Nossa Música

7 O mal entendido


Notas iniciais
Depois de quase duas semanas na penitência sem Nyah! aqui estamos o/ Queria agradecer a Babi pela primeira recomendação da fic, vou dedicar esse capitulo especialmente a você (OBRIGADÃO *--*)

Regina estava a caminho da escola quando ouviu alguém lhe chamando.

— Regina! – falou.

A voz era conhecida, a mesma voz da tarde anterior, a voz que a acolheu, que a acalmou. Olhou para trás e viu o brilho que apenas uma pessoa daquela cidade possuía, o brilho de vida, de alegria, de felicidade, vinha rápido e cintilante como uma estrela cadente, era Emma. Parou para esperar a loira que estava correndo de encontro a ela.

— Obrigada por esperar – agradeceu ofegante tentando recuperar o fôlego.

— Pensei que morasse na rua da frente – falou.

— Ah, sim, eu moro, mas eu fui comprar meu café no Granny’s, sempre de manhã e a tarde estou por lá, é sagrado. Você quer um pouco? – a loira perguntou — É com canela.

— Não obrigada – respondeu.

Regina sabia disfarçar muito bem o que estava sentindo, apenas deu um sorriso de canto de boca, mas por dentro sua barriga formigava, e seu real sorriso era de orelha a orelha. Seguiram o caminho juntas e em silêncio por alguns instantes.

— Está tudo bem? – perguntou Emma.

— Sim – respondeu Regina como se nada tivesse acontecido.

— Vamos chegar cedo na escola – falou a loira.

— É, vamos – o silêncio ecoou novamente entre as garotas.

Regina observava discretamente os gestos da loira, o modo que passava a mão direita no longo cabelo que pensara estar arrumando, mas que na verdade ficava cada vez mais bagunçado, com a outra mão ela levava o copo com café à boca, que a menos de vinte e quatro horas havia se encontrado com a dela, o jeito que mordia os lábios e franzia as sobrancelhas como se estivesse preocupada com algo, olhava para os pés como se a cada passo ficasse mais próxima de repostas.

Emma olhou para a morena que desviou o olhar, a loira parecia querer falar tanta coisa, se explicar, pedir desculpas pelo que houve, talvez agradecer pelo beijo retribuído, ou apenas beijá-la ali agora, mas apenas voltou seu olhar pro chão. Estava confusa, a morena não demonstrara nada, não sabia o que se passava pela sua cabeça, talvez ela não quisesse tocar no assunto, talvez estivesse tão confusa quanto a loira, quem sabe não sentia nada por ela e que o que aconteceu foi mais por impulso, por se sentir só, pelo desespero, ou então quisesse passar a borracha por cima do ocorrido. Emma queria um momento com ela para conversar, não a forçaria a nada, mas resolveu se arriscar.

— Regina...

— Sim? – perguntou.

— Você quer sair comigo mais tarde? – a loira estava com a voz trêmula.

— Desculpe Swan, mas já tenho compromisso – respondeu sem demonstrar importância com o convite.

— Ah, tudo bem – se conformou.

Entraram juntas pela portaria e foram ate a sala que se encontrava quase vazia, com poucos alunos, elas chegaram cerca de quinze minutos antes do toque, os alunos normalmente ficavam no lado de fora da escola conversando com os amigos ate ouvir o sinal para a primeira aula. Elas ficaram ali sentadas sem dirigir uma só palavra uma para outra o resto da manhã inteira.

♫♫♫

Na noite anterior Regina acordou fora de hora, olhou para a cama e viu que Emma já tinha ido embora, sabia que não foi um sonho, na verdade ainda sentia os lábios da loira nos seus, mas o bip do celular a despertou. Uma nova mensagem.

“Gina, quero te ver... Killian”

Ficou pensando por uns instantes o que responder.

“Você pode vir aqui no final da tarde de amanhã?”, a garota perguntou.

“Ok, vou sim ;) ”

Essa era a chance que a morena teria para esclarecer tudo, na verdade era o que ela precisava para terminar o namoro, tinha certeza que não conseguiria ficar com outro alguém, seus pensamentos só era para uma pessoa e ela não era Killian.

Não demorou muito para pegar no sono novamente.

♫♫♫

Já era de tarde. O garoto podia chegar a qualquer momento, Regina já estava preparada para terminar o namoro. O celular vibrou.

“Cheguei, to aqui fora. Killian”

“Okay”, respondeu.

A morena desceu as escadas em direção a porta da entrada principal da pensão. Abriu e viu o garoto ali a sua espera com o celular na mão.

— Oi – falou com um sorriso no rosto – vamos subir? – perguntou animado.

— Não, a gente conversa aqui fora mesmo – respondeu.

— Lá em cima vamos ter mais privacidade – tentou convencê-la.

— O que eu tenho pra dizer a você fará o mesmo efeito tanto aqui quanto no meu quarto – falou fechando a porta atrás de si.

Regina estava a frente de Killian, o garoto estava de costa para a rua.

— Tava com saudade de você – falou se aproximando e dando um abraço na garota.

— Killian... – se afastou – Acho que não dá mais.

— Do que você está falando? – perguntou.

— De você e eu, de nós – respondeu.

— Como assim Regina? Você é minha namorada, eu não vou abrir a mão de você assim.

— Não precisa, eu estou abrindo a minha de você.

— Como é que é? – falou em um tom arrogante levantando a sobrancelha.

— Não me leve a mal Killian, mas esse namoro já está gasto – concluiu.

— Então é isso? Você está terminando comigo?

— É o melhor para nós...

— Gina, nós já passamos por tanta coisa juntos – tentou ser o mais emotivo e convincente possível – quer dizer que eu enfrentei sua mãe para nada?

A morena olhava para a rua apenas digerindo o que o garoto falara.

— Você vai sentir saudades de mim, do meu toque, do meu abraço, de tudo. Eu sei porque eu via seus olhos tristes quando lhe convidava para sair e você não ia pois sua mãe te trancafiava em casa – continuou Killian.

Por mais que Regina quisesse esfregar na cara dele que sabia de toda a verdade, da aposta entre seus amigos, do seu fingimento sínico e de todas as mentiras contadas ate ali, o que a fazia se controlar era o simples fato de que se não fosse por ele, Emma não a teria procurado, nem a consolado, muito menos a beijado. Não tinha pelo que se remoer, havia ganhado o que tanto queria, o que tanto precisava.

Era como se o garoto falasse sozinho, Regina estava com os olhos para três garotas do outro lado da rua, ainda não tinha conseguido identificar quem era.

— Você está me ouvindo? – perguntou Killian – Regina! – segurou em seu braço.

A garota voltou o olhar para ele .

— Killian – continuou – entenda que eu não gosto mais de você desse jeito que está pensando. Eu já gostei sim, e muito, mas não mais, não agora. Eu gosto de outro alguém e esse alguém não é você, sinto muito – olhou para as garotas do outro lado da rua que agora via nitidamente, Aurora, Mulan e ela, sua Emma.

O garoto se virou para ver o que tanto chamava a atenção da morena. Viu a loira dando uns passos engraçados, como se estivesse imitando alguém, voltou seu olhar para a morena e viu um pequeno sorriso brotando em seu rosto.

— Não acredito! Esse “alguém” que você falou, é a Swan? – perguntou incrédulo com tom de gozação – Fala sério Regina, ela nunca chegará aos meus pés!

— Não só chegou como também já ultrapassou as linhas imaginárias do seu corpo – a garota estava se irritando.

— Você está de brincadeira, só pode. Ela nunca te dará um beijo como o meu – se aproximou rapidamente da morena, e a puxou em um piscar de olhos, os lábios de Killian agora estava em contato com os seus.

Regina tentou empurrá-lo, mas não surtia efeito, seus olhos tentaram procurar por Emma no outro lado da rua enquanto lutava contra o beijo involuntário, a loira estava parada, como se estivesse levado um banho de realidade, suas brincadeiras tinham sido interrompidas pelo gesto do garoto. Killian apertou os braços de Regina, como se a forçasse a ficar ali.

— Não! – o empurrou – Me larga! – se soltou bruscamente de seus braços.

Procurou novamente a loira com os olhos, se deparou com a imagem dourada correndo pela rua deixando suas amigas confusas, nenhuma delas haviam percebido Regina com o garoto.

— Acha mesmo que será possível ficar com ela? – perguntou em um só deboche.

— Do que você está falando? – tentou se fazer de desentendida.

— Não se faça de idiota Regina.

A morena ignorou Killian e foi em direção a entrada da pensão, já ia subir se não fosse o puxão que o garoto dera em seu braço.

— Não me dê as costas! – a encarou enfurecido.

— E você me solte! – falou com a voz alterada. O garoto a soltou – Não sei onde eu tava com a cabeça de te aturar por tanto tempo. E por favor, não me procure mais! – exclamou entrando na pensão e batendo forte a porta atrás de si.

— Isso não vai ficar assim, Regina — prometeu.

Emma certamente não entendeu o que se passava, viu o namorado que já deveria ser ex de sua garota aos beijos com ela, a loira estava perto o bastante para ver os dois juntos, mas longe o bastante para não ver os empurrões que a morena deu sem nenhum efeito sobre ele, a única coisa que pôde ver foi Killian com Regina em seus braços.

Regina estava a ponto de enlouquecer. Queria ir atrás da loira no exato momento em que a viu no outro lado da rua com as amigas, queria sair da pensão e ir correndo de encontro a ela, tentar se justificar e dizer que não era nada do que ela estava pensando, mas sabia que além de Snow está em casa, Emma estaria irritada ao ponto de ignorá-la e mandá-la ir embora. Esperaria ate o outro dia, assim que tivesse a chance falaria com ela.

♫♫♫

Regina chegou cedo na escola com a esperança de vê-la antes que tocasse para dar inicio a aula, mas a loira ainda não havia chegado.

Alguns minutos depois o sinal soou. Emma chegara atrasada, estava com uma cara de quem passou a noite toda acordada, os olhos estavam meio avermelhados, o cabelo estava amarrado em um coque, estava meio desarrumada como se tivesse pego a primeira roupa que viu jogada pelo quarto. Pediu desculpas a professora e se dirigiu ao lado oposto onde a morena se encontrara, sentou-se ao lado de Ruby. Emma cruzou os braços sobre a carteira e debruçou sua cabeça sobre eles.

Ruby a observava em silêncio. A loira fungava baixinho como se estivesse chorando.

— Você está bem? – perguntou passando sua mão esquerda sobre as costas da loira.

Demorou alguns segundos para obter respostas da garota. Emma ergueu a cabeça, seus olhos pareciam estar mais vermelhos do que quando havia chegado, seu nariz estava rosado.

— Sim – mentiu – só estou com sono, não dormi quase nada de ontem para hoje – falou com uma voz triste – e para completar peguei um resfriado.

— Por que não se sentou lá na frente? – perguntou mudando de assunto.

— Ah, tava com vontade de te fazer companhia – deu um meio sorriso.

— E Regina? Vai deixá-la só?

— Ela sabe se virar muito bem sozinha, não precisa de mim como babá, ela tem Killian para fazer isso.

Ambas se calaram.

No intervalo a morena ficara sozinha enquanto a loira estava com as amigas, conversando e rindo como se nada estivesse acontecido, ela queria muito ter uma conversa para explicar tudo, mas não teve a chance. O tempo todo Emma fingiu não ver a morena, na verdade era isso o que ela queria, queria o desaparecimento da garota, queria que aquele sentimento que tanto a atormentava sumisse, por mais que não a olhasse, sentia sua presença, sentia vontade de tomar satisfações, de gritar, de chorar, mas apenas o que fez foi evitar o contato para que não se magoasse ainda mais.

No final da aula Regina esperou pela loira. Emma saiu da sala passando pela sua frente.

— Swan – falou pegando no braço da loira, como se pedisse para esperar – eu preciso falar com você.

— Não, não precisa – puxou seu braço quebrando o contato com mão da morena.

— Por favor, me escute – implorou.

A loira deu de ombros e foi de encontro com as amigas deixando Regina novamente só.

Suas chances de tentar falar com a garota nesse dia foram para o espaço. Era uma sexta-feira e apenas iria vê-la novamente na segunda, seu fim de semana seria resumido em atividades, trabalhos e conteúdos para estudar, na próxima semana tentaria de novo, esperava conseguir.

O sábado e o domingo passaram em um piscar de olhos. Durante toda a semana seguinte Regina esperava ansiosamente pelo momento em que Emma estivesse só, coisa que não aconteceu, ela se sentou todos os dias daquela semana na carteira ao lado de Ruby, passou os intervalos com as outras três meninas, a morena viu garotos se aproximando da loira, fazendo com que seu sangue borbulhasse de ciúmes, foi algumas vezes no Granny’s esperando que a encontrasse tomando seu café com canela, não a encontrou, parecia que a loira havia deixado de frequentar o lugar, perguntou dela à Ruby, a morena com mexas vermelhas disse não ter visto a garota naqueles dias. Durante aquela semana, Emma não dirigiu uma palavra sequer a ela, nenhum gesto, nenhum olhar, apenas a ignorava.

Regina não aguentava aquilo, não aquele desprezo, não aquela dor, não aquele remorso. Precisava vê-la.

No sábado seguinte a morena levantou-se convicta do que tinha que fazer. Vestiu uma calça preta justa de couro, uma blusa branca, colocou seu cachecol vermelho e calçou seu allstar. Era cerca de dez da manhã, saiu pela rua em direção a casa da loira, não importava se a mãe ou o pai dela estivessem ali, ela falaria tudo o que tinha de ser dito, independente da reação de Emma, se ela iria ouvi-la ou apenas continuaria com seu joguinho.

Chegou à frente da casa da loira, estava preparada pra levar um coice antes mesmo de sair uma palavra de sua boca. A porta abriu antes que a morena direcionasse seu dedo em direção a campainha. Era Snow.

— Regina, que surpresa – falou – entre, por favor – abriu caminho para a garota entrar.

— Emma... – foi interrompida.

— Sim, sim, ela está no quarto dela – pegou uns papeis, uma pasta e sua bolsa – vou ter que sair agora, estou atrasada, tenho uma reunião dos professores que foi marcada para as dez horas e já são mais que isso – falou apressada – tenho que ir Regina, sinta-se a vontade e tenha um bom dia – despediu-se fechando a porta.

— Você também – respondeu.

A morena olhou para a casa que parecia estar vazia, era linda, bem organizada, aconchegante, não era muito grande, mas era o suficiente para uma família feliz que eles aparentavam ser. Se perdeu por alguns segundos naquele silêncio, ate que o som que vinha do andar de cima acabou com a quietude que a casa parecia ter.

Regina subiu as escadas e foi em direção ao cômodo que transbordava música, era o quarto da loira, ela tinha certeza disso. Chegou ate a porta que se encontrava aberta, Emma estava arrumando sua cama, a morena encostou-se na entrada e ficou observando a loira que estava com uma calça de pijama xadrez e uma camiseta preta, os pés descalços, o cabelo bagunçado. Emma se virou para pegar os travesseiros que estavam numa poltrona atrás dela, foi aí que viu a morena a observando. Assustou-se.

Of Monsters And Men — Dirty Paws ♪♫♪

— O que... Como... – tentou formular uma pergunta sem sucesso.

— Eu falei que precisava falar com você, Swan, eu estou aqui pra fazer isso.

— Não precisa falar comigo, você tem seu “namorado” pra fazer isso – continuou – eu não quero discutir com você, então vá embora – virou-se pegando os travesseiros e colocando-os sobre a cama.

— Eu não vou embora, eu não vim para discutir, eu vim para conversar, para te dizer que aquilo que aconteceu não foi... – Emma a interrompeu.

— Um beijo? Não foi o que estou pensando? Ora, Regina, eu vi muito bem, não precisa se justificar, não sou tão boba quanto pareço, eu sei que ele é seu namorado, você tem toda a razão de querer beijar ele – falava com um tom frio, um tom que nunca usou para dirigir à morena.

— Não se faça de durona, Swan. Você não combina com isso.

— Olha quem fala, a Senhorita Muralha – ironizou.

— Eu tenho meus motivos, e eles não são tão idiotas quanto os seus! – se irritou.

Emma tirou sua concentração da cama que arrumara e se virou com um olhar eufórico à morena.

— Eu não acho que ver a pessoa que eu gosto beijando outra, ou melhor, quem ela menos deveria beijar no momento, seja idiota. Depois de tudo que eu te disse Regina, eu não acredito que você fez isso! – falou alterada.

— Eu não fiz! É isso que eu estou tentando dizer há uma semana. Você não deixou eu te explicar, não deixou eu me aproximar, a única coisa que fez foi me ignorar, fingir que eu não existo, me deixou só o tempo todo!

— Você tem o Killian pra lhe fazer companhia – colocou ênfase no nome do garoto.

— Deixa de ser infantil! Para de querer colocar a culpa em cima dele. Tudo bem, ele foi o mais culpado nisso tudo, mas você poderia ter feito sua parte, poderia ter me escutado, ter conversado comigo, coisa que não fez!

— Então o que queria que eu fizesse? Esperasse você terminar seu beijo de novela com ele? Queria que eu dissesse o que? “Ah, Regina, quando terminar o que está fazendo estou te esperando aqui para conversarmos”, é isso que queria que eu falasse?

— Claro que não! Eu só queria que soubesse o que realmente aconteceu – falou.

— Eu sei o que aconteceu. Você deixou de sair comigo para ver ele, para beijar ele. Eu não preciso ouvir o que tem para dizer, não preciso da sua justificativa, eu vi o que houve. Não quero mais palavras para bagunçar minha cabeça, não precisamos mais ficar juntas, nem sei se estávamos, foi apenas um beijo, significou muito pra mim, mas pelo visto não foi nada para você. Eu não estou preparada pra sofrer assim, o melhor que temos que fazer é nos afastar...

Regina não deixou a loira terminar o que falara. Em questão de milésimos, Emma sentiu os lábios carnudos encaixando nos seus e os braços quentes da morena ao redor de seu pescoço

.

A loira não esperava por aquilo, não no meio daquela discussão, não depois do que acabara de falar para a morena, mas a preocupação logo foi embora. A loira fechou os olhos e se deixou levar pelo momento.

Regina a beijou como se fosse seu café-da-manhã, como se precisasse daquilo para aguentar o resto do dia, da semana, do mês, ou de sua vida. Passou suas mãos pela nuca dourada da outra, beijou devagar, fazendo com que suas línguas se encontrassem e dançassem em um ritmo único, como em uma valsa, aproveitando o máximo uma da outra em uma sincronia absurda. Parou por um instante, depositou um beijo no cantinho da boca e a abraçou pela cintura encostando sua cabeça sobre o peito da loira.

— A última coisa que eu quero é me afastar de você – falou baixinho.

A loira ficou sem reação por alguns instantes, e viu que o mínimo que poderia fazer para a morena era escutar o que ela tinha a dizer. Segurou a mão da garota e a levou em direção a cama, sentaram-se uma na frente da outra.

— Me conta o que houve – pediu em um tom calmo.

Regina respirou fundo e começou a falar.

— Primeiro eu queria te dizer que eu não deixei de sair com você para ficar com ele. Eu já tinha marcado antes mesmo do seu convite, no dia em que você foi na pensão eu peguei no sono e acordei com um bip de mensagem, era ele falando que queria me ver, eu marquei em frente a pensão, não por querer vê-lo também, mas quis aproveitar a chance e terminar tudo de uma vez. Quando chegou, ele quis subir, certamente queria terminar a aposta e me levar para cama, mas não deixei. Quando eu falei tudo o que tinha de ser dito, ele ficou com raiva, eu me distrai olhando para você e para as meninas que estavam no outro lado da rua, ele notou que eu estava dispersa, se virou para ver quem estava no outro lado, certamente viu que a forma que eu te olhava não era uma forma normal de olhar para outra garota – encarou a loira a sua frente – falou que eu ia me arrepender disso e que eu nunca encontraria alguém como ele, muito menos com o beijo dele, foi nesse momento que ele me agarrou. Eu o empurrei, mas ele tinha muito mais força do que eu pensei, vi você no outro lado da rua parada, continuei lutando contra ele, quando consegui me soltar você já estava longe, estava correndo pela rua, não pude fazer nada, vi que o melhor que eu poderia fazer era te dar um tempo, sabia que estaria estressada, mas não sabia que ia durar por tanto tempo essa raiva – pausou – eu não só achei alguém muito melhor do que ele, como também encontrei alguém que encaixa o beijo perfeitamente no meu, que se encaixa perfeitamente comigo – deu um sorriso para a loira.

— Desculpa por te ignorar, por te deixar triste, é que eu – pausou – eu estava com ciúmes, essa é a verdade – acabou confessando.

— Não precisa ter ciúmes de uma coisa que você sabe que é sua. Eu pertenço a você Emma, apenas a você.

Aquilo que a loira acabara de ouvir foi algo que nunca passou pela sua cabeça Regina falar para alguém, muito menos a ela.

Foi em direção a garota, deitou-a suavemente na cama e ficou sobre ela. Emma retirou o cachecol da morena, começou a distribuir beijos calmos e molhados em seu pescoço, fazendo com que Regina se arrepiasse. Voltou seus lábios para os da morena, a beijou novamente como se não se cansasse daquilo, deu uma mordidinha em seu lábio inferior fazendo com que a morena desse um pequeno gemido. Emma colocou a mão por dentro da blusa de Regina, acariciou suas costas quentes e desceu até seu bumbum que a garota agora empinava. A morena se aproximou mais da loira sem desgrudar seus lábios dos dela, fazendo com que seus corpos se encaixassem perfeitamente, suas pernas estavam entrelaçadas, queria ficar ali até não poder mais, ou ate pegar no sono como na ultima vez, porém, ela sabia que isso não iria acontecer. O clima já estava ficando quente, Emma estava a ponto de tirar a blusa de Regina quando ouviu a porta da entrada principal da casa batendo.

— Emma? Você está aí? – perguntou do andar de baixo uma voz muito conhecida.

As duas se soltaram rapidamente.

— É a minha mãe – respondeu a loira – sim, mãe, estou aqui – falou em um tom que a mulher ouvisse.

— Sabe a reunião? Pois é, cheguei lá e não tinha ninguém, foi cancelada, Zelena avisou a todos os professores, menos a mim. Ela deve ter algum problema comigo, só pode – falou.

— Caramba, mãe – falou arrumando a cama, enquanto a morena ajeitava seu cabelo e colocava o cachecol de volta no pescoço.

— Regina ainda está aí? – perguntou.

— Você está ou já foi embora? – perguntou se dirigindo à morena.

— Sim, eu estou – falou sorrindo.

— Sim, mãe, ela está – respondeu a loira.

— Desçam aqui para me ajudar a fazer o almoço. Regina, você vai ficar para comer conosco, não é? – perguntou Snow.

— Vou sim – respondeu a morena.

— Mesmo se você não quisesse, eu te obrigaria a ficar – falou a loira pondo as mãos no rosto da garota e depositou um beijo em sua testa – acho que você vai adorar nossa “aula de culinária”.

— Eu já estou adorando antes mesmo de começar – falou com um sorriso brilhante, um sorriso que Emma nunca conheceu, mas que agora ela era o motivo dele está ali estampado naquele lindo rosto.

— Vamos.

— Espera – segurou na mão da loira fazendo com que seus olhares se cruzassem – obrigada por tudo – agradeceu — por mais que tenha demorado essa conversa, seria pior se não tivesse acontecido, obrigada por me escutar e me compreender.

— É o mínimo que eu poderia fazer, esse é o meu dever – concluiu.

Regina se aproximou e deu um beijo curto e longo ao mesmo tempo na loira, curto por ser rápido, mas longo pois sempre quando suas bocas se encontravam o mundo parecia parar a seu favor.

— Agora vamos – falou a morena.

Emma segurou a mão da garota e desceu as escadas em direção a cozinha onde sua mãe se encontrava.

Notas finais
Sim, eu amo Of Monsters And Men. Queria pedir desculpas por não colocar a Cora nesse capítulo, mas tenho certeza que no próximo só vai dar ela ;)