Nossa Música

8 Pegas no flagra


Notas iniciais
Desculpa a demora, mas fiz um grandão pra compensar (: Queria dedicar esse cap à minha xará. Vih, obrigada por ter me dado sugestões que me ajudou MUITO no desenvolvimento desse capítulo, obrigada mesmo ♥

Aquela semana estava sendo a melhor desde tudo que acontecera à morena. Emma voltou para seu lugar ao lado de Regina, não se desgrudavam, passavam os intervalos juntas, conversando, rindo, escutando musicas, trocando olhares, mas não se arriscavam outro contato.

Ruby olhava as duas garotas de sua mesa no fim do refeitório.

— Regina está sorrindo – falou – isso é bom.

— Isso é ótimo – completou Mulan.

— Deveríamos tentar se aproximar dela novamente – arriscou Aurora – aproveitar esse bom humor pairando sobre ela.

— Se ela quisesse se aproximar já teria feito isso – Ruby falou tristemente – não vamos gastar nosso tempo e nossas palavras com coisas que talvez não tenham jeito – concluiu.

— Um “talvez” não é uma “certeza” – retrucou Aurora.

— Pensávamos que Regina se trancaria para todos, mas de algum modo Emma desfez isso, não sei como, mas fez – falou Mulan.

Ambas voltaram o olhar para a loira e a morena a poucos metros dali. O silêncio ecoou sobre elas, fazendo com que mudassem de assunto logo em seguida.

♫♫♫

Zelena mandara imprimir alguns avisos para pôr nas salas.

— Não acredito que acabou a tinta logo agora! – exclamou a quase diretora.

— Se eu soubesse não teria imprimido as provas de Snow – falou a secretária.

— Tinha que ser... – revirou os olhos – Por que diabos ela imprimiu as provas se só estão marcadas para a próxima semana? – perguntou enfurecida.

— Pelo que fiquei sabendo, ela já fechou o conteúdo em algumas salas e já tratou de avisar que pode haver avaliações a qualquer momento – respondeu.

— Claro. Por que eu não pensei que ela iria demonstrar que é a melhor professora daqui? – fez uma pergunta retórica – Ela tem que cumprir com as normas da escola! Isso não é a primeira vez que acontece. Não sei por que Neal insiste em tê-la conosco – falou inconformada.

A secretária manteve o silêncio. Por mais que todos gostassem da professora, ninguém tinha coragem suficiente para desafiar a ruiva autoritária.

— Laura, providencie logo esses novos cartuchos. Quero esses avisos ate o final da manhã em todas as salas – ordenou – quero que todos comecem a estudar para as bimestrais desde já.

— Por que a senhora mesma não passa pelas salas avisando? – sugeriu a secretária.

— Ora, eu sou a coordenadora, quase a diretora, trabalho duas vezes mais do que meu marido, ele cuida da papelada e eu dos alunos, tenho que ficar escutando desculpas esfarrapadas quando chegam tarde, quando faltam, quando perdem provas, quando brigam, entre muitas outras baboseiras. Não sou um gravador pra sair de sala em sala falando a mesma coisa, sem contar as perguntas imbecis que sempre tem alguém para fazer – falou arrogantemente.

— Desculpa – pediu – era só uma sugestão.

— Uma sugestão que eu não pedi – retrucou – apenas cumpra o seu trabalho e ajude quem pedir sua ajuda.

— Sim, senhora – falou se retirando da sala da coordenadora.

♫♫♫

A aula já estava quase no fim. Emma mandara um pedacinho de papel para Regina.

“Espera todos saírem da sala, quero fazer uma coisa...”

A morena olhou para a loira bem no momento em que o sinal tocou. Os alunos saíram em disparada, alguns ainda organizavam a mochila. Emma guardava as coisas vagarosamente, Regina acompanhava os movimentos lentos da outra.

Todos já haviam saído da sala. Ambas se levantaram de seus lugares ficando frente a frente uma para a outra.

— O que você quer fazer? – a morena perguntou.

— Ora, Regina, tem certeza que não sabe? – perguntou se aproximando mais da morena.

— Emma, eu acho que não é uma boa... – sua frase foi interrompida por um beijo.

Regina deu um pequeno empurrão na loira.

— A qualquer momento pode aparecer alguém – concluiu a morena que olhara para a porta da sala.

— Você está ouvindo? – a loira perguntou.

A garota parou por um instante procurando por qualquer tipo de som suspeito.

— Não ouço nada – a morena respondeu.

— Justamente, não tem mais ninguém por aqui. Mas tudo bem – se conformou, soltou a garota de seus braços e desviou o olhar para a parede – é que já faz uns três dias que não tenho um momento com você. As provas estão chegando, eu sei que você está ocupada estudando, eu também, por isso não te peço um tempinho livre, se não fosse pela escola mal nos veríamos. Desculpa, é que eu estava com saudade, só isso – falou cabisbaixa.

A morena ficou encarando aqueles olhos verdes que suplicavam pela sua boca, aquele olhar tristonho que lhe cortava o coração, Emma sabia diretinho o que fazer para mexer com a garota.

— Droga, Swan – falou puxando a loira para si e unindo seus lábios logo em seguida.

Zelena andava pesadamente pelos corredores.

“Eu não acredito que a imbecil da Laura deixou de colocar os avisos em algumas salas. Pelo amor de Deus! Agora tenho que conferi uma por uma, quanta incompetência para uma pessoa só!”, pensou enfurecida abrindo a porta da primeira sala do terceiro ano que estava em seu caminho. “Eu mereço uma secretaria mais ágil, e não uma...” parou seus xingamentos quando se deparou com uma cena inusitada, uma cena que nunca pensou que qualquer aluno que estudasse ali fosse burro o suficiente para fazer no colégio.

— Ora, ora, ora se não é a senhorita Swan e senhorita Mills – falou contendo a surpresa, junto com a frase estava a marca de sua voz, a ironia.

O beijo foi interrompido pela coordenadora, as meninas se afastaram rapidamente uma da outra. Ambas estavam pálidas, aquilo foi um grande susto, nenhuma das duas esperava pela entrada de alguém, muito menos da coordenadora, estavam imóveis, não sabiam o que fazer, o que falar, se se mexiam, se começavam a se desculpar, chorar, implorar para que não contasse aos pais, ou se simplesmente fingiam ser estátuas.

— Não vão falar nada? – perguntou Zelena encarando-as.

Emma olhou para a morena que ainda estava com a boca meio aberta, em choque.

— Foi eu que a beijei – a loira tomara coragem para falar.

— Tem que ser a filha da Snow para querer se destacar e assumir a culpa – falou.

— Qual o seu problema com a minha mãe? – perguntou a garota.

— Acho melhor você começar a falar direito comigo, querida – a ruiva respondeu encarando-a friamente.

— Eu não estou te desrespeitando, apenas fiz uma pergunta – retrucou a loira.

— Uma pergunta sem necessidade para o momento – desviou seus olhos para a morena imóvel – e você Mills, qual sua desculpa?

— Você não vê? Eu a forcei a fazer isso, deixei-a sem saída, ela não pôde fazer nada! – a loira interferiu.

— Já ouviu falar naquele ditado: “Quando um não quer, dois não fazem”? É justamente o que responde essa sua tentativa de levar a culpa – pausou – nossa Swan, ate me comoveu com essa atuação, deveria ganhar um Oscar – fingiu limpar uma lágrima do olho direito.

Emma fuzilava a ruiva com o olhar.

— Não adianta me olhar assim, muito menos tentar me matar mentalmente, isso não vai resolver nada – completou.

— O que você vai fazer? – a loira perguntou.

— Isso você verá logo, logo – respondeu com um sorriso no rosto – me acompanhem – as duas saíram atrás de Zelena pelos corredores ate a sala da coordenadora.

— Cadê o diretor? – perguntou Emma.

— Pra quê você quer saber? – respondeu com outra pergunta.

— Porque ele é o diretor, quem tem que nos punir é ele e não você – respondeu a loira.

— Comece a pensar nas palavras antes de sair da sua boca, querida. Elas podem ter um retorno negativo a você – falou como se a estivesse ameaçando.

Emma manteve o silêncio. Zelena pegou o telefone e digitou alguns números.

— Snow, quero que você venha imediatamente à escola – falou exigindo – não me importa se está de folga – pausou para ouvir a voz da professora que estava ao telefone – venha diretamente à sala do diretor – desligou o telefone em seguida.

Folheou alguns papéis e digitou um novo número.

— Boa tarde prefeita – mudou o tom arrogante para um tom sínico de simpatia. Regina congelou – eu gostaria de pedir sua presença aqui na escola o quanto antes possível – pausou – sim, é sobre Regina – levantou os olhos para a menina que ainda estava com uma expressão assustada – tudo bem, espero você na sala do diretor.

Zelena observava as garotas a sua frente.

— Vocês vão ter que ficar aqui por um tempo ate eu falar com suas mães – continuou – vou à sala de Neal recebê-las, não sejam idiotas novamente para fazer o que fizeram na sala de aula – concluiu friamente, deixando as meninas a sós e se dirigindo à sala quase vizinha a sua.

Seu marido havia tirado o dia de folga para tentar resolver algumas burocracias que o colégio estava passando. Não demorou mais do que cinco minutos para que Snow chegasse, a professora não gostava de Zelena, porém, não queria dar motivos para que a ruiva odiasse-a mais ainda. Entrou na sala conforme a coordenadora havia dito.

— Com licença – pediu Snow.

— Sente-se – falou a coordenadora.

— O que houve? – perguntou.

— Falarei apenas quando todos estiverem presentes – falou a ruiva que estava na mesa de frente para Snow.

— Quem está faltando? — perguntou.

— Se você souber esperar, logo saberá – concluiu.

A porta se abriu há alguns segundos depois que terminara a frase.

— Boa tarde, prefeita – cumprimentou antes mesmo que a mulher dissesse qualquer palavra.

— A tarde começou péssima – retrucou.

— Sente-se – apontou para a cadeira ao lado da professora.

— O que ela tem a ver com minha filha? — Cora se referiu à Snow.

— Isso é uma boa pergunta, já que nem eu mesma sei por que estou aqui – a professora falou.

— Bom – começou Zelena – é sobre suas filhas.

— Aconteceu algo com elas? – perguntou Snow.

— Se você me deixasse falar seria ótimo – respondeu. Percebeu que os olhos da prefeita estavam voltados sobre ela – Na verdade não houve nada com elas, foi mais o que elas fizeram.

— Fale logo Zelena, não tenho tempo para arrodeios, seja mais direta – a prefeita já estava se irritando.

— Tudo bem – continuou – vocês sabem que não tolero beijos entre namorados, sempre fui bem clara a respeito disso. Todos sabem o que acontece com quem quebra as regras da escola.

— Não acredito que Regina beijou o imbecil do namorado aqui – falou Cora.

— Não, não foi isso que houve. Eles terminaram, pelo menos foi isso que chegou aos meus ouvidos – falou a ruiva.

— Mas Emma não namora, não estou entendendo nada... – Cora interrompeu Snow.

— Fale de uma vez! – exclamou.

Zelena assentiu.

— Peguei as duas garotas se beijando quando não havia mais ninguém na sala de aula – jogou a bomba sem mais delongas.

As mulheres ficaram paralisadas por alguns segundos. A ruiva de alguma forma gostara do que estava acontecendo, não por achar que as garotas faziam um casal bonito, mas sim por ver Cora pisando no chão e não nas pessoas como de costume, gostou ainda mais de ver que a vida de Snow não era tão perfeita quanto aparentava, não mais.

— Elas vão ser expulsas? – a professora quebrou o silêncio.

— Eu pensei nisso antes de vocês chegarem, por mais que eu tenha ficado bastante surpresa com a cena, também fiquei triste – mentiu – não queria que elas fossem prejudicadas. Pensei sim em expulsá-las, mas... Como posso dizer? – pensou um pouco – Elas são alunas diferenciadas, com mães especiais, uma é prefeita da cidade e a outra é uma das professoras mais importante da escola – não queria dizer isso de Snow, mas sabia que era verdade – isso se espalharia rapidamente pela cidade e prejudicaria ambas as partes, inclusive minha escola, acabaria ficando mal falada, como se não puníssemos o aluno devidamente.

— Então o que vai propor? – perguntou Cora voltando a si.

— Quero dizer que caso isso ocorra novamente não haverá segunda chance. No momento prefiro que elas mantenham distância uma da outra, por isso vou separá-las de sala — concluiu.

Snow assentiu. A prefeita ficara calada, parada, processando aquelas informações por uns instantes.

— Isso não é coisa da Regina, com toda a certeza foi induzida – Cora falou.

— O que você está querendo dizer? Que Emma a influenciou, é isso? – perguntou Snow chocada com a indireta da mulher.

— É isso mesmo! – exclamou.

— Eu estou tão surpresa quanto você, prefeita. Não queira jogar a culpa toda em cima da minha filha, ambas erraram. Não passou pela sua cabeça que talvez os danos causados a ela naquela tragédia não interferiu na sua personalidade em relação aos homens? Ou que talvez Regina que tenha induzido Emma? Ou que simplesmente elas realmente se gostem? – perguntou a professora já se alterando, aquilo era raro de acontecer – são muitas possibilidades de explicação pra isso.

Zelena assistia aquela discussão quase transparecendo um sorriso.

— Claro que não! Regina jamais pensaria em fazer algo desse tipo – retrucou.

— Ela não só pensou como fez – falou com um tom mais baixo.

Cora a olhava cerrando seus olhos na professora ao seu lado, estava pronta para contra atacar quando ouviu a porta da sala abrindo e tirando sua ira de foco.

— Desculpa o atraso – falou a secretária interrompendo a briga entre as duas mulheres ali.

A coordenadora revirou os olhos como se dissesse “não acredito que interrompeu o show”.

— Acho melhor eu ir – Snow se levantou – obrigada por essa chance que você nos deu, Zelena. Onde está Emma?

— Na minha sala – respondeu.

A professora saiu em direção a sua filha.

— Por mim eu teria expulsado a Swan e deixado Regina – desabafou a ruiva para a prefeita – mas eu sei que talvez criasse muitos boatos, e no momento o que eu menos quero são boatos envolvendo alunos. Cora, converse com Regina, tire essa idéia ridícula dela se envolver com uma garota – arriscou.

— Não se preocupe, deixe que da minha filha cuide eu – concluiu se levantando e indo de encontro à sala em que a garota se encontrava.

♫♫♫

Emma olhou para a morena que agora estava sentada. Aproximou-se da garota e se ajoelhou ao seu lado.

— Desculpe-me, Regina – segurou as mãos da menina – eu não imaginava que ela iria aparecer.

A morena se soltou do toque e pôs a cabeça entre as mãos.

— Cora vai me matar – concluiu.

— Eu não vou deixá-la fazer mal algum a você – a loira falou.

— Você não a conhece, não tem noção do que ela pode fazer.

— Eu vou te proteger, confia em mim – pediu.

— Não é questão de confiar, é que... Você não entende – falou.

— O que tem pra entender? – perguntou passando a mão direita no cabelo negro da outra e levantando seu rosto – Eu não quero te ver sofrendo, eu não vou te deixar sofrer – deu um beijo delicado nos seus lábios.

Elas se distanciaram e em questão de milésimos a porta se abrira.

— Vamos pra casa, Emma – falou Snow.

— Mãe... – tentou falar.

— Em casa a gente conversa melhor – interrompeu.

Emma se levantou e depositou um beijo na testa da morena.

— Vai ficar tudo bem – prometeu.

♫♫♫

“EMMA”

Durante todo o caminho que percorremos ate chegar em casa o silêncio pairou sobre mim e minha mãe.

Quando cheguei subi diretamente para o meu quarto. Tomei um banho tentando tirar toda aquela culpa dos meus ombros, todos aqueles fardos que agora eu carregara. Sai do banheiro e me troquei, deitei na cama esperando que minha mãe aparecesse a qualquer momento.

— A comida já está na mesa, desça para comer algo – falou Snow na entrada do quarto.

— Não estou com fome – falei.

Ela sabia exatamente que sempre quando eu negava comida era porque algo estava acontecendo. Simplesmente não conseguia engolir um grão de arroz sequer quando estava preocupada, das duas últimas vezes foi pelo mesmo motivo, Regina. Percebi que ela me olhara, tentei ignorar, mas não consegui.

Sentei-me na cama.

— A senhora vai esperar meu pai chegar pra ter essa conversa?

— Acha que vai ser preciso? – perguntou.

— O que escolher está bom pra mim, no momento eu não tenho escolha. Vou ter que enfrentar isso cedo ou tarde – respondi.

Ela se manteve em silêncio.

— Antes de qualquer coisa eu só queria te pedir desculpas – respirei fundo tentando segurar o choro – desculpa por fazer com que a senhora comparecesse na escola em plena sua folga, desculpa por te fazer escutar as besteiras que Zelena com toda certeza deve ter falado pra você, desculpa por – pausou – por te fazer passar vergonha – não pude mais conter as lágrimas que agora brotavam em meu rosto.

Ela andou ate minha cama, sentou-se ao meu lado e me envolveu em um abraço.

— Está tudo bem – falou – você nunca vai me fazer passar vergonha.

— Mãe, me desculpa – chorei ainda mais.

— Shhhh, ta tudo bem – me abraçou mais forte.

As lágrimas não paravam de descer pelo meu rosto. Ficamos abraçadas por algum tempo, o tempo suficiente para fazer com que me acalmasse.

— Você está melhor? – perguntou.

Balancei a cabeça positivamente. Retirou seus braços que me rodeavam, levantou-se e puxou a poltrona ate ficar na minha frente, segurou minhas mãos e agora me olhava.

— Acho que não vamos esperar pelo seu pai.

— Mas ele precisa saber – falei.

— Ele vai saber – continuou – mas deixa que com ele eu me acerto, conto tudo direitinho.

Assenti. Ela acariciou minha mão antes de começar a falar qualquer coisa.

— Então... – tentou escolher as palavras certas.

— Mãe, pode perguntar o que quiser. Não se preocupe — falei.

— Ok – pausou – você... Você realmente beijou Regina? – perguntou.

— Sim – respondi.

— Foi a primeira vez?

— Com uma garota sim, mas com ela não – respondi.

— A primeira vez foi quando eu tive uma reunião que ela veio aqui atrás de você?

— Não, essa foi a segunda vez.

— Quando foi a primeira? – perguntou.

— Se lembra quando eu te contei sobre a aposta de Killian? Que a senhora acabou me contando o que houve com ela nas férias?

— Sim, me lembro – respondeu.

— No dia seguinte fui atrás dela pra lhe contar o que eu havia escutado, queria que ela abrisse os olhos em relação ao Killian, mas ela acabou se estressando comigo, exigiu que eu fosse embora, mas eu me mantive firme e não saí, acabei tocando no assunto de Gold... – fui interrompida.

— Emma! Eu te pedi tanto que não falasse sobre isso com ela – falou.

— Eu sei, mas é que acabei soltando, nem percebi – olhei para o chão – mas não me arrependo – voltei meus olhos de encontro com os dela – ela me empurrou para sair do quarto, chorava, gritava comigo, não aguentei vê-la naquela situação, então eu a abracei, ela relutou no começo, mas logo se entregou ao meu gesto e eu acabei beijando-a e ela retribuiu, foi isso.

Percebi que Snow olhara para longe como se estivesse tentando imaginar aquela cena, ou então tentava processar o que eu acabara de jogar em cima dela.

— Você – voltou seu olhar sobre mim – você gosta dela? – perguntou.

— Muito. Mais do que eu pensei que poderia gostar de alguém – confessei.

— Entendo...

— Eu não escolhi isso, eu simplesmente acabei me entregando a ela. Tentei relutar no começo, não podia acreditar que aquele formigamento em minha barriga era um sentimento por ela, ate porque eu já namorei meninos, mas nunca havia acontecido antes. Pode ter certeza que se eu pudesse escolher, jamais teria escolhido sentir isso – suspirei – eu sei que não sou uma filha que os pais querem para si, posso me considerar um erro. Não estou querendo ser dramática, só estou tentando ver pelo lado de vocês – pausei – eu sinto muito mamãe, sinto muito mesmo – soltei minha mão direita da dela para limpar uma lágrima que estava a ponto de transbordar do meu rosto.

— Meu amor, eu te aceito do jeitinho que é – segurou meu rosto entre suas mãos – se ela te faz bem, se te faz feliz, me faz feliz também e isso basta.

— Obrigada – agradeci.

— Sei que deve está com a cabeça cheia, tente descansar um pouco – se levantou – não pense no pior, tudo vai ficar nos seus conformes – deu um beijo no topo da minha cabeça – venho te chamar para jantar.

Deitei novamente na cama. Só pude pensar na minha morena, fui tomada pela preocupação, pelo medo do que Cora faria com ela, no que ela estava fazendo nesse exato momento com Regina. Tentei mudar meus pensamentos negativos por momentos bons, pensei no nosso primeiro beijo, no nosso segundo e por mais que estivesse dado errado o terceiro, também pensei nele. Sorri por relembrar, fechei meus olhos e logo consegui dormir, um sonho bom, um sonho calmo com ela em meus braços.

♫♫♫

“REGINA”

Minha mãe adentrou a sala pouco tempo depois de que Emma saiu.

Não consegui encará-la, mas pude sentir seu olhar de desprezo e de incredibilidade sobre mim.

— Vamos – chegou perto de mim e me puxou pelo braço ate chegar ao carro, quase me jogou no banco.

Dirigiu ate a pensão, saiu do carro e subiu ate meu quarto. Fui atrás dela.

— Pegue todas as suas coisas, já deixei você aqui tempo demais – falou.

— Pra onde você vai me levar? – perguntei.

— Esqueceu onde você mora?

— Eu agora moro aqui – respondi.

— Não, você não mora e nunca vai morar. Você vai embora comigo pra mansão.

— Não quero voltar, por favor, me deixe aqui – implorei.

— Você não tem o que querer – falou – muito menos depois do que me aprontou hoje.

— Me desculpa – pedi.

— Desculpa? É isso mesmo que está pedindo? Acho que isso não basta – começou a acumular seu ódio dentro de si – Sabe Regina... No começo ate pensei em conversar com você, mas vi que não seria possível desde o momento em que o Dr. Whale veio ate mim e disse que você não queria me ver, depois foi Granny que veio pedir pra que você passasse um tempo com ela. Sim, um tempo, mas esse tempo acaba hoje! – aumentou seu tom de voz.

— O que você quer que eu faça? O que quer que eu fale? Você não entende, eu estava destroçada, não conseguia olhar pra ninguém, não conseguia conversar com ninguém, desconfiava de qualquer pessoa que se aproximasse de mim – falei.

— Nossa, que pena – ironizou. Eram esses momentos que me fazia pensar que Cora tinha mais a ver com Zelena do que comigo mesma, a ironia era algo que já estava nelas, que fazia parte delas, algo em comum – você sempre foi uma ótima atriz, sempre se fez de coitadinha para que todos caíssem aos seus pés. Mas eu não sou assim! – exclamou – Eu sou a única que te conhece realmente, que sabe desses seus truques pra levar as pessoas para o seu lado.

— Do que você está falando? – perguntei tentando me situar.

— Eu sei muito bem o que houve entre você e Gold, e não foi estupro, tenho certeza que você que o seduziu, você nunca suportou a ideia que eu tenho tudo o que eu quero aos meus pés, você tem inveja, não pôde aguentar o fato de que eu tinha um homem que me amava, queria ver minha desgraça, você é a culpada de tudo, você! – falou com a voz alterada.

— Você está ficando louca, você não aguenta ver as coisas como elas realmente são!

Cora estalou um tapa em meu rosto, senti que ficaria vermelho, senti a dor, a ardência no meu rosto, a dor que consumia meu coração.

— Primeiro você faz aquela cena com Gold, provoca-o, depois que consegue o que quer, mata meu marido, se faz de vítima pra todos e eu sou a única que vejo a verdade! – continuou – Depois você inventa de vir pra cá, já entendi seu objetivo, você quer me deixar só, mas não vai conseguir, ate porque você vai embora comigo!

— Eu não quero ir! – gritei.

— Você não tem o que querer! – respondeu me colocando contra a parede e me segurando pelo pescoço — Hoje eu te defendi, disse que sabia que isso não partiu de você, mas agora estou vendo que não ficou satisfeita com minha solidão, agora precisa denegrir minha imagem com aquela garota.

Eu a empurrei fazendo com que me soltasse para recuperar o fôlego. Tossi um pouco.

— Swan é mesmo uma idiota de arriscar o colégio por você – falou.

— Não fale assim dela – a encarei.

— Ou o quê? Vai me ameaçar? Me bater? Me matar igual fez com Gold?

— Ela não tem nada a ver com isso Cora, deixe-a em paz – falei.

— Então quer dizer que você realmente gosta dela? – perguntou se aproximando de mim.

— Sim – desviei o olhar – eu a amo – acabei confessando.

— Isso é o que eu queria ouvir – falou com um sorriso no rosto — você fará exatamente tudo o que eu pedir, caso contrário a sua querida Emma sofrerá as consequências, e você sabe muito bem do que sou capaz de fazer o possível e o impossível pra prejudicar alguém – falou cerrando os olhos.

— Igual está fazendo comigo.

— Eu não estou te prejudicando, apenas quero te colocar nos eixos, imagine como a população dessa cidade iria me ver depois que descobrisse que eu tenho uma filha lésbica, isso seria uma vergonha! Consegue imaginar? Ridícula essa hipótese.

— Como se fosse apenas esse o motivo – retruquei.

— Você me pegou. Esse não é apenas o meu único motivo, o que realmente quero é destruir sua felicidade, do mesmo jeito que você destruiu a minha, simples assim.

— Eu sou sua filha, você deveria ser um exemplo pra mim, deveria me proporcionar a felicidade e não destruí-la.

— Deveria, mas infelizmente não vou. Querida, se bobear eu arranco pela raiz do mesmo jeito que fez com a minha alegria.

Estremeci. Naquele momento percebi que precisava medir as palavras para se dirigir à Cora, senti em seu olhar que ela não estava de brincadeira.

— Primeiro – olhou ao redor e pegou meu caderno e uma caneta – tome, escreva o que eu disser.

— Mas o que...

— Escreva! – ordenou.

Peguei a caneta e escrevi exatamente o que ela mandara.

“Granny, andei conversando com minha mãe e resolvi voltar para casa, acho que tudo está se resolvendo. Muito obrigada pelo quarto, pela comida, por sua companhia, por tudo! Desculpa por não ter esperado para lhe agradecer pessoalmente, mas a qualquer momento eu venho ver como estão as coisas.”

— Agora arrume suas coisas – falou – você não tem escolha, Regina.

Quando terminei de arrumar minhas coisas descemos as escadas, ela se certificou que não tinha ninguém na rua para que eu pudesse recorrer.

Quando eu cheguei à frente da mansão respirei fundo, tentando buscar no meu pulmão a força que me faltava quando me lembrava do que ocorrera lá dentro. Cora abriu a porta e me empurrou. Não olhei para os lados, apenas subi as escadas em direção ao meu quarto.

— Cá estamos nós de volta, filhinha – falou com entonação na última palavra.

Continuei arrumando minhas roupas, meus olhos estavam começando a “suar”, senti mais do que nunca que estava de volta a minha prisão, senti a tristeza corroendo meu coração.

— Ainda não terminamos – quebrou o silêncio.

— Pode falar, estou ouvindo – falei.

— Você vai voltar a ter sua vida normal, não normal como nessas últimas semanas e sim “normal” como antes das férias – continuou – você vai voltar com o filho do marinheiro... – a interrompi.

— Mas ele nunca gostou de mim, era tudo uma aposta – falei.

— Isso não me importa! – gritou – Você voltará com ele.

— Mas eu fui expulsa, como que... – agora foi a vez de Cora me interromper.

— Você não foi expulsa – falou.

Fiquei parada, como se ainda restasse uma esperança de ter Emma de volta.

— Não se anime, querida. Ela propôs colocar vocês em salas separadas e foi nesse momento que vi uma luz brilhando no fim do túnel, foi aí que quis colocar você na mesma sala de Killian para continuar com essa farsa. Com isso você terá uma boa desculpa para dar a ela, e por fim se separarem de vez.

— Por favor, não faça isso – implorei.

— Não vou fazer nada – falou levantando as mãos – você é quem vai – continuou – terá que se satisfazer com ela longe de você, caso isso não aconteça, bom, o mínimo que vou fazer é te mandar pra bem longe dessa cidade, vou interromper qualquer ligação entre vocês, fora o que eu posso fazer a ela. Então é bom você fazer tudo direitinho, tudo conforme o planejado. Está entendido? – falou levantando meu rosto.

— Sim – respondi tristemente.

Ela saiu do quarto me deixando sozinha. Senti uma pontada no meu rosto e me lembrei do tapa, fui ao banheiro para ver a situação que se encontrava. Estava bem marcado, a palma de sua mão passaria no mínimo dois dias para sair do meu rosto. Por mais que ainda fosse de tarde, o frio estava aumentando, troquei de roupa e vesti o moletom que já fora do meu pai, deitei na cama, me cobri dos pés a cabeça. Peguei um dos meus travesseiros e o abracei, abracei como se fosse Emma ali juntinha de mim, como se o calor que ainda restara dentro do meu corpo fosse ela.

Lágrimas saiam do meu rosto sem nenhuma permissão.

Não consegui imaginar como seriam os próximos dias, mas sabia que minha missão era protegê-la, do mesmo modo que ela me protegia, por mais que pra fazer isso eu tivesse que abrir a mão da minha felicidade, da pessoa que mais me importa nesse mundo, de quem me ajudou a passar pelas barreiras que nem eu mesma acreditava que poderia ultrapassar, não sabia por quanto tempo aguentaria a ausência do cheirinho de canela longe de mim, daquela luz que vinha dos seus cabelos, da felicidade que me envolvia, do abraço que eu tanto velava e principalmente do beijo que me fazia viajar pelo mundo, pelo universo, pelas galáxias, que me fazia acreditar que o impossível é possível, que só me dava cada vez mais certeza do amor que eu sentia por ela.

Notas finais
Se por um acaso eu demorar a postar, é porque ultimamente eu to bem desmotivada. Mas enfim, espero que tenham gostado, isso que importa.