Notas iniciais
Hello! Mais um capitulo escrito com muito amor!

Acordei com ela se levantado da cama, no fundo o choro suave vindo do quarto ao lado. Levantei de mansinho, e fui até lá. Isabela estava sentada na cadeira em um canto, enquanto amamentava nossa filha, e acarinhava o pequeno rostinho. Entrei no quarto, caminhando até ela, e sentei no chão, apoiando meu rosto em seu colo.

—Você deveria dormir, amanhã vai ter um dia cheio.

—Não, quero ficar aqui com vocês. –Ela sorriu para mim, passando a mão nos meus cabelos.

Eu sempre admirei Isabela pela força, pelo entusiasmo pela vida, pelos sonhos. Por não se dobrar a primeira dificuldade, por persistir. Tínhamos um passado nebuloso, mais ela era uma das pessoas mais puras que eu conhecia. Todo o ódio, o medo, tinham sido deixados para trás. Desde que Carmem nasceu minha admiração por ela só crescia. Mesmo cansada, com noites sem dormir, ela sempre era carinhosa, atenta e paciente. Algo dentro dela tinha se modificado.

Ouvi o canto suave:

Se essa rua

Se essa rua fosse minha

Eu mandava

Eu mandava ladrilhar

Com pedrinhas

Com pedrinhas de brilhante

Para o meu

Para o meu amor passar

Nessa rua

Nessa rua tem um bosque

Que se chama

Que se chama solidão

Dentro dele

Dentro dele mora um anjo

Que roubou

Que roubou meu coração

Se eu roubei

Se eu roubei teu coração

Tu roubaste

Tu roubaste o meu também

Se eu roubei

Se eu roubei teu coração

É porque

É porque te quero bem

Embalado por sua voz, eu adormeci.

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Eu ri, eu enquanto olhava Isabela cozinhando e falando com a nossa filha. Ela fazia caras engraçadas, e Carmem dava sua gargalhada de bebe.

—Mamãe é boba filha? É? – Ela fazia cosquinhas na barriguinha, e Carmem dava gritinhos de contentamento. No radio começou uma das canções que fazia com que eu pensasse nela. Coloquei-a em meus braços, embalando seu corpo ao som da musica. Olhando eu seus olhos eu cantei para ela:

Oh her eyes, her eyes

Make the stars look like they're not shining

Girei ela, enquanto Carmem ria sentada na cadeirinha:

Girl you're amazing

Just the way you are

(Just The Way You Are – Bruno Mars)

—Eu amo você! Acho que ainda não te falei o quanto admiro você como mulher, mãe, profissional. Você é incrível! Cada dia mais meu amor cresce, às vezes acho que não vou conseguir conter ele no peito.

Seus olhos se encheram de lagrimas.

—Desde que eu te vi pela primeira vez Tiago, você se tornou meu mundo. Você me fez crescer, amadurecer, mudar, me descobrir. Me deu o caminho das trevas, mais também me trouxe para a luz. Eu sou muito grata por Deus ter te colocado no meu caminho. Você me deixa inteira. Você me faz querer ser melhor, por você e pela Carmem. Eu também enxergo a imensidão em você. Te amo.

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Virei o corpo na cama, ouvindo o choro baixinho no outro quarto. Isabela mal se mexeu na cama. Montar um consultório, dar toda a atenção para um bebe de nove meses, cuidar da casa e de mim, exigia toda a energia dela.

Levantei da cama, deixando que ela dormisse um pouco mais. Fui até a cozinha, coloquei a mamadeira para esquentar e fui até o quarto da nossa filha.

Os olhos de Isabela estavam lá, vermelhos de choro. Minha pequena imensidão. O rostinho molhado de lagrimas.

—Cheguei filha, cheguei. Tudo isso é fome? Hoje o papai que vai cuidar de você. –A peguei no colo, troquei sua fralda e caminhei com ela nos braços até a cozinha para apanhar a mamadeira. Sentei na cadeira, acomodando ela. Seus pequenos dedos seguraram minha mão, e ela fechou os olhos enquanto sugava o leite. -Ei minha pequena! – Beijei sua testinha enquanto sentia seu cheiro de bebe. Depois de terminar a mamadeira, coloquei ela sobre o meu peito, enquanto acarinhava suas costinhas.

—Amor, acorda! – Ouvi a voz suave me chamar.

—Que horas são?

—Já passou das seis. Acordei assustada sem você na cama. Vem me dá ela, vou coloca-la no berço e você vem comigo para a cama.

—Nossa eu dormi todo esse tempo?- Me assustei, enquanto via Isabela retirar Carmem ainda dormindo dos meus braços.

—Sim. Vem. –Ela me pegou pela mão, me levando em direção a nossa cama. –Antes de você pegar no sono, eu queria só te falar, o quanto você tem sido parceiro, o melhor pai para a nossa filha. Obrigada! Obrigada por me apoiar nesse projeto do consultório. Por me ajudar com as tarefas da casa, por olhar nossa filha, mesmo quando está cansado. Em me tratar com amor. Por ser o amor da minha vida. Obrigada. Eu amo você demais. — Ela me beijou, enquanto enrolava as pernas nas minhas, e arranhava minhas costas.

Trouxe-a para cima de mim, colocando-a sentada em meu quadril. Com o dia amanhecendo lá fora, os cabelos revoltos, o rosto inchado de sono, ela ainda era a minha visão preferida.

—Você me tirou e me deu tudo Isabela. Não imagino minha vida sem vocês. A gente superou muitas barreiras, traumas, aprendeu a amar de novo. No final valeu a pena, cada choro, cada pesadelo, cada mentira. Eu amadureci, e mesmo depois de tanto tempo separados, quando eu te vi aquele dia, andando pela Paulista, eu só conseguia pensar que a vida estava me dando outra oportunidade de ser feliz. Você me deu o mundo, o meu maior presente. Eu quero viver cada dia que ainda me resta nessa vida com você. Quero enfrentar os desafios com você. Estar aqui para apoiar cada decisão, dar meu ombro para você chorar, e rir junto com você. Eu te amo garota. Sempre te amei. Sempre foi você, sempre vai ser você.

Ela sorriu para mim e me beijou.

“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.”

Friedrich Nietzsche