Nossa Música
20 Euforia
Notas iniciais
Regina estava em sua cama no dormitório do hospital. Mexia-se de um lado para o outro buscando sono. Seu corpo descansava sobre o colchão, mas sua mente estava na cirurgia que estava próxima a realizar.
Era por volta das oito da manhã. A morena passara a noite fazendo plantão, cuidou de inúmeros casos, ate mesmo diagnósticos que não coincidiam com sua área. Lembrou-se que Addison estava de folga e provavelmente cuidando de Joseph. Sorriu com o pensamento. Addison sempre fizera o que estava em seu alcance em relação ao garoto. Se ele pedisse um hipopótamo, certamente ela não daria, porém, a ruiva pesquisaria sobre o assunto, tanto pela possibilidade da compra, quanto pelo valor sugerido.Regina repreendia a amiga constantemente. Dizia que estava na hora de parar com os mimos aquela criança, caso contrário suas birras aumentariam ao receber um "não".
Pegou o celular que estava sob o travesseiro, digitou algumas palavras e as enviou.
"Emma?", esperou alguns segundos e logo sentiu o telefone vibrar, avisando que acabara de receber uma nova mensagem.
"Oi :) Ta tudo bem?", a loira havia estranhado o SMS. Regina não era o tipo de pessoa que mantinha contato por mensagens, tanto por telefone, quanto virtualmente. Preferia realizar uma boa e velha ligação ou tratar dos assuntos pessoalmente.
"Só um pouco ansiosa, mas de resto ta tudo bem", respondeu.
"Hmmm. Posso saber o motivo dessa ansiedade, Dra. Mills?", Regina riu ao lê-la.
"Depois do almoço farei uma cirurgia um tanto delicada."
"Imaginando aqui porque não escolhi ser cirurgiã :/"
"Você fez bem, acredite ;)"
"Mas parece ser tão legal..."
"Não é legal operar um coração que está batendo em suas mãos. Principalmente sabendo que caso não tiver cuidado suficiente, qualquer artéria pode ser rompida e consequentemente matar o paciente."
"WOW :0 Okay, parei. Não quero mais ser cirurgiã."
"Hahahahahaha", riu imaginando a cara que a loira havia feito ao ler sua mensagem.
Conversar com Emma sempre a deixava bem, sempre fazia com que seus problemas e suas preocupações fossem dizimadas. A morena já se sentia mais calma, não sabia ao certo como a loira possuía esse efeito sobre ela, mas sabia que era bom, muito bom e confortante.
"Você não deveria estar descansando?", chegara o SMS depois de alguns minutos.
"Eu estou", confirmou.
"Mas você está conversando comigo :X", a loira retrucou.
"Você é o meu descanso, Emma."
O silêncio se estabeleceu. Não um silêncio comprometedor ou com qualquer constrangimento, pelo contrário, a loira apreciou cada palavra digitada por Regina. Não sabia ao certo o que dizer, eram tantas coisas, tantas frases guardadas, tanto sentimento sufocado. Passara noites em claro pensando no que diria quando a reencontrasse, mas no momento temia ser cedo demais.
Emma sentia-se mal quando voltava ao passado em seus pensamentos. Sentia que poderia ter feito mais, mas não fez e isso corroía inteiramente seu corpo, principalmente seu coração e sua mente. Doía lembrar das vezes que poderia ter dito que a amava, mas não disse, das vezes que poderia tê-la abraçado, mas não abraçou, do perdão que poderia ter dado, mas não deu.
Emma queria fazê-la feliz, Emma queria ser feliz, mas temia constantemente a sua perda. Tinha medo que a morena a abandonasse, que aquela dor insuportável voltasse para si. Não, ela não seria capaz de suportar tudo aquilo mais uma vez e esse era um dos principais motivos para manter a calma no relacionamento, pois talvez assim, a possível dor fosse amenizada.
Regina já havia pegado no sono quando sentiu o celular vibrando novamente.
"Eu preciso te ver", a morena abriu um sorriso ao lê-la. Nada mais foi respondido, apenas pegou o aparelho, bloqueou o teclado e colocou novamente sob o travesseiro. Não demorou muito para que voltasse a dormir, dessa vez com um semblante sereno, sorrindo como quem pensa em algo bom. Aquilo sim era algo bom, era maravilhoso.
♫♫♫
Era a primeira vez que Regina faria uma revascularização com o coração batendo. Ela já havia feito várias outras, porém, não daquele tipo, não com a porcentagem elevada de risco como aquela trazia. Normalmente fazia revascularização com circulação extracorpórea convencional, que nada mais é do que a realização da cirurgia em um coração parado, uma máquina coração-pulmão se incumbe da função do seu coração e pulmões durante a cirurgia. Ela possui uma bomba funcionando como o coração e um oxigenador de membrana para funcionar como os pulmões.
A morena acorda e olha para seu relógio de pulso. Era meio dia, ela precisava comer, tomar um banho, se vestir e esperar para que seu bip avisasse o momento para ir ao centro cirúrgico.
Levantou-se, amarrou o cabelo em um rabo de cavalo e se dirigiu ao refeitório. Comeu o suficiente para que não ficasse com fome e muito menos passasse mal durante o período que ficaria sob pressão. Quando terminou, voltou para o vestiário e tomou um banho quente e bem calmo. Agradeceu por não existir banheira como em sua casa, pois certamente ficaria de molho ate o último segundo. Vestiu-se e não demorou muito para que seu bip avisasse que estava na hora.
Adentrou na sala, colocou sua touca cirúrgica branca repleta de maçãs desenhadas. Lavou as mãos devidamente e pôs as luvas. Respirou fundo e foi em direção ao paciente que estava rodeado de enfermeiros, anestesistas e claro, Regina.
A morena olhou para a sala que havia por trás da vidraça. A bancada estava cheia, pode observar cirurgiões, residentes e o chefe Webber, ambos esperando para realização da cirurgia. Voltou seu olhar para o paciente e tentou tirar da cabeça todas aquelas pessoas.
O paciente era um homem de trinta e três anos, com um coração bastante fraco para sua idade. Suas artérias não podiam fornecer sangue para seu coração, optou por essa revascularização depois que Regina explicou todos os riscos, mencionou principalmente que não aguentaria o medicamento para parar seu órgão cardiovascular e que provavelmente o mesmo pararia de vez, assim causando sua morte. Claro que ambas as opções havia seus riscos, mas a com o coração batendo, por mais que fosse pouca, existia uma certa margem de sucesso.
Primeiramente, Regina removeu uma seção da veia de sua perna, assim criando um enxerto. Uniu uma ponta do mesmo a uma região do coração acima do bloqueio da artéria. Cuidadosamente, prendeu a outra ponta na artéria coronariana abaixo do bloqueio. Percebeu que o enxerto estava preso, o fluxo sanguíneo do seu coração agora estava se restaurando aos poucos.
Seu desafio era suturar o órgão que batia constantemente, sem nenhuma paralisação. Olhou para a bancada e viu todos os olhares voltados para si, parecia que ninguém piscava para não perder o momento mais tenso da cirurgia. Respirou fundo e encarou o coração que pulsava em suas mãos. Regina precisou usar um sistema de estabilização para mantê-lo fixo. Consistia em um posicionador e um estabilizador de tecido.
O posicionador guiou e manteve o órgão em uma posição que forneceu melhor acesso as artérias bloqueadas. Já o estabilizador de tecido, mantinha uma pequena região do coração parada enquanto Regina trabalhava nele. A morena perguntou as horas a uma das enfermeiras. “Três e quarenta e oito da tarde”, ela já estava acostumada com o passar do tempo na sala de cirurgia. Parecia que adentrava aquele recinto e já se passara meia hora.
Tratava cada paciente com o maior cuidado possível, tratava de um jeito que muitos não faziam e se faziam era por pressão do chefe. Muitos médicos apenas olhavam o prontuário, diagnosticavam, fazia o que tinha de ser feito e muitas vezes da forma mais fácil, causando sequelas e ate mortes. Regina não condenava nenhum deles, apenas pensava de uma forma diferente. Tentava olhar pelo lado do paciente e de sua família. Pensava que caso alguém importante viesse adoecer, queria que os tratassem da melhor forma possível.
Sempre conversava com seus familiares, tentava explicar o que estava ocorrendo, os riscos, as consequências, tudo o que uma pessoa deveria saber, principalmente de alguém tão significante. Se fosse preciso dar uma de psicóloga, ela daria. O importante para a morena era ver um olhar confortável e compreensivo tanto de quem estava prestes a encarar o bisturi, quanto aqueles que ficavam na sala de espera.
Não se preocupava com o que falavam. “Ela faz isso pra ganhar mérito”, “Regina é babona do chefe”, “Isso é tudo pra entrar na lista dos futuros chefias”, ela simplesmente não ligava. Para a morena, a única coisa que realmente importava era saber do bem estar de cada um que passasse pelas suas mãos e daqueles que querendo ou não viriam juntos no pacote. Fazia isso pela sua própria consciência.
Se ela já havia perdido algum paciente? Sim, como qualquer outro no setor cirúrgico. Por mais que possuísse o menor índice de mortalidade, a perda de alguns foi inevitável. Sentia-se culpada, porém, estava ciente de que não era nenhum deus e tudo o que fazia era o que estava em seu alcance e continuaria assim, fazendo o possível e o impossível para salvar a vida de qualquer um.
Muitas vezes o Chefe Webber a repreendia por agir daquela forma, por se envolver emocionalmente com alguém que provavelmente só a veria três vezes na vida: no diagnóstico, no dia da cirurgia e no “resultado final”, pois depois disso, sua recuperação seria acompanhado por residentes ou por próprios enfermeiros.
Regina voltou a si quando sentiu o anestesista tocando seu braço. Ele estava ao seu lado observando todo o processo, caso houvesse alguma resistência para o efeito devido da anestesia. A cirurgia era longa, consequentemente os riscos maiores, se prevenir era algo indispensável.
Segurou firme as ferramentas que estavam em suas mãos, olhou para o enxerto e o colocou calmamente no vaso bloqueado. Alguns residentes se levantaram da bancada, como se fosse possível enxergar melhor pela vidraça do que pelo monitor que os mostravam minuciosamente cada passo.
Regina comemorou internamente aquele momento do encaixe.Não demorou mais que dez segundos aquele momento de êxtase, pois ainda precisava focar na sutura. Aprofundou seus braços no tórax do homem, procurando o melhor ângulo para que aquilo fosse concretizado.
O coração batia entre seus dedos, por mais calmo que parecia, qualquer desleixo levaria àquelas horas para o lixo. Deu o primeiro ponto. Lembrou-se do seu professor militar, de quando levava animais mortos, especificamente porcos para simular cirurgias. Lembrou do dia que o mesmo trancafiou dez alunos recém formados em uma sala com vários kits de materiais simples, sem nenhuma ferramenta específica. Aquela frase jamais sairia de sua cabeça “O destino dos seus pacientes está nessa sala, nesses porcos. Deem o seu melhor. Se virem”, passou por cada suíno e cortou seu peito, fazendo com que o sangue jorrasse por todo o lugar, lembrou que caso a sutura não segurasse o corte, o indivíduo não sobreviveria por muito tempo. Precisava estancar, ver o tamanho da lesão, os órgão afetados, precisava de exames, exames no qual não poderia desfrutar.
Enquanto a maioria entrara em desespero para pegar as ferramentas ali fornecidas, Regina fez exatamente a mesma coisa que fizera quando encarou o peito do homem aberto sobre a mesa: respirou fundo. Pegou apenas um bisturi, gases e o kit de sutura que tinha para todos que estavam ali. Fez tudo devidamente com calma, sem pressa. Viu alguns de seus colegas desesperados atrás de sabe-se lá o que, ao invés de se preocupar com o sangue que escorria compulsivamente pelo animal. “A pressa é inimiga da perfeição”, nesse dia, Regina foi a prova que cada palavra desse ditado era a pura verdade. Fora a terceira pessoa a terminar o procedimento, mas foi para ela, apenas ela que o professor torceu seu orgulho e a parabenizou. Recebeu um apelido carinhoso do próprio “mãos de rainha”, por toda sua delicadeza a tratar aquele pobre porco.
Enquanto viajava novamente em lembranças, despertou com uma audível salva de palmas. Olhou para o coração que estava perfeitamente suturado. Agora sim, ela poderia aproveitar aquela sensação de êxtase, principalmente a do peso que estava em suas costas. Abriu um largo sorriso ao perceber o que havia feito. Todos a aplaudiram, o chefe pisco seu olho esquerdo como quem diz “Essa é minha garota”, fazendo-a sorrir mais ainda.
Aproveitou para dar a honra ao seu aluno residente, deixando-o fechar o peito do homem. Acompanhou cada movimento do estudante, deu dicas e o orientou devidamente. Quando terminou,recebeu parabéns de várias pessoas que presenciaram o momento, mas quando a oportunidade surgiu, a morena não deixou passar e saiu.
♫♫♫
Era fim de tarde. Emma já havia chegado em casa. Seu dia no trabalho tinha sido calmo, com algumas ocorrências, alguns chamados, dois assaltantes foram presos, algo normal para o seu cotidiano. Passou a maior parte do seu dia pensando como seria o procedimento que Regina faria, torcia para que a morena desse seu melhor e conseguisse alcançar sua meta. O que mais queria era vê-la, dar os parabéns pessoalmente, caso as coisas não fossem como imaginava, queria poder consolá-la.
Estava com o cabelo amarrado em um coque meio desleixado, usava seus óculos de grau, pois suas lentes haviam deixado seus olhos irritados, que por sinal fazia tempo que não o utilizava. Vestia uma blusa lisa branca de manga longa, que a franzira ate os cotovelos, o tecido marcava perfeitamente sua cintura. Usava um short jeans frouxo, com alguns fiapos descendo sobre suas coxas.
Estava esparramada no sofá. Deixou seu celular próximo de si no volume máximo, caso a morena ligasse ou mandasse SMS, ela poderia ouvir no mesmo segundo.Passava os canais de TV como se pudesse assistir todos aomesmo tempo, sem parar para ouvir o que qualquer pessoa falasse. Era como um refúgio paraque o tempo passasse e aquele telefone tocasse.
Queria ligar paraela, mas tinha medo de que estivesse em cirurgia e de alguma forma interrompesse o que quer que estivesse fazendo, por isso preferiu esperar. Talvez Regina já estivesse em casa com Joseph, talvez estivesse preparando o jantar, talvez tivesse esquecido-se das mensagens trocadas mais cedo e do pedido para vê-la, talvez fosse um mal entendido, talvez...
A campainha tocou. Emma se espreguiçou e andou ate a porta, a abriu sem saber quem poderia ser, afinal não estava esperando por ninguém. Pensou que fosse qualquer pessoa, qualquer uma, menos aquela mulher, menos Regina.
— O que faz aqui? – perguntou surpresa com a visita. Passou os olhos rapidamente sobre a silhueta da morena, estava com uma saia pretacintura alta e uma blusa vermelha por dentro e salto alto da mesma cor da saia. Magnífica, foi a palavra que Emma a definiu no momento. Sua boca estava com pouco batom, provavelmente não teve tempo de retocar.
— Eu quis fazer uma surpresa. Fiz mal? – perguntou ao observar a cara de susto que a loira havia feito –Se tiver ocupada eu venho outra hora –deu um passo para trás, como se estivesse se retirando do local que nem ao menos adentrou.
— Te ver nunca faz mal –Emma segurou calmamente seu braço a impedindo de ir embora – E não, eu não estou ocupada –sorriu olhando rapidamente para o interior do apartamento e lembrando-se do que estava fazendo – Entra – pediu.
Regina entrou e observou todo o local. O apartamento era muito bonito, espaçoso para alguém que no momento morava sozinha, pôde observar algumas caixas de mudanças que ainda estavam espalhadas pelo local.
— Eu não esperava uma visita, por isso a bagunça – a loira tentava se justificar ao perceber o olhar da morena sobre o lugar.
— É a sua cara – Regina sorriu encarando-a. Levou sua mão a mão branca da mulher e entrelaçou seus dedos –Élindo, Emma, ate a bagunça – automaticamente a loira abriu um sorriso. Sentiu o corpo arrepiar pelo encontro das mãos. Era tãobom sentir a presença de Regina, podia ver que aquela garota de apenas dezessete anos ainda estava ali, que os anos passaram, mas seus sonhos ainda tomavam conta daqueles olhos castanhos e isso era algo que Emma sempre prezou.
— Cinco horas– a loira sussurrou enquanto olhara os ponteiros do relógio.
— Como?
— Quero te mostrar uma coisa – respondeu. Tirou a bolsa da morena e a colocou no sofá. Andou ate a cozinha e pegou um molho de chaves que estava sobre o balcão. Viu a confusão que os olhos da outra demonstravam, apenas sorriu. Segurou novamente sua mão, dessa vez mais firme e a conduziu para fora do apartamento.
— Pra onde estamos indo? – perguntou.
— Só confie em mim, Dra Mills – respondeu fazendo com que aumentasse sua curiosidade.
As duas pararam em frente a um suposto depósito que ficava entre os corredores do prédio. Emma por sua vez, encaixou uma das chaves na fechadura fazendo com que a destrancasse. Entraram. Regina ficou surpresa ao ver uma longa escada que provavelmente as levariam a cobertura do lugar. Viu vários avisos de “Não ultrapasse” fora e dentro do local, sabia que para Emma Swan aquilo apenas a instigava a continuar.
Quando por fim chegaram aos últimos degraus, a loira pediu para que Regina abrisse a porta que dava acesso à cobertura. Ficou boquiaberta com o que viu. Todo o lugar estava coberto por um lindo jardim, o gramado tomava conta do concreto, as flores brotavam em alguns arbustos e ate mesmo pela grama, vários tipos de plantas estavam espalhadas, inclusive uma macieira que chamara sua atenção. No centro daquilo tudo se encontrava um pergolado de madeira, que nada mais era do que uma estrutura feita de madeiras paralelas apoiadas em colunas, mais parecia com um telhado inacabado. Abaixo do mesmo, havia um balanço grande que lembrava aos filmes românticos, nele encontrava-se um edredom, provavelmente a loira que levara quando passava a noite no lugar. Possuía uma espreguiçadeira acolchoada, dois puffs e uma mesinha de centro.
— Que lindo – seus olhos ainda brilhavam ao encarar aquele lugar – Como você conseguiu as chaves daqui?
— Isso é um segredo meu e do proprietário – respondeu em tom de brincadeira.
— É sério, como conseguiu? – insistiu na pergunta.
— Vamos dizer que me entregar a cópia da chave, era o mínimo que ele poderia fazer – riu com a expressão de Regina, que ainda demonstrava está insatisfeita com a resposta – Tudo bem – falou – Eu sempre tive vontade de possuir uma cobertura, não importava o tamanho, mas eu queria um espaço pra mim. Um espaço confortável que me fizesse relaxar e esquecer os problemas – continuou – Quando encontrei esse apê, eu insisti em falar com o dono, demorou um pouco para convencê-lo, mas logo ele cedeu o espaço pra fazer o que tanto tinha vontade – sorriu ao encarar o local – Eu convidei um amigo recém formado em paisagismo, juntamos nossas ideias e se transformou nisso aqui – fez menção com a mão.
— Esse espaço é alugado?
— Não – respondeu – Eu ate ofereci dinheiro, mas quando o senhor Philips viu o resultado, ele fez a mesma cara que você – sorriu – Disse que não precisava me preocupar, pelo contrário, sempre que quisesse poderia vir aqui.
— E então te deu a cópia da chave?
— Isso – confirmou – Contanto que eu não saia espalhando sobre esse lugar, ele é meio que secreto – deu uma piscadela para a morena – Pela sua cara, estou vendo que ocorreu tudo bem no centro cirúrgico, certo?
— Sim – afirmou com a cabeça.
— Que ótimo – deu um passo aumentando sua aproximação – Eu sabia que você conseguiria – passou os dedos delicadamente retirando os fios castanhos sobre a face da morena e contemplou o sorriso que se formava em seu rosto – Vem, estamos perdendo o espetáculo – segurou novamente sua mão e seguiu rumo ao pergolado.
Emma sentou na espreguiçadeira que mais parecia uma cama, tanto pelo conforto, quanto pelo tamanho. Conduziu a morena para sentar-se entre suas pernas e envolveu levemente seus braços ao redor do corpo da outra. Regina pôde perceber o porquê do “espetáculo”. O céu estava alaranjado, os raios de sol jaziam de encontro a sua pele, o sol aos poucos estava se pondo entre os prédios da cidade. Aquela vista era maravilhosa, aquele lugar era maravilhoso, a pessoa que estava consigo era mais ainda, tudo aquilo realmente era um espetáculo.
— Isso é incrível – a morena confessou fazendo Emma assentir – Joana já veio aqui? – perguntou tentando evitar a curiosidade.
— Não – falava encarando a vista a sua frente e sentindo o corpo de Regina em contato com o seu – Você é a primeira pessoa que eu trouxe aqui – a morena sorriu internamente – Esse lugar é o refúgio de todos os momentos que não estou preparada pra encarar, quando fujo das pessoas e seja lá o que for, é pra cá que eu venho – entrelaçou seus dedos aos de Regina – Te mostrei porque é você quem eu quero que me ache, independentemente onde quer que eu esteja, é você quem eu quero ver – aproximou seu nariz do pescoço da morena e sentiu o aroma doce de frutas vermelhas vindo do mesmo.
— Emma, não faz isso – pediu enquanto sentia sua pele se arrepiar.
— Desculpa – afastou-se do contato.
— Tudo bem, eu gosto de você pertinho de mim. O que não gosto é de saber disso e não poder fazer nada.
— Regina, eu...
— Eu sei, eu te entendo – virou um pouco o rosto para encarar a loira que estava atrás de si. Com uma das mãos tocou o rosto de Emma, encostou o nariz no pescoço branco da mesma, sentiu seu cheiro da mesma forma que fez há pouco tempo – Você ainda tem o mesmo cheirinho – sorriu.
— Tenho? – perguntou surpresa.
— Sim – respondeu. Segurou as mãos da loira fazendo com que a envolvesse novamente. Emma por sua vez, a abraçou mais forte e encostou seu rosto no ombro de Regina, que vez ou outra o beijava.
Ficaram ali por alguns minutos, apenas contemplando a visão a sua frente. Observavam o sol desaparecendo gradativamente, o vento contra seus rostos, o estômago fazendo piruetas pela proximidade de cada uma. Poderia passar o tempo que fosse, mas aquela ansiedade, aquela sensação de primeiro encontro sempre aconteceria. De certa forma era algo cômico, pois se conheciam há tanto tempo, já haviam vivenciado tantas coisas que o mínimo que deveria acontecer era essas tais borboletas saírem dos seus corpos, mas não, elas continuavam ali e parecia que a cada encontro eram formados casulos que libertavam mais e mais.
— Você me traiu muitas vezes? – Emma quebrara o silêncio.
— Como?
— Ate onde eu sei, nós nunca terminamos nosso namoro – a loira explicou – Então, você me traiu muitas vezes?
— Eu – suspirou – Eu me relacionei com alguns homens, mas nunca deu certo – respondeu.
— Homens? – perguntou.
— Sim – assentiu – Eu acreditava que eles não me fariam sofrer, mas a verdade é que nunca consegui ficar por muito tempo pra poder descobrir.
— Foi assim com o pai do Joseph? – indagou.
— Não – falou quase em um sussurro – Com ele – sua voz falhara – eu não tive a oportunidade nem ao menos de saber seu nome.
— Como assim?
— Emma, já percebeu que Joseph tem quase a mesma idade do seu relacionamento com Joana?
— Nunca parei pra pensar...
— Eu te vi – interrompeu.
— Me viu? – perguntou.
— Há alguns anos voltei para Storybrooke a sua procura – começou – Conversei com Ruby e ela me contou o que aconteceu com você após esse tempo que estava fora – continuou – Eu havia conseguido seu endereço. Era de noite. Quando cheguei, você não estava lá, o porteiro falou que tinha saído e mencionou os prováveis lugares que talvez eu pudesse te encontrar – se inclinou para a frente, sentando-se e encarando o céu – Eu te encontrei. Te encontrei com Joana.
— Foi o dia do restaurante?
— Sim – assentiu tristemente – Após ver vocês duas juntas, eu pedi ao taxista pra me levar a um bar – franzia a testa como se tentasse lembrar o que acontecera – Eu só lembro que bebi bastante, que um cara se aproximou de mim, lembro de ter visto uma tatuagem no seu pulso, de tê-lo beijado e de ter acordado em um motel.
— Você está dizendo que o desgraçado dormiu com você e te deixou sozinha? – Perguntou com raiva.
— Foi só uma noite, ele não tinha motivos pra me dar satisfações – respondeu.
— Mas se fosse um homem de verdade, teria no mínimo esperado você acordar para se despedir – falou – Que idiota!
— Tudo bem, Emma, já passou – parou por alguns segundos relembrando os flashs daquela noite – Foi ele quem me deu o presente mais lindo que alguém poderia ganhar. Foi difícil no começo, mas consegui encarar os problemas com a cabeça erguida. Addie me ajudou bastante nesses anos e eu devo muito a ela – continuou – O que realmente me preocupa é o fato dele crescer sem um pai, tenho medo que isso o afete futuramente.
Taylor Swift — Safe & Sound ♪♫♪
— Acho meio difícil – retrucou – Por mais que ele seja apenas uma criança, Joseph tem uma cabeça feita pra sua idade. Sem contar uma tia maravilhosa, uma mãe mais ainda e agora tem a mim – saiu de trás da morena que ainda mantinha o corpo afastado e sentou-se ao seu lado – Acho que seremos capazes de fazer com que essa sua preocupação não aconteça. Tenho certeza que seremos mais que suficientes pra ele. Eu sei que estou me precipitando, mas eu realmente quero isso – falou – Eu quero acordar ao seu lado todos os dias, quero sentir seu cheiro nas minhas roupas, ver o seu sorriso, ser a causadora dele. Quero te beijar ate ficar com os lábios dormentes – sorriu – Quero te consolar quando for preciso e te ajudar quando necessário. Isso inclui principalmente a criação de Joseph, vamos mostrar que seremos muito melhores do que um pai – baixou a cabeça encarando as próprias mãos – A maior certeza que eu tenho no momento, é que quero viver com vocês, quero que façam parte da minha vida e se possível, nunca sair dela.
Regina tirou a atenção do sol se pondo, para dar a loira ao seu lado. Emma dizia tudo com a voz firme, mas o receio estava presente a cada palavra proferida, tinha medo de que talvez os planos de ambas fossem opostos. Roçava as mãos como se estivesse aquecendo-as, mas apenas estava tentando esconder o nervosismo.
— Eu quero tudo isso e mais um pouco – segurou uma das mãos da loira e levou-a aos seus lábios beijando-a – Emma – levantou calmamente o rosto branco da outra, fazendo com que seus olhares se cruzassem de uma forma única – Eu não posso te levar pra felicidade eterna, mas nada me impede de trazê-la ate você – acariciou gentilmente as maçãs rosadas do seu rosto – Prometo que caso eu não consiga te fazer a pessoa mais feliz, eu chegarei o mais perto disso possível.
Aquilo fora mais que o necessário para que Emma não temesse o futuro, por mais que fosse incerto, ele estava para acontecer e elas queriam isso. Queriam ficar juntas, queriam a incerteza e a infinitude que a vida poderia dar. A loira pôde ver no olhar castanho da outra, que o que sentia, o que sonhava, todos aqueles desejos eram recíprocos e que agora elas eram mais fortes. Todo o sofrimento, toda a história, tudo o que vivenciaram, fez com que essa força crescesse. Perceberam que estavam preparadas para lutar com quem quer que seja, elas seriam imbatíveis desde que estivessem unidas.
Emma colocou sua perna direita sobre as pernas da morena, fazendo com que aumentasse o contato entre as duas. Levou sua mão esquerda a nuca de Regina e afogou seus dedos nos cabelos negros da mulher. Com a outra mão, levou seu polegar aos lábios carnudos da morena e o passou com carinho como se estivesse desenhando cada traço daquela boca que tanto prezava. Regina entreabriu os lábios sentindo o toque que a outra lhe dava. Emma encarou mais uma vez aquela morena, o olhar que se encaixava perfeitamente no seu, que era capaz de ver muito mais do que estava a sua frente, o olhar que era capaz de ver e tocar sua alma.
— Eu ainda te amo, Regina – confessou.
— Eu – pausou – Eu nunca deixei de te amar – por fim falou.
A loira encostou sua testa na de Regina, fazendo com que ambas fechassem os olhos. Automaticamente sorriram com o contato. Sorriram de um jeito tão simples e tão puro. A morena passou o seu nariz no de Emma, como se brincasse de esquimó. Deixou-se levar pelo momento, levou seus lábios e depositou um beijo no lábio superior da loira. Percebendo o que acabara de fazer, abriu os olhos temendo que Emma a repreendesse.
— Eu não devia ter feito isso – falou.
— Se não fizesse, eu mesma faria – retrucou.
Aproximou seus lábios finos do pescoço da morena e o beijou. Subiu toda a extensão com beijos ate aproximar-se de sua boca. Quando percebeu, suas respirações se cruzavam, os lábios a milímetros um do outro, as bocas entreabertas, esperando apenas para que aquele ato tão esperado fosse concretizado. Com a mão que ainda estava afogada nos cabelos escuros de Regina, Emma a puxou para si, unindo o que jamais deveria ter sido separado.
Aquilo era como uma dança, precisava do par perfeito para que seus movimentos fossem sincronizados e totalmente perfeitos. Encaixou seus lábios entre os carnudos da morena, beijou cuidadosamente o lábio superior, que em seguida brincou com o inferior. Regina por sua vez, pedira passagem com sua língua que logo a loira concedeu, subiu suas mãos e segurou o rosto de Emma, puxando-a mais ainda para si.
A saudade daquele beijo era tão imensa, que poderiam passar o resto do dia se beijando e aquele sentimento ainda não passaria. Tantos dias choraram pela falta uma da outra, tantas lágrimas derramadas por causa de uma pessoa tão infame, que parecia não aceitar a felicidade alheia. Mas agora estavam ali, uma de frente para a outra, uma sentindo novamente o gosto da outra, uma amando incondicionalmente a outra. O destino fora o maior causador desse encontro, pois quem acreditaria que em um país no qual há cinquenta estados e mais de trezentos milhões de pessoas, ambas se reencontrariam em um?
O beijo se intensificava cada vez mais. Os lábios se encaixavam como um quebra-cabeça, a cada peça unida descobria uma nova. Suas línguas pareciam espadas, uma tentando manter o poder sobre a outra.
Emma deitou calmamente Regina na espreguiçadeira, tomou cuidado para que o beijo não fosse interrompido. Desceu seus lábios novamente pelo pescoço da morena, fazendo um caminho ate seu colo. Tomou um pouco de espaço e abriu vagarosamente os botões da blusa de Regina. Contemplou a visão dos seus seios na lingerie preta, eles estavam mais fartos, talvez por ser mãe ou talvez por ser uma mulher feita. Sua cintura parecia está mais moldada do que na última vez que vira.
— Pra quem queria ir devagar, você ate que está afoita – a morena brincou ao perceber o olhar de Emma sobre si.
— Você fala demais, bobona – selou novamente seus lábios, evitando que Regina falasse qualquer coisa que a fizesse repensar suas atitudes a seguir.
Enquanto a loira puxava a cintura da outra contra si, a morena desceu suas mãos de encontro ao quadril de Emma, descendo o short que estava vestida, dando visão a sua calcinha boxer branca. Regina levou suas mãos a bunda da loira apertando-a, subiu suas unhas por dentro da blusa de Emma e deixou um caminho de arranhões finos pelas suas costas. Retirou a peça de roupa da mulher e pôde ter a mesma visão que a loira teve sobre seu corpo, quem sabe ate melhor, já que ela estava seminua e Regina estava apenas sem blusa. O corpo de Emma estava mais firme do que nunca, sua barriga trincada, suas coxas com músculos definidos e ate mesmo seus braços estavam fortes, não eram exagerados, apenas era admirável uma mulher possuir um corpo tão definido como o dela.
Emma começou a mordiscar a parte superior do abdômen da morena que estava a mostra, com suas mãos abriu o zíper que se localizava na lateral da saia. Desceu aos poucos, juntamente com beijos e mordidas por toda a região exposta. Regina se arrepiara a cada toque que a loira dava. Quando Emma chegou ao fim de sua barriga, observou a calcinha rendada da morena, a retirou com calma, ouviu Regina arfar por ansiedade.
Entrelaçou suas pernas nas da morena, fazendo com que o sexo de ambas encaixasse na coxa da outra. Regina rebolava sob sua perna, a loira sentia a umidade se formando em contato com sua pele, aproximou-se do rosto da morena e pôde ouvir a respiração descompassada da mulher. Colocou uma de suas mãos atrás de Regina, soltando seu sutiã. Beijou entre seus seios enquanto sentia a pele da morena se arrepiar, distribuiu beijos e chupões antes de tocar seu mamilo e quando assim fez, Regina soltou um gemido de prazer momentâneo. Emma sugou o mamilo que já se encontrava rígido pela excitação, o lambeu e o beijou, enquanto no outro massageava. Os movimentos eram revezados entre ambos.

Desceu sua mão direita pelo corpo de Regina que foi de encontro a sua intimidade. Emma voltou seus lábios para os da morena. Com facilidade colocou dois dedos dentro de Regina, a lubrificação em seu sexo era algo nítido. A morena arqueou as costas no mesmo momento que sentiu a penetração, gemeu, mas os mesmos foram abafados pelos beijos de Emma, antes que tomassem conta do lugar. A loira intensificou o contato, aumentou a frequência de vai e vem dentro a mulher, sentiu o clitóris inchado em seus dedos, Regina rebolava acompanhando o ritmo que tomava conta de si, suas costas curvadas mostravam que procurava cada vez mais contato.
Emma voltou a beijar os seios da mulher e foi percorrendo todo o caminho que um dia trilhou. Desceu novamente pelo abdômen da mulher, o beijou e aproveitou para sentir a pele gostosa de Regina Mills, em nenhum momento parou as estocadas em seu sexo. Quando se aproximou do mesmo, sentiu pequenos espasmos vindos da morena. Retirou os dedos, abriu as pernas de Regina e encarou sua intimidade.
— Eu bem que poderia pedir pra você implorar e blá, blá, blá, mas eu acho essas coisas tão clichês...
— Emma! – repreendeu – Isso não é hora!
A loira não questionou. Apenas baixou sua cabeça e deixou que sua boca fizesse o resto. Penetrou a morena com sua língua, fazendo com que a mulher gemesse alto com o contato. Beijou e sugou seu clitóris. Como se fosse possível, Regina colocara as mãos na cabeça de Emma, forçando um contato maior. A loira chupou e mordiscou cada pedacinho daquela área, por fim sentiu os espasmos vindos do corpo de Regina seguido de mais gemidos, que indicava o começo e o término de um orgasmo.
Emma deitou ao lado de Regina que ainda mantinha a respiração descompassada. Quando por fim se recuperou, observou a loira que ainda se encontrava de calcinha e sutiã. Subiu em cima do quadril de Emma e aproximou seu rosto ao da loira. Encarou seus olhos verdes, levou sua mão soltando o coque que estava mais assanhado do que quando chegara a seu apartamento. Arrumou seu cabelo, olhou-a novamente e sorriu. Beijou a bochecha da loira, desceu para seu queixo e subiu alguns centímetros para encontrar sua boca. Enquanto a beijava, abriu o sutiã e tornou a massagear seus seios.
Separou seus lábios dos de Emma e voltou sua atenção ao colo da mulher. Aproximou sua boca do mamilo da loira, passou sua língua por toda a extensão rosada daquele local, fazendo-a fechar os olhos com força, sentindo o toque aveludado dos lábios de Regina contra seu seio. A morena dividiu a atenção entre ambos.
Levou sua mão de encontro a calcinha da loira e a desceu gentilmente. Pediu para que Emma ficasse de lado. Regina levantou sua perna e encaixou seu sexo no sexo da outra, mexia seu quadril freneticamente, fazendo com que Emma arfasse. Ficou ali por algum tempo. Quando percebera a rigidez que a intimidade da loira demonstrava, afastou-se do contato, deitou sobre ela e levou sua mão ao sexo da mulher.
Regina pôs dois dedos calmamente e aos poucos fora aumentando a velocidade das estocadas. Acrescentou mais um dedo e ouviu um grito vindo da loira. A morena, por medo de tê-la machucado, parou na mesma hora, mas Emma segurou em sua mão como um pedido para continuar e assim fez. A intimidade da loira estava pressionando seus dedos, logo percebera que o orgasmo já estava próximo. Desceu rapidamente seus lábios de encontro a umidade formada no corpo da mulher. Abocanhou seu sexo com voracidade, lambeu e chupou da mesma forma que a loira fizera a pouco, deu uma pequena mordida no clitóris quando sentiu toda aquela euforia corroer o corpo de Emma. Ela se contorceu, mas Regina já estava ao seu lado para silenciar seus gemidos.
Mal haviam percebido que a noite caíra. O céu não estava totalmente escuro, o azul-marinho era o tom presente em todo campo de visão. As estrelas resolveram aparecer para aperfeiçoar mais ainda aquele dia. O ar gélido da noite começava a tomar conta do local.
— Está ficando frio – a morena falara enquanto se encolhia.
Emma levantou-se ainda nua, foi ate o balanço e pegou o edredom que havia esquecido outra noite. Voltou para a espreguiçadeira e deitou. O colocou gentilmente sobre Regina, que não demorou muito para se aconchegar em seu corpo. Encostou a cabeça nos braços de Emma e abraçou sua cintura. A loira por sua vez, a apertou mais contra si e pousou um beijo em sua testa.
— Talvez você não lembre, mas quando ainda morávamos em Storybrooke, eu te prometi o mesmo que me prometeu a pouco – continuou – Eu prometi que te faria feliz e que seria seu anjo.
— Eu me lembro.
— Agora eu posso cumprir, porque estou aqui – concluiu.
— Cumpriremos juntas – segurou em sua mão.
— Sim – assentiu – juntas – beijou a mão de Regina.
A morena observara Emma, seu olhar distante, não sabia ao certo para onde olhava, se era a um lugar fixo ou se apenas estava perdida em pensamentos. Passou seus dedos por todo o rosto branco da loira, como se tivesse desenhando cada curva, cada linha de expressão ali formada.
— Não lembro como – interrompeu os pensamentos – mas queria saber quando comecei a me apegar tanto a você – Regina falou.
— Eu me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono... – a encarou.
— Gradativamente e de repente – completou.
— Hazel Grace – falaram em uníssono, tornando a sorrir.
Ficaram observando a luz da cidade misturando-se com o brilho do céu estrelado. Perguntavam-se como poderia haver um ser que fosse responsável por toda aquela magnitude, por todo aquele brilho, pelas pessoas, animais, plantas, pela terra e por todos os planetas. Como poderia existir alguém capaz de unir duas pessoas que tiveram seus passados separados, em caminhos opostos? Como poderia existir alguém que mudasse o futuro e transformasse toda aquela dor, todo o sofrimento, em apenas lembranças repentinas? Como poderia existir? Isso nenhuma delas eram capazes de responder. Apenas acreditavam, mantinham sua crença, que tudo vem com um propósito e se vai por outro.
— Sinto que hoje provamos um pouco do infinito.
— Nós somos como as estrelas, Emma – apontou para o céu – Somos infinitas.
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