, sem ar, e ele se afasta, ofegante.

Seu rosto está inclinado para baixo, como se tentasse me beijar de novo ou somente quisesse me olhar no rosto... Mas não tenho essa coragem. Eu sinto que meu rosto já está começando a ficar vermelho e o ar ao nosso redor está... Tão quente e abafado?

– Aproveitador – eu acuso em bom humor.

Quentin sorri e me dá um beijo na testa, demorando mais que qualquer pessoa que já o tenha feito. É estranho, mas sou capaz de sentir um sorriso em seus lábios quentes e macios. Ele ainda está com um braço ao redor da minha cintura e percebo que ainda estou segurando a barra da sua camisa com força.

– Não sou eu quem está tentando tirar a sua camisa – ele brinca, colocando uma mão sobre as minhas. E rebate minha acusação: – Safada.

Eu fico vermelha.

– Não estou tentando tirar a sua camisa – retruco.

– Hã-ham... Sei... – ele continua brincando. Seus dedos se entrelaçam aos meus e ele consegue me fazer soltar a barra da sua camiseta, mas nossas mãos continuam juntas. – Desculpe, mas você só verá esse corpo maravilhoso depois do casamento.

Eu tento evitar, mas não consigo. Eu rio e encosto minha cabeça no seu peito. Ainda não consigo olhar para ele, mas quero que ele saiba que... Uau, eu gostei. Sem dúvida que gostei.

– Espero voltar a ver o seu rosto até lá – ele continua.

– Você me deixou sem graça... Dê-me alguns minutos para digerir isso... – peço.

Ele joga o peso de seu corpo para trás, acho que para olhar o céu.

– Isso o quê? O que tem para digerir? – ele pergunta divertido.

– Bem... Num momento estou achando que você está alucinado com os peitos da Yvonne, noutro estou achando que você me quer como um “estepe” para ir a festa, em outro você está me consolando e me ouvindo... E agora você me beija do nada. Sabe o quanto é confuso? – eu respondo. Quentin parece refletir. – Mas... Você disse que... Me ama?

Acho que ele sorri. Ouço o som do seu sorriso.

– Muito cedo para afirmar isso? – questiona.

Dou de ombros, nervosa.

Quentin ri. Então, eu me dou conta do como eu sou capaz de entender o que ele está fazendo e achando sem precisar olhar no seu rosto. De certo modo, isso é assustador, mas também parece tão... certo. De algum modo, como se estivéssemos em sintonia. E novamente, quando penso assim, se torna assustador.

– O que eu posso fazer? – ele diz, rindo. Sua mão solta a minha e seu braço escorrega para as minhas coxas. – Eu adoro um belo par de pernas...

Antes que eu perceba, ele me carrega e estamos cara-a-cara. Caramba, como ele é forte. Sinto a tensão de seus bíceps ao lado de minhas pernas e ele nem parece sentir meu peso.

– Ah, até que enfim o seu rosto. Olá, você – ele brinca.

Com medo de que ele me solte de repente, ou que eu escorregue, abraço-o sobre os ombros e fico vermelha de sem graça. Dou graças a Deus de, apesar da sensação ser parecida, não chorar novamente.

– Olá... – respondo, sorrindo sem graça. – Então... Quer dizer que você gosta das minhas pernas, é?

– Adoro – ele responde. – Lembre-me de queimar suas saias longas e calça jeans, certo?

– Vá com calma aí, querido... Você me deu um beijo e acha que já pode ir queimando minhas roupas? – provoco. – Se for assim... Vou roubar o seu celular e apagar o número de todas as garotas que você tenha adicionado.

Ele pondera com a cabeça.

– Não seria uma grande perda... Guardo o número das garotas numa agenda vermelha debaixo da minha cama... Mas, e seu eu te der mais um beijo? – ele me provoca. – Eu ganharia mais direitos? Algo como... – Ele finge pensar, mas solta com seriedade e rapidez: — Poder colocar o braço ao redor do seu ombro quando eu avistar Duncan no corredor?

Eu dou de ombros, corando. Prendo o riso.

– Se você me colocar no chão de novo... Talvez – eu respondo.

Quentin pondera novamente, inclinando a cabeça para o lado, antes de me colocar no chão com delicadeza. Pisar no chão foi um alívio, como desabafar com Quentin. Ele não disse muita coisa, mas a reação dele foi bem mais do que eu esperava. Nem Helena poderia desempenhar um papel tão bom quanto ele. Duvido que Helena me desse um beijo, como Quentin, de consolo.

Soltei seus ombros e disse:

– O.K., você ganhou o direito de provocar Duncan quando vir ele no corredor. E ganhou o direito de... Me dar mais uns beijos... se quiser...

Não sei como eu consegui verbalizar aquilo, mas parte de mim gostou que eu tivesse dito. Uma parte que fazia oposição a vergonha que eu estava sentindo. Quentin dá um sorriso satisfeito e se aproxima de mim. Sua mão já está na minha cintura, puxando para ele, quando seu celular toca e eu reviso aquela ideia de apagar os “telefones de garotas”.

– Hum, parece que acabou o tempo de Helena – ele resmunga hesitante. – Vou lá soltá-la.

– Relaxa, se você não voltar, eu chamo a polícia – brinco.

Quentin me fita, relutante e me dá um beijo que tenho certeza que era para ter sido rápido. Era para ter sido, mas não foi. Apesar da urgência dos seus lábios e de ele não ter metido sua língua na minha boca, pareceu mais longo do que o primeiro. E o efeito de formigamento, como se eu estivesse anestesiada depois de uma cirurgia rápida e indolor, durou até quando ele se afastou.

– Que bom poder contar com você – ele responde.

Mordo o lábio inferior.

– Quer que eu vá com você? Pode me usar como escudo humano se quiser – eu me ofereço.

Ele me olha com ultraje.

– Eu não uso garotas como escudo – defende-se ele, afastando-se logo de mim como se temesse que não conseguisse fazê-lo se demorasse mais um pouco. – Eu faço Parkour, qualquer coisa, eu pulo pela janela do segundo andar!

Eu rio e me encosto ao meu carro, observando-o se afastar pela rua pouco movimentada. Sem ter certeza se aquele momento era real ou se foi apenas ilusão. Porque... Parecia tudo muito bom para ser verdade. O beijo, as brincadeiras... Meu estômago se embrulha e meu rosto volta a pegar fogo, mas um sorriso está no meu rosto. A mentira da minha mãe parece uma mentira também. Como se houvesse sido somente um pesadelo distante.

Mas não era, e isso é como uma farpa enfiada no meu peito.

A anestesia “Quentin” passou... E agora vem a dor do pós-operatório.

Entro no meu carro e respiro fundo. Meu olhar recai no meu celular, ligado ao som do carro por um cabo USB. Sua tela pisca e me chama atenção. Decido dar uma observada e encontro três chamadas não atendidas. Duas de Walter, uma de minha mãe.

Irônico... Até meu padrasto liga mais do que minha própria mãe.

E falando em padrasto... Eu checo para ver se ainda tenho anotado o número do meu pai e sorrio ao constatar que sim. Sinceramente, gostaria que eu houvesse descoberto tudo de outra maneira. Algo como uma visita surpresa durante um jantar. Algo mais físico. Algo que me permitisse ao menos abraçá-lo ou dar um tapa na cara da minha mãe...

Mas, sejamos realistas, o cara tinha toda uma vida na Alemanha agora.

É claro que ele não viria morar para cá só por minha causa...

– Letty! – Helena entra afobada no meu carro, quase do mesmo modo que Quentin entrou, mas ainda mais abruptamente.

Na verdade, ela gritou o meu nome abrindo a porta do carro e se jogou com os braços ao redor de mim. A porta ainda estava aberta, seus pés ainda estavam para fora, mas ela estava me abraçando como se ela fosse Rose e eu fosse a tábua que a salvaria, mesmo que matasse Jack.

Seus cabelos loiro-morango cheiram como baunilha e seus olhos claros estão vermelhos quando ela me fita cheia de preocupação.

– Desculpe eu não ter vindo antes! A Neyde me trancou no armário com a...

– Eu sei... Ele me contou – a interrompo, sorrindo ao ver Quentin aparecer na porta do meu carro aberta. – Hm... Neyde? Você chama o Quentin de Neyde?

Helena dá uma risada gostosa e divertida quando me solta e se endireita no banco do carona. Ela sem dúvida era uma garota incrível. Seus cabelos eram longos e loiro avermelhados, seus olhos eram cinzentos e a pele era branca e delicada. Seu corpo era magro e ela se vestia como Taylor Momsen, que era a sua “diva inspiradora”.

– É... Sabe... Estamos fazendo um musical e o pobrezinho não acerta uma nota – ela diz, fazendo uma expressão de “é lamentável”. – Todos concordaram que ele é um excelente ator, mas jamais terá futuro na Broadway como eu terei... Quem sabe numa dessas séries adolescentes idiotas que todo mundo adora? Faz mais o estilo dele, não acha?

Eu sorrio, mas não me atrevo a responder. Quentin está me olhando como se dissesse: “não se atreva a compactuar com ela” e prefiro não arriscar.

– Enfim, ele vai cantar com playback. Como a Britney Spears, sabe? – ela zomba, apertando o rosto dele ente seu indicador e seu dedão. – Para ver se dá uma melhorada na voz dele... Canta um trecho da sua música aí, Quentin. Bora fazer a Letty rir um pouco. Ela precisa.

Ele está vermelho. Não sei se é de vergonha ou se é de raiva. Jurei que o vi estrangulando Helena com os olhos por um momento. Foi tão intenso que fico admirada pela loira não ter percebido e nem sentindo uma pontada no peito.

– Ele já me fez rir o bastante, obrigada – eu respondo, tentando dar um fim nisso. – Sinceramente, estou surpresa que vocês se conheçam... Essa proximidade é estranha... Para mim.

– Ela é uma merda – Quentin diz.

Não sei se ele está falando da proximidade ou de Helena em si.

A loira, sem perceber, ri.

– Estou surpresa que vocês se conheçam – ela confessa. – Quentin não me falou que ia mudar de colégio. Foi uma surpresa quando eu fui para o Augustine e não o encontrei por lá com os seus amigos gatões... Só descobri que ele estava no St. Justine hoje... Obrigada por fazer essa adorável surpresa, Quentinho!

Havia sarcasmo em sua última frase e eu sorri.

– Sabe para que servem os irmãos, não é? – ele zomba, empurrando-a para fora do banco. – Se não sabe, nós servimos para tirar satisfações com ex-namorados imbecis.

Helena revira os olhos e vai para o banco de trás, sem parecer perceber que sou capaz de ver sua calcinha rendada preta pelo vestido extremamente curto, para que Quentin possa se sentar ao meu lado e fechar a porta do carro. Ele sorri para mim e eu sorrio de volta.

– Então, meu amor... – Helena limpa a garganta quando se acomoda no banco de trás. – Como você está? O que aconteceu? Aquela bruaca não fez nada para você, fez?

Sinto sua mão acariciando o meu cabelo e me recosto no banco do carro.

– É uma história muito longa... Quentin já me fez desabar uma vez e eu não quero desabar de novo – eu respondo com um suspiro cansado. – Te conto mais tarde. Em um lugar seguro.

Ela fuzila o moreno com seus olhos cinzentos.

– Quentin é um intrometido. Sempre foi. Ainda mais quando a pessoa é importante para ele... – ela diz, mas acho que está se referindo mais ao próprio problema do que ao meu. Quentin protesta, mas ela se vira de novo para mim, penalizada. – Bem, vamos lá para casa, conversamos e então... Decidimos o que vamos fazer, certo?

Eu concordo com a cabeça e ela sorri com empolgação.

– Sabe o que isso significa? – ela pergunta.

Eu nego com a cabeça e a loira tagarela se vira para o moreno com olhar cúmplice.

– Isso significa... “SORVETE TUDO O QUE TEM NA COZINHA!” – os dois gritam juntos, parecendo tão infantis que eu disfarço o riso por meio de uma tosse.

– Sorvete... Tudo o que tem na cozinha? – eu pergunto com receio.

– Relaxa, você vai gostar. É uma das regras do jogo – Quentin responde, dando-me uma piscadela que me tira o fôlego.

– Você vem com a gente? – pergunto surpresa.

Óbvio que ele vai! – Helena responde. – Acho que eu vou aproveitar e convidar os irmãos dele também... Eles chegaram na cidade hoje e não há cola mais resistente para um coração em pedaços do que um desfile de beldades...

– Ela não precisa de um “desfile de beldades”! – Quentin intercede, incomodado. – Não precisamos chamar meus irmãos... Só eu basto, não é, Letty?

Eu dou um sorriso travesso e respondo com um dar de ombros que o deixa incomodado. Ligo o carro e respondo:

– É né? É o que tem para hoje...

Helena dá uma risada histérica e Quentin fica em silêncio... Planejando a minha morte.

Notas finais
Créditos ao filme "Um Geek Encantador", onde eu conheci o sorvete "Tudo o que tem na cozinha".