Nossa Primavera - Short Fic
2 Regando
Eu acordei assustado, com a cama vazia.
—Isa?
Levantei, andando até o banheiro do nosso quarto e a encontrei sentada no chão.
—Amor? Você está bem?
—Não! Esse maldito enjoou que não passa!
—Vou te levar ao medico! Ontem você quase não comeu.
—Amor eu sou medica! –Ela riu.
—Mais você está se especializando em pediatria, e não obstetrícia!
—Eu sei! –Ela fez cara feia. Lá vamos nós com as mudanças de humor.
—Vem vou te levar para a cama. –Me abaixei, pegando ela no colo e levando até o nosso quarto. Coloquei-a na cama, arrumando as cobertas em volta dela.
—Vou pegar algo para você comer.
—Não quero! Eu vou enjoar.
—Então descansa OK?
Andei até a cozinha, pegando meu celular na bancada e ligando para a pessoa que podia me ajudar.
—Camila?
—Oi Mano! Como você está seu sumido! Quando é que vai me fazer uma visita? Sua sobrinha está louca para te ver!
—Assim que a Isa puder viajar.
— E como ela está? Minha sobrinha?
—Ela está enjoando muito ainda, apesar de já estar no sexto mês. Eu te liguei para saber o que você comia quando estava assim.
—Bolacha de água e sal e chá de camomila.
—Obrigada mana, vou tentar. Manda um beijo para a minha boneca, e para o estranho do meu cunhado.
—Pode deixar.
Entrei no quarto, com a bandeja nas mãos e me sentei na ponta da cama. Tirei sua franja do rosto e chamei baixinho.
—Amor, acorda. Trouxe algo para você comer.
—Eu não quero.
—É só um chá e umas bolachas. Tenta, por mim? –Ela piscou para mim, levantando o corpo.
—OK. –Me aconcheguei na cama, colocando ela entre minhas pernas, e apoiando suas costas em meu peito. –Que horas você vai dar plantão hoje?- Perguntei enquanto pousava as mãos no pé da sua barriga.
—Eu entro à tarde hoje, depois do almoço. — Senti um chute suave em minha mão.
—OK, vou te buscar no plantão. Não quero que você volte dirigindo cansada.
—Você é um anjo sabia? Eu e Carmem estamos muito felizes por ter você papai.
Beijei sua fronte, sorrindo. -E eu por ter vocês, minhas meninas.
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—Ai que dia!- Ela suspirou enquanto se acomodava no lado do carona.
—Como foi amor? A barriga está pensando?
—Um pouco- Ela sorriu enquanto acariciava a barriga redonda- Mais esse tempo seco não colabora, e hoje tivemos um numero enorme de bebes com problemas respiratórios. Estou exausta- Beijei seu rosto e sua barriga.
Ao chegarmos em casa, enquanto eu terminava o jantar, ela foi tomar um banho. Quando terminei de colocar os temperos no molho, ela entrou na cozinha com os cabelos molhados, vestindo um pijama surrado. — Um que cheiro bom. Eu estou faminta.
—Eu fiz macarrão com molho branco – Ela me olhou sorrindo.
–Meu segundo preferido! Queria tanto um sushi. — Olhei de canto de olho para ela. –Eu sei, eu sei! Não posso!
Comemos em um silencio acolhedor. Em quanto lavava a louça ela deitou no sofá, assistindo um programa qualquer. Sentei-me na ponta, pegando seus pés inchados e massageando. –Eu te amo tanto- Dei risada, enquanto ela dava suspiros de contentamento.
Era para momentos como esse que eu vivia. Momentos de calmaria, de amor, de me sentir completo. Olhando para trás percebi que passar por tudo que nós passamos nos amadureceu como pessoas, e que mesmo depois de tudo, quando eu olhava para ela, eu só conseguia sentir o mais puro amor.
“Se não tivéssemos inverno,
a primavera não seria tão agradável:
se não experimentássemos algumas vezes o sabor da adversidade,
a prosperidade não seria tão bem-vinda.”
Anne Bradstreet
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