Nossa Música

22 Família


Notas iniciais
Dedico esse capítulo à dona da minha perereca suicida, Taisão. Também vai pa Vic da xota, Sara Ellise (por ter me chamado atenção tanto pelo wpp quanto pelo twitter), vulgoskye, ritalisboas2, httpmarii, alltootragic e a quem começou a ler a fic recentemente v4nessao, maduparrilla e sprklngflowers. Acho que não ta faltando ninguém ndjksbfcjkdsb Agradeço a quem comentou, favoritou e a quem não desistiu da fic, muito muito MUITO OBRIGADA MESMO!

Emma estaciona seu carro no mesmo local onde havia estacionado na última vez que estivera no parque. Lembrava perfeitamente daquela tarde, de como ficou receosa em conhecer Joseph, principalmente por não ter outra pessoa por perto pra lhe ajudar a desenvolver uma conversa, nem Regina, nem Addison, apenas ela e o garoto.

Olhou para a sorveteria que ficava alguns passos de onde seu carro ainda estava. Sorriu. Acabara de vim a sua mente a aposta que fizeram e de como perdeu uma corrida de sorvete para uma criança. Lembrou-se da conversa descontraída que tiveram, da forma inteligente como Joseph falava, de como eles se deram bem e de como já mantinham uma grande importância na vida um do outro com apenas um encontro.

Fazia cerca de uma semana que Emma não via Regina, não por vontade, mas pelo desencontro. Aquela semana estava sendo apertada para ambas as mulheres. Regina estava cheia de cirurgias para fazer e plantões para cumprir. Emma por sua vez, estava atolada de relatórios para ler, conduzir inquéritos e perícias, algo que lhe tirava muito tempo.

A única forma que elas haviam mantido contato foi por sms e ligações que não duravam mais que cinco minutos.

A loira agora voltara seu olhar para a mulher que estava sentada em um banco limpando as mãos de seu filho e falando algo que nem leitura labial poderia decifrar, mas ela tinha certeza que o garoto estava levando uma bronca da mãe. O menino que antes brincava na caixa de areia, agora se dirigia ao balanço.

Emma saiu do carro e andou calmamente em direção aos dois. Parou na árvore próxima a morena, de modo que a mesma ainda não percebesse sua presença no local, tornando a olhá-la.

Regina que estava em um dos bancos mais a frente, observava seu filho conversando com uma criança ao seu lado no brinquedo. Olhou para o delicado relógio que carregava em seu antebraço e buscou o celular em seguida. Colocou uma mexa do seu cabelo para trás da orelha. Emma sorriu. A loira conhecia bem aquele gesto, significava que Regina estava tensa, preocupada ou simplesmente ansiosa. No momento em que a morena dirigiu o celular a orelha, um homem na faixa etária entre seus quarenta anos, aproximou-se dela impedindo que a ligação fosse finalizada.

— Eu posso sentar aqui? – perguntou se referindo ao espaço vago ao lado de Regina.

— Ah... Claro – respondeu com um pouco de relutância na voz.

— O que uma mulher tão bonita como você faz aqui nesse parque sozinha? – pergunta sentando-se.

— Eu vim com meu filho – acena para o garoto que retribui com um sorriso. Seu celular vibra avisando que a bateria estava próxima de descarregar – Droga – pragueja em baixo tom.

O homem pôde perceber a aflição que se formara no rosto da morena ao observar o aparelho que segurava nas mãos.

— Marido? – perguntou apontando para o celular.

— Como? – tirou a atenção do visor e olhou para o homem sentado ao seu lado. Cabelos loiros que se misturavam com o grisalho, olhos azuis, barba rala, uma roupa simples, próprios para o momento.

— Você deve está esperando alguma ligação – conclui – provavelmente deve ser do seu marido, certo?

— Não – sorri de canto voltando sua atenção ao celular – eu não sou casada.

— Isso é bom – olha para as pernas da morena que se encontravam cruzada – isso é muito bom – um olhar que não passou despercebido por Regina, fazendo-a descruzar as pernas desconfortavelmente e puxar a saia um pouco para baixo, como se pudesse cobrir toda aquela extensão – Não precisa ficar envergonhada, elas são lindas e o que é lindo precisa ser mostrado – fala voltando seu olhar para o corpo da mulher.

— Desculpa, eu preciso ir – lenvanta-se, mas o homem segura sua mão de forma brusca, impedindo-a de ir embora.

— Já que não é casada, você bem que poderia me dar seu número...

— Não é casada, mas está nos meus planos fazer esse pedido logo logo – o homem solta a mão de Regina no momento em que escuta uma terceira pessoa entrando na conversa.

— Emma – a morena anda depressa em direção a loira e envolve com seus braços o pescoço da outra abraçando-a – Você demorou, estava começando a achar que não viria.

— Desculpa – pediu depositando um selinho em seus lábios – mas agora estou aqui – sorriu.

— Vocês duas estão juntas?

— Sim, algum problema? – a loira pergunta erguendo uma das sobrancelhas.

— Não, só que... Eu não esperava – o homem fala surpreso – Seu filho sabe disso? – pergunta à morena.

— Isso não é da sua conta – Emma responde rispidamente.

— Verdade, não me diz respeito – continua – mas se fosse comigo, eu gostaria de saber.

— Cara, qual o seu problema? – a loira dá um passo aumentando a proximidade com o homem que ainda se mantinha sentado.

— Nenhum – responde despreocupado – Acho melhor eu ir embora.

— Finalmente concordamos em alguma coisa – fala encarando-o, o mesmo levanta-se e sai andando com um sorriso de sarcasmo no rosto – Você conhece esse idiota?

— Nunca o vi na vida – responde – Ele me deixou com medo.

— Eu sei que é difícil o que vou pedir, mas caso aconteça novamente, não demonstre receio. Homens assim prezam a vulnerabilidade das pessoas – a morena assente em resposta.

— Swaannnnn! – Joseph corre em direção a loira que rapidamente se abaixa e abre os braços para receber o garoto.

— Você cresceu ou é só minha impressão? – pergunta enquanto bagunça seus cabelos castanhos.

— Acho que cresci – responde dando de ombros.

— Também acho – olha pra morena que sorria ao vê-los tão próximos.

— Você vem brincar comigo?

— Antes eu preciso conversar com sua mãe – responde – Você se importa de esperar um pouquinho? – Joseph balança a cabeça negativamente – Ok, então volte a brincar que daqui a pouco me junto a você.

— Não me enrola em Swan – retruca tirando uma gargalhada de Regina.

— Você ouviu – reforça a resposta do filho que agora voltava pro balanço.

As duas sentam-se no banco. Emma se aproxima mais da outra e envolve Regina com seu braço, pousando-o de forma acolhedora sobre seu ombro, fazendo com que a mesma relaxasse em seu corpo. A morena, por sua vez, segura a mão de Emma que estava livre e entrelaça seus dedos.

O dia estava úmido, havia chovido a manhã inteira. O frio era reconfortante, o céu estava nublado, o sol se escondia por trás das nuvens como se precisasse de um descanso, as mesmas o cobria como uma mãe protege o filho.

— Como você está? – a loira pergunta calmamente enquanto observava Joseph conversando com outra criança.

— Bem – responde – agora estou bem.

— E não estava?

— Eu estava com saudade.

— Eu também – beija o topo da cabeça da morena e a aperta mais contra si – Você me pareceu tão preocupada quando me chamou aqui.

— E eu estava – afirma – ainda estou.

— Com o que exatamente?

— Ruby me ligou – responde.

— Que Ruby?

— A nossa Ruby, nossa amiga.

— A safada? – pergunta fazendo Regina dar um sorriso fraco.

— Essa mesma.

— O que ela disse?

A morena suspira antes de prosseguir.

— Cora está doente – responde após longos segundos.

— Ela disse de que? – pergunta demonstrando preocupação no tom da voz.

— Ruby contou que ela tentou se matar. Tudo indica que está com depressão – pausa – Ela fica chamando pelo meu nome, dá pra acreditar? – pergunta com irritação.

— Claro que dá, Cora é sua mãe e você é a única filha dela – Regina se desencosta da loira para olhá-la nos olhos.

— Como você pode agir assim?

— Agir assim como? – pergunta confusa.

— Com preocupação – responde – Parece que você esqueceu ou finge não se lembrar de todas as coisas ruins que ela fez pra você, pra mim e que no fim conseguiu separar nós duas – diz com raiva.

— Não – Emma segura novamente a mão da morena entrelaçando-as – no fim, toda a raiva que ela sentia, todas as discussões e brigas que causou, ameaças, o esforço para nos separar, tudo isso foi em vão. Olhe ao seu redor, Regina – pediu – Você está em um parque com o gramado verdinho, coberto por brinquedos, vendo seu filho se divertir com as outras crianças, está conversando comigo, sentada ao meu lado, segurando minha mão e podendo me beijar a hora que quiser. Você acha mesmo que ela conseguiu separar nós duas?

— Desculpa, mas quando eu paro pra pensar em todas as coisas que ela fez... Isso me deixa com raiva, me deixa triste – confessa.

— Então não pense – passa a mão vagarosamente acariciando o rosto da morena – Se não fosse por ela, você não teria tido Joseph – o que Emma acabara de falar era verdade. Se não fosse por Cora, Regina não teria visto a loira com outra, não teria ido para um bar, não teria enchido a cara, tampouco dormido com um estranho e engravidado – Eu não consigo mais imaginar nossa vida sem esse garoto – olha para a criança que agora descia no escorregador – Ele tem energia pra dar e vender.

— Você nem imagina o quanto – fala voltando a se aconchegar nos braços de Emma.

Silêncio.

— Ruby pediu pra eu ir vê-la.

— Você vai?

— Eu não sei – responde – O que você acha?

— Acho que a decisão é sua, mas se minha opinião vale de algo, eu iria sim. Mostraria pra ela que aquela garota que tanto tinha sob controle amadureceu, que agora tem seu próprio trabalho, sua própria vida e sua própria família.

— Você acha que ela mudou? – pergunta procurando conforto na resposta.

— Não tenho noção – responde olhando para longe – Talvez nesses dez anos que se passou ela tenha criado um pouco de juízo.

— Espero que sim – Concorda. A voz e a imagem de sua mãe brigando passava rapidamente em forma de flashs na sua cabeça – Emma – chama a atenção da loira, como se a simples pronuncia de seu nome fosse capaz de tirar todos os pensamentos e lembranças ruins de seu passado – eu gostaria muito que você fosse comigo.

A loira mantinha seu olhar adiante, observando cada detalhe daquele parque, mães conversando com outras mães, crianças brincando sem se preocupar em se sujar, um casal se beijava, outro conversava e um mais a frente parecia discutir.

— Você sabe que ela pode surtar, não sabe?

— Emma, se você não quiser ir tudo bem, eu entendo...

— Não é isso – interrompe – eu quero ir. Quero ver aquela cidade de novo, as pessoas, tomar café com canela na Granny. Será que a lanchonete ainda existe? – pergunta pensativa – A verdade é que eu só estou preocupada em como será a reação da sua mãe ao nos ver juntas novamente.

— Como você mesma disse, talvez ela tenha criado um pouco de juízo nesses últimos anos – conclui – e mesmo se ela surtar, se ela quiser fazer alguma coisa contra a gente, tudo vai ser em vão, nós continuaremos juntas, certo?

— Com toda certeza – diz beijando o rosto de Regina.

— Então – olha para a loira – isso é um sim?

— Sim – sorri – nós iremos para Storybrooke.

A morena se afasta rapidamente quando percebe seu filho correndo na direção das duas.

— Swan, você não vem brincar? – pergunta tentando recuperar o fôlego.

— Eu tive uma ideia melhor – se inclina como se fosse contar um segredo ao garoto – Lembra que eu prometi que nós assistiríamos desenho juntos?

— Lembro! – responde de imediato.

— Então, o que você acha de nós irmos pra minha casa e passarmos o restante da tarde assistindo? Você topa?

— Sim, eu super topo – responde animado.

— Você super topa? – Emma ri.

— Aham – concorda – Mamãe, você vai com a gente, né? – volta sua atenção à Regina.

— Eu posso ir, Swan? – encara a loira.

— Você é mais que bem vinda – responde.

♫♫♫

Joseph estava impressionado com o prédio onde Emma morava, não que fosse diferente ou melhor do que os outros da cidade, mas o garoto sempre morou em uma casa própria e quando ia visitar algum amigo da sua mãe ou sua tia, ele não podia brincar – pelo menos não como queria – pois precisava se comportar. Mas com a loira era diferente. Quando sua mãe estava com Emma, ela não chamava sua atenção sem necessidade.

— Esse é meu castelo – a loira fala abrindo a porta de seu apartamento – a realeza agradece desde já sua presença – fala olhando para o garoto que sorri – Vamos, entre – ambos entraram – Jos, o controle da TV está na estante, pode ligar se quiser. Vou preparar alguma coisa pra comermos, alguma comida preferida?

O garoto olha para sua mãe que ainda não falara nada, apenas observava a interação entre os dois com um sorriso no rosto.

— Eu adoro pipoca, sorvete, chocolate, lasanha, suco de laranja...

— Você não pode comer isso tudo, espertinho – Regina interrompe.

— Vou trazer pipoca e suco de laranja, depois convencemos sua mãe a liberar mais alguma coisa, certo? – fala em um tom baixo na orelha do garoto.

— Certo – ele sussurra em resposta.

— Muito engraçado vocês dois, falam como se eu não tivesse perto o suficiente pra escutar – diz fazendo os dois rirem.

Joseph pega o controle da TV e a liga.

— Volto em um instante – a loira fala se dirigindo à cozinha.

— Você quer ajuda? – Regina pergunta.

— Dessa vez não preciso – responde a morena que a encarava com um olhar duvidoso – é sério – Emma confirma – eu só preciso colocar a pipoca no micro-ondas, o suco já está pronto. Eu não vou colocar fogo na casa, prometo.

— Okay – responde – Se bem que eu te atrapalharia mais do que ajudaria – diz arqueando a sobrancelha como se a provocasse.

— Minha impressão – se aproxima da morena – ou você tem um tesão na minha cozinha? – pergunta tomando cuidado para que Joseph não escutasse.

— Na cozinha não – retruca – mas na dona dela sim, na verdade, muito.

— Pois você vai ter que se segurar, porque a dona da cozinha tem visitas e uma delas é uma criança.

Regina ri.

— Boba, eu não sou louca – diz – só estava te tentando.

— E quase conseguiu – conclui.

— Swan, você está demorando – Joseph chama atenção.

— Não é minha culpa – se defende – sua mãe que está me distraindo.

— Está o que? – pergunta ficando de joelhos no sofá e olhando para as duas que ainda se encontravam no hall do apartamento.

— Me distraindo – responde – Você não sabe o que é distração? – o garoto balança a cabeça negativamente – É quando a pessoa perde a atenção no que está fazendo ou no que vai fazer, e sua mãe está fazendo isso. Ela está me distraindo e tirando a minha atenção no que eu deveria está fazendo, conseguiu entender? – pergunta receosa com a explicação.

— Entendi – Joseph olha para Regina – Mamãe, não tire a atenção da Swan, eu to com muita fome – fala mexendo o indicador no ar como se estivesse dando uma bronca na morena.

Regina ri.

— Tudo bem – ergue as mãos em rendição – não vou mais distraí-la.

— Eu agradeço – Emma retruca sorrindo e anda em direção à cozinha.

Cerca de dez minutos depois Emma volta com uma bandeja nas mãos, contendo três copos com suco de laranja e uma grande tigela com pipoca.

Regina mantinha as pernas cruzadas como se estivesse em um jantar importante e não na casa da namora em um simples lanche da tarde. Joseph, ao contrário da mãe, havia tirado seus sapatos e estava confortavelmente no sofá.

— Pronto – Emma coloca o lanche sobre a mesinha de centro e senta ao lado vazio do garoto que assistia atenciosamente Bob Esponja – Então você gosta do calça quadrada?

— É o meu preferido – responde sem tirar a atenção da TV – você gosta? – pergunta olhando-a.

— Sim, eu adoro – fala – Qual seu personagem preferido?

— Bob Esponja, e o seu?

— Eu me identifico com o Patrick, às vezes eu sou meio lerda igualzinha a ele – sorri – Mas também gosto do Lula Molusco.

— Sério? – o garoto pergunta arqueando uma sobrancelha igual como Regina fazia.

— Sim – responde – ele me lembra do humor de uma pessoinha acolá quando está com raiva – fala olhando para a morena.

— Ei! Eu estou no meu canto, não estou mexendo com ninguém, nem sendo mal humorada – diz fazendo seu filho rir – Vocês que estão perdendo tempo conversando, daqui a pouco eu termino de comer toda a pipoca e vocês nem se quer provaram.

Joseph e Emma se entreolham e enchem ambas as mãos de pipoca, como se estivessem cuidando para que a morena não comesse tudo sozinha.

Quando terminaram de comer, continuaram assistindo sem se preocupar com a hora, com o tempo que passaram no parque conversando, ou com o tempo assistido desenhos, sem se preocupar com nada. Eram apenas eles e eles.

Aos poucos o garoto se entregou ao cansaço, encostou a cabeça no colo de Regina e colocou as pernas sobre as da loira. Quando menos esperavam Joseph havia pegado no sono.

— Emma – a morena sussurra chamando a atenção da outra que estava concentrada assistindo Apenas Um Show – Emma – fala um pouco mais alto sem sucesso – Emma Swan!

— Oi – fala como se estivesse saído de um transe.

— O Joseph dormiu – fala – você tem algum quarto de hóspedes que eu possa colocá-lo?

— Algum problema com o meu?

— Não – responde – só não tinha certeza se você concordaria, tem pessoas que não gostam...

— Pessoas que não me incluem – interrompe – quer dizer, ate me incluem, mas não quando se trata de vocês – completa – Pode deixar que o levo – fala levantando calmamente as perninhas do garoto para que não o acordasse.

Emma levanta-se e se aproxima de Joseph, coloca suas mãos abaixo de seus braços e o levanta para próximo de seu corpo. Instantaneamente a criança descansa sua cabeça sobre seu ombro. A loira o leva ate seu quarto e o deita envolvendo-o com o cobertor. Deixa a porta encostada e volta para a sala, encontra Regina da mesma forma, mas dessa vez apoiava o rosto em uma das mãos que estava sobre o braço do sofá.

— Por que você não relaxa? – pergunta sentando-se ao lado da morena.

— Eu estou relaxada – responde.

— Não parece – fala tirando sua atenção da TV que agora estava dirigida a ela – O que? É sério, olhe pra você – pede – nem descansou as pernas direito, não tirou esse salto, não descruzou as pernas um momento e mal falou desde quando chegamos aqui.

— Você está na sua casa de jaqueta e de botas, então não venha falar que não estou relaxada – diz.

— Okay, você me pegou – fala retirando as botas e a jaqueta, mostrando uma camiseta cinza debaixo da mesma, camiseta na qual contornava bem sua cintura e seios – Sua vez.

— O que você quer que eu faça? Tire a roupa?

— Não seria má ideia – responde fazendo a morena revirar os olhos – Apenas tire esses saltos, coloque os pés sobre o sofá, se quiser pule, não me importo. Quero apenas que se sinta em casa – conclui.

Regina nada responde. Descruza as pernas, baixa as mãos na altura dos pés e retira os saltos.

— Desculpa se não falei muito – corta o silencio que havia tomado conta do lugar por alguns segundos – Eu estava muito ocupada observando vocês dois conversarem, parece ate que se conhecem há tempos.

— Louco, não? – Emma sorri.

— Louco não – responde – lindo sim – também sorri.

Emma aproxima-se de Regina fazendo-a deitar no sofá. A loira que agora estava por cima da mesma, torna a observá-la. Emma desce seu rosto ate o pescoço da morena, passa seu nariz sobre a região sentindo seu cheiro. Beija. Sobe seus lábios de encontro aos vermelhos de Regina. A mulher se encontrava com os olhos fechados, apenas sentindo o contado da loira em si. Emma contempla a morena por mais alguns segundos. Sua boca entreaberta dava sinal de que poderia invadi-la a qualquer. A proximidade entre elas sempre trazia a euforia, o conforto ou simplesmente a calma, tudo dependia do momento.

Regina leva a mão ate a nuca de Emma e afoga seus dedos nos longos fios loiros, trazendo-a mais para si e acabando com os poucos centímetros de distância que havia entre elas. A morena a beija calmamente, suga seu lábio inferior e logo o superior, com sua língua pede passagem para adentrar mais a boca da loira, que não demora a ceder. Emma encaixa suas pernas nas de Regina, pressiona o corpo contra a outra aumentando mais ainda o contato. Os beijos passam a ser mais urgente, a loira passa a mão com desejo no corpo de Regina, da cintura ao seu quadril. A morena para de beijá-la e a afasta. Emma abre os olhos e a encara, Regina estava com uma ruga de preocupação na testa, deixando-a confusa.

— Eu fiz algo de errado? – a loira pergunta.

— Não – reponde – Nós não deveríamos fazer isso aqui – continua – não correndo o risco de Joseph aparecer a qualquer momento.

Emma sai de cima da morena e deita ao seu lado, de modo que ambas ficassem uma de frente para outra observando cada detalhe de seus rostos.

— Não é só isso – a loira afirma – No que você está pensando?

— No homem do parque – por fim responde – Estou pensando em contar a Joseph sobre nós.

— Você tem certeza disso? – pergunta.

— Na verdade não.

— Então por que você não espera mais um pouco? – mantinha o contato com os olhos da outra – Ele ainda é tão novo pra entender uma coisa tão complexa.

— Você acha que ele não entenderia?

— Talvez sim, talvez não, talvez ele fique confuso – afasta calmamente a mexa de cabelo negro que insistia em cair sobre o rosto da morena – talvez ele goste da ideia de ter uma segunda mãe, talvez ele fique com medo de ter uma terceira pessoa em sua vida. As alternativas são múltiplas – continua – Mas seja qual for sua escolha, tenho certeza que ele não reagirá tão mal quanto deve estar pensando – tenta acalmá-la – Ele é seu filho e eu posso ver estampado em seu rosto o quanto Joseph te ama – conclui – Não se preocupe, só trata de desmanchar isso – passa os dedos lentamente entre suas sobrancelhas franzidas.

Regina relaxa o rosto no momento em que a loira toca sua pele e troca o que antes era uma ruga de preocupação, por um largo sorriso em seus lábios. A morena aproxima-se mais de Emma deitando-a de modo que ficasse por cima da loira. Regina se põe sobre seu abdômen, deixando uma perna em cada lado. A morena beija o rosto da mulher terminando em sua boca. A beija com cuidado, com a mesma calma que a beijara antes de interromper o contato, mas dessa vez eram finalizados com mordidas, fazendo com que Emma gemesse baixo pela fina dor e arfasse pela excitação.

— Eu amo sua barriga – Regina sussurra na orelha da loira enquanto adentrava suas mãos por baixo da camiseta, apertando sua cintura e passando suas unhas por toda a extensão. A morena sobe a peça de roupa, tirando-a do corpo de Emma – Também amo seus seios – sussurra mais uma vez próximo ao ouvido da loira, mordendo o lóbulo de sua orelha. Volta sua atenção para o sutiã que rapidamente desabotoa, dando a visão perfeita dos seios de Emma. Beija o pescoço branco da mulher e desce aquela extremidade com fortes chupões que provavelmente deixariam marcas em seu corpo.

— Regina – diz com a voz entrecortada – o Joseph pode acordar...

— Shhhh – a morena deposita um selinho em seus lábios impedindo-a de continuar a falar – Hoje você é minha, Emma.

A loira nada mais fala, apenas espera o contato de Regina o que não demora muito a acontecer. No momento em que a morena toca os seios de Emma, a loira arfa de excitação. Regina beija o seio esquerdo da loira como se estivesse beijando-a, suga com vontade, enquanto no direito, deixa sua mão acariciando-o. A atenção é dividida cuidadosamente entre ambos. Regina se afasta e desce as mãos para desabotoar a calça da loira, retira-a rapidamente e deita sobre Emma, encaixando-a suas pernas. A morena volta a beijá-la antes de fazer qualquer coisa.

Emma por sua vez, passeava as mãos pelo corpo da mulher. Retirou a blusa da morena que estava por dentro da sua saia social, aumentando o contato entre suas peles. Seus dedos desceram calmamente por suas costas ate o início das coxas, adentraram a saia de Regina e pararam em sua bunda, segurando-a e apertando-a.

Regina desce sua mão pelo corpo seminu da loira, coberto apenas por uma calcinha. Adentra sua mão sob a peça íntima e a penetra com dois dedos, fazendo Emma morder seus próprios lábios abafando um gemido. A morena que agora aumentava as estocadas, voltara novamente a atenção para os seus seios fazendo o que fizera há alguns minutos.

Emma remexia seu quadril de acordo com os movimentos da outra dentro de si. Nunca ninguém lhe proporcionou a sensação e o prazer que Regina lhe proporcionara. O prazer parecia ser diferente, parecia que com ela sim era o que se chamava de euforia, de excitação, de encanto, de enlouquecimento. Não só pela morena ter sido sua primeira, a primeira pessoa a se entregar, a primeira pessoa a amar, mas sim por ter sido a única. A única pessoa que Emma amou de todas as formas e que jamais mudara o sentimento, por mais que tenha passado anos tentando esquecê-la, ele nunca se escondeu, nunca foi embora, pelo contrário, continuou lhe assustando, lhe mostrando presença, continuou ali.

Regina retira seus dedos de Emma assim que percebe seu corpo contorcendo mais do que deveria. Puxa sua calcinha que ainda estava no caminho e desce sua boca de encontro ao seu sexo. No momento em que a língua da morena a penetra, Emma arqueia as costas e segura os cabelos negros da outra, como se a impedisse de quebrar o contato. A morena lambia toda a extensão de seu sexo, deu uma pequena mordida em seu clitóris fazendo com que Emma gemesse por conta da dor que lhe causara. Levou seu polegar ao lugar que acaba de morder e tornou a fazer movimentos circulares enquanto continuava lhe penetrando com a língua.

Não demorou muito para que o corpo de Emma começasse a mostrar que o orgasmo estava próximo. Regina continuou ali aumentando os movimentos ate que a loira não pôde aguentar e acaba gozando. Todo seu corpo estremece, suas costas arqueadas mostravam o quanto havia sido intenso, seu gemido percorreu por toda a sala. Regina sai lentamente de dentro da outra e lambe seus próprios lábios que se encontravam molhados com o gosto da loira. Deita sobre Emma que ainda se mantinha extasiada. Deposita um beijo calmo em seus lábios e aos poucos que Emma se recupera, inverte as posições.

Quando a loira já estava prestes a abrir o fecho do sutiã da morena, ambas são interrompidas com um choro fraco que vinha do quarto de Emma. Regina rapidamente afasta a loira de si, procura sua blusa que estava no chão ao lado do sofá e a veste.

— Será que ele nos ouviu? – Emma pergunta receosa.

— Ele acabou de acordar, não se preocupe. A maioria das crianças que acordam sem a presença dos pais sente medo – responde – mas talvez seu gemido tenha ultrapassado as paredes da sala – sorri deixando a outra desconcertada – Trata de se vestir.

♫♫♫

Joseph acordara chamando pela tia, Regina o acalmou dizendo que logo iriam pra casa. Quando Emma já estava devidamente vestida, se dirigiu ao cômodo dizendo que se quisessem poderiam pedir a janta e que não tinha problema de dormirem no seu apartamento, mas a morena achou melhor voltar para casa. A loira se ofereceu para levá-los, Regina agradeceu, mas disse que Addison já estava a caminho.

Os três desceram para o térreo, que não demorou muito para a ruiva aparecer. Joseph correu de encontro à tia, se despediu de Emma com um abraço e um beijo em seu rosto. Regina falara que fazia cerca de três dias que o garoto não via a mulher e que ele sempre sentia carência quando isso acontecia, tanto com a ruiva quanto com ela.

Addison cumprimentou Emma com um belo sorriso no rosto, pôde perceber no brilho dos olhos da amiga o quanto aquela mulher lhe fazia bem. Segurou Joseph em seus braços e disse que esperava a morena no carro, dando um tempo para que ambas se despedissem como mereciam.

A loira se aproxima de Regina e lhe abraça. A morena que retribui o contato pousa sua cabeça no ombro de Emma, de modo que sentisse o cheiro do seu pescoço. Regina passa alguns segundos nos braços da loira, sentindo o corpo da outra contra o seu. Volta a olhá-la nos olhos e ver o quanto estava feliz, o quanto Emma lhe amava, não precisava de nenhuma frase, de nenhuma palavra, bastava apenas olhar nos olhos verdes da loira e ver a luminosidade que pairava sobre eles. A forma que Emma lhe olhava nunca ninguém lhe olhara antes. Não sabia explicar ao certo, mas era como se Regina fosse a Mona Lisa e Emma uma fanática por arte que a admirava constantemente, que buscava em cada detalhe do seu rosto, de seus gestos e sorriso algum segredo, algo novo para desfrutar.

Regina afasta os poucos fios dourados que caiam sobre rosto da loira e a beija com delicadeza, dessa vez envolvendo apenas lábios. Emma a segura pela cintura pressionando mais ainda o contato em seu corpo e finaliza o beijo com “Por sorte hoje escapou, mas na próxima você será minha” diz tirando um riso maravilhoso da boca da morena. Regina dá um rápido selinho na loira e se dirige ao carro.

O restante da noite fora calma para ambas as mulheres. Regina não recebera chamadas de emergências do hospital e Emma não recebera se quer um e-mail da delegacia, o que a deixou muito feliz já que ninguém interrompera seu tão amado CSI.

A morena preparou a janta com a ajuda de Addison. Há tempos as mulheres não tinham um momento como aquele, um momento como amigas, como irmãs ou simplesmente como família. Em todo o momento elas conversavam, tanto sobre o trabalho, quanto sua rotina e claro, sobre Emma, inclusive sobre Joseph quase ter pego as mulheres em um momento íntimo. Regina se arrependeu em ter contado o quase incidente no momento em que Addie começara a fazer perguntas do tipo “Como ela é na cama?” e piadas do como “Quero brincar de cobra e Eva e fazer alguém provar do meu fruto proibido”, ambos os comentários Regina presenteava a amiga com um tapa no ombro a repreendendo.

Apesar dos comentários de Addison com duplo sentido, a janta seguiu tranquila. Quando já estava tarde e o sono já rodeava a todos, Joseph perguntou se podia dormir com sua tia, a ruiva concorda, os dois apenas esperavam pela resposta de Regina que, para a surpresa de todos, foi “tudo bem” já que a morena acreditava que o garoto estava crescendo e não precisava de tantas manhas, os dois duvidavam que essa seria a resposta.

Of Monsters and Men — Love Love Love ♪♫♪

Quando Regina já estava em seu quarto, com sua calça de moletom e uma blusa de manga longa, deitada na sua cama, passou a pensar em todas as coisas que acontecera naquela tarde. Pensou sobre no que o homem da praça lhe dissera, pensou na forma protetora como Emma reagiu, na forma que ela falou de Cora, sem nenhum rancor, sem nenhuma indiferença. Pensou em como seu filho e a loira se davam bem e em como os dois pareciam ter a mesma idade quando o assunto era desenho animado. Lembrou-se dos lábios da loira juntos aos seus, ainda podia sentir a loira totalmente entregue à ela, os seus corpos colados, suas pernas entrelaçadas, seus seios rígidos e sua respiração ofegante. Sorriu ao lembrar-se de como Emma ficara desconcertada quando Joseph acordou e de como lhe abraçara na saída. “Por sorte hoje escapou, mas na próxima você será minha”, mal sabia a loira que Regina lamentava o ocorrido e que para ela não fora sorte, e sim azar.

Seu celular vibra avisando que alguém estava lhe ligando. Antes de alcançá-lo, a morena pensa ser alguém do hospital, mas quando lê o nome no visor abre um largo sorriso.

— Está tudo bem? – pergunta em um tom calmo.

— Sim – Emma responde do outro lado da linha – Eu estava pensado em você e na nossa tarde juntas – pausa – Foi muito bom te ver, ver vocês dois.

— Foi muito bom, muito bom mesmo – reforça.

O silêncio predomina entre as duas por alguns segundos.

— Quando estou com vocês, sinto como se eu tivesse encontrado o que é meu por direito, por necessidade ou simplesmente por destino.

— Eu sei o que está sentindo – conclui – porque é exatamente como eu me sinto.

— Desculpa por estar te ligando essa hora, mas eu não conseguiria dormir sem te dizer isso.

— Não se desculpe – pede – É sempre bom escutar sua voz.

Enquanto para muitos o silêncio é constrangedor, para elas, o silêncio era algo acolhedor. Enquanto uma o usava para pensar nas palavras que diria, a outra o aproveitava para ouvir qualquer ruído no outro lado do telefone.

— Eu quero que você saiba que – interrompe o silêncio – que eu te amo.

— Eu também te amo, Emma – afirma.

— Não esquece disso, por favor.

— Eu prometo que não vou esquecer.

As duas continuaram com o telefone próximo da orelha. Mais nenhuma palavra foi dita, nenhuma promessa, nenhum pedido e como por um descuido, adormeceram escutando a respiração uma da outra.

Notas finais
Esperando os comentários de vocês, beijOUs.